segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Há um provérbio chinês que diz: “É fácil ser pedra, difícil é ser a vidraça”. Eu mencionei aqui este provérbio quando fui, pela primeira vez, membro de uma banca examinadora de qualificação e de seminário. Hoje, ao citá-lo novamente, reforço que devemos ser muito cuidadosos quando fizermos algumas críticas. Mas vamos por partes.
Hoje, como em todas as segundas-feiras, tive aulas na escola e na universidade. Entrei pela primeira vez naquela turma que, conforme mencionei semana passada, desapontou-me ao extremo, a ponto de pensar em deixar de ser professor. Adentrei a sala sem qualquer sorriso. A aula foi logo após o recreio. Ao contrário das outras vezes, não chamei nenhum dos alunos que normalmente ficam se batendo antes de entrar. Apenas fui escrevendo um resumo do conteúdo no quadro negro. Todos logo perceberam a diferença na minha postura com relação a eles. De fato, eu estava muito triste, mas quem é professor sabe que isso passa. Mais ainda: a tristeza não é com todos os alunos, mas apenas com alguns mais “malandrinhos”. É muito difícil ter que ficar sem sorrir para aqueles que a gente tem mais afinidade e que a gente percebe que gosta da pessoa (não da figura) do professor... Mas tive que fazê-lo, pelo bem de todos. O clima, obviamente, ficou tenso. Espero não ter que fazer isso muitas outras vezes... Espero que eles tenham aprendido a lição.
Normalmente quando bate o sinal para a saída eu me sinto muito aliviado. Não importa as quatro aulas que ainda terei que ministrar na universidade à noite. Sempre penso que lá vai ser diferente. Entretanto, nesta segunda-feira em particular, esqueci-me de um detalhe: eram as últimas aulas antes das semanas de provas. Sempre rola um clima tenso nesses dias, porque eu percebo que ninguém está estudando. Que inocência a minha pensar que desta vez ia ser diferente! Os alunos sempre deixam para estudar às vésperas das provas e acabam se saindo muito mal... O pior é que, no final das contas, é o trabalho do professor que é avaliado... Novamente tive que “dar uma dura” neles, mas tenho certeza de que não tudo voltará a repetir-se no próximo bimestre (como repetiu-se nesse...)
Pois bem: quando digo que devemos ser mais ponderados com nossas críticas, refiro-me a uma experiência pessoal. Às vezes sou muito duro com a Débora por ela sempre idealizar as situações. Assim como ela, eu idealizei que as aulas na universidade hoje seriam boas...
Como dizem, hoje foi um dia em que “caí do cavalo”...
Acho que preciso rever alguns de meus conceitos... :=)
No final das contas, tenho que agradecer a Deus por ter ido à universidade. Explico: o Betão enviou-me um fax com as considerações do revisor sobre o nosso artigo. A Cris (a técnica que opera o cromatógrafo gasoso) foi quem passou-me o fax. Bem, como eu disse, ela opera um cromatógrafo gasoso e não um fax. Como já era esperado, foi uma verdadeira "batalha": ela não sabia passar o fax, eu não sabia receber... Com isso, quase perdi o ônibus da faculdade...
É assim que eu vejo as coisas: por mais ruim que eles estejam, tem sempre um motivo por que agradecer: tudo SEMPRE poderia ter sido pior...

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