terça-feira, 13 de setembro de 2005

Posso classificar esta terça-feira como um dia “diferente”. Acordei no chão. Calma, não é o que parece! O fato é que, devido ao meu “querido” bico-de-papagaio, preciso passar parte da noite com as costas apoiadas no chão duro e com os pés para cima, apoiados sobre a cama. Por mais estranho que pareça, é uma posição relativamente cômoda. Amanheci foi muito bem! Estava disposto a nadar e a espantar de vez aquela dorzinha nas costas que restava e que me perturbou durante toda a segunda-feira. Ah, é bom deixar claro que embora eu tenha tido meus “minutos de adolescente” ao jogar tanto futebol no domingo, minhas costas não doeram tanto como de costume. Acredito que os efeitos da natação estão começando a aparecer... De qualquer forma, qualquer plano de nadar ou sair de casa já estava fadado ao fracasso, pois eu tinha que terminar o artigo que o Betão tinha enviado por fax. Putz, lá vamos nós! Já dava pra prever que eu sentar na cadeira e só saí à tarde, para ir à escola... Às vezes acho que eu deveria gostar um pouco menos do que eu faço... :=) Quando cheguei na escola, por volta das 17h40min, encontrei o João Luis, um professor de Português e Inglês. Ele disse que a Soninha (aquela professora com quem eu havia conversado muito na sexta-feira) estava com paralisia parcial da face! Fiquei muito assustado e preocupado. Ela ainda está internada e os médicos ainda desconhecem a real causa do problema. Espero que não seja nada grave e que ela possa se recuperar logo, para estar conosco lá na escola, sorrindo como sempre fez. À noite, durante as aulas, ocorreu uma situação muito inesperada. Há uma aluna que normalmente fala muito alto e que é muito agressiva na sua maneira de falar. Profere palavrões e não é muito “querida” pelos professores. Certo dia, quando pedi para ela desligar o celular, ela disse que eu estava “fudido” com ela, porque ela não ia dar sossego na próxima aula. Para minha surpresa, essa aluna recepcionou-me com um abraço. Durante a maior parte do tempo, ela permaneceu quieta, conversando normalmente enquanto os outros alunos “tiravam o sarro” de um dois de seus colegas. Esses dois colegas estavam sendo chamados de “viados” por não terem “ficado” com duas meninas da classe que, segundo eles, os tinham “intimado”... A turma estava tão empolgada que a Ivani (tenho certeza que ela vai rir quando ler isso...) foi verificar o motivo de tanta empolgação, ao que lhe respondi: “Protagonismo juvenil...”Aos poucos os ânimos se acalmaram e a aluna que mencionei permanecia comportada no fundo da sala. De repente, a porta abriu-se com um chute e dois rapazes perguntaram, agressivos, quem foi que os havia “cagoetado”. Apontaram para essa menina e a ameaçaram seriamente, dizendo que ela tinha “entregado” o próprio irmão. Um deles estava mais exaltado e quase entrou na sala. Ela, então, levantou-se e gritou: “O que foi? Vai por a mão? Eu cagoeto mesmo! Vocês vão rodar, sim, um por um!” Eu, assustado, apenas perguntei educadamente para um deles (o menos alterado, claro...) se podia fechar a porta. Ele simplesmente fez um sinal positivo e respondeu: “Firmeza, professor.”Após alguns minutos, a aluna começou a chorar. De repente, dirigiu-se à porta, jogou a carteira que estava mantendo-a fechada e dirigiu-se à diretoria. Voltou depois de algum tempo, sentou-se e começou a chorar novamente. Um pranto quase que desesperado, mistura de tristeza, desespero e medo. Após escrever algumas linhas de conteúdo no quadro, dirigi-me à carteira onde ela estava, tentando acalmá-la. Perguntei-lhe então o que estava acontecendo e quem eram aqueles rapazes.. Ela contou-me que eles eram traficantes do bairro e que o seu irmão estava se envolvendo com eles. Ela havia descoberto, avisando então a irmã mais velha, que então o enviou para Ribeirão Preto. Os “manos” descobriram que foi ela e vieram ameaçá-la, avisando que iriam vingar-se dela. Confesso que não sei ainda muito bem o que fazer em algumas situações que tenho vivenciado no ensino médio. Acho que passei boa parte dos meus últimos anos “trancado” em laboratório ou em frente ao computador, estudando, fazendo esquemas de fragmentação, escrevendo artigos... Se aulas no ensino médio não têm me trazido qualquer realização profissional, posso dizer que estão me proporcionando uma lição de vida que em nenhum outro lugar eu teria... Ouso até dizer que estão me tornando uma pessoa melhor...

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