segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Sempre lidei bem com rotina, embora seja sempre muito bom deixá-la de lado de vez em quando. Sendo assim, o fim de semana foi uma rotina só, embora eu tenha chegado ao seu final extremamente feliz. No sábado, fui à universidade revisar o conteúdo de Química Orgânica com o pessoal do 4o. ano. A porcentagem de freqüência foi muito baixa: de 70 alunos, apenas uns 27 compareceram. Isso nos tem deixado muito apreensivos com relação ao resultado do ENADE. Vamos rezar bastante pra sair pelo menos um C. A notícia boa foi que eu encontrei a Débora por lá. Sempre é ótimo encontrá-la ocasionalmente (como disse, é sempre bom sair da rotina...) À tarde, tentei fazer uma faxina nos arquivos do computador, mas acabou ficando só na tentativa... No final da tarde, fui jogar futebol com a moçada e, pra variar, o meu time não ganhou uma sequer. Dizer que eu estava com o pé descalibrado é injustiça, já que eu acertei a trave umas quatro ou cinco vezes. Eu estava era azarado mesmo! No domingo, acordei às 9h15min. Meus avós maternos e minha tia Ângela vieram almoçar aqui em casa. O papai preparou um prato delicioso, a que ele denominou de “engasga-gato”. Não se assustem: apesar do nome, é um prato delicioso, uma espécie de polenta-sopa com lingüiça, presunto, azeitona (putz, se algum dia ele ler esse blogger e descobrir que eu nem sei direito quais são os ingredientes do famoso engasga-gato dele, eu estou encrencado!). Melhor que o engasga-gato foi a melancia que eu comi de sobremesa. Na minha opinião, é a fruta mais deliciosa que existe! À tarde, fui à casa da Débora e ficamos juntos até às 20h, hora em que senti-me no dever de deixá-la descansar. Afinal, agüentar um “mala” como eu não deve ser tarefa fácil... Quanto à segunda-feira, digamos que tenha sido simplesmente segunda-feira. As aulas que ministrei no ensino médio foram “horríveis”! Eu não desejo a ninguém a experiência de ter que ficar gritando e perder mais da metade da aula chamando a atenção dos alunos. O pior de tudo é que eu não tenho encontrado saída para o problema. O fato é que a realidade com que me deparo na rede pública lá é completamente diferente do ambiente universitário... Como lidar com o desinteresse deles? Caramba, como é que eu posso exigir interesse e estudo de um aluno, dizer que aquilo ali é importante para que ele se torne um profissional bem sucedido, que vale a pena estudar se eu, tendo estudado 23 anos da minha vida, encontro-me na situação em que me encontro, com um carro velho e sem uma casa para morar??? Isso dá um nó na minha cabeça: ensino médio, graduação, pós-graduação... Confesso que a idéia de abandonar o segundo grau está começando a tomar forma na minha cabeça. Não sei por quanto tempo vou agüentar. A primeira impressão foi dolorida. Espero que consiga recuperar-me para não ficar traumatizado. Que Deus me ajude! Túnel do tempo. Este velhinho simpático que aparece na foto é o meu querido tio Eduardo Borella, irmão da minha bisavó paterna. Ele faleceu quando eu tinha poucos meses de vida e, portanto, não tenho nenhuma experiência pessoal para relatar sobre ele. Meu pai, que era muito ligado a ele, sempre conta que ele era um homem muito alegre, que sempre andava com um grande chapéu de palha e que adorava caçar. Meu pai disse-me que ele era tão bom com uma “espingarda” nas mãos que acertava pombas voando! Nós temos as espingardas dele aqui em casa, guardadas como lembrança, juntamente com a munição (que, aliás, é bem diferente das de hoje...) Mesmo não tendo conversado pessoalmente com ele, tenho um motivo muito especial para querê-lo muito bem: o “Eduardo” que levo como segundo nome é uma homenagem que meu pai fez a ele (como disse, meu pai devia gostar muito dele e, para o meu pai gostar de alguém, ele deveria ser realmente uma pessoa muito especial). Quando o meu pai lhe contou que eu ia chamar-me de Eduardo, ele, que se encontrava em um leito de hospital, sofrendo de um câncer no intestino em estágio avançado, encheu os olhos de lágrimas e disse: “Eu nunca fui uma pessoa ruim e nunca quis nem fiz mal a ninguém. Ele também vai crescer e se tornar um homem de bem.” A cada dia que deito à noite e coloco a cabeça no travesseiro, eu fico pensando se eu tenho feito o suficiente para que ele se orgulhe de mim, onde quer que ele esteja. Como eu gostaria tanto de ter conversado com o senhor, pelo menos uma vez... Que Deus o abençoe, tio Eduardo! Mensagem do dia. Conhecendo o coração Rachel estava iniciando sua carreira na medicina e começou a atender os seus próprios pacientes. A primeira pessoa que lhe coube atender foi uma viúva de 84 anos, com uma insuficiência cardíaca das mais simples. Era a paciente ideal para alguém que não tinha muitos conhecimentos. Uma doença de fácil tratamento. O diagnóstico foi preciso: ela sofria de doença coronariana. Rachel conseguiu elaborar um plano de tratamento, prescrevendo dois medicamentos. Em poucas semanas de tratamento, a paciente não se queixou mais de falta de ar, a tolerância aos exercícios começou a melhorar e o inchaço dos tornozelos diminuiu. Estranhamente, embora Rachel exultasse de felicidade com a sua vitória, a paciente se mantinha sem nenhuma alegria. A jovem médica pensou que provavelmente isso se devia à sua idade avançada. No mês de dezembro, Rachel a dispensou da clínica. Deu-lhe somente um medicamento para ir tomando e recomendou-lhe que voltasse em seis meses, para reavaliação. Enquanto escrevia a sua primeira receita, Rachel sentia que estava se tornando uma médica de verdade. No início de março, entretanto, a senhora retornou para a consulta. Era a terceira paciente do dia. Enquanto atendia as primeiras, Rachel pensava em que erro teria cometido, pois tinha certeza que a paciente deveria estar de novo com um quadro de insuficiência cardíaca. Por que outro motivo ela teria voltado tão cedo? Qual teria sido a falha? Ansiosa, Rachel entrou na sala de exames e encontrou a senhora, totalmente vestida, sentada em uma cadeira. Percebendo o olhar de surpresa da médica, ela disse que não estava ali para um novo exame. Viera para trazer um presente para ela. E das profundezas de sua enorme bolsa, tirou um embrulho de papel encerado e colocou na mão de Rachel. Eram quatro pequeninas flores roxas. “São muscaris”, falou a viúva. “há mais de 40 anos, meu marido e eu temos plantado essas flores no jardim de nossa casa. Elas renascem a cada primavera, sem falhar. São o primeiro sinal de que a vida é mais forte do que o inverno. No outono anterior, quando senti minha própria vida se retrair, não pensei no inverno, doutora. Pensei na morte. Lembrei-me dos muscaris e das outras flores do jardim, que retornam a cada primavera. Pensei que nunca mais as veria. Senti muito medo. Quando a senhora me explicou sobre a ação do medicamento que estava me receitando, fiquei descrente. A senhora é tão jovem. Quase sessenta anos nos separam. O que poderia a senhora saber? Mas agora doutora, eu vim lhe agradecer. Obrigada pela ajuda. Obrigada por conseguir que eu visse outra primavera, que visse outra vez as minhas flores.” E saiu. Rachel ficou com o pequeno ramalhete nas mãos. Na sua mente, mil pensamentos começaram a bailar. Os seus livros de farmacologia traziam explicações sobre o modo de ação do remédio que ela prescrevera e sua dosagem. Rachel sabia que, aos 84 anos, um coração com problemas, responderia ao medicamento. Os livros lhe tinham ensinado tudo o que ela precisava saber a respeito. Só não haviam ensinado que o amor pela vida não é uma função do músculo cardíaco. Muito antes de o bebê nascer o coração se faz presente. Muito antes disso, o espírito existe e ama, e sente. Por isso, é muito bom nos aliarmos à voz daquele cardiologista que extasiado ante a beleza da vida, orou: “Deus, faça com que os nossos olhos vejam e nossas mentes sejam capazes de conhecer. Permita que haja momentos em que sua presença, como um raio, ilumine a escuridão na qual caminhamos. Ajude-nos a enxergar e nos maravilharmos ante a grandeza que descobrimos, a cada dia, a fim de que não continuemos a caminhar como cegos, no meio de tanta grandeza com que nos brindas, enquanto os dias passam e os anos vão desaparecendo.” Frase do dia. “De que serve construir arranha-céus, se não há almas humanas para morar neles?” (Érico Veríssimo) Piada do dia. Tartatuga no poste Enquanto suturava um ferimento na mão de um velho gari (cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo),o médico e o paciente começaram a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre o Lula. O velhinho disse: - Bom, o senhor sabe, o Lula é como uma tartaruga em cima do poste... Sem saber o que o gari quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste.E o gari respondeu: - É quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste e lá em cima tem uma tartaruga tentando se equilibrar. Isso é uma tartaruga num poste. Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou: - Você não entende como ela chegou lá;- Você não acredita que ela esteja lá;- Você sabe que ela não subiu lá sozinha;- Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;- Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá; - Você não entende porque a colocaram lá;- Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá, e providenciar para que nunca mais suba lá, pois lá em cima definitivamente não é o seulugar!"Sábias palavras a serem lembradas daqui a pouco mais de um ano"

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