terça-feira, 25 de outubro de 2005

Nos últimos dias, tenho tentado ser um “bom menino”. Tenho medido as palavras e procurado dar muita atenção ao que os outros falam ou pensam. Existe, neste momento, um espírito de paz em meu corpo. Lembram daquela paz que eu mencionei ter perdido? Parece tê-la reencontrado! Espero não deixá-la escapar novamente... Uma aluna lá da faculdade percebeu a diferença na minha maneira de agir. Perguntou se eu estava chateado com a classe, pois estava me achando muito abatido. De fato, eu sempre costumo falar muito rápido (geralmente para não perder o raciocínio...) e alto. Raras eram as aulas em que eu não dava um “esporro” em todo mundo, para que eles se dedicassem mais. Para surpresa dela, eis que do nada eu apareço medindo as palavras, sendo calmo e tolerante e sem dar esporro em ninguém... Aí eu fiquei me perguntando: será que vou ser tomado como chato se começar a agir dessa forma? Tenho colhido bons frutos da minha dedicação ao estudo. Embora ainda não tenha conseguido fazer tudo o que eu queria, posso dizer que as coisas estão caminhando no rumo que eu queria. Entretanto, estou um pouco preocupado com a minha vida pessoal. Não me refiro à Débora, pois a gente se entendeu muito bem, mas à minha família. Neste caso, a questão não é se dar bem, pois eu sou o único da família inteira que conversa com todos os tios e primos. Eu me refiro ao tempo que abdico com eles para poder dedicar-me ao estudo. Sei que eu fiquei anos em Ribeirão e que tanto eles como eu sentimos muitas saudades. Mas a situação agora é diferente! Trata-se de estar presente e, ao mesmo tempo, ausente de todos. E isso é algo que muito me preocupa... Às vezes eu fico prestando atenção em coisinhas “bobas” do cotidiano, que a gente faz sem perceber. Aqui em casa, por exemplo, constantemente eu pego o prato de comida e vou almoçar na sala, deixando os meus pais sozinhos, almoçando na cozinha... Aposto que todo mundo já fez isso algum dia!!! Foi então que eu me coloquei no lugar do meu pai e fiquei imaginando qual seria a minha reação se eu fosse pai se o meu filho agisse como eu... Acho que eu ficaria arrasado se isso acontecesse! Então eu percebi que às vezes a gente faz as pessoas que a gente mais ama sofrerem sem perceber... Quantas vezes eu esqueço o sabonete no chão do banheiro e esqueço de retirar a espuma do banheiro, logo após o banho!!! E quantas vezes a minha mãezinha vem logo atrás, inspecionando se eu deixei tudo no lugar e, pra sua decepção, se depara com aquela bagunça toda... Então... como eu reagiria a tudo isso na condição de pai??? São pensamentos como este que me fazem reconhecer que a vida é um aprendizado constante. Eu acredito que as coisas mais belas e importantes da vida não são encontradas entre os livros que eu tanto folheio. Elas estão ao nosso lado o tempo todo! As aulas mais importantes nos são dadas quando encontramos alguém cuja opinião difere da nossa (como é difícil lidar com alguém de quem discordamos, não é verdade?). Por exemplo: todos nós temos muita dificuldade para lidar com nossos irmãos. O problema já começa no nascimento! Afinal, um irmão é uma outra pessoa que disputa o colo da "nossa" mãe e que é amamentada pelo mesmo leite. Quando minha irmã nasceu (e isso eu me lembro bem, já que tinha quatro anos!), eu fiquei muito revoltado. Eu achava que ela ia tirar o meu lugar no coração dos meus pais. Quando recebi a notícia, estava na casa da vovó Maria (minha avó materna) e ela me deu a notícia enquanto estava me lavando no banheiro. Eu comecei a chorar no mesmo instante e saí gritando pela casa, nu, todo cheio de espuma, indo terminar na cama dela, que na época tinha uma colcha de veludo vermelho lindíssimo! Que monstrinho eu fui fazendo a minha avó chorar daquele cheiro... Minha irmã e eu temos comportamentos completamente diferentes. Ela grita com meus pais, é impulsiva e diz o que vem à cabeça. Quanto a mim, sou um pouco mais ponderado no que digo e meço as palavras por saber o poder de ferimento que elas têm. É claro que eu não sou santo e às vezes perco a cabeça e exploso. Quando isso acontece, meus pais dizem que eu sou "brasa encoberta". Muitas vezes já disseram que, por agir desta maneira, eu tneho o gênio mais forte que o dela.
Diante da diferença nos nossos comportamentos, eu e minha irmã já tivemos brigas e discussões homéricas. Hoje esta necessidade de aceitar minha irmã como ela é fez-me pensar: como eu agiria se a minha filha tivesse um comportamento como o dela? Aos poucos vou percebendo o que o professor Jorge disse outro dia e que me marcou muito aquele dia: “Nesta vida, o que não aprendemos por meio do amor, aprendemos pela dor.”
E é por isso que eu acredito que devemos nos amar (pelo menos tolerar uns aos outros) e aceitar nossas diferenças. Se as pessoas pensassem assim, talvez o mundo fosse um pouco diferente.

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