quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Ontem fui dormir já era madrugada. Hoje acordei muito tarde (8h20min) e, quando isso acontece, eu já acordo um pouco mau-humorado. Afinal, com tanta coisa pra fazer, eu acabo considerando que uma hora de sono a mais é uma hora de sono perdida. Passei o dia todo tentando escrever um artigo mas cadê a inspiração? Contudo, seria ingrato demais dizer que o dia foi perdido. Recebi e-mails do Vladimir (de manhã) e do Clodoaldo (esta tarde) que me deixaram muito feliz. Quando eu vi o Vladimir pela primeira vez no laboratório da USP lá de Ribeirão, ele estava aguardando o professor João, nosso orientador. O Vladimir falava muito e expunha suas idéias de forma enérgica. Naquele dia, eu não tive muita oportunidade de dizer nada! Ficou a nítida certeza de que se tratava de um cara muito inteligente. Contudo, acho que minha amizade com o Vladimir começou mesmo quando eu lhe expus alguns pontos de vista e ele, na minha cara, disse: “Eu não concordo com você. Na minha opinião, você está errado”. Ele disse isso em um tom seco que me impressionou. Naquele momento, eu o achei um tremendo “chato”. Afinal, como ele teve coragem de dizer isso na minha cara? Aos poucos fui vendo que essa é uma qualidade que poucas pessoas têm, principalmente aqui no Brasil: a sinceridade! Percebi que se o Vladimir tiver que mandar um cara à merda, ele manda e diz isso para a própria pessoa, sem intermediários. De fato, nós, brasileiros, temos dificuldades de lidar com o “não”. A gente sempre gosta de pessoas que, mesmo não gostando do que estão ouvindo ou do que estamos fazendo, preferem sorrir e dar tapinhas nas nossas costas. Essas pessoas que “fingem” são as que normalmente consideramos ser nossos amigos. De certa forma, nós criticamos nossos políticos mas eles são a nossa cara! Eu fiquei muito feliz com o e-mail do Vlad (é assim que nós o chamamos lá no laboratório). Atualmente ele está fazendo pós-doutorado lá na UFSCar. Faz um bom tempo que não o vejo mas, mesmo assim, a gente ainda se fala por e-mail. É bom saber que posso contar com ele. Na parte da tarde, quem me escreveu foi o Clodoaldo. Como deixei aqui relatado, o Clodoaldo é aquele amigo de faculdade que se casou recentemente lá em Batatais. Na época da faculdade, eu era um CDF FDP. Sentava na primeira carteira e queria-porque-queria estudar e aprender. Isso acabou criando um certo “clima pesado” entre eu e o restante do pessoal. Afinal, eu era o único que queria continuar os estudos e ingressar no Mestrado. O Clodoaldo era da turma do “fundão”. A gente não se falava muito, já que a gente se sentava muito longe. Eu ficava um pouco sem jeito de ficar “forçando” um diálogo, principalmente depois das minhas “crises de CDF”. O fato é que quando me graduei, eu tinha certeza de que poucas (ou nenhuma) amizade restaria daquele período. Hoje, na condição professor, acho que naquela época nem eu teria sido amigo de mim mesmo! Quando descobri essa tal de internet e acabei criando uma conta de e-mail, o Clodoaldo acabou me enviando um e-mail. Confesso que fiquei muito surpreso, pois eu jamais pensei que ele pudesse me escrever depois do “merda” de CDF que eu fui na época da faculdade. Enganei-me! O Clodoaldo e eu passamos a nos falar com relativa freqüência, a tal ponto dele aparecer aqui em casa e convidar-me para o seu casamento (que, aliás, rendeu uma verdadeira “narrativa”, conforme vocês podem ler aqui no arquivo do blog!) Hoje em dia, o ele é o ÚNICO colega da faculdade que ainda me escreve. Sim, na faculdade ele foi meu colega. Hoje, porém, posso dizer com convicção que nós somos AMIGOS.O Clodoaldo deve ter rido muito das minhas “aventuras” lá em Batatais, no dia do seu casamento. Obrigado pelo e-mail, Clodoaldo! Pode estar certo que é um bom estímulo para que eu continue atualizando sempre este blog. Valeu!

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