quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Hoje foi dia de finados. Como o próprio nome sugere, este é um dia muito triste para mim. Mesmo tendo a bênção de ter pais e avós vivos e relativamente saudáveis, preferi não ir ao cemitério hoje; talvez eu vá no domingo, dia em que o fluxo de pessoas no cemitério estará, com certeza, menor do que o de hoje.
Na verdade, eu tenho procurado evitar lugares tristes. Tenho feito isso porque deduzi, há algum tempo atrás, que a tristeza se apega facilmente a mim e, depois não quer me largar. Eis aqui um dos motivos pelos quais eu tenho tentado trabalhar bastante e não deixar tempo para ficar com a cabeça vazia. Embora eu tenha sentido falta de ficar à tarde deitado na cama, de bobeira, olhando para o teto e para o pé de anjico no quintal do vizinho, eu sempre acabo chorando quando faço isso. Uma série de lembranças da infância e de momentos felizes me vêem à cabeça, deixando-me saudosista e aí... Bom, aí as lágrimas brotam por um tempo que não volta mais...
Hoje, enquanto brincava com a Clarinha (minha afilhadinha), eu me emocionei quando ela encontrou um patinho do McDonalds em uma caixa velha e me falou, com o patinho em mãos: "Did-dim bintava eu eu era pititinha" (eu fazia de conta que esse patinho estava correndo atrás dela quando ela era mais novinha...). E ela se lembrou. E meus olhos se encheram de lágrimas...
Outro momento em que fiquei emocionado foi quando ela quis ver os meus carrinhos e caminhõezinhos com os quais eu brincava atrás da casa até os 18 anos. Ela se apegou a um tratorzinho, dizendo: "Tatolu igual meu vovoim", que quer dizer que o trator se parece com o que o meu pai "pilotava" lá no sítio da família, em Quirinópolis-GO). Desta vez eu praticamente chorei quando disse a ela que aqueles brinquedos eram de quando eu, a vovóinha (minha mamãe) e o vovoinho (papai) vivíamos no Goiás, em uma época a que o meu pai se refere como "os anos em que nós éramos felizes e não sabíamos"... Putz, só de lembrar dá um aperto no coração...
Se eu estou assim sem ter ido ao cemitério, imaginem como eu ficaria vendo a cova do tio Eduardo e da tia Alice... Bom, acho melhor eu ir dormir antes que eu comece a chorar.

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