quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Desde o Natal, tenho tido pouco o que narrar aqui neste blog. Tenho me reservado o direito ao ócio absoluto. Sinto-me extremamente desleixado com relação às coisas que precisavam ser adiantadas esta semana. Temo muito que ela me faça muita falta nos próximos meses. Esta sensação de irresponsabilidade parece colocar-me em perigo. "Ah, vamos ver no que vai dar", penso comigo mesmo. Sem neura. Vamos deixar tudo nas mãos do Pai, que sempre me guiou. Como faço todos os finais de ano, fiz uma faxina geral em minha caixa de e-mails. Notei que tenho salvo lindas mensagens e, a exemplo do que fiz com as piadas, criei um blog para compartilhar estas mensagens com todos. O endereço é www.refletindoavida.blogspot.com. Ao contrário deste blog, os outros dois são muito mais fáceis de serem atualizados. Basta CTRL C + CTRL V e pronto! Pra ser sincero, eu os tenho visitado com mais freqüência que este aqui. Achei os layout mais elegantes...

domingo, 25 de dezembro de 2005

sábado, 24 de dezembro de 2005

A imagem acima traduz a minha visão de um Natal perfeito: paz, amor e união. Está nevando. As luzes acesas dentro da casa sugerem a presença de várias pessoas festejando o nascimento do menino Jesus. Uma família grande, porém muito unida. Todos se respeitam, todos se amam mutuamente. Dentro daquela casa existe, provavelmente, um enorme pinheiro, decorado com bolas e luzes coloridas. Abaixo deste pinheiro, imagino inúmeros presentes, trazidos pelo papai Noel enquanto todos dormiam. Ao amanhecer, todos se abraçam. Enfim, é Natal. A magia que se associa a esta visão do Natal não tem nada a ver com o Natal que conhecemos aqui no Brasil. Para começar, falta união, amor e tolerância. Em toda família, mesmo que pequena, existem pelo menos duas pessoas que não se falam. O rancor é eventualmente tão grande a ponto de um deles não permanecer onde o outro estiver... A imagem da família (ou melhor, a parte dela), reunida ao redor da mesa, comendo e bebendo é também ilusória. Os homens estão no quintal, vigiando sua cervejinha, atenta à rodada de carne ou de tulipas que está para sair. Ao invés de neve, um sol escaldante. Camisetas cavadas, bermudas e chinelos substituem os gorros vermelhos de Papai Noel. Comparando as duas descrições, parece difícil identificar o espírito natalino, certo? Não necessariamente. Depende muito de cada um. Aqui em casa, por exemplo, eu fico muito feliz por ter meus entes queridos vivos e de ver alguns deles reunidos, mesmo que seja por alguns instantes. Já foi o bastante para que o meu Natal tenha sido iluminado. Meu pai almoçou na casa da tia Vânia. Minha mãe e eu almoçamos na casa da vovó Maria. O papai seguiu para lá também e acabou abrindo o “segundo estágio” para poder caber mais alguma coisa no estômago. A Clarinha não foi, pois estava dormindo.
Minha irmã, por sua vez, ficou aqui em casa com ela. Como vêem, a ceia e o almoço estão longe de serem considerados exemplos de união entre as pessoas da minha família. Mas tudo bem. Eu estranharei o dia em que eles permanecerem juntos, sem brigas. Aí, sim, eu começarei a me preocupar.
À tarde, fui à casa da Débora. À noite, viemos para minha casa. Ela pediu-me para montar um orkut para ela. E eu acabei montando...

A ceia de Natal de 2005

Hoje acordei disposto a não fazer nada. Nos anos anteriores, eu acordava cedo para lavar o carro. Até agora não consigo entender de onde veio a brilhante idéia de que no Natal o carro tem que estar limpo... Ao invés disso, acordei por volta das 9h30min e fui para o computador, tentar fazer uma faxina na caixa de e-mails, que já contabiliza mais de 230 mensagens não lidas... Pra variar, eu me perdi no meio do caminho e mudei de idéia. Notei que tinha muitas piadas e crônicas divertidas. Decidi, então, montar um blog e disponibilizar todas essas porcarias. Desta forma, quando eu precisar de uma piada para contar em sala de aula, basta ir lá e escolher. A montagem do novo blog (http://www.sorindomesmo.blogspot.com/) ocupou meu tempo até às 13h30min, quando gravei um DVD do ABBA para presentear o Luís, meu cunhado, que irá construir nossa casa. Gravei, também, um CD para a Débora, contendo as fotos tiradas ao longo do nosso namoro. Por fim, gravei um CD da Ana Carolina que havia baixado pelo Bit Comet. Às 14h40min entrei na sala da Débora, com três CDs nas mãos e o álbum de fotos que eu havia escaneado na noite anterior. Disse que era um segundo presente de Natal. O meu foi o sorriso dela e o abraço que ganhei... A Débora quis descer até o centro ver as lojas mas concluí que ela dificilmente faria alguma compra. “Se fosse eu, não ousaria descer do carro e andar sob este sol escaldante...”, pensei. Enganei-me. Ela acabou tomando coragem e desceu para comprar um lindo vestido branco (na foto) para a ceia. Comprado o vestido, demos mais algumas voltas de carro e paramos em uma sorveteria (a Kaballah). Ela escolheu uma vaca preta e eu, um colegial. Depois disso, fomos à casa do Luís para entregar-lhe o DVD. Tocamos a campainha duas vezes; ninguém atendeu. Quando estava entrando no carro, o Gérson (filho do Luís) saiu ao portão com uma baita cara de sono. Desculpei-me. Ele disse que seu pai tinha saído e que estava para voltar. Despedi-me e disse que voltava mais tarde. No entanto, no percurso para a casa da Débora, encontramos ele e sua esposa, a Solange, conversando com a dona Bárbara (sogra do João, também irmão e padrinho da Débora). A Solange sugeriu-nos que déssemos meia-volta e voltássemos com eles. Fui à casa da Débora rapidamente e dirigimo-nos, em seguida, à casa do Luís. O Luís pareceu-me feliz ao receber o DVD do ABBA. Ele olhava, admirado, comentando pessoas que hoje estão envelhecidas e infelizes. Para quem não sabe, o ABBA foi um grupo musical que fez muito sucesso de 1971 até 1982. O nome vem das iniciais de seus integrantes (Agnetha, Byorn, Anny-Frida e Benny), sendo que os dois primeiros e os dois últimos eram casados. A rotina de shows desgastantes acabou culminando na separação dois casais e do grupo. Fiquei um pouco desapontado, pois devido à falta do controle-remoto, conseguimos assistir apenas a três dos 15 vídeos (“Dancing Queen”, “Knowing me, knowing you” e “Take a chance on me”). Voltamos para a casa da Débora, onde ela banhou-se, perfumou-se e vestiu o lindo vestido branco que havia comprado. Ficou divinamente linda! Viemos aqui para casa, onde a ceia de Natal seria realizada. Antes de tomar banho, brinquei um pouco com a Clara, que até então estava febril. Ela deu algumas risadinhas e, como costumamos dizer, parece “ter pegado fogo”. Raspei a barba, tomei banho e fui chamar meu pai e meu avô Milla, que estavam na casa da tia Vânia, aqui ao lado. Lá estavam as famílias do tio Tim, da tia Vânia e do tio Buchudo, comendo churrasco. O vovô, que estava conversando com o tio Natal e o Fernando, meu primo, voltou comigo. Já o papai... Bem, o papai demorou um pouco mais, dizendo que queria “matar a sede de carne”... Nunca vi ninguém gostar de churrasco como o papai! Após alguns minutos, o papai voltou. Em poucos minutos, o papai Noel (uma amiga da tia Vânia) também chegou, trazendo um saco de presentes que a tia Ângela havia comprado para a Clara. A Clara, por sua vez, ficou muito entusiasmada com a presença “dele”. Assistimos, alegres, à abertura dos presentes e, depois disso, fomos rezar. Reunimo-nos ao redor da mesa para agradecer pela saúde e por este ano que passou. De fato, ter meu pai conosco na ceia foi uma verdadeira graça de Deus, já que ele teve que se submeter, em março deste ano, a uma operação para retirada de um câncer no rim. Durante três meses eu, a minha irmã e a tia Ângela tivemos que nos espremer para pagar as contas da casa. Eu o presenteei com uma cinta. Ele agradeceu e disse que gostou muito, já que era algo que ele estava precisando muito. Em seguida, todos os presentes se abraçaram e trocaram desejos de “feliz Natal”. Enfim, prontos para a comelança! Minha irmã havia preparado a mesa. Entre os pratos estavam lasanha de frango, rocambole de carne moída, farofa doce e salpicão (este preparado pela tia Ângela), o meu preferido. Comi dois pratos monstruosos... Quase não sobrou espaço para a sobremesa... Em um determinado momento, asfastei-me de todos e fui para o fundo do quintal. Olhei o céu, as estrelas. Comecei a conversar com Deus e agradecer-lhe por ter todos ali comigo. Tenho uma família maravilhosa. Como já disse várias vezes, eu me considero o cara mais feliz do mundo! No finalzinho da noite, a Débora quis conhecer o meu orkut. Mostre-lhe e ela achou muito legal. Disse que amanhã quer que eu monte um para ela... Ao dormir, agradeci a Deus pela saúde de todos. Em minha conversa com Ele, adormeci rezando...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Novamente neste dia o carro foi o centro de minhas atenções. Acordei com o meu pai batendo à porta, para que eu levantasse da cama e fosse levar o radiador para limpar e o cabeçote para plainar. Já que eu precisava do carro hoje à noite, eu deveria apressar este pessoal no que eu pudesse. Fomos, então, ao mecânico, para retirar o radiador e efetuar sua limpeza. O termo mais usado é “varetagem”, já que o processo consiste basicamente na abertura da tampa superior do radiador e no desentupimento das colméias de resfriamento do radiador,usando-se uma com uma vareta de metal. Após deixar o radiador para consertar, o papai e eu voltamos para casa. Às 9h30min retornei à retífica para buscar cabeçote e levá-lo até o mecânico. Quando lá cheguei, o Cidinho disse que era preciso trocar a mangueira do servo de freio e seis prisioneiros da tubagem (o Cidinho os quebrou e os levou a um torneiro para efetuar a retirada dos prisioneiros quebrados)… Sigo, então, para a Volks, onde comprei a mangueira e os prisioneiros. Segui, então, para buscar o radiador, mas o senhor (acho que se chama Mauri) disse-me para voltar às 11h. Aproveitei a proximidade do local à casa da vovó Maria e fui conversar com ela enquanto fazia almoço. Disse-lhe o quanto eu a amo e o quanto é importante para mim. Quando o relógio bateu 11h, despedi-me da vovó e fui buscar o radiador. Quando chegou na oficina, o Nunes estava conversando com o Mauro. O Nunes é um camarada muito gente boa. Nós servimos o tiro-de-guerra juntos. Foi uma boa oportunidade para conversarmos bastante, já que fazia muito tempo que eu não o via . Por coincidência, ele está namorando a filha do Mauri do radiador. Voltei após o almoço para pagar o torneiro. Acabei perdendo a viagem, já que o Mauro acabara de buscar o escape do qual tinham sido retirados os prisioneiros. Voltei para a oficina; mais peças quebradas: caninho da tubagem. Fui buscar no Fabinho (Alfa Auto Peças), também de bicicleta... Voltando para casa, consegui terminar de preencher todos os diários de classe do colégio. Já eram 16h30min quando liguei para saber se o carro estava pronto. O rapaz disse que o Cidinho tinha saído para experimentar o carro . “Está quase pronto’, pensei. Quando ligo novamente, às 17h, o rapaz disse que ele ainda estava mexendo no carro. “Putz, deu pepino!”, concluí. Às 17h30min, o Mauro veio trazer-me o carro. Ele elogiou muito o meu carro e perguntou, inclusive, se ele estava à venda. Levei o Mauro de volta à sua oficina, voltei rapidamente, tomei um banho rápido e fui à casa da Débora, para irmos juntos à Franca. A viagem até Franca foi tranqüila. O problema com o aquecimento do motor finalmente tinha sido solucionado! Quando chegamos, estranhei a falta de movimentação do lado de fora. Um forte som de microfone vinha do lado de dentro do estádio. Caramba, a colação de grau já havia começado! Ao entrarmos, eu e a Débora tivemos que nos separar, já que eu era professor. Eu perguntei à moça do laboratório se eu seria homenageado; ela perguntou a alguém da mesa de professores e respondeu-me que sim. Sentei-me, então, ao lado do Eduardo Nassar e fiquei aguardando. À medida que os professores iam sendo chamados, minha ansiedade ia aumentando. Eu olhava para a Débora e sorria, para minimizar a tensão. E eis que as placas de homenagem se esgotaram e eu não fui chamado... A colação então terminou e eu, abraçado à Débora, saí pelos fundos, de fininho. Naquele momento não havia clima para cumprimentar ninguém. Eu estava chateado, e muito! Não consegui esconder da Débora o meu desapontamento. Não que eu ache que devesse ser homenageado. Não, não é isso. Eu fiquei muito chateado por ter me preparado o dia todo para algo que não aconteceu, e que me disseram que ia acontecer. Nutri, durante este dia difícil, a expectativa por aquele momento. Houve uma desinformação enorme do pessoal da comissão de formatura, que ao que parece, nem sabia ao certo quais professores seriam homenageados. Outro fato que me deixou muito triste foi que só haviam na mesa professores do último ano. Isso tem sido uma constante desde a época em que me graduei. Os alunos geralmente preferem homenagear aqueles professores cujas disciplinas do quarto ano são as mais difíceis. A escolha do professor para integrar a mesa de homenageados parece ser um artifício hipócrita que os alunos usam para assegurarem a aprovação no final do ano. Diante deste quadro, dificilmente serei homenageado algum dia, já que não dou aulas no 4º.ano. Na volta, passamos em São José da Bela Vista. A Débora queria entregar um livro a uma professora amiga dela, que se encontrava em uma formatura naquela cidade. Infelizmente não encontramos o lugar onde a formatura estava sendo realizada e voltamos para São Joaquim. Já de volta à nossa cidade, aproveitamos e passamos em um rodízio de pizza. Cada um de nós comeu apenas uns cinco pedacinhos e tivemos que amargar uma conta absurda (R$26,00!) pelo pouco que comemos. Eita dia difícil de terminar! Ainda bem que o Natal está chegando... Com a sorte que estou ultimamente, só falta o papai Noel entalar na chaminé...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Hoje foi mais um dia daqueles em que os problemas com o carro causaram-me profunda irritação. Na verdade, não estou irritado pelos problemas em si. Afinal, foram pouquíssimas as vezes em que ele visitou o mecânico ao longo do ano e, quando ocorreu, foi por motivos muito pequenos (geralmente regulagem e limpeza do carburador). Logo, seria uma injustiça enorme reclamar do meu “possante” ou mesmo rogar pragas sobre o pobrezinho. Na verdade, o que me deixa realmente irritado é o fato de tê-lo levado ao mecânico duas vezes, ter trocado algumas peças (bomba d'água e válvula termostática) e o problema original persistir. No início, o mecânico disse que a temperatura estava se elevando por causa de um entupimento no cano de retorno do radiador. Esse caninho é quem faz a ligação da parte superior do radiador com o reservatório d’água. A água entra no reservatório por um buraquinho muito pequeno, que também se encontrava entupido. Na segunda visita, o mecânico disse que era a bomba d’água e a válvula termostática. Ambas foram trocadas (putz, estou até com medo de perguntar quanto vai custar...), mas o problema ainda persiste... Sabem aquela sensação de estar sendo enganado e de estar tendo o seu dinheiro roubado? Pois é, é aquela mesmo... Tendo meu pai suspeitado de sujeita no radiador, fomos “fuçar” no carro logo que acordamos. Soltei a mangueira inferior do radiador e deixem a água jogar até o reservatório ficar vazio. Meu pai ia aproveitou para introduzir água sob pressão pela parte de cima, com o intuito de “amolecer” os aglutinados de impurezas que provavelmente estão se formando no interior do radiador. Repetimos o procedimento várias vezes, até que a água que saía pela parte inferior do radiador estivesse completamente límpida. Ao recolocar as mangueiras, reparei que o motor estava esquentando e a ventuinha não estava mais ligando... Neste caso, nós fomos obrigados a levar o carro para o Mauro... Naquele momento, confesso que só faltei ajoelhar para que ele fosse levar o carro na oficina, já que eu tenho um zilhões de coisas atrasadas e não estou dando conta do recado... Preenchi rapidamente alguns diários de classe e digitei as notas dos alunos em dependência; montei a bicicleta e saí pedalando feito um maluco em direção à escola. Quando lá cheguei, estava banhado pelo suor. Deixei as notas e saí pela avenida em alta velocidade. Minha pressa tinha um motivo: o bico de papagaio acabara de dar sinal de vida e, portanto, eu precisava nadar. Nadei menos que nos dias comuns. Voltei para casa, almocei e aproveitei para brincar um pouco com a Clara, minha querida afilhadinha. Chovia forte e trovejava bastante. Como ela tem medo do estrondo dos trovões, eu disse a ela: “Se a gente se deitar no sofá e estiver coberto, pertinho um do outro, aí não tem perigo.” Essa foto aí dá mais ou menos uma idéia da nossa brincadeira. Vejam que ela estava adorando!
Após o almoço, meu pai acabou convencendo-me de que eu deveria ir acompanhar de perto como estava o andamento do conserto do carro. Quando lá cheguei, o Cidinho já havia removido o o cabeçote do motor e disse-me que era preciso retificá-lo, pois a água estava passando para dentro do motor. Conclusão: eu estava à pé e precisava ir à missa de formatura do pessoal do colégio... Liguei então para a Débora, expliquei-lhe o caso e pedi para ela vir buscar-me às 18h15min. Quando o relógio da sala apontou o horário combinado, a campainha tocou. Era ela. Infelizmente o carro da Débora também não está muito melhor que o meu. Acredito que a roda tenha se danificado devido à queda em um buraco na estrada e, em virtude disso, o volante da direção dá alguns “socos” periódicos para o lado esquerdo. De qualquer forma, conseguimos chegar bem até à Igreja Nossa Senhora Aparecida, onde a missa foi realizada. Esta igreja situada do outro lado da cidade e no mesmo bairro em que localiza-se a escola onde leciono. Haviam poucos alunos. Na verdade, eu fiquei muito triste, pois dos 120 alunos matriculados, no início do ano, somente 11 estavam ali presentes. Eram eles: Luck, Luís Fernando, José Alcione, Natália, Daiane Toloti, Geralda Lívia, Rangel (todos do 3º. B, noturno), Dalivan, Camila Bomfim, Lidiane Aparecida, Fabiana e Alessandra (3º. A, diurno). Dois alunos do 3º. C (Fernando Sarri e Ágata) se recusaram a sentar-se junto com os demais formandos e sequer participaram da missa. O corpo docente da escola também deixou a desejar. Estavam presentes apenas os seguintes professores: Hercílio (História) , eu (Química), Cleusa (Biologia), Isabel (eventual de Matemática e Física), , Cláudia (Matemática), Luciana Avezum (eventual de História e Geografia) e Luciana Stechini (Educação física). Se na escola houver 70 professores, a porcentagem de presentes foi muito pequena. Após a rápida celebração, os professores se reuniram e decidiram ir à uma pizzaria. Foi uma ótima idéia, embora apenas 6 alunos tenham ido conosco (Dalivan, Luís Fernando, Luck, Rangel, José Alcione e Natália). Passamos alguns momentos descontraídos e estou certo de que valeu a pena. O que mais me deixou feliz em toda esta situação é que a Débora esteve comigo o tempo todo e eu não precisei preocupar-me com ela; ela se divertiu, deu boas risadas e, mais que isso, finalmente viu como eu me comporto no dia-a-di9a. E vocês não imaginam como isso é importante para mim. É tão bom não precisar fingir ser outra pessoa quando estou perto dela...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Faltam cinco dias para o Natal. As casas já estão enfeitadas, as árvores iluminadas. O comércio da cidade está funcionando a todo vapor. As vendas se aquecem, todos querem se presentear. De fato, existe um clima diferente entre as pessoas, embora eu bem saiba que não é devido ao nascimento do Filho do Homem. No entanto, tenho lamentado muito o fato de estar vivendo um período diferente este ano. Ainda me encontro estressado, com cadernetas para preencher, artigos para submeter, projetos de pesquisa e o livro a serem escritos... Não consigo parar de pensar que precisarei providenciar com urgência os três últimos para o próximo ano se eu ainda quiser realizar meu sonho profissional. Mas nada dá certo... Estou me sentindo travado, como se algo estivesse prendendo. Talvez sejam as pequenas coisas pendentes que ainda me incomodam e tomam um tempo maior do que sua importância. Eu preciso esquecer de tudo isso durante esses próximos dias, pelo menos até o Natal. Quero viver esses dias intensamente, pois provavelmente será o último Natal em que minha família estará unida. Por falar em união em família, eu e minha irmã tivemos um pequeno desentendimento hoje de manhã. Enquanto eu preenchia as cadernetas, ela apareceu à porta do quarto dizendo-me que ia mudar-se e, se caso for aprovada em um outro concurso, irá levar consigo o papai e a mamãe. As justificativas dadas por ela para tal decisão foram a minha falta de disponibilidade de tempo após o meu casamento (que, todos sabem, ainda nem aconteceu!) e a minha falta de apoio financeiro a eles. Acho que não preciso nem escrever que “o tempo fechou.”, principalmente porque eu enxergo duas razões principais para achar que isto é uma atitude precipitada: (1) a sua vontade de iniciar uma vida nova e ter o seu próprio espaço, longe do papai e da mamãe, com quem ela perde a paciência com freqüência; (2) a possibilidade (e, até certo ponto, necessidade) que ela tem de encontrar um companheiro par reconstruir sua vida. Neste caso, meus pais ficariam desamparados? Na verdade, acho que ambos fomos precipitados nesta discussão, que se baseou no “se acontecesse isso, eu faria aquilo”. Após o almoço, recebi um telefonema da escola Elza Miguel, onde leciono duas vezes por semana. A secretária disse-me que estavam me aguardando para ouvir minhas piadas... Putz, eu não podia sequer pensar em sair de casa, dado o grande número de cadernetas que precisam ser preenchidas. Foi então que eu liguei o botãozinho “foda-se” e fui passar algumas horas com o pessoal. Não comi nada, pois já havia almoçado. Em contrapartida, fiquei conversando quase todo o tempo com o Juliano e a Marlene, professores de Educação Física e de Química, respectivamente. O Juliano e eu estudamos no Manoel Gouveia de Lima na mesma época do ginásio. Começamos a recordar de alguns momentos muito engraçados. No entanto, percebi nas palavras dele que a imagem que ele tinha de mim daquela época era a de um menino muito quieto, sistemático e muito tímido. Expliquei-lhe, então, os acontecimentos que me ocasionaram certos traumas de infância que, por sua vez, influenciaram na minha personalidade. Foi até engraçado pois, ao final da conversa, ele ficou tão envergonhado que só faltou pedir desculpas... De volta ao meu velho quarto, tirei um cochilo (eita, trem bão!) e acabei não terminando de preencher as cadernetas que tanto precisava. Para completar, o pessoal do colégio ligou aqui em casa cobrando as notas dos alunos em dependência. Essas notas deverão ser divulgadas amanhã... Meu Deus! À noite, eu e a Débora saímos para passear pelo centro da cidade e acabamos comprando o presente de Natal da Clara, nossa afilhadinha. Quanto ao meu presente, eu estou pressentindo que ela está querendo enrolar-me...
Acordei hoje às 7h40min. “Engoli” um pão com manteiga e bebi um copo de leite com café, escovei os dentes, troquei de roupa, penteei os cabelos e esguichei algumas gotas de perfume pelo corpo. Às 7h55min eu saía de casa, relativamente atrasado. Infelizmente, isso está se tornando algo constante me minha vida... O motivo de minha pressa era o conselho de classes que estava marcado para as 8h. Chegando na escola, notei que o conselho ainda não havia começado. “Ufa! Ainda bem...”, pensei comigo. A razão do atraso deveu-se a problemas na impressora. Sem os formulários com as notas, obviamente não haveria conselho... 8h30min e nada do conselho começar. Comecei a conversar com as professoras que estavam ali na sala dos professores. Contei algumas experiências da faculdade e arranquei algumas risadas quando mostrei uma cola do tipo “pergaminho”, que encontrei com um aluno do 3º. Ano durante uma prova substitutiva. 9h e nada deste conselho começar... Comecei a conversar com a Luciene, uma colega que já me deu aulas de Geografia em 1991, quando eu estudava no colégio técnico de Contabilidade “São José”, também conhecido como FEAM. Perguntei-lhe sobre o corpo docente daquela época. Ela, em contrapartida, interessou-se pela minha trajetória na pós-graduação. Mantivemos o papo por um tempão, até que... 9h30min. O conselho de classes começou a ser realizado. As primeiras classes seriam as 7as séries (A, B e C), seguidas pelas 8as (A, B e C) e, em seguida, o 1º. A. A dona Sebastiana, professora de Matemática, sugeriu que fôssemos conversar com a diretoria para pedirmos dispensa, já que levaria mais de uma hora para chegar a vezes das salas em que damos aulas. Às 9h50min eu saí daquela escola e me dirigia à minha escola-sede. Encontrei apenas as inspetoras, sentadas, conversando com o soldado Farias, um colega com quem servi o Tiro-de-guerra em 1995 e que é, hoje, policial militar. Entreguei um dos atestados que estou devendo para a Juliana, a secretária mais paciente que já vi na vida... Tenho adquirido certa admiração pelo seu profissionalismo e esforço para evitar que os professores se prejudiquem em função de suas faltas. Prometi-lhe, inclusive, que levaria o atestado que ficou faltando ainda esta semana... Cheguei em casa por volta das 11h30min. Almocei e fui tentar corrigir um artigo que preciso submeter com urgência para uma revista internacional. Muito cansado, porém, acabei caindo na cama e dormindo até às 15h40min... Acordei, já consciente de que estava novamente atrasado para a confraternização que estava marcada para às 16h. Escovei os dentes, esguichei um perfume pelo corpo, penteei o cabelo, troquei de roupa e... lá vou eu novamente, subindo a rua Minas Gerais a todo vapor... Na escola, cumprimentei os professores e fui sentar ao lado do Jorge, professor de Matemática. Tenho me identificado muito com ele, principalmente por ser uma pessoa bem humorada e de origem muito humilde. A diretora da escola, a professora Lâmia, falou alguns minutos, agradecendo a todo o corpo de funcionários da escola e, de forma humilde, desculpando-se pelas falhas. Disse, também, que nunca trabalhou em uma escola tão humana e carente como aquela. Por fim, fez uma homenagem emocionante à Sílvia, uma inspetora de origem tão pobre que, nos primeiros dias, trabalhava em troco de um prato de merenda... A professora Lâmia disse que uma funcionária da escola (que até então ela não disse quem era), disse que tinha um sonho quando era criança de ganhar uma boneca e que, mesmo adulta, ainda não tinha perdido as esperanças. A professora, então, presenteou-lhe com os olhos transbordando em lágrimas. Foi um momento muito mágico, reconhecido pelo aplauso de todos e pelas lágrimas emocionadas nos olhos de vários professores, inclusive eu... Finalizado o discurso, ela presenteou a todos com um anjinho. Partimos, enfim, para a “comelança”. A mesa (na verade, eram duas...) estava farta de doces, salgados, lanches naturais e refrigerantes. Havia, inclusive, um maravilhoso estrogonoff de chocolate, ao qual eu nunca havia experimentado. Delicioso! Na maior parte do tempo, conversei com a professora Janaína, de quem eu e a Débora temos nos tornado bons amigos. Durante nossa conversa, o meu telefone celular tocou; era a Débora. Pedi à Janaína que atendesse à ligação, para deixar a Débora em ciúmes... Contudo, a Janaína já atendeu ao telefone saudando a Débora: “Oi, Débora, tudo bem?”. Não preciso nem dizer que meus planos de “enciumá-la” foram por água abaixo... A festa terminou por volta das 18h. Desci para a casa da Débora, tomando o devido cuidado de desviar dos buracos no asfalto, tão comuns nesta época do ano. A Débora recepcionou-me com um enorme sorriso no rosto... Eu adoro quando isso acontece! Não preciso nem dizer que eu fico derretido quando isso acontece. Jantamos, ela se trocou e fomos à minha casa. Tomei banho, troquei de roupa e fomos ao centro, olhar as vitrines das lojas. Acabei comprando o presente de Natal dela – uma linda sandália preta. O que me despertou a atenção foi a vendedora, uma linda menina de apenas 10 anos!!! O atendimento foi tão bom que posso dizer que ela deixa muitas veteranas no chinelo... Para terminar a noite, comprei um cachorro quente para a Débora e fomos à sua casa. Não preciso nem dizer que me deitei sozinho em um dos sofás tirei aquela cochilada de sempre. Fui acordar às 23h... Desse jeito não há sofá que agüente!!!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Assim como faço todas as sextas-feiras, fui à Franca para encontrar-me com a minha “desorientanda” de mestrado, a Marcele. Contudo, pela segunda semana consecutiva, soube que ela estava assistindo a uma defesa de dissertação. Aproveitei para acertar todas as notas que eu precisava e liquidar, de vez, com os compromissos deste ano letivo. Por volta das 16h eu já havia terminado tudo o que tinha que fazer. Fiquei, então, olhando alguns e-mails (minha caixa de mensagens está lotada!) até chegar o momento de ir ao casamento do Ricardinho. O Ricardinho é um colega de faculdade. Na época, havia em nossa turma dois alunos chamados Ricardo: o Ricardo Stéfani e o Ricardo Oliveira. Em virtude da estatura relativa entre eles, o primeiro foi apelidado de Ricardão e o segundo de Ricardinho. Após a faculdade, o Ricardinho e eu nos encontramos algumas vezes na sala dos professores, nas ocasiões em que ele foi convidado para proferir algumas palestras. A última vez em que nos encontramos foi no casamento do Clodoaldo, lá em Batatais. Hoje o Ricardinho é químico em uma indústria lá em Restinga. Quando o relógio da sala dos professores indicou 19h30min, despedi-me do Norba e do restante dos professores que lá estavam. Era hora de partir. No meio do caminho, lembrei que eu precisava trocar de roupas. Mas como fazê-lo? Eu já estava na estrada! Aí eu pensei: “Que se dane! Vou me trocar aqui mesmo”. Parei o carro no acostamento, fechei os vidros e troquei a calça, a camisa e o sapato e apliquei algumas gotas de perfume pelo corpo. Pronto! Agora sim! Eu nunca tinha ido à Restinga. É uma cidade bem pequena, embora tenha tido a impressão de ser bem aconchegante. Não demorei muito a encontrar a Igreja, que ficava na praça central. Estacionei o carro e dirigi-me à entrada, para cumprimentar o Ricardinho. Abraçamo-nos e eu dei-lhe os parabéns. Trocamos algumas palavras rapidamente, mas foram suficientes para perceber que ele estava muito ansioso. Perguntei-lhe quais colegas de faculdade ali estavam; ele respondeu-me que apenas o Clodoaldo e eu. Foi então que lhe disseram que o padre estava pedindo para entrar. Entrei pela porta lateral. Ao sentar-me, recebi os cumprimentos do Clodoaldo, que estava com sua esposa (a Daniela) na outra ponta do mesmo banco em que eu havia me sentado. Enquanto os noivos entravam, um coral cantava a canção de entrada. Confesso que fiquei emocionado, pois eu adoro corais! Fiquei mais emocionado ainda ao ver que ele era composto por pessoas comuns, a maioria aparentando ser de origem bem simples. Enquanto eles cantavam, notei que a maioria deles depositava a alma naquilo que estavam fazendo. Os bancos da frente estavam reservados aos padrinhos. Se um rapaz não me avisasse, eu teria pagado o maior mico e sentado, sozinho, naquele banco. Quando os padrinhos vieram se sentar, percebi umas quatro moças com roupas muito curtas e muito maquiadas. “Putz, essas daí estão à caça de um marido”, pensei. Após as últimas palavras do padre sobre o casamento como um compromisso (por sinal, muito convenientes e oportunas), retirei-me pela mesma porta que havia entrado e liguei para a Débora. Ela não pôde comparecer por ocasião de uma festa de professores que estava sendo realizada na escola onde ela leciona, em Orlândia. Na verdade, ela não veio por um equívoco de minha parte. Eu havia lhe dito que o casamento seria na próxima semana e, compreensivelmente, ela não estava programada para aquela data. Se não fosse o Clodoaldo avisar-me da data correta, eu teria trocado a data e também não comparecido ao casamento... Na saída da igreja, encontrei o Marcos, um de meus alunos da faculdade. Foi então que encontrei o Clodoaldo e a Daniela, sua esposa. A partir daquele momento, nós três ficaríamos juntos até o final da festa. Embora eu tivesse comparecido ao casamento dos dois, eu não tive a oportunidade de conversar com eles. No caso da Daniela, a imagem que eu tinha ainda era a de noiva, dirigindo-se ao altar ao lado do Clodoaldo. Eu nunca tinha trocado uma palavra sequer com ela, tampouco me lembrava de sua voz. Por ter se casado com o Clodoaldo, eu já supunha que se tratava de uma boa pessoa, mas não imaginava que fosse tão simpática. Ela e o Clodoaldo formam um belo casal e, dada a cumplicidade que demonstraram naquela noite, parecem ter sido feitos um para o outro. Saímos da igreja e fomos para o recinto da festa, um ginásio de esportes. Durante o trajeto, agradeci ao Clodoaldo pela sua consideração ao convidar-nos para o seu casamento. Ele, por sua vez, disse que não esperava que eu fosse e também agradeceu pela consideração. É engraçado. Convivemos durante os quatro anos de faculdade e somente agora estou notando o quanto esse camarada é gente boa. É mais uma evidência de minha visão limitada de vida durante aqueles anos. Certamente deixei de aproveitar bons momentos e de conquistar boas amizades. Mas nunca é tarde pra recomeçar... A comida servida consistiu de batatas saborosamente recheadas e uma carne muito macia. O pessoal da festa, gente muito simples, caiu no forró. Dava até gosto de ver a alegria deles, em especial do Ricardinho. Nós, obviamente, alegramo-nos por ele, um amigo por quem sempre tivemos muita consideração. Enquanto o forró rolava, eu e o Clodoaldo lembramos as histórias da faculdade. Ele contou, inclusive, algumas histórias da época que eu desconhecia. A Daniela ouvia tudo com muita atenção. Nós três demos boas risadas naquela noite. Confesso que ter encontrado os dois naquele momento fez-me muito bem, já que eu não me encontrava muito bem. Estava um pouco triste, provavelmente sentindo falta da companhia da Débora. Afinal, era a primeira vez em todo o nosso relacionamento de 10 anos que eu fui a uma festa sem ela... Não sei o que teria sido de mim se o Clodoaldo e a Daniela não estivessem por ali... Deixo aqui meus agradecimentos por terem “salvado” minha noite. No final da festa, o Ricardinho veio até nossa mesa cumprimentar-nos. Aproveito para desejar ao Ricardinho e sua esposa (que, aliás, estava muito bonita aquela noite) muitas felicidades e que a união deles perdure cheia de paz e amor durante toda a vida. Muito obrigado pela consideração ao convidar-nos!
Já era quase meia noite quando peguei a estrada de volta para casa. Para evitar o sono, voltei devorando um pacotinho de Fandangos. É um artifício para espantar o sono. Tenho a impressão de que, ao mastigar, o sono vai embora. De fato, não fechei os olhos. No entanto, em um determinado momento da viagem, a pista parecia bifurcar-se em T, como se fosse uma encruzilhada. Foi então que desacelerei. Pela lógica, eu deveria escolher para qual lado eu devia ir. No entanto, eu conheço bem aquela estrada e sei que não há nada parecido com encruzilhadas durante o percurso. Dei, então, algumas piscadas fortes, firmei a visão e desacelerei mais um pouco. Finalmente a pista real, sem qualquer curva, reapareceu diante de meus olhos. Não havia encruzilhada nenhuma! Chegando em casa, contei ao meu pai que tinha visto uma “miragem”. Ele repreendeu-me por ter dirigido com sono. Disse-me que eu estava dormindo de olhos abertos! Contou, também, que esse é um sono muito mais perigoso que o cochilo. Segundo ele, é isso que acontece com os motoristas que tomam “rebite”. Pelo que ele contou, eu tive realmente muita sorte de estar vivo...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Hoje à noite fui ao colégio apenas para participar de um amigo secreto em um dos terceiros anos. Trata-se de uma classe pela qual eu tenho um grande carinho. Apesar da maioria dos alunos trabalharem durante o dia e de estarem se aproximando da maioridade, percebo que ainda são adolescentes como eu... Muitas vezes eu fui para o fundo da classe e começávamos a falar de super-heróis, de revistas em quadrinhos e de desenhos animados. Eu me divertia à bessa! Todos eram, também, bem humorados, de modo a dar a impressão de que a vida não tinha lhes seqüestrado a alegria de viver. Situações especiais requerem roupas especiais. Fui, então, um pouco mais bem vestido. Coloquei uma calça “jeans” um pouco mais nova, um sapato mais novinho e uma camisa um pouco mais apresentável. Não deu outra: assim que apareci no pátio, eles gritaram: “Aí, o professor Eduardo virou burguesinho!”. Foi bom isso ter acontecido. Foi a prova definitiva que eu precisava para dar aulas com roupas “surradas”.. Quando cheguei, os professores estavam fazendo conselho de classe. Todos olharam com curiosidade para a prenda que eu tinha nas mãos (um pão gelado que a mamãe faz como ninguém!). Coloquei a prenda na geladeira e fui para o pátio, distribuir os picolés que a escola havia comprado. “Aí, professor, tá muito engomadinho pra ser vendedor de picolé, hein?”. Foi quando percebi que só havia uma turma na escola, e sabia que eles tinham vindo em virtude do amigo secreto. Quando entrei na sala de aula, percebi que havia cachorros-quentes, pipoca, bolo de chocolate e suco de maracujá. Na verdade, a diretora havia pedido para os professores contribuírem para esta festa (que foi realizada nos três períodos), para incentivarem os alunos a freqüentarem a escola até aquela data. Realizamos o amigo secreto. Eu presenteei a aluna (a Geralda Lívia, ou simplesmente Lívia, como ela prefere ser chamada) como uma caixa de artesanato para colocar jóias. Curiosamente, ela havia sido sorteada comigo, e presenteou-me com uma toalha de rosto, com o nome da turma (3º. B) estampado. “Aí, professor, é pro senhor lembrar da gente todo dia, quando acordar”. Mal sabiam eles que não seria preciso o presente para eu lembrar-me deles com muito carinho... No final da festa, quando a diretoria veio desejar “boas festas” a todos que ali estavam, ocorreu uma situação que me deixou um pouco triste. Ao deparar-se com dois alunos que estavam de boné, a diretora pediu que eles tirassem os bonés e, diante da recusa dos mesmos, começou a discursar sobre o uso do boné. Os alunos acabaram se retirando da sala e indo embora para suas casas... Seguem algumas fotos para deixar registrado este momento tão especial. Desejo a todos dessa turma que tenham um caminho muito iluminado pela frente. Saibam que vou sentir saudades dos bons momentos. Valeu por tudo, moçada!!!

De pé: Fernanda Dândalo, Geralda Lívia (Lívia), professora Cleusa (Biologia), Jacira (vice-diretoria), Rangel, José Alcione, Fabiana, Natália, Daiane Toloti, Luís Fernando (Nunes), Dimas, Alexandre e Denis; Sentados: Vanderson (Goiaba), Camila e Marcelo.

Denis, posando com seu novo modelito de lingerie.

Sílvia (inspetora) e Vítor Hugo, filho da Daiane e do Dimas.

Ângela (secretária), professora Lâmia (diretora), professora Cleusa (Biologia), eu e a Sílvia (inspetora)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Hoje eu apliquei as últimas provas substitutivas na faculdade. Encerrou-se, assim, mais um ano letivo. Ao final destes dois anos ministrando aulas na faculdade, ouso dividir os alunos em dois grandes tipos. Existem aqueles mais “malandros”, mais alegres e divertidos, que parecem enxergar a vida de uma forma mais leve. Ao contrário do que eu pensava, apenas uma parte destes são “filhinhos de papai”. A maioria são pessoas que trabalham pesado o dia todo e que, mesmo assim, chegam na faculdade com um sorriso no rosto. Embora não consigam, muitas vezes, obter o rendimento esperado, esses alunos são bons colegas e acabam conseguindo minha admiração e respeito. Por outro lado, existem outros que são alunos exemplares, cujos rendimentos são muito satisfatórios, mas que parecem trazer consigo uma grande carga nos ombros. Eu me vejo muito nesses alunos (os tais CDF’s...). Os professores geralmente se realizam nesses alunos, mas estou certo de que sentem neles a falta da alegria que sobra nos primeiros...De qualquer forma, é muito engraçado a forma como eu acabo adquirindo um certo carinho por todos eles, mesmo já sendo bem crescidinhos. O fato é que alguns alunos conseguiram as notas que precisavam, outros não. O que eu gostaria de deixar registrado aqui é a dificuldade que eu sinto em reprovar um aluno. Não se trata apenas de um fracasso do aluno, mas também do professor. Além disso, eu sinto que existem alunos que realmente sentem dificuldade na matéria e, mesmo tendo se esforçado ao máximo, não conseguem o rendimento satisfatório... Acreditem: é uma situação muito delicada e constrangedora. Hoje vivenciei, pela primeira vez, uma situação que muitos professores já haviam me descrito, mas que eu não acreditava que fosse possível. Uma aluna aqui de São Joaquim precisava de 5,5, mas sua nota na prova era 5.0. Para dar uma ajuda (pois eu acho que ficar por 0,5 é sacanagem...), pedi-lhe que analisasse a prova novamente e que respondesse, mesmo que oralmente, a uma das questões que ela havia deixado em branco. Ela se sentou, pensou, pensou... e voltou. Tentou explicar-me, mas percebi que havia erros de conceito. Pedi-lhe, então, que retornasse à sua carteira e pensasse novamente. Após alguns minutos, ela retornou. Novamente os erros conceituais persistiram. Ela, ao notar que eu balançava a cabeça negativamente, olhou nos meus olhos, debruçou-se sobre a carteira e disse: “Me dá esse 0,5 que sábado à tarde eu vou lá na sua casa. Eu estou mesmo precisando de um namorado...” Rapidamente me recompus do choque e disse-lhe que voltasse à carteira para analisar novamente a questão. Putz, apelar não vale! Assim ninguém ganha nada comigo, não! Ou será que ela pensa que eu sou “facinho”? Ela sabe, inclusive, que eu namoro há muito tempo. Tenho pena dos professores que ficam se achando “lindos” ao receberem essas cantadas de alunas. Não são eles, é a posição de professor! Ou será que, de uma hora para outra, eu me tornei “o gostosão do pedaço”? Ah, fala sério! Aos que estão curiosos, ela ganhou, sim o 0,5, mas somente depois de responder-me a questão do jeito que eu queria!!! Uma outra aluna precisava de 9,5. Tirou 9.0. Uma das questões da prova, a mais difícil, foi respondida de forma muito “perfeita”. Estranhei muito, já que ela sempre foi uma aluna que mostrou muita dificuldade no conteúdo. Suspeitando de que ela havia colado, dei-lhe uma outra prova e uma folha em branco e pedi-lhe que escrevesse novamente tudo que ali estava. Ela pegou a folha, a prova, sentou-se e começou a chorar. Era a evidência que eu precisava. “Ela havia colado”, pensei. Após alguns alunos saírem, ela disse, em prantos, que estava nervosa, e que não conseguia pensar, já que tinha feito também uma outra prova naquela mesma noite. Disse-lhe, então, que podia me explicar sem escrever. Aos poucos ela foi se sentindo mais à vontade e acabou explicando o que eu queria... Meu Deus, que dia tenso para todos!!!

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Mensagem do dia: Terapia da solidariedade A senhora, culta e nobre de sentimentos, dispondo de algum tempo livre, resolveu aplicá-lo de forma útil. Como o índice de suicídios na cidade onde residia era elevado, dedicou-se ao edificante trabalho de atendimento do S.O.S-Vida, serviço telefônico para os candidatos ao autocídio. Submeteu-se ao treinamento e, três vezes por semana, dedicava duas horas de seu dia, à relevante tarefa. Em uma ocasião, foi surpreendida por uma voz feminina amargurada e nervosa, que dizia: "pretendo matar-me ainda hoje. Antes de fazê-lo, quis comunicar minha decisão a alguém. Por isso, estou telefonando." Fiel ao compromisso de não interferir no drama do cliente, manteve-se serena, indagando: "acredita que eu possa lhe ser útil?" Com azedume, a paciente reagiu: "ninguém pode ajudar-me, nem o desejo. Odeio o mundo e as pessoas. Sou uma infeliz e pretendo encerrar esta existência vazia." Como a senhora permanecesse em respeitoso silêncio a sofredora continuou sua narrativa. "Sou rica. Resido em uma bela mansão, no melhor bairro da cidade. Tenho dois filhos: um homem e uma mulher, ambos casados e pais, que já me deram quatro netos. Sou membro da alta sociedade, freqüento ambientes luxuosos e requintados. Tenho tudo o que o dinheiro pode comprar. Mas sabe o que mais me irrita? Pois eu lhe digo: em minha casa disponho de duas linhas telefônicas. Sempre que a campainha soa e vou atender, trata-se de ligação errada. Ou seja, ninguém se preocupa comigo. Terminados os encontros formais, sociais, ninguém é meu amigo!" "Então" - interferiu a senhora com habilidade - "permita-me telefonar-lhe uma vez ou outra." "Com qual interesse?" - perguntou a outra incrédula. "Eu necessito de uma amiga." - respondeu serenamente. Fez-se silêncio por um instante. "Mas você não me conhece." - redargüiu, mais calma, a sofredora. "Isso não é importante. Vou conhecê-la depois. Forneça-me o número de seu telefone, por favor." - insistiu a senhora. "Não tenho o hábito de dá-lo a estranhos." - respondeu um tanto contrariada. "E como deseja, então, que a procurem?" Depois de um instante de hesitação, ela cedeu e informou seu nome e número telefônico. Dois dias depois, a atendente telefonou para a desconhecida. Conversaram sobre assuntos gerais. A experiência repetiu-se muitas vezes. Após alguns meses, resolveram conhecer-se pessoalmente em um café, e se tornaram amigas. Hoje, ambas trabalham no S.O.S-VIDA e o telefone, quando toca, é alguém pedindo socorro, no que sempre é oferecido com carinho. Aprendeu a amar. Tornou-se útil e solidária. Curou-se da solidão que a consumia e torturava. Recebe amor aquele que o doa. Muitas vezes não o recebe da pessoa a quem o oferta. Isso, porém, não é importante, desde que ame. A solidão é doença que decorre do egoísmo. Quando alguém se dispõe a sair da concha do "eu", enriquece-se de amor e de solidariedade.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

O ano letivo praticamente terminou semana passada. Hoje não havia alunos na escola. Nas duas primeiras aulas encontrei apenas uma meia dúzia de alunos que sequer estavam com seus cadernos. O motivo de estarem ali era, na verdade, o campeonato inter-classes, que funcionou mais ou menos como um artifício “apelativo” da escola para assegurar a freqüência durante os 200 dias letivos. Aproveitei, então, para fechar as médias e fazer algumas anotações nos diários escolares. Por volta das 9h cheguei na outra escola, onde fica a minha sede. Não havia um aluno sequer! Minha intenção era, obviamente, dar seqüência ao trabalho de fechamento de médias. No entanto, havia uma policial militar à minha espera... Calma, não é o que parece. Ela cursa Biologia lá na Unifran e havia dito que viria hoje procurar-me para esclarecer algumas de suas dúvidas para a prova substitutiva de hoje à noite. Espero que ela tenha se saído bem. Ao avistar o pátio vazio da escola, senti um clima triste no ar. É neste período que a gente percebe que escola não é escola se não houver alunos. As risadas, a correria e até mesmo as brincadeiras violentas entre eles fazem falta... Será que este saudosismo é também devido ao Natal, que está se aproximando? Na semana passada a Ana Cláudia, a professora com quem ministro uma das disciplinas lá na faculdade, havia dito que na segunda-feira seriam aplicadas as provas substitutivas para os 3os. anos, enquanto que na quarta-feira seriam as dos 2os anos. Munido desta informação, passei parte da tarde preparando as provas para os 3os. Anos. “Na quarta-feira eu preparo as provas dos 2os”, pensei comigo. Terminei de preparar as provas e enviei-as para o Wilson, pedindo-lhe que as deixasse com o pessoal da secretaria para que fossem xerocadas. Tomei o banho naquela correria de sempre e dirigi-me ao posto da saída da cidade, de onde partiria o ônibus que levaria os estudantes (e eu, obviamente) para a Unifran. Chegando lá, o Roberto, aluno do 2º. A, pediu-me para esclarecer algumas dúvidas sobre o conteúdo. Perguntei-lhe, então, quando seria a prova dele. “Uai, Miller, é hoje”, respondeu-me, rindo. Minhas pernas bambearam, meu ritmo cardíaco alterou-se. Afinal, eu não tinha preparado as provas para os 2os. Anos... “Caramba! E agora, o que farei?”, pensei naquele momento. Tentando manter a calma, esclareci as dúvidas e aproveitamos para conversar durante a viagem. Ele contou-me que está sofrendo com as perdas em sua vida pessoal; sua avó, a quem ele carinhosamente referiu-se como “minha mãe”, faleceu de câncer há poucos meses... Eu imaginei-me no lugar dele e pude imaginar a dor da perda de uma pessoa tão próxima e querida. No lugar dele, confesso que eu não sei como agiria... Chegando na faculdade, dirigi-me rapidamente ao computador e procurei as provas que estavam salvas no meu e-mail. Bendita seja esta tal de Internet! Fiz algumas alterações nas provas bimestrais e pedi para o Júnior, um amigo lá da secretaria, que “quebrasse o meu galho” e xerocasse aquelas provas “para ontem”. Ufa!!! Com as provas nas mãos, segui voando para a sala, onde os alunos do 2º. A estavam me aguardando ansiosamente. Havia mais ou menos uns 15 alunos na sala. Destes, apenas 8 conseguiram a nota que precisavam, sendo que 7 deles foram reprovados, ou seja, ficaram em dependência desta disciplina. Corrigi a prova de alguns alunos ali mesmo na sala; algumas, no entanto, ficaram para trás e foram corrigidas na outra sala. Após o intervalo, apliquei prova substitutiva no 3º. B. Havia uns 7 alunos, sendo que a maioria deles conseguiu a nota que precisava. No final das contas, apenas quatro alunos daquela sala ficaram em dependência. Embora este seja o segundo ano que ministro aulas na universidade, confesso que experimentei hoje a sensação desagradável de ter que reprovar um aluno. O professor nunca sabe o que se passa na cabeça do aluno, nem tampouco os problemas que o aflige. Como se trata de um curso noturno, a maioria deles também não tem tempo para estudar. Ir à faculdade já é, por si só, um grande sacrifício. Fico, então, me questionando: tenho eu o direito de reprovar um aluno simplesmente por não obter a nota que precisa?

domingo, 11 de dezembro de 2005

Visita à casa de um amigo

O dia de hoje ficará marcado para sempre em minha memória. É para mim um grande prazer poder usar este espaço para registrar minha satisfação ao final deste dia tão especial, que será lembrado pela visita à casa do Vladimir. Como mencionei aqui, ele havia feito o convite há mais de um mês e, portanto, este dia estava sendo muito aguardado por nós. Na verdade, foi a primeira vez que recebo um convite desta natureza.
Conhecendo o Vlad como eu conheço, pude perceber desde o início um empenho muito especial para que esta visita se concretizasse. “Esse cara quer mesmo que você vá à casa dele, hein?”, disse minha irmã, admirada com o mapa detalhado que ele fez para que nós pudéssemos chegar até à sua casa. De fato, o tal mapa é uma verdadeira obra de arte e, ao fazê-lo, o Vlad pôs muitos cartógrafos no chinelo... Eu havia, inclusive, escrito um e-mail para ele agradecendo pelo mapa e disse que, com ele em mãos, eu só não chegaria à casa dele se eu fosse um retardado... Ao contrário do que eu faço normalmente, não vou ser muito detalhista na descrição do que ocorreu neste dia. Farei isso em respeito ao Vlad, que é uma pessoa muito reservada e dicreta e que poderá, de alguma forma, sentir-se com a privacidade invadida por meio destas palavras. A viagem até Ribeirão Preto foi tranqüila, exceto pela atenção que tive que dedicar ao relógio da temperatura durante todo o percurso. Às 10h15min estávamos estacionando em frente à casa do Vlad. Tocamos a campainha. A Renata, esposa do Vlad, veio recepcionar-nos ao portão, dizendo que ele estava picando a carne para fazer o estrogonoff. Adentramos a casa; enquanto a Renata e a Débora ficavam conversando e se divertindo com as brincadeiras do João Vítor e da Maria Júlia, os dois filhos do casal, eu conversava com o Vlad, admirado diante de suas habilidades no fogão. Mal notamos o tempo passar quando ele colocou, sobre a mesa, prontinho, o melhor estrofonoff que eu já comi até hoje!!! Não, não estou exagerando; eu repeti três vezes (não me recordo da última vez que fiz isso...). Com relação à sobremesa, tenho fortes suspeitas de que o Vlad tem capacidade para ler mentes. Ele preparou a minha favorita, sem eu ter dito nada... Ficamos conversando a tarde toda e quase conseguimos colocar o assunto em dia. De fato, fazia quase um ano que eu e o Vlad não tínhamos tempo para conversar com calma. Isto não significa, necessariamente, que o assunto tenha se esgotado... Mais do que relembrar dos bons tempos da pós-graduação e contar de nossos planos para o futuro, a conversa representou uma boa oportunidade para conhecer mais sobre o Vlad e sua história de vida. Em todos os momentos da visita, eu ficava admirado com a atenção e a cordialidade com que o Vlad, a Renata e os meninos nos dispensavam. Mais do que as portas de sua casa, eles estavam no abrindo um espaço em suas vidas. No entanto, o momento mais especial da visita foi quando o Vlad, enquanto nos mostrava o seu álbum de casamento, abriu em uma das páginas e permaneceu olhando, estático. Em seguida, comentou que naquela foto estavam os seus verdadeiros amigos (não vou dizer quantos, em respeito a ele, mas eram pouquíssimos!!!), aqueles por quem ele tem verdadeira consideração e que foram reconhecidos em diferentes períodos de sua vida. Após identificá-los, um a um, depositou a mão sobre o meu ombro e disse: “Tenho poucos amigos nesta vida. Todos estão nesta foto. Nesta foto só está faltando você, Miller...”. Já tendo experimentado (digamos, sido vítima do veneno...) da sinceridade e autenticidade do Vlad, e sabendo que ele não faz “política de boa vizinhança” com ninguém, reconheço aqui que fiquei, literalmente, sem palavras. A firmeza de sua voz deixou-me com um nó na garganta, emocionado. Ninguém faz idéia do que as palavras do Vlad significaram para mim. Ele usou a palavra amigo no seu sentido próprio. Não se trata de conhecido ou colega, mas sim de a-mi-go. E amigos a gente tem poucos. Eu sou um dos que o Vlad reconheceu, ele é um dos que eu reconheci... As duas coisas são muito importantes para mim e me deixam muito feliz.
Deixo aqui meus sinceros agradecimentos ao Vlad e à sua família pelo convite e pela consideração e cordialidade sem precedentes. Realmente, existem gestos cuja grandeza não pode ser medida, apenas retribuída. Tenho fé de que ainda terei oportunidade de "pagar-lhes" tamanha gentileza na mesma moeda, quando eu e a Débora tivermos nosso “lar”. Muito obrigado mesmo! No caminho de volta, deparamo-nos com um verdadeiro temporal, mas felizmente conseguimos chegar fisicamente intactos em nossas casas... Olhem na foto como as nuvens estavam carregadas.

sábado, 10 de dezembro de 2005

Tendo em vista a viagem que será feita amanhã, acordei cedo e fui ao mecânico, para tentarmos solucionar o problema do aquecimento do motor. Quando lá cheguei, o Mauro (mecânico e dono da oficina) pediu-me que deixasse o carro por lá, pois ia levar algum tempo para o conserto. Como eu tinha ouras coisas a serem, avisei-o que voltaria no final da manhã. A Débora, então, ligou-me e disse que queria dar um passeio pelo centro da cidade, para olhar as vitrines das lojas. Expliquei-lhe que estava a pé, ao que ela prontamente respondeu que viria buscar-me de carro. Enquanto aguardava na oficina, resolvi dar uma mãozinha para o pessoal do escritório, que estava fazendo uma faxina de final de ano. Foi então que olhei a árvore de Natal e senti, novamente, como esta época do ano é especial. Após alguns minutos, o carro da Débora parou em frente à oficina. Ao entrar no carro, ela avisou-me de um pequeno problema na direção. Algo de muito estranho estava fazendo o volante da direção tender para a esquerda, em movimentos ritmados. Sugeri-lhe que, após nosso passeio, voltássemos ao mecânico para pedir-lhe sua opinião. Já no centro da cidade, pedi-lhe que me ajudasse a escolher um presente para o amigo secreto que será realizado na próxima quinta-feira. Comprei uma caixinha de artesanato, que poderá ser muito útil para a minha amiga secreta (por enquanto não posso falar quem é...) colocar suas jóias. Em seguida, entramos em uma loja em cuja vitrine estava uma linda saia branca comprida, semelhante àquelas usadas pelos hippies dos anos 70. A Débora não resistiu e a comprou... Enquanto efetuava o pagamento, ouvi um barulho e um movimento de pessoas, que se moviam olhando para cima. Curioso como sou, saí à porta da loja e notei que um helicóptero estava sobrevoando a praça. Era o papai Noel! Aos poucos o piloto foi fazendo algumas manobras, até que conseguiu descer em frente à igreja. A manobra praticamente parou todas as lojas, já que haviam inúmeros curiosos como eu... Em outra loja, comprou também uma tintura para os cabelos de sua mãe e uma pequena piranha (sim, no formato de piranha!!!) para prender os cabelos.Feitas as compras, voltamos ao mecânico para saber em que pé estava o conserto do carro. O Xexéu, um dos mecânicos da oficina, deu-me a triste notícia: a bomba d’água estava fazendo e a válvula termostática estava travando. Em resumo: o serviço ia ficar o olho da cara! Como o serviço não estava concluído, disse que voltaria dali a meia hora. Voltamos, então, ao centro e compramos algo para comer. Escolhi dois stakes; a Débora preferiu uma coxinha e uma torta de palmito. Voltamos rapidamente à oficina e aproveitei para mostrar ao Mauro o problema no carro dela. O diagnóstico dele pareceu-me muito estranho: pneu torto. Eu já ouvi falar de roda torta, mas pneu torto foi a primeira vez... Disse que, por ocasião de uma possível queda em algum buraco na estrada, o pneu poderia ter sofrido alterações em sua estrutura, tornando-se maior em um dos lados (no caso, o lado interno do pneu). Agradeci-lhe pelo brilhante diagnóstico e disse à Débora que podia ir embora. Já era tarde, quase 12h30min. O meu carro ficou “pronto” mas, quando saí para testá-lo, notei que a temperatura ainda estava subindo... Após trocar a tampa do radiador, medir a temperatura da água, mexer no cebolinha da temperatura, o Mauro disse que só poderia ser o radiador que estava sujo. Já com a paciência esgotada, disse que voltaria na próxima semana e fui para casa. Chegando em casa, expliquei a situação para o papai. Ele sugeriu-me que colocasse uma espécie de removedor de ferrugem do radiador, antes de enviá-lo para limpeza. O papai disse que o nome do produto era “Rad Cool”. Após procurar em um posto, percebi que não ia ser nada fácil encontrar o que eu queria. No segundo posto, o rapaz vendeu-me o produto certo, mas quando cheguei em casa, notei que o prazo de validade havia expirado... Voltei ao posto, pedi o dinheiro de volta e dirigi-me ao terceiro posto. Lá encontrei um tal de “Rad Clean”. Após ler o rótulo, percebi que era um produto mais adequado para o que eu precisava do que aquele que o papai havia sugerido. Ao mostrar-lhe o produto, o papai disse havia confundido o nome; o produto certo era aquele que eu tinha comprado... Disse, também, que aquele produto era muito eficaz e que será capaz de remover as sujeiras de todo o sistema de refrigeração. Para ilustrar o efeito do produto, contou-me que quando quando o utilizou no radiador de um “Cara-chata” que ele dirigia, apareceram inúmeros vazamentos. Segundo ele, o radiador estava tão enferrujado que, após as impurezas terem sido removidas, tornou-se uma verdadeira peneira... Eram 16h quando percebi que meu tênis estava furado. Fui, então, comprar um tênis, um meião e uma palmilha de gel para o calcanhar. Preço da brincadeira: R$93,00!!!! Meu Deus, meu 13º. Salário sequer vai ser suficiente para tampar o antigo rombo em minha conta bancária... Como acontece em todos os sábados às 17h, fui jogar futebol com a turma. Pelo menos a estréia com o tênis novo foi muito boa: quatro gols. É, acho que valeu o investimento... À noite, a Débora e eu fomos ao Chopão, um restaurante-choperia aqui da cidade. Ela escolheu nhoque ao molho branco. Acredito que ela tenha se arrependido amargamente pela escolha, já que o molho branco conferiu um sabor tão enjoativo que ela começou a sentir enjôos e ânsias de vômitos... Tivemos que levá-la correndo para sua casa. Lá terminamos a noite de uma forma muito engraçada: ela, o pai dela e eu dormindo na sala, um em cada sofá... Que romântico!!!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

As sextas-feiras são geralmente dias cansativos, em que sou obrigado a acordar cedo para ministrar as cinco aulas no colégio, ir à Franca no período da tarde para “desorientar” a Marcele (aluna de mestrado) e voltar correndo para as duas aulas da noite, também no colégio. Hoje, em particular, resolvi fugir da rotina e ir à Ribeirão Preto e marcar presença no churrasco do pessoal do laboratório onde fiz pós-graduação. Acordei cedo (7h), embora um pouco mais tarde que as sextas-feiras normais. Fi-lo porque precisava lavar o carro (eu detesto viajar com o carro sujo!). Dei uma rápida “benzida” (a mamãe usa muito esse termo quando a lavagem é apenas “meia boca”), tomei banho e preparei as coisas para a viagem. Na bagagem estavam meus acessórios “futebolísticos (caneleira, meião, faixa e chuteira), sunga, cobertas, travesseiro, toalha de banho, roupa de cama e mais umas duas trocas de roupa. Na verdade, eu estava viajando preparado para pernoitar na moradia e matar a saudade dos velhos amigos que lá deixei. Após alguns contratempos, consegui sair de casa às 9h. Ao pegar o asfalto, senti uma certa tranqüilidade, já que o carro estava com pneus novos e com o problema do aquecimento no motor solucionado. Bom, era isso que eu pensava até notar que a temperatura do motor continuava subindo. Era como se eu nada tivesse feito para solucionar o problema... Isso obrigou-me a apelar para as chamadas “banguelas”, ou seja, era necessário desengatar o carro nas descidas e deixá-lo no embalo, para que a temperatura do motor pudesse diminuir um pouco. Cheguei em Ribeirão Preto às 9h. Antes de ir para o laboratório, onde encontraria com o pessoal, precisei ir à APEOESP para retirar o certificado de aprovação no concurso de professores PEB II que minha irmã havia pedido. Lá se foram mais ou menos 40min.... A próxima parada foi o Centro Popular de Compras (vulgo “camelódromo”), onde comprei 50 CD’s virgens e um porta-CD’s, somando aí a bagatela de R$50,00. Estou pensando em usá-los para gravar VCD’s dos clips musicais que estão em CD-R e que não consigo visualizar em DVD’s. Feita a compra, segui para o laboratório, onde achava que haveria alguém me aguardando para acompanhar-me até o local do churrasco. Enganei-me. Não havia nenhum funcionário ou colega por lá. Para minha sorte, o prof. João (o meu orientador de mestrado e de doutorado) estava por lá. Sempre cordial e educado, ele mostrou-me o mapa onde estava esquematizado o caminho para se chegar até a tal chácara do Lamir, onde o churrasco seria realizado. Na saída, despedi-me do Henrique, o vigia que trabalha na recepção do prédio onde fica o laboratório. O cara é uma figura! Ele fazia parte das “peladas futebolísticas noturnas” dos tempos áureos de moradia estudantil. O Henrique passou por uma situação muito incomum em seu relacionamento com sua atual esposa. Ele nos conta que teve uma discussão feia com a então namorada e que, na reconciliação, houve uma “comemoração especial”. Passados uns três meses, a sua namorada começou a apresentar fortes dores no estômago. O Henrique sugeriu que ela fosse procurar um médico, mas descartou a hipótese de que ela pudesse estar grávida, já que estava menstruando normalmente. Para azar (ou sorte) dele, o médico diagnosticou que ela estava grávida de três meses – e menstruando!!!! É um caso muito raro, que foi acontecer justo com ele... Após despedir-me do Henrique, encontrei o Nieta (o nome dele é Edvaldo), um camarada que trabalha no almoxarifado da faculdade e que jogava futebol conosco às quartas-feiras na quadra da via do Café. Ele deu-me mais algumas dicas muito válidas sobre como chegar até o local do churrasco. Segui, então, em direção a Sertãozinho. No anel viário, segui no sentido de Uberaba e, passado o Motel Miami, entrei no primeiro retorno. Já na outra pista, andei mais alguns metros até avistar o mesmo motel do outro lado da pista. Entrei então na primeira entrada à direita e depois entrei à esquerda. Caramba, que estrada ruim! Não se via terra, apenas pedras e mais pedras, a maioria delas pontiaguadas! Confesso que naquele momento lamentei ter trocado os pneus do carro... Vencido o enduro, consegui chegar à tal Chácara do Lamir. Os únicos que lá estavam até então eram o Giba, o Diógenes e seus filhos, e o Leonardo. Todos eles são técnicos do laboratório de Química Orgânica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, onde fiz a pós-graduação de 1999 a 2005. Eu ri muito das histórias do Giba e das trapalhadas do Leonardo. É bom ver que algumas coisas não mudaram nada. O restante do pessoal foi chegando aos poucos. A Andréia (pós-graduanda) e sua família, a Hosana (professora recém-contratada do laboratório), a Solange (pós-doutoranda) e o esposo, a Sílvia Taleb e sua filha, a Carla, o Tomaz e sua família. Vieram depois o Carlos e a mulher, o Michel e a namorada, o Gobbo, o Néri e o Vessecchi. Por fim, chegaram a Cristina (técnica que opera o cromatógrafo gasoso) e o Roger, seu esposo (que também jogava futebol conosco). O Roger é muito parecido com o Agostinho, da Grande Família, personagem que é interpretado pelo ator Pedro Cardoso. O prof. João chegou um pouco mais tarde e, por fim, o Betão. Foi uma boa oportunidade para rever alguns colegas de laboratório. Guardo com muita saudade os bons momentos que lá vivi... Contudo, muitos dos colegas que gostaria de ter reencontrado não compareceram. Para piorar, dentre os poucos que por lá estavam, senti que dois deles estavam me olhando de uma forma que não olhavam quando eu era pós-graduando. Senti em seus olhares um misto de indiferença e de inveja. Isso deixou-me um pouco triste e foi um forte incentivo para ir embora às 17h. Após despedir-me de todos, refiz o percurso de volta para a USP e, já dentro do campus, segui rumo à moradia estudantil (casa de pós-graduação). Lá reencontrei-me com o Gláucio (de Araxá-MG), o Ademar (Rio Verde-GO), o Pancinha (Formiga-MG), a Lu (Uberlândia-MG) e o João Pedro (seu filhinho) e o Eduardo (São José do Rio Preto-SP). Assim como eu, o Eduardo também estava de passagem, pois ele está fazendo o Doutorado na USP de São Paulo, portanto foi uma casualidade encontrá-lo por lá. Caramba, como essa moçada é divertida! Eu sinto falta das besteiras que a gente fala quando está reunido (isso é algo que eu não tenho como fazer aqui em São Joaquim...). Lamentamos, inclusive, não termos planejado um “rachinha” para aquele dia... Fiquei por lá até às 19h. Antes de voltar para casa, passei no laboratório para fazer um rápido levantamento bibliográfico. Saí de lá por volta das 20h40min. Quando estava chegando na entrada de São Joaquim, liguei o celular e fiz uma chamada para a Débora. Foi quando notei que ela havia ligado umas 10 vezes durante o dia! Considerando-se que nas 10 vezes o celular estava desligado, senti um friozinho na coluna. Era apenas a previsão do que acabou acontecendo. Quando cheguei em sua casa, aconteceu o que eu previa: “o pau caiu a folha”... E assim se foi mais uma sexta-feira.
Ao contrário dos outros dias, não sei por onde devo começar a escrever. Entretanto, isto não significa que vivenciei hoje várias experiências. Não, não é isso. Definitivamente, não. Trata-se de um único relato. Um, apenas um! E eu não sei por onde começar... Bom, vamos tentar... Na quarta-feira (07 de novembro), eu e o papai fomos negociar a troca dos pneus do meu carro. Acordamos cedo e, antes mesmo da empresa abrir suas portas, lá estávamos nós. Chegamos cedo (7h30min) para evitar filas. O papai detesta filas. Ele odeia esperar. Sempre odiou. A paciência não é uma de suas virtudes e, a cada dia que passa, percebo que está mais distante de adquiri-la. Chovia bastante. A chuva nos forçou a esperar dentro de nossos carros – sim, cada um no seu carro.
Após uns 10 minuto de espera, as portas se abriram. Como o papai queria, fomos os primeiros a ser atendidos. Negociamos a troca de pneus (quatro pneus XT-AS 715/70 R13, da Michelin) e, a pedido do papai, deixei os que estavam no meu carro para a minha irmã. Acertadas as condições de pagamento (uma entrada de R$350,00 e um cheque de R$440,00 a ser depositado daqui a 30 dias), meu pai voltou para casa com o sentimento de dever cumprido. Eu fiquei lá, aguardando. Era só esperar. E esperei. Esperei. E esperei... Somente ao meio dia é que pude ver meu carro com pneus novos, devidamente alinhados e balanceados. E lá se foi minha manhã. Uma manhã de muita espera. À tarde, fui comprar algumas peças para o carro (paletas do limpador de pára-brisas, capa do pedal de embreagem e do freio e condutor de ar do radiador), bem como um fluido aditivo para o radiador. Hoje (quinta-feira) acordei decidido a lavar o carro para a viagem de amanhã (fui convidado pelo pessoal do laboratório lá da USP de Ribeirão Preto para o churrasco de final de ano). Contudo, na parte da manhã, acabei limitando-me a enviar alguns e-mails. Terminei por volta das 11h e, sentindo o cheiro da comida pronta, optei por nadar na parte da tarde. Após o almoço, estava pronto para começar a limpeza. Ao entrar no carro, porém, senti um cheiro de umidade dentro do carro, que parecia vir do porta-malas. Detectei que havia um vazamento nas lanternas. O porta-malas estava todo “suado”... Removi o estepe, as chaves, o triângulo de segurança, o macaco e, por fim, o carpete. Enxuguei o assoalho e deixei o porta-mala e as portas abertas. Lembrei-me, então, que os papelões do radiador precisavam ser colocados. E foi aí que tudo começou... Pedi ao papai algumas instruções. Ele simplesmente disse que nunca tinha trocado o tal papelão, mas que seria necessário retirar o radiador para efetuar a troca. Sendo assim, ele sugeriu-me que eu procurasse a ajuda do funileiro. Minha mãe, que é uma pessoa sensata, perguntou ao meu pai por que ele mesmo não levava, já que não tinha outras coisas a fazer e não podia esperar. Não sei o que exatamente meu pai pensou naquele momento, mas ele simplesmente disse que a troca era rápida e afirmou que era algo complicado e que eu deveria levar o carro ao funileiro. Ora, se era realmente rápido, não poderia ele ter levado o carro para mim? Afinal, ele estava mesmo “de bobeira”... E eu com milhões de coisas aguardando para serem feitas... Então pensei: “Entre ficar esperando alguém fazer e eu mesmo fazer, eu prefiro a segunda opção”. Abri o jogo de chaves que o papai guarda no caminhão dele, peguei algumas chaves, deitei debaixo do carro e comecei o serviço. Ao ver-me, minha mãe disse imediatamente para eu desistir. Eu a ouvi mas não a escutei. Em poucos minutos o papai veio ver o que estava acontecendo. “Filho, você vai furar o radiador. Não mexe no que você não sabe. Ao invés de arrumar, você vai é estragar. Aí vai ficar bonito... Faz o que eu estou falando: leva o carro pro Baiano que ele troca pra você”. Essas cenas se repetiram durante toda a tarde. Mas não levei. Fiquei tentando trocar a peça durante, sem, no entanto, retirar o radiador (se o fizesse, perderia o líquido do radiador, que eu havia trocado ontem...). Em um determinado momento, minha coluna ameaçou travar, dada a posição desconfortável em que eu tinha que ficar durante boa parte do tempo. A chave de fenda, muito grande, não conseguia alcançar um dos parafusos da forma correta, impossibilitando a sua retirada. Minha mão se espremia entre o distribuidor, o alternador e o motor. Meus braços se sujaram. As peças caíam constantemente entre as pedras, e levavam um certo tempo até serem reencontradas. Uma das porcas espanou. Um outro parafuso não rodava... Estava na cozinha bebendo água quando o papai perguntou se eu havia conseguido. “Ainda não”, respondi. “Filho, deixa de ser teimoso; você não sabe mexer e vai acabar estragando. Escuta o que o seu pai está falando.” Eu ouvi mas, novamente, não escutei. Após quatro horas de muito esforço, lá estava a peça no lugar. Agora vem a grande pergunta: por que foi tão difícil escrever isso? Justamente uma coisa tão simples? Na verdade, os sentimentos que me atropelam neste momento não são nada simples. Uma mistura de orgulho, uma sensação de vitória, misturados a uma sensação de desafio cumprido. Ah, há quanto tempo eu não sentia isso... A culpa de tudo isso é do papai. Aliás, se eu sou assim como sou, turrão e persistente, é unicamente culpa dele. Ele sempre me desafiou, dizendo que eu era incapaz de fazer várias coisas nesta vida. Eu acabei fazendo todas elas. Existe aqui dentro uma sensação confortante de ter provado alguma coisa para o meu pai, coisa que eu não fazia há muito tempo. Não, não se trata de uma luta com meu pai nem tampouco de desforra. Não é, também, uma luta contra meu pai, e sim uma luta para superar meus próprios limites (de paciência, de estress, de destreza).
Meu pai é meu super–herói. Eu adoro quando ele diz que eu não consigo fazer algo; nada é mais desafiador! Eu chego a esquecer que sou limitmado; o céu passa a ser o limite!
Muito obrigado, papai!

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Aventuras no congresso BR-Mass - parte 2

O hotel em que o congresso foi realizado (um tal de Royal Palm Plaza) é considerado o mais luxuoso de Campinas. Trata-se de um hotel enorme, cuja área total deve equivaler a uns quatro quarteirões, no mínimo. Aqueles que trafegam pela via Anhangüera, no sentido interior-capital, podem avistá-lo à direita, próximo a um dos retornos na entrada de Campinas. Assim que estacionamos em frente ao hotel, os manobristas já se aproximaram, oferecendo-se gentilmente para estacionar o carro. Eu e o Gobbo entreolhamo-nos, já prevendo que isso ia nos custar alguma quantia. Aliás, esta foi a nossa grande preocupação durante quase toda a nossa estadia no hotel. Tudo é cobrado (e muito bem cobrado, diga-se de passagem!). Felizmente este não seria o caso do café da manhã, almoço e jantar, que foram brilhantemente incluídos no pacote. Não tendo como resistir à insistência do manobrista, e também por uma questão de educação, o Gobbo entregou-lhe as chaves assim que retiramos nossas bagagens do porta-malas. Dirigimo-nos, então, à recepção do hotel, para fazer o check-in. Essa palavra, aliás, sempre me recorda um amigo que, quando ouviu que era necessário fazê-lo, respondeu, ingenuamente: “Pô, eu não vou fazer check in nenhum! O hotel está incluso no pacote, não tenho que fazer “chequim” coisa nenhuma!” Muito educado e aparentemente poliglota, um dos recepcionistas perguntou por quem deveria procurar na lista de inscritos. Respondi que procurasse por “Crotti”, meu nome de família. Em poucos segundos o recepcionista depositou um envelope sobre o balcão contendo a chave do apartamento, desejando-me uma boa estadia. Enquanto isso, ao meu lado, o Néri ia “pagando o maior mico”. Ao ser indagado sobre qual nome o recepcionista deveria procurar na lista, ele responde: “”Néri”. O recepcionista, procurou, procurou e, após alguns minutos, perguntou-lhe se não havia outro nome para procurar, ao que ele responde: “José Néri de Souza Júnior”... Pude ouvir, imediatamente, a gargalhada inconfundível do Gobbo. “Ê, Néri, já começou a enterraria...” Embora eu não seja, ainda hoje, capaz de entender qual o verdadeiro significado desta expressão, posso afirmar que está associada a um grande equívoco (uma “enterrada”). O Gobbo, meu companheiro de quarto, perguntou a um dos recepcionistas onde ficava nosso quarto. Antes de responder à pergunta, o tal recepcionista fez uma rápida análise dos dois hóspedes. O Gobbo, um típico roqueiro de cabelos longos, trajava um boné com a aba virada para trás, uma camiseta básica de cor clara, bermudas e um tênis preto. Quanto a mim, vestia calça jeans, uma camiseta básica azul e sapatos esporte. Não levou muito tempo para que o recepcionista deduzisse que nós éramos pobres estranhos naquele ninho luxuoso. Para minha surpresa, o recepcionista disse-nos para seguir um dos carrinhos de bagagem. Peraí: os carrinhos de bagagem não são para levar bagagem? Por que nós é que deveríamos seguir o carrinho (que estava vazio) com as malas nas mãos, e não o contrário??? A forma de tratamento demonstrou ser diferenciada naquele momento para ricos e para pobres (que, pude notar, eles conseguiam diferenciar com facilidade). No meu caso, tive que experimentar um desconforto parecido quando fui retirar o material do congresso (pasta, caneta, bloco de anotações e programação das palestras). Infelizmente não tenho como descrever aqui a expressão espantada da moça quando eu disse que era professor... Seguimos, então, o moço do carrinho. Já no percurso para o quarto eu manifestei minha indignação com relação a este tratamento preconceituoso do pessoal do hotel, proporcionando ao Gobbo boas risadas. Todas as portas do hotel eram equipadas com sensor de calor, semelhante àquele dos shoppings, e se abriam quando detectavam nossa presença. No elevador, apertamos o botão “2” (segundo andar). Ao abrimos a porta do elevador, procuramos em uma tabela bem à nossa frente pelo apartamento “2208”. Após localizarmos nosso apartamento, passamos o cartão (o pessoal do hotel chama de “chave”) na fechadura e a porta se abriu.... (to be continued...)
As festas de final de ano estão se aproximando. A primeira metade de dezembro já vai ficando para trás e a contagem regressiva para o novo ano já teve seu início. Trata-se de uma época do ano muito especial para mim, que sempre associo ao sonho de ver minha família reunida, com todos os meus parentes alegres e em paz consigo mesmos e uns com os outros. Este sonho se renova a cada ano, mas as chances reais de concretizá-lo vão diminuindo assustadoramente. Curiosamente, eu me sinto muito sozinho nesta época. Uma inexplicável sensação de tristeza abate-me de uma forma tão estranha que confesso ser difícil conter as lágrimas ao tocar as teclas neste momento. Torno-me estranhamente introspectivo. Pareço olhar o mundo que me rodeia com outros olhos. Admiro as luzes, a decoração das casas, das árvores, das praças. Na praça central da cidade, o papai Noel recepciona as crianças e ouve atenciosamente e pacientemente o pedido de todas elas. As lojas mantêm suas portas abertas até às 22h. A cidade, enfim, fica mais alegre. De uma forma muito estranha, a beleza deste cenário acaba me entristecendo. Confesso, àqueles que gentilmente estão lendo essas palavras, que havia um bom tempo que as lágrimas não escorriam como escorrem neste momento. Neste momento, estou ouvindo a música “SOS do Abba e chorando (acho realmente preciso de socorro). Mas por quê? Por um motivo muito simples: todas as doces lembranças que tenho deste período irão tornar-se inevitavelmente amargas e tristes nos próximos anos. Sim, o meu sonho vai acabar. Afinal, tudo que é bom sempre se acaba. Dentro de poucos anos, as pessoas que eu mais amo nesta vida e que fizeram parte dos anos mais dourados de minha existência não mais estarão comigo para celebrar o nascimento do menino Jesus... É muito difícil para mim aceitar que esse é o rumo natural e irreversível dos acontecimentos... Ainda pior que a tristeza da ausência serão o meu remorso e o sentimento de fracasso por não ter sido suficientemente diplomático para reunir aqueles que não se falam e que sempre se criticaram mutuamente. Desculpem-me. Não tenho condições para terminar este post. Acho melhor ir deitar-me e tentar repousar. Contudo, terei antes uma conversa com Deus. Por que será que “amar” é tão doloroso?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Aventuras no congresso BR-Mass - parte 1

Domingo, 20 de novembro. Acordei por volta das 8h30min. Vesti a sunga e fui ao clube para nadar um pouco. A água estava muito fria, mas existem alguns sacrifícios que precisam ser feitos visando um bem maior (no caso, para aliviar as dores nas costas devido ao maldito bico-de-papagaio). Nadados os míseros 500 m de sempre (sim, quem nada sabe que essa distância é bem pequena), voltei para casa correndo, tomei banho, arrumei as malas e enfrentei os pouco mais de 70 km de Via Anhanguera que separam São Joaquim da Barra de Ribeirão Preto. O combinado era encontrar-me com o Gobbo e com o Néri e partirmos rumo à Campinas, onde o congresso seria realizado. Saí de casa por volta das 10h40min. Antes, porém, passei na casa da Débora para despedir-me. Às 11h50min eu parei em frente ao condomínio onde o Gobbo mora. O porteiro, um nordestino muito gente fina, acusou-lhe minha presença pelo interfone e, em seguida, o portão se abriu. Após alguns desencontros dentro do prédio (eu não sabia pra que lado eu ia...), finalmente encontrei o apartamento dele. Sossegado como sempre, o velho Gobbo ainda estava fazendo um “lanchinho”, que ele pretensiosamente chamou de almoço. Por volta das 12h30min nós deixamos o seu apartamento. Deixei o meu carro na vaga do dele, transferi as malas para o carro dele (um Uno flex power zerinho!) e nos dirigimos ao apartamento do Neri. O Néri estava aguardando na sacada do apartamento. Desconfiado, ele desceu e foi direto olhando na bagagem e perguntando se nós estávamos levando nossos ternos. Essa preocupação do meu colega tinha fundamento. O comitê organizador do congresso recomendava, no site, o uso de “traje de gala” (????). Nós, obviamente, entendemos que se tratava de terno. Como eu não tenho terno e o Gobbo não estava com o dele, respondemos que não. Guardamos, então, a bagagem do Neri no carro e, finalmente, “queimamos o asfalto” rumo à Campinas. A viagem foi bem tranqüila. Fomos conversando durante quase todo o trajeto. Como sempre, o Néri falou muito pouco, limitando-se a se defender de nossas brincadeiras. Na verdade, eu era o mais falante dos três. Em um determinado momento da viagem, tive que parar de falar, pois minha garganta já estava bem seca. A sorte foi que, neste momento, já estávamos adentrando Campinas, rumo ao apartamento da irmã do Gobbo. Eu sempre confiei bastante nas habilidades do Gobbo como motorista, mas a intuição dele não estava muito afiada aquele dia. Isso nos fez perder um certo tempo até encontrar o referido apartamento, já que ele não tinha o endereço... Durante o nosso passeio por Campinas, um tanto que imprevisto, pude perceber o porquê da cidade ser rotulada de “fresca”. Passamos em frente a um bar onde homens estavam se beijando na boca. Quem me conhece sabe que eu não tenho qualquer preconceito com relação à homossexualidade. Aliás, acho que este foi um dos diplomas mais importantes que eu trouxe da pós-graduação: aprender a viver no meio de pessoas com pensamentos e comportamentos diversos. Hoje em dia tenho o privilégio de ter amigos e alunos homossexuais, já que a maioria são pessoas maravilhosas e que também têm grande respeito por mim.
Finalmente chegamos ao apartamento da irmã do Gobbo (putz, eu esqueci o nome dela...). Nossa permanência foi muito breve, não superando os 10min. Apenas tomamos um copo d'água e retomamos nosso caminho rumo ao hotel.
Quando chegamos ao hotel...
(to be continued...)
Ao final da sexta-feira, fui certificar-me no calendário se esta não era realmente dia 13. Todos aqueles a quem contei o que se passou comigo neste dia formularam, entre risadas, a mesma pergunta: “Em que filme você assistiu a isso?” Ouso dizer que o destino aplicou-me uma surra sem precedentes, sem que eu pudesse defender-me dos golpes, todos proferidos com precisão. Vamos então aos golpes:
1 – Após estacionar o carro no quintal de casa, fui almoçar. Como de freqüência, fui abatido por um sono nocauteante. Como eu detesto viajar com o sono perturbando, tirei um cochilo. Chovia. Minha vontade naquele momento era ter ficado na cama, já que o dia estava nublado e chuvoso (na verdade, era uma chuva bem forte.). Mas não! Eu tinha combinado com o Wilson de ir à Franca para terminarmos um artigo, portanto tive que acordar e pegar a estrada. Quando entro no carro, percebo, antes mesmo de abri-lo, que existe uma lagoa enorme dentro dele (!!!) Para minha enorme “satisfação”, percebi que eu havia deixado o quebra-vento aberto... No entanto, eu já estava bem atrasado e não tive tempo de lamentar-me, esmurrar-me ou ir com a cabeça de encontro à parede. Passei um pano seco para remover o excesso de água e peguei a estrada. Chovia muito. A viagem, que já estava perigosa por causa da chuva forte, ficou ainda mais perigosa por causa dos pneus do meu carro, que já estão precisando ser substituídos. A sensação era de que estava andando na lama...
2 – Ao desembarcar na faculdade, percebi que havia uma poça enorme de água, que precisava ser atravessada para que eu pudesse chegar onde eu queria. Ao analisar o nível, percebi que a maldita poça iria encobrir o meu sapato (que, aliás, “era” de estimação). Tomei então uma certa distância, respirei fundo e vim correndo, com o objetivo de tocar apenas com a ponta dos pés na poça e, então, sair do outro lado apenas com as pontas dos pés molhadas. Eis que na terceira vez que toco a poça... escorrego e caio sentado!!! Não preciso nem dizer que fiquei parecendo um pintinho molhado...
3 – O “pintinho molhado” foi então procurar o Wilson para conversar. Para minha satisfação, o Wilson estava ocupado em uma defesa de dissertação de mestrado... O que isso queria dizer? Que eu havia enfrentado uma viagem perigosíssima, levado um tombo cinematográfico... em vão!!!
4 – Na volta, para espantar o sono, decidi comprar um salgadinho da Elma Chips. Para os que não sabem, eu tenho colecionado aqueles bonequinhos montáveis da Marvel que vêm como brinde nestes salgadinhos. Acreditam que no salgadinho que comprei, mesmo tendo a faixinha indicativa da promoção, não havia nenhum boneco???
5 – À noite, na escola, eu passei por uma das situações mais constrangedoras de toda a minha vida. Ao entrar na sala de professores, a Janaína já preveu o que ia acontecer. “Eduardo, suas alunas apaixonadas estão esperando por você. Elas disseram que quase enlouqueceram com o seu perfume ontem.” E assim foi. Quando entrei na sala, haviam apenas dois alunos e quatro alunas. Fui praticamente cercado por três dessas alunas, que começaram a me “xavecar”. Sem sacanagem nenhuma: eu não me arriscaria a ficar sozinho com essas três alunas na sala de aula! Só pra ter uma idéia do meu constrangimento, uma delas me pediu em casamento. Após dizer que eu namorava há bastante tempo e que gostava muito da Débora, elas disseram para eu escolher uma delas. Uma outra me perguntou se eu fazia musculação. Respondi que não, ao que ela retrucou dizendo que eu tenho um corpo maravilhoso. A terceira, que perguntou a minha idade, espantou-se, dizendo que estou muito conservado. Tentei disfarçar, conversando com os dois alunos, mas quando virei-me, estavam as três “me secando”. Pude ouvir um "Olha que cabelo lindo!" Pra falar a verdade, tive que conter a vontade de rir. Não fui acostumado a ouvir elogios! Aos 10 anos, quando perguntei ao meu pai por que os meus amiguinhos já estavam namorando e eu não, ele respondeu: “Ora, você não está namorando porque é feio.” Resultado: cresci achando que eu era realmente muito feio (e não sou; sou apenas feio... rsrsrs), sem nunca ter recebido elogios do meu pai. Imaginem a minha reação quando, ao me tornar professor, deparo-me com alunas que passam a me elogiar dessa forma... Devo ter ficado da cor de um pimentão! 6 – Saindo da escola, fui à casa da Débora para irmos lá em casa, a fim de digitarmos alguns trabalhos da faculdade. Quando vou entrando em casa, minha mãe grita:”Pára aí mesmo! Olha o que você está fazendo na varanda! Você pisou na bosta de cachorro!”Eita, que fase complicada! Levando-se em conta que o meu computador “pifou” há duas semanas, estou pensando seriamente em fazer um “despacho”... Na verdade, preciso mesmo é parar de reclamar, pois isso só atrai coisas ruins. O Betão me ligou naquele dia, preocupado com a minha saúde. Ele notou, em um e-mail que lhe escrevi, que eu estava muito estressado e irritado. Eis aí um cara pra quem eu tiro o chapéu!!! Falando sério agora: isso parece coisa de cinema! Acho que daria até um filme (mesmo que seja um filme de comédia...)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Ao final de mais um dia de vida, a pergunta que mais me incomoda é: será que eu sou um bom professor? Eu sempre teimei em dizer que não! A sensação de ser um “nada”, um inútil, incomoda muito e quase me levou à depressão no primeiro semestre deste ano. Afinal, para que serviram os 23 anos de estudo se, diante do desinteresse dos alunos, vejo-me impossibilitado de transmitir o conhecimento que adquiri (que, convenhamos, não é vasto merda nenhuma!!!)??? Cada vez mais eu tenho a certeza de que tudo o conhecimento acerca de mecanismos de reações orgânicas vai se perdendo aos poucos e eu não vou ter a oportunidade de transmiti-los a ninguém... Ora, se tudo o que eu sei é isso e os alunos NUNCA veriam importância nisso que sei, posso concluir que sou um professor de merda, certo? Errado. Ao que parece, os anos de pós-graduação não apenas me trouxeram conhecimento específico (sim, é este que vai ficar engavetado!) mas também experiências de vida, aquelas cuja importância eu comecei a perceber no final do doutorado. As aulas de hoje foram sobre essas experiências. Acreditem ou não, eu nunca vi as salas tão silenciosas. Todos pareciam interessar-me pela minha vida! Inseri algumas passagens engraçadas para ilustrar outras menos engraçadas, porém não menosinteressantes. No final das contas, passei quase todas as aulas contando da minha vida. No início do ano eu enxergaria isso como “enrolação”. A julgar pela reação deles, acho que poderia encarar estas aulas “enroladas” de hoje como as mais importantes do ano. Será que isso é o que realmente significa tornar-se professor? Será que eu estou aprendendo a contextualizar vivências de vida em meio às aulas convencionais? Na verdade, preciso confessar que, hoje em particular, neste momento, sinto-me muito querido e respeitado pelos alunos. Como já disse, não há dinheiero no mundo que comrpe essa sensação!!! Que Deus me ilumine e me guie no caminho onde eu possa ser mais útil. Sei que é muito relativo, mas o fato é que hoje eu irei deitar-me com a sensação de que eu sou, de fato, um bom professor... (não se preocupem, quando eu abrir os olhos amanhã cedo eu não me lembrarei de mais nada; devo estar sonhando!)
Os últimos dias não têm sido fáceis para mim. Tenho sido muito exigido em todos os sentidos e isso tem gerado em mim uma irritação sem precedentes. Conhecendo-me como eu conheço, posso afirmar que isso é resultado das coisas que estão por fazer e que, aos poucos, vão se acumulando e acabam sendo deixadas para trás à medida que outras, mais recentes e mais urgentes, vão surgindo. Para ser mais específico, refiro-me ao livro e ao projeto de pesquisa que precisam ser escritos “para ontem” e que, em virtude das aulas, estão ficando sempre em segundo plano. Se não me engano, há mais de seis meses que não consigo encontrar tempo para dedicar-me a eles. Acho que, no final das contas, eu preciso mesmo é deixar as obrigações de lado e fazer o que realmente me traz prazer, ou seja, trabalhar no que eu realmente quero e não no que eu preciso. Quero ver-me logo livre das provas de final de período, que são desgastantes também para os professores (ao contrário do que eu pensava quando era aluno...). Hoje passei o dia todo corrigindo provas. Eis uma tarefa que acaba com o meu humor! Dar aulas é muito prazeroso, mas acredito que corrigir provas é o preço que se paga por algo que tanto gosto de fazer. Minha vida familiar também não anda lá aquelas coisas. Minha irmã já deu início aos preparativos para sua mudança de endereço e, como já mencionei aqui, ainda não assimilei muito bem a idéia (embora, no fundo do coração, eu tenha convicção de que sua ida é necessária). Minha avó paterna anda mal de saúde. Embora ela tenha sempre sofrido com os efeitos de diabetes e de pressão arterial elevada, o problema agora é um pouco mais grave: esclerose... Ela simplesmente faz as coisas e já não se lembra do que acabou de fazer há um minuto atrás, além de estar fazendo xixi sem saber... Putz, é triste saber que uma mulher forte como ela vai caminhando para o fim da vida desta forma! Quanto à mim, tenho andado muito contrariado com o rumo com a construção da minha casa, que ainda não começou. Havia combinado com o meu cunhado para começar a construção em outubro, mas apareceram outros imprevistos e até hoje a construção não começou. Quem entende um pouco das coisas sabe que construção no período das chuvas não é um bom negócio. Acho que teremos que adiar para março.
Outro fato, extremamente irritante, é a obrigação de ter que ir na escola e na faculdade durante duas semanas sem ter aulas nem alunos. Que perda de tempo! E eu com tanta coisa pra fazer...
É, acho que depois desse desabafo já deu pra perceber por que ando sem paciência, né?