segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Ao final da sexta-feira, fui certificar-me no calendário se esta não era realmente dia 13. Todos aqueles a quem contei o que se passou comigo neste dia formularam, entre risadas, a mesma pergunta: “Em que filme você assistiu a isso?” Ouso dizer que o destino aplicou-me uma surra sem precedentes, sem que eu pudesse defender-me dos golpes, todos proferidos com precisão. Vamos então aos golpes:
1 – Após estacionar o carro no quintal de casa, fui almoçar. Como de freqüência, fui abatido por um sono nocauteante. Como eu detesto viajar com o sono perturbando, tirei um cochilo. Chovia. Minha vontade naquele momento era ter ficado na cama, já que o dia estava nublado e chuvoso (na verdade, era uma chuva bem forte.). Mas não! Eu tinha combinado com o Wilson de ir à Franca para terminarmos um artigo, portanto tive que acordar e pegar a estrada. Quando entro no carro, percebo, antes mesmo de abri-lo, que existe uma lagoa enorme dentro dele (!!!) Para minha enorme “satisfação”, percebi que eu havia deixado o quebra-vento aberto... No entanto, eu já estava bem atrasado e não tive tempo de lamentar-me, esmurrar-me ou ir com a cabeça de encontro à parede. Passei um pano seco para remover o excesso de água e peguei a estrada. Chovia muito. A viagem, que já estava perigosa por causa da chuva forte, ficou ainda mais perigosa por causa dos pneus do meu carro, que já estão precisando ser substituídos. A sensação era de que estava andando na lama...
2 – Ao desembarcar na faculdade, percebi que havia uma poça enorme de água, que precisava ser atravessada para que eu pudesse chegar onde eu queria. Ao analisar o nível, percebi que a maldita poça iria encobrir o meu sapato (que, aliás, “era” de estimação). Tomei então uma certa distância, respirei fundo e vim correndo, com o objetivo de tocar apenas com a ponta dos pés na poça e, então, sair do outro lado apenas com as pontas dos pés molhadas. Eis que na terceira vez que toco a poça... escorrego e caio sentado!!! Não preciso nem dizer que fiquei parecendo um pintinho molhado...
3 – O “pintinho molhado” foi então procurar o Wilson para conversar. Para minha satisfação, o Wilson estava ocupado em uma defesa de dissertação de mestrado... O que isso queria dizer? Que eu havia enfrentado uma viagem perigosíssima, levado um tombo cinematográfico... em vão!!!
4 – Na volta, para espantar o sono, decidi comprar um salgadinho da Elma Chips. Para os que não sabem, eu tenho colecionado aqueles bonequinhos montáveis da Marvel que vêm como brinde nestes salgadinhos. Acreditam que no salgadinho que comprei, mesmo tendo a faixinha indicativa da promoção, não havia nenhum boneco???
5 – À noite, na escola, eu passei por uma das situações mais constrangedoras de toda a minha vida. Ao entrar na sala de professores, a Janaína já preveu o que ia acontecer. “Eduardo, suas alunas apaixonadas estão esperando por você. Elas disseram que quase enlouqueceram com o seu perfume ontem.” E assim foi. Quando entrei na sala, haviam apenas dois alunos e quatro alunas. Fui praticamente cercado por três dessas alunas, que começaram a me “xavecar”. Sem sacanagem nenhuma: eu não me arriscaria a ficar sozinho com essas três alunas na sala de aula! Só pra ter uma idéia do meu constrangimento, uma delas me pediu em casamento. Após dizer que eu namorava há bastante tempo e que gostava muito da Débora, elas disseram para eu escolher uma delas. Uma outra me perguntou se eu fazia musculação. Respondi que não, ao que ela retrucou dizendo que eu tenho um corpo maravilhoso. A terceira, que perguntou a minha idade, espantou-se, dizendo que estou muito conservado. Tentei disfarçar, conversando com os dois alunos, mas quando virei-me, estavam as três “me secando”. Pude ouvir um "Olha que cabelo lindo!" Pra falar a verdade, tive que conter a vontade de rir. Não fui acostumado a ouvir elogios! Aos 10 anos, quando perguntei ao meu pai por que os meus amiguinhos já estavam namorando e eu não, ele respondeu: “Ora, você não está namorando porque é feio.” Resultado: cresci achando que eu era realmente muito feio (e não sou; sou apenas feio... rsrsrs), sem nunca ter recebido elogios do meu pai. Imaginem a minha reação quando, ao me tornar professor, deparo-me com alunas que passam a me elogiar dessa forma... Devo ter ficado da cor de um pimentão! 6 – Saindo da escola, fui à casa da Débora para irmos lá em casa, a fim de digitarmos alguns trabalhos da faculdade. Quando vou entrando em casa, minha mãe grita:”Pára aí mesmo! Olha o que você está fazendo na varanda! Você pisou na bosta de cachorro!”Eita, que fase complicada! Levando-se em conta que o meu computador “pifou” há duas semanas, estou pensando seriamente em fazer um “despacho”... Na verdade, preciso mesmo é parar de reclamar, pois isso só atrai coisas ruins. O Betão me ligou naquele dia, preocupado com a minha saúde. Ele notou, em um e-mail que lhe escrevi, que eu estava muito estressado e irritado. Eis aí um cara pra quem eu tiro o chapéu!!! Falando sério agora: isso parece coisa de cinema! Acho que daria até um filme (mesmo que seja um filme de comédia...)

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