quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Ao final de mais um dia de vida, a pergunta que mais me incomoda é: será que eu sou um bom professor? Eu sempre teimei em dizer que não! A sensação de ser um “nada”, um inútil, incomoda muito e quase me levou à depressão no primeiro semestre deste ano. Afinal, para que serviram os 23 anos de estudo se, diante do desinteresse dos alunos, vejo-me impossibilitado de transmitir o conhecimento que adquiri (que, convenhamos, não é vasto merda nenhuma!!!)??? Cada vez mais eu tenho a certeza de que tudo o conhecimento acerca de mecanismos de reações orgânicas vai se perdendo aos poucos e eu não vou ter a oportunidade de transmiti-los a ninguém... Ora, se tudo o que eu sei é isso e os alunos NUNCA veriam importância nisso que sei, posso concluir que sou um professor de merda, certo? Errado. Ao que parece, os anos de pós-graduação não apenas me trouxeram conhecimento específico (sim, é este que vai ficar engavetado!) mas também experiências de vida, aquelas cuja importância eu comecei a perceber no final do doutorado. As aulas de hoje foram sobre essas experiências. Acreditem ou não, eu nunca vi as salas tão silenciosas. Todos pareciam interessar-me pela minha vida! Inseri algumas passagens engraçadas para ilustrar outras menos engraçadas, porém não menosinteressantes. No final das contas, passei quase todas as aulas contando da minha vida. No início do ano eu enxergaria isso como “enrolação”. A julgar pela reação deles, acho que poderia encarar estas aulas “enroladas” de hoje como as mais importantes do ano. Será que isso é o que realmente significa tornar-se professor? Será que eu estou aprendendo a contextualizar vivências de vida em meio às aulas convencionais? Na verdade, preciso confessar que, hoje em particular, neste momento, sinto-me muito querido e respeitado pelos alunos. Como já disse, não há dinheiero no mundo que comrpe essa sensação!!! Que Deus me ilumine e me guie no caminho onde eu possa ser mais útil. Sei que é muito relativo, mas o fato é que hoje eu irei deitar-me com a sensação de que eu sou, de fato, um bom professor... (não se preocupem, quando eu abrir os olhos amanhã cedo eu não me lembrarei de mais nada; devo estar sonhando!)

2 comentários:

Anônimo disse...

Meu velho Amigo!!!!
Tenho certeza que você é um dos melhores professores da área na cidade, e não com medo de errar, arrisco a dizer que é o melhor de todos. Quanto à sua autocrítica, acho importante, afinal, antes de sermos cobrados por alguém, devemos cobrar a nós mesmos. Quanto às aulas, sei que hoje o desinteresse da moçada é muito maior que na nossa época. Naquela época - que não é tão longínqua assim - nós ficávamos com vergonha quando tirávamos notas melhores que as dos nossos amigos. Tínhamos uma espécie de competição lembra? Lembra-se também que nessa competição, eu sempre comi poeira de você, do Marcato, do Allan, do Rodiriguinho Flora? Mas eu nunca esmoreci por isso. Também é verdade que tinham uns que não estavam nem aí com nada, que não quero citar os nomes. Mas o que fica daquela época é que o professor era temido por todos... Professor era autoridade e ponto final. Hoje, acho que a coisa é meio diferente.... Diferente para pior. Acabou o respeito.
Não titubeie, não esmoreça, não desanime.
Você é o cara... Você é o melhor de todos.

Forte abraço

Sandrinho

Ler nos Remendos disse...

E aí, menino?!!! Um cara tão para cima assim tão frustrado? Deixa isso para mim!! Egoísta, né?! Mas você não merece essas preocupações, você pode ir muito além e irá!!! Deixa o buraco da depressão comigo que eu já sou treinado, você siga em frente, Doutor Miller!!!! Parabéns pelo Blog!!! Abraço. Eduardo