terça-feira, 6 de dezembro de 2005

As festas de final de ano estão se aproximando. A primeira metade de dezembro já vai ficando para trás e a contagem regressiva para o novo ano já teve seu início. Trata-se de uma época do ano muito especial para mim, que sempre associo ao sonho de ver minha família reunida, com todos os meus parentes alegres e em paz consigo mesmos e uns com os outros. Este sonho se renova a cada ano, mas as chances reais de concretizá-lo vão diminuindo assustadoramente. Curiosamente, eu me sinto muito sozinho nesta época. Uma inexplicável sensação de tristeza abate-me de uma forma tão estranha que confesso ser difícil conter as lágrimas ao tocar as teclas neste momento. Torno-me estranhamente introspectivo. Pareço olhar o mundo que me rodeia com outros olhos. Admiro as luzes, a decoração das casas, das árvores, das praças. Na praça central da cidade, o papai Noel recepciona as crianças e ouve atenciosamente e pacientemente o pedido de todas elas. As lojas mantêm suas portas abertas até às 22h. A cidade, enfim, fica mais alegre. De uma forma muito estranha, a beleza deste cenário acaba me entristecendo. Confesso, àqueles que gentilmente estão lendo essas palavras, que havia um bom tempo que as lágrimas não escorriam como escorrem neste momento. Neste momento, estou ouvindo a música “SOS do Abba e chorando (acho realmente preciso de socorro). Mas por quê? Por um motivo muito simples: todas as doces lembranças que tenho deste período irão tornar-se inevitavelmente amargas e tristes nos próximos anos. Sim, o meu sonho vai acabar. Afinal, tudo que é bom sempre se acaba. Dentro de poucos anos, as pessoas que eu mais amo nesta vida e que fizeram parte dos anos mais dourados de minha existência não mais estarão comigo para celebrar o nascimento do menino Jesus... É muito difícil para mim aceitar que esse é o rumo natural e irreversível dos acontecimentos... Ainda pior que a tristeza da ausência serão o meu remorso e o sentimento de fracasso por não ter sido suficientemente diplomático para reunir aqueles que não se falam e que sempre se criticaram mutuamente. Desculpem-me. Não tenho condições para terminar este post. Acho melhor ir deitar-me e tentar repousar. Contudo, terei antes uma conversa com Deus. Por que será que “amar” é tão doloroso?

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