quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

As sextas-feiras são geralmente dias cansativos, em que sou obrigado a acordar cedo para ministrar as cinco aulas no colégio, ir à Franca no período da tarde para “desorientar” a Marcele (aluna de mestrado) e voltar correndo para as duas aulas da noite, também no colégio. Hoje, em particular, resolvi fugir da rotina e ir à Ribeirão Preto e marcar presença no churrasco do pessoal do laboratório onde fiz pós-graduação. Acordei cedo (7h), embora um pouco mais tarde que as sextas-feiras normais. Fi-lo porque precisava lavar o carro (eu detesto viajar com o carro sujo!). Dei uma rápida “benzida” (a mamãe usa muito esse termo quando a lavagem é apenas “meia boca”), tomei banho e preparei as coisas para a viagem. Na bagagem estavam meus acessórios “futebolísticos (caneleira, meião, faixa e chuteira), sunga, cobertas, travesseiro, toalha de banho, roupa de cama e mais umas duas trocas de roupa. Na verdade, eu estava viajando preparado para pernoitar na moradia e matar a saudade dos velhos amigos que lá deixei. Após alguns contratempos, consegui sair de casa às 9h. Ao pegar o asfalto, senti uma certa tranqüilidade, já que o carro estava com pneus novos e com o problema do aquecimento no motor solucionado. Bom, era isso que eu pensava até notar que a temperatura do motor continuava subindo. Era como se eu nada tivesse feito para solucionar o problema... Isso obrigou-me a apelar para as chamadas “banguelas”, ou seja, era necessário desengatar o carro nas descidas e deixá-lo no embalo, para que a temperatura do motor pudesse diminuir um pouco. Cheguei em Ribeirão Preto às 9h. Antes de ir para o laboratório, onde encontraria com o pessoal, precisei ir à APEOESP para retirar o certificado de aprovação no concurso de professores PEB II que minha irmã havia pedido. Lá se foram mais ou menos 40min.... A próxima parada foi o Centro Popular de Compras (vulgo “camelódromo”), onde comprei 50 CD’s virgens e um porta-CD’s, somando aí a bagatela de R$50,00. Estou pensando em usá-los para gravar VCD’s dos clips musicais que estão em CD-R e que não consigo visualizar em DVD’s. Feita a compra, segui para o laboratório, onde achava que haveria alguém me aguardando para acompanhar-me até o local do churrasco. Enganei-me. Não havia nenhum funcionário ou colega por lá. Para minha sorte, o prof. João (o meu orientador de mestrado e de doutorado) estava por lá. Sempre cordial e educado, ele mostrou-me o mapa onde estava esquematizado o caminho para se chegar até a tal chácara do Lamir, onde o churrasco seria realizado. Na saída, despedi-me do Henrique, o vigia que trabalha na recepção do prédio onde fica o laboratório. O cara é uma figura! Ele fazia parte das “peladas futebolísticas noturnas” dos tempos áureos de moradia estudantil. O Henrique passou por uma situação muito incomum em seu relacionamento com sua atual esposa. Ele nos conta que teve uma discussão feia com a então namorada e que, na reconciliação, houve uma “comemoração especial”. Passados uns três meses, a sua namorada começou a apresentar fortes dores no estômago. O Henrique sugeriu que ela fosse procurar um médico, mas descartou a hipótese de que ela pudesse estar grávida, já que estava menstruando normalmente. Para azar (ou sorte) dele, o médico diagnosticou que ela estava grávida de três meses – e menstruando!!!! É um caso muito raro, que foi acontecer justo com ele... Após despedir-me do Henrique, encontrei o Nieta (o nome dele é Edvaldo), um camarada que trabalha no almoxarifado da faculdade e que jogava futebol conosco às quartas-feiras na quadra da via do Café. Ele deu-me mais algumas dicas muito válidas sobre como chegar até o local do churrasco. Segui, então, em direção a Sertãozinho. No anel viário, segui no sentido de Uberaba e, passado o Motel Miami, entrei no primeiro retorno. Já na outra pista, andei mais alguns metros até avistar o mesmo motel do outro lado da pista. Entrei então na primeira entrada à direita e depois entrei à esquerda. Caramba, que estrada ruim! Não se via terra, apenas pedras e mais pedras, a maioria delas pontiaguadas! Confesso que naquele momento lamentei ter trocado os pneus do carro... Vencido o enduro, consegui chegar à tal Chácara do Lamir. Os únicos que lá estavam até então eram o Giba, o Diógenes e seus filhos, e o Leonardo. Todos eles são técnicos do laboratório de Química Orgânica da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, onde fiz a pós-graduação de 1999 a 2005. Eu ri muito das histórias do Giba e das trapalhadas do Leonardo. É bom ver que algumas coisas não mudaram nada. O restante do pessoal foi chegando aos poucos. A Andréia (pós-graduanda) e sua família, a Hosana (professora recém-contratada do laboratório), a Solange (pós-doutoranda) e o esposo, a Sílvia Taleb e sua filha, a Carla, o Tomaz e sua família. Vieram depois o Carlos e a mulher, o Michel e a namorada, o Gobbo, o Néri e o Vessecchi. Por fim, chegaram a Cristina (técnica que opera o cromatógrafo gasoso) e o Roger, seu esposo (que também jogava futebol conosco). O Roger é muito parecido com o Agostinho, da Grande Família, personagem que é interpretado pelo ator Pedro Cardoso. O prof. João chegou um pouco mais tarde e, por fim, o Betão. Foi uma boa oportunidade para rever alguns colegas de laboratório. Guardo com muita saudade os bons momentos que lá vivi... Contudo, muitos dos colegas que gostaria de ter reencontrado não compareceram. Para piorar, dentre os poucos que por lá estavam, senti que dois deles estavam me olhando de uma forma que não olhavam quando eu era pós-graduando. Senti em seus olhares um misto de indiferença e de inveja. Isso deixou-me um pouco triste e foi um forte incentivo para ir embora às 17h. Após despedir-me de todos, refiz o percurso de volta para a USP e, já dentro do campus, segui rumo à moradia estudantil (casa de pós-graduação). Lá reencontrei-me com o Gláucio (de Araxá-MG), o Ademar (Rio Verde-GO), o Pancinha (Formiga-MG), a Lu (Uberlândia-MG) e o João Pedro (seu filhinho) e o Eduardo (São José do Rio Preto-SP). Assim como eu, o Eduardo também estava de passagem, pois ele está fazendo o Doutorado na USP de São Paulo, portanto foi uma casualidade encontrá-lo por lá. Caramba, como essa moçada é divertida! Eu sinto falta das besteiras que a gente fala quando está reunido (isso é algo que eu não tenho como fazer aqui em São Joaquim...). Lamentamos, inclusive, não termos planejado um “rachinha” para aquele dia... Fiquei por lá até às 19h. Antes de voltar para casa, passei no laboratório para fazer um rápido levantamento bibliográfico. Saí de lá por volta das 20h40min. Quando estava chegando na entrada de São Joaquim, liguei o celular e fiz uma chamada para a Débora. Foi quando notei que ela havia ligado umas 10 vezes durante o dia! Considerando-se que nas 10 vezes o celular estava desligado, senti um friozinho na coluna. Era apenas a previsão do que acabou acontecendo. Quando cheguei em sua casa, aconteceu o que eu previa: “o pau caiu a folha”... E assim se foi mais uma sexta-feira.

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