sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Assim como faço todas as sextas-feiras, fui à Franca para encontrar-me com a minha “desorientanda” de mestrado, a Marcele. Contudo, pela segunda semana consecutiva, soube que ela estava assistindo a uma defesa de dissertação. Aproveitei para acertar todas as notas que eu precisava e liquidar, de vez, com os compromissos deste ano letivo. Por volta das 16h eu já havia terminado tudo o que tinha que fazer. Fiquei, então, olhando alguns e-mails (minha caixa de mensagens está lotada!) até chegar o momento de ir ao casamento do Ricardinho. O Ricardinho é um colega de faculdade. Na época, havia em nossa turma dois alunos chamados Ricardo: o Ricardo Stéfani e o Ricardo Oliveira. Em virtude da estatura relativa entre eles, o primeiro foi apelidado de Ricardão e o segundo de Ricardinho. Após a faculdade, o Ricardinho e eu nos encontramos algumas vezes na sala dos professores, nas ocasiões em que ele foi convidado para proferir algumas palestras. A última vez em que nos encontramos foi no casamento do Clodoaldo, lá em Batatais. Hoje o Ricardinho é químico em uma indústria lá em Restinga. Quando o relógio da sala dos professores indicou 19h30min, despedi-me do Norba e do restante dos professores que lá estavam. Era hora de partir. No meio do caminho, lembrei que eu precisava trocar de roupas. Mas como fazê-lo? Eu já estava na estrada! Aí eu pensei: “Que se dane! Vou me trocar aqui mesmo”. Parei o carro no acostamento, fechei os vidros e troquei a calça, a camisa e o sapato e apliquei algumas gotas de perfume pelo corpo. Pronto! Agora sim! Eu nunca tinha ido à Restinga. É uma cidade bem pequena, embora tenha tido a impressão de ser bem aconchegante. Não demorei muito a encontrar a Igreja, que ficava na praça central. Estacionei o carro e dirigi-me à entrada, para cumprimentar o Ricardinho. Abraçamo-nos e eu dei-lhe os parabéns. Trocamos algumas palavras rapidamente, mas foram suficientes para perceber que ele estava muito ansioso. Perguntei-lhe quais colegas de faculdade ali estavam; ele respondeu-me que apenas o Clodoaldo e eu. Foi então que lhe disseram que o padre estava pedindo para entrar. Entrei pela porta lateral. Ao sentar-me, recebi os cumprimentos do Clodoaldo, que estava com sua esposa (a Daniela) na outra ponta do mesmo banco em que eu havia me sentado. Enquanto os noivos entravam, um coral cantava a canção de entrada. Confesso que fiquei emocionado, pois eu adoro corais! Fiquei mais emocionado ainda ao ver que ele era composto por pessoas comuns, a maioria aparentando ser de origem bem simples. Enquanto eles cantavam, notei que a maioria deles depositava a alma naquilo que estavam fazendo. Os bancos da frente estavam reservados aos padrinhos. Se um rapaz não me avisasse, eu teria pagado o maior mico e sentado, sozinho, naquele banco. Quando os padrinhos vieram se sentar, percebi umas quatro moças com roupas muito curtas e muito maquiadas. “Putz, essas daí estão à caça de um marido”, pensei. Após as últimas palavras do padre sobre o casamento como um compromisso (por sinal, muito convenientes e oportunas), retirei-me pela mesma porta que havia entrado e liguei para a Débora. Ela não pôde comparecer por ocasião de uma festa de professores que estava sendo realizada na escola onde ela leciona, em Orlândia. Na verdade, ela não veio por um equívoco de minha parte. Eu havia lhe dito que o casamento seria na próxima semana e, compreensivelmente, ela não estava programada para aquela data. Se não fosse o Clodoaldo avisar-me da data correta, eu teria trocado a data e também não comparecido ao casamento... Na saída da igreja, encontrei o Marcos, um de meus alunos da faculdade. Foi então que encontrei o Clodoaldo e a Daniela, sua esposa. A partir daquele momento, nós três ficaríamos juntos até o final da festa. Embora eu tivesse comparecido ao casamento dos dois, eu não tive a oportunidade de conversar com eles. No caso da Daniela, a imagem que eu tinha ainda era a de noiva, dirigindo-se ao altar ao lado do Clodoaldo. Eu nunca tinha trocado uma palavra sequer com ela, tampouco me lembrava de sua voz. Por ter se casado com o Clodoaldo, eu já supunha que se tratava de uma boa pessoa, mas não imaginava que fosse tão simpática. Ela e o Clodoaldo formam um belo casal e, dada a cumplicidade que demonstraram naquela noite, parecem ter sido feitos um para o outro. Saímos da igreja e fomos para o recinto da festa, um ginásio de esportes. Durante o trajeto, agradeci ao Clodoaldo pela sua consideração ao convidar-nos para o seu casamento. Ele, por sua vez, disse que não esperava que eu fosse e também agradeceu pela consideração. É engraçado. Convivemos durante os quatro anos de faculdade e somente agora estou notando o quanto esse camarada é gente boa. É mais uma evidência de minha visão limitada de vida durante aqueles anos. Certamente deixei de aproveitar bons momentos e de conquistar boas amizades. Mas nunca é tarde pra recomeçar... A comida servida consistiu de batatas saborosamente recheadas e uma carne muito macia. O pessoal da festa, gente muito simples, caiu no forró. Dava até gosto de ver a alegria deles, em especial do Ricardinho. Nós, obviamente, alegramo-nos por ele, um amigo por quem sempre tivemos muita consideração. Enquanto o forró rolava, eu e o Clodoaldo lembramos as histórias da faculdade. Ele contou, inclusive, algumas histórias da época que eu desconhecia. A Daniela ouvia tudo com muita atenção. Nós três demos boas risadas naquela noite. Confesso que ter encontrado os dois naquele momento fez-me muito bem, já que eu não me encontrava muito bem. Estava um pouco triste, provavelmente sentindo falta da companhia da Débora. Afinal, era a primeira vez em todo o nosso relacionamento de 10 anos que eu fui a uma festa sem ela... Não sei o que teria sido de mim se o Clodoaldo e a Daniela não estivessem por ali... Deixo aqui meus agradecimentos por terem “salvado” minha noite. No final da festa, o Ricardinho veio até nossa mesa cumprimentar-nos. Aproveito para desejar ao Ricardinho e sua esposa (que, aliás, estava muito bonita aquela noite) muitas felicidades e que a união deles perdure cheia de paz e amor durante toda a vida. Muito obrigado pela consideração ao convidar-nos!
Já era quase meia noite quando peguei a estrada de volta para casa. Para evitar o sono, voltei devorando um pacotinho de Fandangos. É um artifício para espantar o sono. Tenho a impressão de que, ao mastigar, o sono vai embora. De fato, não fechei os olhos. No entanto, em um determinado momento da viagem, a pista parecia bifurcar-se em T, como se fosse uma encruzilhada. Foi então que desacelerei. Pela lógica, eu deveria escolher para qual lado eu devia ir. No entanto, eu conheço bem aquela estrada e sei que não há nada parecido com encruzilhadas durante o percurso. Dei, então, algumas piscadas fortes, firmei a visão e desacelerei mais um pouco. Finalmente a pista real, sem qualquer curva, reapareceu diante de meus olhos. Não havia encruzilhada nenhuma! Chegando em casa, contei ao meu pai que tinha visto uma “miragem”. Ele repreendeu-me por ter dirigido com sono. Disse-me que eu estava dormindo de olhos abertos! Contou, também, que esse é um sono muito mais perigoso que o cochilo. Segundo ele, é isso que acontece com os motoristas que tomam “rebite”. Pelo que ele contou, eu tive realmente muita sorte de estar vivo...

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