terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Aventuras no congresso BR-Mass - parte 2

O hotel em que o congresso foi realizado (um tal de Royal Palm Plaza) é considerado o mais luxuoso de Campinas. Trata-se de um hotel enorme, cuja área total deve equivaler a uns quatro quarteirões, no mínimo. Aqueles que trafegam pela via Anhangüera, no sentido interior-capital, podem avistá-lo à direita, próximo a um dos retornos na entrada de Campinas. Assim que estacionamos em frente ao hotel, os manobristas já se aproximaram, oferecendo-se gentilmente para estacionar o carro. Eu e o Gobbo entreolhamo-nos, já prevendo que isso ia nos custar alguma quantia. Aliás, esta foi a nossa grande preocupação durante quase toda a nossa estadia no hotel. Tudo é cobrado (e muito bem cobrado, diga-se de passagem!). Felizmente este não seria o caso do café da manhã, almoço e jantar, que foram brilhantemente incluídos no pacote. Não tendo como resistir à insistência do manobrista, e também por uma questão de educação, o Gobbo entregou-lhe as chaves assim que retiramos nossas bagagens do porta-malas. Dirigimo-nos, então, à recepção do hotel, para fazer o check-in. Essa palavra, aliás, sempre me recorda um amigo que, quando ouviu que era necessário fazê-lo, respondeu, ingenuamente: “Pô, eu não vou fazer check in nenhum! O hotel está incluso no pacote, não tenho que fazer “chequim” coisa nenhuma!” Muito educado e aparentemente poliglota, um dos recepcionistas perguntou por quem deveria procurar na lista de inscritos. Respondi que procurasse por “Crotti”, meu nome de família. Em poucos segundos o recepcionista depositou um envelope sobre o balcão contendo a chave do apartamento, desejando-me uma boa estadia. Enquanto isso, ao meu lado, o Néri ia “pagando o maior mico”. Ao ser indagado sobre qual nome o recepcionista deveria procurar na lista, ele responde: “”Néri”. O recepcionista, procurou, procurou e, após alguns minutos, perguntou-lhe se não havia outro nome para procurar, ao que ele responde: “José Néri de Souza Júnior”... Pude ouvir, imediatamente, a gargalhada inconfundível do Gobbo. “Ê, Néri, já começou a enterraria...” Embora eu não seja, ainda hoje, capaz de entender qual o verdadeiro significado desta expressão, posso afirmar que está associada a um grande equívoco (uma “enterrada”). O Gobbo, meu companheiro de quarto, perguntou a um dos recepcionistas onde ficava nosso quarto. Antes de responder à pergunta, o tal recepcionista fez uma rápida análise dos dois hóspedes. O Gobbo, um típico roqueiro de cabelos longos, trajava um boné com a aba virada para trás, uma camiseta básica de cor clara, bermudas e um tênis preto. Quanto a mim, vestia calça jeans, uma camiseta básica azul e sapatos esporte. Não levou muito tempo para que o recepcionista deduzisse que nós éramos pobres estranhos naquele ninho luxuoso. Para minha surpresa, o recepcionista disse-nos para seguir um dos carrinhos de bagagem. Peraí: os carrinhos de bagagem não são para levar bagagem? Por que nós é que deveríamos seguir o carrinho (que estava vazio) com as malas nas mãos, e não o contrário??? A forma de tratamento demonstrou ser diferenciada naquele momento para ricos e para pobres (que, pude notar, eles conseguiam diferenciar com facilidade). No meu caso, tive que experimentar um desconforto parecido quando fui retirar o material do congresso (pasta, caneta, bloco de anotações e programação das palestras). Infelizmente não tenho como descrever aqui a expressão espantada da moça quando eu disse que era professor... Seguimos, então, o moço do carrinho. Já no percurso para o quarto eu manifestei minha indignação com relação a este tratamento preconceituoso do pessoal do hotel, proporcionando ao Gobbo boas risadas. Todas as portas do hotel eram equipadas com sensor de calor, semelhante àquele dos shoppings, e se abriam quando detectavam nossa presença. No elevador, apertamos o botão “2” (segundo andar). Ao abrimos a porta do elevador, procuramos em uma tabela bem à nossa frente pelo apartamento “2208”. Após localizarmos nosso apartamento, passamos o cartão (o pessoal do hotel chama de “chave”) na fechadura e a porta se abriu.... (to be continued...)

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