segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Faltam cinco dias para o Natal. As casas já estão enfeitadas, as árvores iluminadas. O comércio da cidade está funcionando a todo vapor. As vendas se aquecem, todos querem se presentear. De fato, existe um clima diferente entre as pessoas, embora eu bem saiba que não é devido ao nascimento do Filho do Homem. No entanto, tenho lamentado muito o fato de estar vivendo um período diferente este ano. Ainda me encontro estressado, com cadernetas para preencher, artigos para submeter, projetos de pesquisa e o livro a serem escritos... Não consigo parar de pensar que precisarei providenciar com urgência os três últimos para o próximo ano se eu ainda quiser realizar meu sonho profissional. Mas nada dá certo... Estou me sentindo travado, como se algo estivesse prendendo. Talvez sejam as pequenas coisas pendentes que ainda me incomodam e tomam um tempo maior do que sua importância. Eu preciso esquecer de tudo isso durante esses próximos dias, pelo menos até o Natal. Quero viver esses dias intensamente, pois provavelmente será o último Natal em que minha família estará unida. Por falar em união em família, eu e minha irmã tivemos um pequeno desentendimento hoje de manhã. Enquanto eu preenchia as cadernetas, ela apareceu à porta do quarto dizendo-me que ia mudar-se e, se caso for aprovada em um outro concurso, irá levar consigo o papai e a mamãe. As justificativas dadas por ela para tal decisão foram a minha falta de disponibilidade de tempo após o meu casamento (que, todos sabem, ainda nem aconteceu!) e a minha falta de apoio financeiro a eles. Acho que não preciso nem escrever que “o tempo fechou.”, principalmente porque eu enxergo duas razões principais para achar que isto é uma atitude precipitada: (1) a sua vontade de iniciar uma vida nova e ter o seu próprio espaço, longe do papai e da mamãe, com quem ela perde a paciência com freqüência; (2) a possibilidade (e, até certo ponto, necessidade) que ela tem de encontrar um companheiro par reconstruir sua vida. Neste caso, meus pais ficariam desamparados? Na verdade, acho que ambos fomos precipitados nesta discussão, que se baseou no “se acontecesse isso, eu faria aquilo”. Após o almoço, recebi um telefonema da escola Elza Miguel, onde leciono duas vezes por semana. A secretária disse-me que estavam me aguardando para ouvir minhas piadas... Putz, eu não podia sequer pensar em sair de casa, dado o grande número de cadernetas que precisam ser preenchidas. Foi então que eu liguei o botãozinho “foda-se” e fui passar algumas horas com o pessoal. Não comi nada, pois já havia almoçado. Em contrapartida, fiquei conversando quase todo o tempo com o Juliano e a Marlene, professores de Educação Física e de Química, respectivamente. O Juliano e eu estudamos no Manoel Gouveia de Lima na mesma época do ginásio. Começamos a recordar de alguns momentos muito engraçados. No entanto, percebi nas palavras dele que a imagem que ele tinha de mim daquela época era a de um menino muito quieto, sistemático e muito tímido. Expliquei-lhe, então, os acontecimentos que me ocasionaram certos traumas de infância que, por sua vez, influenciaram na minha personalidade. Foi até engraçado pois, ao final da conversa, ele ficou tão envergonhado que só faltou pedir desculpas... De volta ao meu velho quarto, tirei um cochilo (eita, trem bão!) e acabei não terminando de preencher as cadernetas que tanto precisava. Para completar, o pessoal do colégio ligou aqui em casa cobrando as notas dos alunos em dependência. Essas notas deverão ser divulgadas amanhã... Meu Deus! À noite, eu e a Débora saímos para passear pelo centro da cidade e acabamos comprando o presente de Natal da Clara, nossa afilhadinha. Quanto ao meu presente, eu estou pressentindo que ela está querendo enrolar-me...

Um comentário:

Raúl Ramírez disse...

FELICES FIESTAS