segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

O ano letivo praticamente terminou semana passada. Hoje não havia alunos na escola. Nas duas primeiras aulas encontrei apenas uma meia dúzia de alunos que sequer estavam com seus cadernos. O motivo de estarem ali era, na verdade, o campeonato inter-classes, que funcionou mais ou menos como um artifício “apelativo” da escola para assegurar a freqüência durante os 200 dias letivos. Aproveitei, então, para fechar as médias e fazer algumas anotações nos diários escolares. Por volta das 9h cheguei na outra escola, onde fica a minha sede. Não havia um aluno sequer! Minha intenção era, obviamente, dar seqüência ao trabalho de fechamento de médias. No entanto, havia uma policial militar à minha espera... Calma, não é o que parece. Ela cursa Biologia lá na Unifran e havia dito que viria hoje procurar-me para esclarecer algumas de suas dúvidas para a prova substitutiva de hoje à noite. Espero que ela tenha se saído bem. Ao avistar o pátio vazio da escola, senti um clima triste no ar. É neste período que a gente percebe que escola não é escola se não houver alunos. As risadas, a correria e até mesmo as brincadeiras violentas entre eles fazem falta... Será que este saudosismo é também devido ao Natal, que está se aproximando? Na semana passada a Ana Cláudia, a professora com quem ministro uma das disciplinas lá na faculdade, havia dito que na segunda-feira seriam aplicadas as provas substitutivas para os 3os. anos, enquanto que na quarta-feira seriam as dos 2os anos. Munido desta informação, passei parte da tarde preparando as provas para os 3os. Anos. “Na quarta-feira eu preparo as provas dos 2os”, pensei comigo. Terminei de preparar as provas e enviei-as para o Wilson, pedindo-lhe que as deixasse com o pessoal da secretaria para que fossem xerocadas. Tomei o banho naquela correria de sempre e dirigi-me ao posto da saída da cidade, de onde partiria o ônibus que levaria os estudantes (e eu, obviamente) para a Unifran. Chegando lá, o Roberto, aluno do 2º. A, pediu-me para esclarecer algumas dúvidas sobre o conteúdo. Perguntei-lhe, então, quando seria a prova dele. “Uai, Miller, é hoje”, respondeu-me, rindo. Minhas pernas bambearam, meu ritmo cardíaco alterou-se. Afinal, eu não tinha preparado as provas para os 2os. Anos... “Caramba! E agora, o que farei?”, pensei naquele momento. Tentando manter a calma, esclareci as dúvidas e aproveitamos para conversar durante a viagem. Ele contou-me que está sofrendo com as perdas em sua vida pessoal; sua avó, a quem ele carinhosamente referiu-se como “minha mãe”, faleceu de câncer há poucos meses... Eu imaginei-me no lugar dele e pude imaginar a dor da perda de uma pessoa tão próxima e querida. No lugar dele, confesso que eu não sei como agiria... Chegando na faculdade, dirigi-me rapidamente ao computador e procurei as provas que estavam salvas no meu e-mail. Bendita seja esta tal de Internet! Fiz algumas alterações nas provas bimestrais e pedi para o Júnior, um amigo lá da secretaria, que “quebrasse o meu galho” e xerocasse aquelas provas “para ontem”. Ufa!!! Com as provas nas mãos, segui voando para a sala, onde os alunos do 2º. A estavam me aguardando ansiosamente. Havia mais ou menos uns 15 alunos na sala. Destes, apenas 8 conseguiram a nota que precisavam, sendo que 7 deles foram reprovados, ou seja, ficaram em dependência desta disciplina. Corrigi a prova de alguns alunos ali mesmo na sala; algumas, no entanto, ficaram para trás e foram corrigidas na outra sala. Após o intervalo, apliquei prova substitutiva no 3º. B. Havia uns 7 alunos, sendo que a maioria deles conseguiu a nota que precisava. No final das contas, apenas quatro alunos daquela sala ficaram em dependência. Embora este seja o segundo ano que ministro aulas na universidade, confesso que experimentei hoje a sensação desagradável de ter que reprovar um aluno. O professor nunca sabe o que se passa na cabeça do aluno, nem tampouco os problemas que o aflige. Como se trata de um curso noturno, a maioria deles também não tem tempo para estudar. Ir à faculdade já é, por si só, um grande sacrifício. Fico, então, me questionando: tenho eu o direito de reprovar um aluno simplesmente por não obter a nota que precisa?

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