domingo, 11 de dezembro de 2005

Visita à casa de um amigo

O dia de hoje ficará marcado para sempre em minha memória. É para mim um grande prazer poder usar este espaço para registrar minha satisfação ao final deste dia tão especial, que será lembrado pela visita à casa do Vladimir. Como mencionei aqui, ele havia feito o convite há mais de um mês e, portanto, este dia estava sendo muito aguardado por nós. Na verdade, foi a primeira vez que recebo um convite desta natureza.
Conhecendo o Vlad como eu conheço, pude perceber desde o início um empenho muito especial para que esta visita se concretizasse. “Esse cara quer mesmo que você vá à casa dele, hein?”, disse minha irmã, admirada com o mapa detalhado que ele fez para que nós pudéssemos chegar até à sua casa. De fato, o tal mapa é uma verdadeira obra de arte e, ao fazê-lo, o Vlad pôs muitos cartógrafos no chinelo... Eu havia, inclusive, escrito um e-mail para ele agradecendo pelo mapa e disse que, com ele em mãos, eu só não chegaria à casa dele se eu fosse um retardado... Ao contrário do que eu faço normalmente, não vou ser muito detalhista na descrição do que ocorreu neste dia. Farei isso em respeito ao Vlad, que é uma pessoa muito reservada e dicreta e que poderá, de alguma forma, sentir-se com a privacidade invadida por meio destas palavras. A viagem até Ribeirão Preto foi tranqüila, exceto pela atenção que tive que dedicar ao relógio da temperatura durante todo o percurso. Às 10h15min estávamos estacionando em frente à casa do Vlad. Tocamos a campainha. A Renata, esposa do Vlad, veio recepcionar-nos ao portão, dizendo que ele estava picando a carne para fazer o estrogonoff. Adentramos a casa; enquanto a Renata e a Débora ficavam conversando e se divertindo com as brincadeiras do João Vítor e da Maria Júlia, os dois filhos do casal, eu conversava com o Vlad, admirado diante de suas habilidades no fogão. Mal notamos o tempo passar quando ele colocou, sobre a mesa, prontinho, o melhor estrofonoff que eu já comi até hoje!!! Não, não estou exagerando; eu repeti três vezes (não me recordo da última vez que fiz isso...). Com relação à sobremesa, tenho fortes suspeitas de que o Vlad tem capacidade para ler mentes. Ele preparou a minha favorita, sem eu ter dito nada... Ficamos conversando a tarde toda e quase conseguimos colocar o assunto em dia. De fato, fazia quase um ano que eu e o Vlad não tínhamos tempo para conversar com calma. Isto não significa, necessariamente, que o assunto tenha se esgotado... Mais do que relembrar dos bons tempos da pós-graduação e contar de nossos planos para o futuro, a conversa representou uma boa oportunidade para conhecer mais sobre o Vlad e sua história de vida. Em todos os momentos da visita, eu ficava admirado com a atenção e a cordialidade com que o Vlad, a Renata e os meninos nos dispensavam. Mais do que as portas de sua casa, eles estavam no abrindo um espaço em suas vidas. No entanto, o momento mais especial da visita foi quando o Vlad, enquanto nos mostrava o seu álbum de casamento, abriu em uma das páginas e permaneceu olhando, estático. Em seguida, comentou que naquela foto estavam os seus verdadeiros amigos (não vou dizer quantos, em respeito a ele, mas eram pouquíssimos!!!), aqueles por quem ele tem verdadeira consideração e que foram reconhecidos em diferentes períodos de sua vida. Após identificá-los, um a um, depositou a mão sobre o meu ombro e disse: “Tenho poucos amigos nesta vida. Todos estão nesta foto. Nesta foto só está faltando você, Miller...”. Já tendo experimentado (digamos, sido vítima do veneno...) da sinceridade e autenticidade do Vlad, e sabendo que ele não faz “política de boa vizinhança” com ninguém, reconheço aqui que fiquei, literalmente, sem palavras. A firmeza de sua voz deixou-me com um nó na garganta, emocionado. Ninguém faz idéia do que as palavras do Vlad significaram para mim. Ele usou a palavra amigo no seu sentido próprio. Não se trata de conhecido ou colega, mas sim de a-mi-go. E amigos a gente tem poucos. Eu sou um dos que o Vlad reconheceu, ele é um dos que eu reconheci... As duas coisas são muito importantes para mim e me deixam muito feliz.
Deixo aqui meus sinceros agradecimentos ao Vlad e à sua família pelo convite e pela consideração e cordialidade sem precedentes. Realmente, existem gestos cuja grandeza não pode ser medida, apenas retribuída. Tenho fé de que ainda terei oportunidade de "pagar-lhes" tamanha gentileza na mesma moeda, quando eu e a Débora tivermos nosso “lar”. Muito obrigado mesmo! No caminho de volta, deparamo-nos com um verdadeiro temporal, mas felizmente conseguimos chegar fisicamente intactos em nossas casas... Olhem na foto como as nuvens estavam carregadas.

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