quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

O preço de se fazer bem feito

15 de dezembro de 2006. Acordo às 6h30min. Sinto-me como se meu corpo tivesse sido surrado na noite anterior. Na verdade, a dor generalizada que sinto agora, em especial na base da coluna, é fruto do stress a que tenho sido submetido, face ao grande número de coisas que tenho para fazer e à forma incompetente com que tenho lidado com o pouco tempo disponível. O fato é que tive que dormir por volta das 2h30min. Até este horário eu permaneci digitando as perguntas que formulei para o exame de qualificação de uma aluna de mestrado. Diante da dor que me incomoda, decido ficar deitado mais alguns minutos. Quando o despertador do celular toca, eu imediatamente toco o dedo no botão que adia em 6 min o tempo que ele levará para tocar novamente. Eu imagino que devo ter feito isso consecutivas vezes, pois quando dou-me conta do horário, já são 7h30min. O exame de qualificação estava marcado para as 9h. Considerando que o período de viagem é de mais ou menos 40min, e que eu levarei uns 20min para sair de casa, chegou rapidamente à conclusão que estou atrasado. Até parece que isso é novidade em minha rotina... Após uma viagem tensa, trafegando em velocidade levemente acima da permitida (110km/h), estaciono em frente ao laboratório às 9h05min. Enquanto imagino uma desculpa (mais outra...) para justificar meu atraso, fecho a porta e sigo caminhando em direção ao anfiteatro onde o exame de qualificação será realizado. Percebo então que a porta está fechada... Sigo então para o laboratório, onde encontro o orientador da aluna navegando tranquilamente pela internet, respondendo e-mails. “Ah, eu esqueci de te falar... A hora da qualificação foi mudada para as 9h30min”, diz ele com naturalidade. “Não se preocupe. Achei que tivesse atrasado.”, respondo, totalmente confuso, sem saber se devo rir ou irritar-me.” Após 40min de espera, a qualificação tem seu início. A aluna está ligeiramente nervosa. Para que ela se sinta mais à vontade, desvio os olhos da apresentação, como se não tivesse prestando atenção. Decido fazer isso porque sei que ela está preocupada com o nível de argüição que farei. Na verdade, as quase duas folhas que preparei de perguntas são todas perguntas conceituais, relacionadas a tópicos que ela mencionou no texto de sua qualificação. Eis que eu levanto os olhos por um momento e avisto ela explicando um mecanismo de forma completamente equivocada... Mais alguns minutos e vejo a aluna cometendo erros conceituais também na área de cromatografia... Terminada a apresentação oral, segue-se a argüição. Já no início da apresentação o presidente da banca estabelece o horário para o término do exame. No final das contas, eu terei apenas 35min para argüir a aluna, tempo menos que suficiente para esgotar a primeira folha de perguntas... Tudo isso por causa da mudança no horário do exame... Ao final desta experiência posso concluir que parte do meu desgaste vem do fato de tentar fazer as coisas sempre bem feitas e de me empenhar sempre ao máximo. Certamente este esforço não é reconhecido ou medido por ninguém, mas a sensação de deitar a cabeça no travesseiro e ter a consciência tranqüila por ter feito o melhor realmente não tem preço. E eu sinto, sim, algo de muito divino quando isso acontece...

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

O calvário de um professor

13 de dezembro. Hoje terminaram as provas substitutivas na faculdade. Para os alunos, essas provas representam a última chance de recuperarem suas notas e, desta forma, evitarem a tão temida dependência. Trata-se de um período extremamente estressante e cansativo, tanto para os alunos quanto para os professores. Neste ano assumi a disciplina de Química Orgânica em 6 turmas diferentes, sendo 5 delas no curso de Química Industrial e uma no curso de Engenharia Química. Das turmas de Química Industrial, 3 delas são 2a. séries (Química Orgânica I) e 2 são 3a. séries (Química Orgânica II). Dentre estas turmas, três delas tiveram alunos em dependência. Por mais que eu queira, é muito difícil expressar aqui a dor e a tristeza que vejo nos olhos de alguns alunos após saberem a nota final. Para os que ainda acessam este blog, não é nenhum segredo o fato de eu ter uma imensa dificuldade em lidar com essas situações. É difícil ser professor quando se quer ser amigo... Um dos alunos, que acabou se tornando meu amigo pessoal (inclusive criando uma comunidade no orkut em homenagem às piadas que conto no final da aula), acabou não conseguindo obter a nota que precisava. Na verdade, ele precisava de 10. Trata-se de um aluno que tem a mesma idade que eu, porém já tem quatro filhos e trabalha em uma usina, que lhe concede bolsa de estudos. Assumir dependência em Química Orgânica significou para ele perder a bolsa de estudos... Infelizmente ele não conseguiu a nota que precisava, aliás passou bem longe e eu não tive condições de “dar um empurrãozinho”. Mas ele lutou bravamente até o último minuto, sendo o último aluno a entregar a prova. Não foi nada fácil olhar para os olhos dele e dar a triste notícia que tanto interferiria em sua vida... Na verdade, eu compartilhei com ele da sua dor e decepção, embora me sentisse uma pessoa má naquele instante. Em princípio, eu poderia ter tornado as coisas diferentes para ele. No entanto, se eu tivesse agido de maneira diferente, teria sido injusto com outros alunos. Por outro lado, muitos desses alunos não precisam trabalhar e, mesmo tendo todo o tempo disponível para estudar, vêem as oportunidades escorrerem entre seus dedos sem nada fazerem. Fico então a me perguntar: o que é ser justo? Cabe a mim fazer este tipo de julgamento? Uma outra aluna, que também carregará dependência em Química Orgânica, enviou-me um e-mail pedindo para que eu fizesse algo por ela, pois ela não conseguia olhar nos olhos de seus pais para dar a triste notícia... Um outro aluno, a quem eu havia dado uma “mãozinha” no ano passado, veio novamente pedir-me ajuda em sua nota. Eu lembrei-lhe que havia lhe dado um voto de confiança, para que este ano ele se esforçasse mais. No entanto, penso que a minha atitude deixou-lhe em uma situação um pouco cômoda, como se ele confiasse em minha boa vontade de fazer a mesma coisa este ano... Pois bem: eu não fiz e expliquei-lhe minhas razões. Ele deixou a sala irritado, como se eu fosse o grande culpado por sua situação. Mas não são essas as imagens que quero guardar desta semana. A imagem que quero guardar é a de uma aluna que precisava tirar 9,0 na prova e que, após ter estudado muito, conseguiu recuperar sua nota. Ao saber a notícia, sua alegria foi tamanha ao ponto de abraçar-me tão violentamente e, sem querer, cabecear-me o nariz... A aluna saiu comemorando, levando consigo minha lapiseira, que eu havia lhe emprestado para fazer a prova... As dificuldades existem para todos. Nosso maior problema é acreditar que as nossas são sempre maiores que as dos outros. Qualquer dificuldade será sempre grande e todo obstáculo será sempre intransponível quando o esforço não for contínuo. Só a perseverança leva à vitória. Quanto maior o obstáculo, maior a perseverança e mais saborosa será a vitória...

segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Fotos da noite de Natal

Na noite de Natal, o tio Wágner ("Buchudo"), o tio Válter (o "Tim") e a tia Vânia se reuniram na casa do vovô Válter para um churrasco. Aqui estão algumas fotos para registrar um momento que, do fundo do meu coração, espero que possa se repetir no próximo ano com a presença de todos, principalmente da vovó e do vovô e do papai.

Vovó Lourdes e eu. Ela estava tomando Coca-Cola

Vovô Valter Crotti e eu. Ele estava assistindo ao DVD do César Minotti e Fabiano.
Frederico e tio Natal. Papo de pai e filho.
Vovó Lourdes, Mariana e Ângela. Todos em silêncio, comendo e assistindo ao DVD do Marco Brasil.
Tio Buchudo, tia Vânia e Frederico. Péssimos churrasqueiros, porém bons degustadores...
Sílvia, que cuida da vovó Lourdes, e Ângela.

A cada Natal que passa...

25 de dezembro. É novamente Natal. Esta seria uma data para se celebrar a união e a saúde, permitindo que Jesus renasça no coração de cada um de nós. Deveria haver troca de presentes, amigo secreto, ceia. Deveria ser uma data marcada pela união e pelo amor nos corações. No entanto, a cada ano que passa, vejo que esta realidade vai se tornando cada vez mais um sonho... Não é à toa que em plena noite de Natal os bares estão cada vez mais cheios. Muitos preferem passar a noite longe da família, talvez decepcionados com as brigas que existem dentro de suas próprias famílias. À medida que os anos foram passando, percebi que dois irmãos podem ter (e geralmente têm!) formas completamente diferentes de pensar. As diferenças também se estendem aos pais, que por serem mais velhos, consideram-se portadores da verdade absoluta. Com o tempo essas diferenças vão se aguçando, ao passo que a tolerância vai se tornando cada vez menor. O desfecho desta situação é a dificuldade de convivência entre irmãos e entre pais e filhos. Aqui em nossa família não é diferente. Aos 30 anos de idade, relato aqui com muita dor que jamais vi os cinco filhos de meu avô Crotti reunidos. Quando se reúnem, sempre falta um. Pelo que tenho ouvido de cada um de meus tios, percebo que eles não vêem em meu avô um exemplo de bom pai e de homem dedicado à família. Meu avô, um senhor de 81 anos, é hoje um homem muito doente. Embora tenha sido um homem orgulhoso e autoritário, hoje precisa que seus filhos, em quem disseram que ele jamais deu um abraço sequer, contribuam para o pagamento de seu plano de saúde. Alguns de seus filhos, por causa de mágoas anteriores, recusam-se a pagar o plano. Ao agirem assim dão mostras de que querem se vingar de alguém que não tem mais forças para lutar... Não bastassem os problemas de relacionamento, existem também os problemas de saúde. Minha avó Maria, mãe da mamãe, teve paralisia facial. Minha avó Lourdes, mãe do papai, mal consegue andar. De vez em quando perde a lucidez e começa a ver coisas que existem em um mundo que somente é dela.Em meio a tanta desunião, desamor e intolerância, encontro-me mergulhado em mim mesmo. Cada vez mais estas linhas são a única maneira de exteriorizar a angústia que tenho vivido durante esses dias. O engraçado é ouvir que por agir assim, por preferir ouvir e respeitar opiniões diferentes das minhas e calar-me, sou taxado como ausente e pouco dedicado à família...

domingo, 24 de dezembro de 2006

Feliz Natal!

24 de dezembro. O relógio do celular acusa que faltam poucos minutos para que o dia natalino torne-se mais uma vez realidade. Dentro de poucos instantes deveremos (ou pelo menos deveríamos...) abrir nossos corações para a chegada do menino Jesus. Acho que não há um motivo mais forte neste mundo, pelo menos não agora, que me faça refletir sobre o período difícil que tenho atravessado... Talvez os que lerem este post entendam, em partes, a ausência de atualizações neste blog... É um pouco complicado escrever sobre este assunto e, ao mesmo tempo, expor publicamente minhas fraquezas, mas se este espaço é realmente um “diário virtual”, não há razões para esconder. O fato é que nos últimos meses tenho me sentido distante de Deus. Sei que ele está por perto, pois sei que se não estivesse com certeza eu estaria com problemas de saúde ou teria perdido algum ente querido... Mas a questão não é essa. Minha grande preocupação, e a que realmente me incomoda agora, é a postura de comodismo que tenho adotado diante do isolamento a que tenho me submetido. Tenho passado a maior parte do tempo trabalhando, sem deixar tempo para as coisas realmente importantes da vida... Aqueles fiéis amigos que acompanham este espaço devem se sentir decepcionados com a falta de atualizações neste espaço. Eis um outro fato que me entristece bastante... Não tenho sentido fôlego para escrever... Tantas são as coisas boas que têm acontecido comigo, e tantas outras situações interessantes que vivi no passado, que precisam ser narradas, e eu não tenho encontrado ânimo para fazê-lo... Não é problema de tempo: é falta de ânimo mesmo... Essas e outras coisas fazem com que eu me sinta interiormente confuso. Talvez seja a chegada iminente de um novo ano sem que eu tenha conseguido fazer o que eu precisava neste que está por terminar... Putz, cá estou novamente pensando em trabalho...Neste Natal, o que mais desejo é que Jesus possa renascer no coração de todos nós, e que a Luz por Ele trazida possa iluminar o nosso caminho, para que saibamos valorizar as coisas realmente importantes nesta vida...

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Despedida...

As férias escolares estão chegando. O ano letivo praticamente terminou, mas como o governo exige que sejam trabalhados 200 dias por ano, os professores da rede pública são obrigados a permanecer na escola no horário em que tinham suas aulas. Nesta época os professores tornam-se mais próximos uns dos outros, pois permanecem em contato durante um período maior que o de costume. Mas como aconteceu nos dois últimos anos, existe nesta época um clima diferente na escola. Não há alunos, e todos sabem que a escola não é nada sem os alunos. Às vezes, quando paro na porta da sala que separa a sala dos professores do pátio, fico olhando o chão de cimento, pintado com gravite preto, e fico imaginando os meninos correndo, se empurrando. Sei que todos estão de férias, e sei que a maioria deles estarão de volta em fevereiro. A maioria, mas não os alunos do terceiro colegial... Na última sexta-feira (8 de dezembro) vivi momentos inesquecíveis ao lado da turma de formandos do período diurno. Mais do que um vínculo aluno-professor, criou-se entre nós uma amizade e um respeito muito belos. Afinal, os alunos daquela turma estavam presentes nas minhas primeiras aulas no ensino médio, no final de 2004. Embora eu não tivesse aulas na sexta-feira e tivesse um churrasco marcado para a parte da tarde, fiz questão de participar do amigo secreto que promoveram, e de ir à festinha de “despedida” que estavam promovendo. Queria aproveitar meus últimos momentos com eles em sala de aula... Um dos alunos, o Michel, inventou uma espécie de caça ao tesouro, de forma que a aluna que foi presenteada por ele teria que procurar pela sala, de acordo com as instruções de um código. Já a Naira levou um pacotão enorme, que ao ser avistado por mim, fez-me suspeitar que se tratava de uma sacanagem, daquelas em que o sortudo tem que desembrulhar várias caixas, de tamanhos decrescentes, até chegar no pequeno presente desejado. Enquanto o amigo secreto corria normalmente, eu saía abachado da cadeira até a mesa onde estavam os salgadinhos e “filava” alguns quibes, para aliviar a fome... No final do amigo secreto, três alunos, Adriano, André e Alex quiseram prestar uma homenagem a mim. Ao parabenizar-me, notei que me entregaram pacotes cor-de-rosa contendo algo cilíndrico e comprido. “Isso está me cheirando à sacanagem”, pensei. Meus instintos novamente não falharam. Tratava-se, nada mais nada menos, do que uma banana, um pepino e uma berinjela... Agradeci aos rapazes pela homenagem e senti-me muito feliz, não pelos presentes, obviamente, mas por terem se disposto a fazer esta brincadeira. Recordei-me então que o André e o Adriano pareciam ser muito receosos com relação a mim. Às vezes lamentamos a rápida passagem do tempo. Neste momento,eu lamento tanto que esses alunos precisem ir embora que eu ousaria pedir que o tempo parasse... Mas é o caminho natural das coisas. Eles vão, os professores ficam. Não pode haver egoísmo em um professor, apenas doação. Então eu me vejo forçado a render-me à situação e contentar-me em ficar vendo e revendo essas fotos... Obrigado, meus amigos!

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Mais um ano, mais uma despedida (fotos)

Alex, eu, André e Adriano. "Queremos prestar uma homenagem ao professor Eduardo..."

... mas olha só com o que os caras me deram de presente: uma banana, um pepino e uma berinjela...

Eu e a Selma, que me presenteou com uma camisa.

Eu e a Aline. Deu a ela um anjinho da Hello Kitty.

Os "manos". De pé: Wellington, Alex, Michel, André, eu, Adriano e Éder. Agachados: Guilherme e Washington (Eduardo)

As "minas" do 3o. A e eu. Em cima do banco: Tuanny, Mayara, Poliana e Gabriela. De pé: Rosiane, Ana Cláudia, Layana, Naira, Aline Lourenço, Mayra, Naiara, Lívia, Karolina, Tatiana, Cristiane, Damyana e Ana Carla. Sentados: Talita, Raquel, Selma e Aline Lourenço

Essa é pra guardar em um quadro, como recordação.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Quarta-feira estressante - parte 5: Recompensa

São 19h16min. Acabo de entrar na turma C do 2º. Ano de Química Industrial. “Boa noite!”, digo, como sempre faço. Embora uma boa parte dos alunos responda à minha saudação, percebo que outros me olham, um tanto que surpresos. “Uai, Miller, o que aconteceu? Você parece abatido, cansado...” Deixo então a bolsa de couro cair sobre a mesa e olho para a classe. Percebo então que estão todos aguardando minha resposta. O dia catastrófico que parece estar chegando ao fim passa-me então como um filme pela minha mente. Respiro fundo. “Não posso comportar-me como um derrotado!” Com um largo sorriso, faço uma cara de quem está surpreso com o que acabou de ouvir. “Estranho? Acho que é impressão de vocês. Está tudo certo. Ou não?”, digo, então verificando se o zíper da calça está aberto. Ouço risos. Dirijo-me então à porta da sala de aula e a fecho. Sempre faço isso, como se fosse um ritual. “Os problemas que tive hoje ficarão lá fora.” Concentro-me. Hoje é aula de revisão. São 22h38min. A aula acaba de terminar. Sinto-me cansado, porém aliviado. A aula foi divertida e, principalmente, proveitosa, pois percebi que muitos alunos conseguiram entender pontos difíceis do conteúdo. “Moçada, por hoje é só. Obrigado e até semana que vem!” Na porta da sala, uma aluna que assistiu à aula me pára. “Nossa, eu adorei a sua aula! Que diferença em relação ao professor anterior!” Limitando-me a dar um sorriso, talvez constrangido pela crítica ao outro professor, vejo naquelas palavras que é possível terminar um dia ruim com um sorriso no rosto...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Fotos - formandos do período noturno

Turma do 3o. supletivo. De pé: Naqueline, Sílvia, Wilson, Evandro, Gustavo e Marcelo Graciano. Sentados: André, Marcelo Tadeu, David, Alexandro e Ricardo Ferro.

Turma do 3o. B: Jesiel, Alex, Éder (Tynin), William, Rafaela, Maira, Jéfferson, João, Geisa, Jair, Flávio, Lucas e Alan.

Revendo os amigos do laboratório

Sexta-feira, 8 de dezembro de 2006. Mal acabo de me despedir dos alunos do 3o. A e já me dou conta de que preciso viajar a Ribeirão Preto. Como de costume, o pessoal do laboratório de Química Orgânica, onde eu passei seis anos de minha vida de pós-graduando, convidou-me para o churrasco de confraternização de final de ano. Desde que compareci pela primeira vez, em 2000 (se não me engano...), nunca deixei de comparecer a nenhum churrasco. Digo isso com certo orgulho, pois a maioria dos ex-alunos do laboratório (como eu, por exemplo) geralmente não comparecem, muitas vezes por não terem sido convidados. Neste ano a confraternização foi realizada na casa do meu amigo Tomaz. O grande ‘Tomaizão” (é assim que o chamamos...) demonstrou estar muito satisfeito com as visitas dos amigos e foi recepcionar-me no portão. Assim que entrei, saí à procura de algo para comer. Por mais estranho que possa parecer, eu não me refiro a carne (que, aliás, havia em abundância e para todos os gostos...), e sim a algum tipo de fruta. Os amigos que ali estavam já sabem, de outros tempos, que eu sou fanático por melancia. Desta forma, lembraram-se de comprar uma melancia enorme, que avistei por cima da janela que separava a varanda da cozinha do fundo da casa. De qualquer forma, preferi deixar a melancia para o final da festa, contentando momentaneamente com alguns cachinhos de uva... Assim que cumprimentei a todos, tomei posse de uma das cadeiras brancas de plástico e sentei-me. Enquanto degustava as uvas, fiquei analisando as pessoas que ali estavam.
À minha direita, reunidos em um pequeno círculo, estavam o Gilberto, o Roberto e o Diógenes. Trajando roupa social, o Gilberto (a quem apelidamos de Giba) parecia um professor. Quem não o conhece certamente o confundiria com um docente. Muito sorridente, faz lembrar-me dos tempos em que ele coordenava a animada turma de futebol das quartas-feiras, com quem joguei durante 4 anos de minha pós-graduação. Bons tempos... O Roberto, a quem apelidaram de general, é o mais forte deles. Não me refiro aqui ao porte físico, e sim à capacidade de ingerir uma quantidade impressionante de álcool sem levantar para ir ao banheiro ou ficar embriagado. Esteja bêbado ou não, poucos são os músculos de sua face que parecem se mover quando sorri. É muito sério – daí veio o apelido de “general”. Já o Diógenes ri à toa. É bastante tímido e discreto, mas dá risada das piadas e “causos” engraçados que o Giba segue contando ao longo do churrasco. Próximo a eles, de pé, o Vladimir participa da conversa, degustando um enorme pedaço de carne. O Vlad é um ex-colega de pós-graduação. Durante o período em que convivemos, nos tornamos grandes amigos. Nossa amizade fortaleceu-se com o passar dos anos e culiminou com um convite para visitá-lo em sua casa no ano passado (12/12/05). Hoje tenho o prazer de dividir com ele o mesmo espaço de trabalho lá na universidade.

Vladimir (Vlad), Roberto (general), Gilberto (Giba) e Diógenes (Barba)
À minha esquerda, Carla e Janaína colocam o assunto em dia. A Carla é a secretária do laboratório de Química Orgânica que me acolheu em minha pós-graduação. Ela veio cumprir uma difícil tarefa: substituir a Irani, que era uma profissional altamente competente, e tem feito isso com autoridade. A Janaína é uma ex-colega de laboratório, que hoje faz doutorado na Biologia. Está sempre sorridente e alegre, apesar das decepções que sofreu no âmbito pessoal...
Janaína e Carla
Um pouco mais próximo à churrasqueira, o professor João e o Fernandinho estão falando dos problemas da faculdade. Pelo que conheço deles, sei que não conseguem se separar dos assuntos da faculdade...

Na piscina, o Tomaizão brinca com sua filhinha, a Sarah, e sua sobrinha. Nada mais justo! Afinal, além de ser o churrasqueiro, elé é também o dono da casa...
Tomaz
Também na piscina, Leonardo (Léo) e Vessecchi tentam aproveitam os raros momentos de folga para poder degustar uma cerveja na piscina...
Léo e Vessecchi
Como não poderia deixar de ser, os "manguaceiros" surgem quando estou prestes a ir embora. Gobbo, Betão e Mazza, ao redor de uma mesa, estão rindo das situações cômicas lá da faculdade.
Prof. João, Luís Elídio (Mazza), Norberto (Betão), Vladimir (Vlad) e Leonardo (Gobb0)
O tempo voa... Infelizmente já é hora de ir embora. Ainda tenho que dar aulas no período noturno... Já no meio do caminho, começou a sentir algumas voltas no abdômen... O intestino parece que precisa trabalhar em breve. Acho que um churrasco à base de uvas e de melancia não foi uma boa idéia...

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

O verdadeiro papel do professor

Na adolescência, quando me dispus a ser professor, eu enxergava na profissão um remédio para a minha timidez. Na condição de professor, eu me imaginava como sendo o centro das atenções. Talvez a profissão despertasse em mim tanta admiração por apresentar-me uma possibilidade de poder falar e ser ouvido por todos. Além disso, eu imaginava que convivendo em meio a pessoas bem mais jovens e cheias de vida que eu, jamais envelheceria. Hoje, com quase quatro anos de magistério, incluindo universidade e ensino médio, vejo que a minha concepção estava totalmente equivocada. O professor é um mero coadjuvante, a começar pelo processo ensino-aprendizagem, onde sua função é apenas facilitar o aprendizado. Mais do que ser ouvido por todos, o que acontece em situações muito raras, o professor deve ser mais ouvinte, mais expectador. Embora as últimas semanas de aula sejam um imenso tédio, nelas é possível experimentar uma proximidade maior dos alunos e de suas vidas pessoais. No ensino médio, ao perguntar para uma aluna o porquê dela ter esquecido o caderno em casa, ela disse prontamente, com um sorriso no rosto: “Meu pai botou eu e minha mãe pra fora de casa. Ele bate nela há 17 anos e ela não faz nada...” Enquanto falava, as lágrimas foram brotando dos olhos daquela jovem de 16 anos. Já na faculdade, uma aluna assinou o registro de entregas de provas dizendo que não tinha nome. Como eu não havia entendido ao que ela estava se referindo, ela responde, dizendo: “Eu tinha duas fábricas de calçados. Quebrei. Agora estou devendo R$1.200.000,00...Aos poucos estou enxergando que eu estava totalmente equivocado, o que não quer dizer que eu seja necessariamente uma pessoa infeliz. Vejo hoje que a profissão de professor requer muita atenção e paciência, e que a figura do professor é muito mais importante na vida do aluno do que eu pensava. Ao invés de ver uma oportunidade para aparecer, sinto na profissão de professor uma oportunidade para tornar-me uma pessoa melhor e, de alguma forma, retribuir às bênçãos que Deus vem me proporcionando...

domingo, 3 de dezembro de 2006

Quarta-feira estressante - parte 3: fundo do poço

Não consigo conformar-me. Olho para o portão da casa da Débora. Passo a mão na fechadura do portão de correr, puxo-o novamente. Está trancado. Olho para o chão, balanço a cabeça, desapontado. “Não, eu não posso estar tendo um dia tão ruim...” Vendo todos os planos que havia feito para a minha tarde desabarem diante dos portões fechados, o da minha casa e o da casa da Débora, decido fazer uma última investida. “Passarei na construção da minha casa, para ouvir o que o encanador quer dizer-me. Depois volto para minha casa. Aí a mamãe já deve ter chegado”. Enfio a chave rapidamente na fechadura do meu carro, abro a porta. Já dentro do carro, puxo-a. Ouço um estrondo, como se dois ferros tivessem se chocado. Vejo então que a porta não está fechada, pois a fechadura travou. “Não, não é possível!” Puxo o gatilho da maçaneta, coloco a trava da fechadura de volta no lugar. Dois minutos depois estou na construção. O encanador parecia estar à minha espera. A situação realmente não é boa. “Olha, os canos do esgoto da lavanderia vão ter que aparecer no teto do quarto de despejo. Não há outra forma de fazer. Além disso, o ralo da lavanderia vai ficar esposto.” Após entender visualizar o que ele disse, o sangue ferveu. “Caramba, estou pagando uma fortuna pra esse cara e ele vai deixar esses canos expostos... Vai ficar horrível!”, penso comigo, enquanto olho atento ele apontando os canos e tentando convencer-me de que não há outra forma de fazer-me. Ao segui-lo, sinto minha coluna fisgar. “Calma! Ninguém é culpado por você estar tendo um dia difícil”, reflito enquanto o sigo, mostrando que o trabalho está quase concluído. “Bom, eu vou trocar uma idéia com o pedreiro. Pedirei a ele que venha conversar com você amanhã, pode ser?” Sem mesmo ouvir sua voz, mas sabendo que ele concordou (se é que ele tinha outra opção...) por causa do seu movimento de pescoço, entro rapidamente no carro e sigo em alta velocidade pelas ruas da cidade, de volta pra casa. “Minha natação, não posso perde-la!” Olho para o relógio. São 15h56min. Às 16h4min estaciono diante do portão de casa. Ao girar a maçaneta, vejo que a mamãe ainda não chegou. Desta vez não chuto nem soco o portão. Limito-me a passar as mãos pelo rosto e cabelo e dizer, agora já rindo da situação: “Hoje é o meu dia!”. Olho então para o canto do muro. “Vou pular!”, penso, já sabendo que a sunga está no varal. Apóio-me no portão da oficina do terreno vizinho, que é mais baixo, e consigo chegar à torre de eletricidade. Daquele ponto até o varal do quintal são apenas 2 min. Às 16h15min eu estava estacionando em frente à academia. O ânimo parece ter voltado, como se tivesse vencido. “Farei uma sessão de hidroginástica e depois nadarei. Vou dar um jeito nesta dor nas costas!”. No entanto, novamente meus planos são desfeitos ao perceber que estou com as lentes de contato e que não tenho onde guarda-las. “Não acredito! Além de não poder nadar, vou ter que tomar cuidado pra não voar água nos olhos durante a hidroginástica!”. A revolta começa a tomar conta de mim novamente... Ao entrar na piscina, ouço o professor Alessandro, sempre brincalhão, recepcionar-me. “Olha só, o professor chegou na hora do intervalo!”. Embora eu saiba que ele sempre faz aquela brincadeira, limitei-me a dar um sorriso tímido. “Calma, ele não tem culpa de você estar tendo um dia ruim”. Começo então a fazer os exercícios, tomando o devido cuidado para executa-los lentamente e impedir que a água da piscina entre em meus olhos, por causa das lentes. Ao perceber o meu ritmo, bem mais lento que o de costume, o professor resolve fazer outra brincadeira, pra descontrair. “Vamos lá, pessoal, todo mundo no ritmo do Antônio”. “Era só o que me faltava mesmo!”, penso, já rindo do meu próprio destino...

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

A coluna desabou"

Nada dura para sempre. Esta é a conclusão a que tenho chegado nos últimos dias, desde que atualizei este blog pela última vez. Isso foi há quase uma semana... É com o coração partido que vejo este espaço sendo deixado de lado em função dos problemas que tenho enfrentado. Por mais que você, leitor, pense que se trate de problemas de tempo (meus amigos “blogueiros” sabe ao que me refiro...), lamento (ou não?) esclarecê-lo que o meu problema é de saúde. Não se preocupem: não é nada grave. Bom, na verdade não é, mas é algo muito sério. Minha coluna resolveu travar novamente, e agora de uma forma que nunca havia travado. Tenho caminhado arrastando a perna direita e vi, ao olhar-me no espelho, que estou novamente “fora de centro”. Por causa disso, não tenho podido permanecer tanto tempo sentado, já que quando o faço, sinto uma “fisgada” na região lombar, que desce pela coxa...Peço desculpas a todos os que visitam este espaço e, mais do que isso, espero que rezem por mim. Obrigado a todos que "ainda" acessam este blog...!

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Perto do paraíso (?)

Sexta-feira, 25 de novembro de 2006. Hoje, e desde sexta-feira passada estou com uma dor terrível na parte inferior das costas e da coxa. Fui ao médico na segunda-feira e ele disse que o nervo ciático está inflamado. Receitou cinco injeções e um antiinflamatório, que provavelmente elevarão o meu peso corpóreo. Além disso, estou proibido de nadar e de praticar qualquer outro esporte até que esteja totalmente livre da dor. Infelizmente não tive como cumprir o repouso absoluto, com as pernas para cima, que ele receitou. Receio complicar minha situação lá na faculdade, onde tudo é sempre um enorme ponto de interrogação. A tensão por lá é tamanha que até as professoras de lá temem engravidar. Em resumo: estou caminhando com a perna arrastando. Quem olha de longe provavelmente deve querer rir, uma vez que caminho com as pernas abertas. É uma situação realmente constrangedora... No entanto, começo nestas palavras de agora a decepcionar aqueles que acham que estou triste ou me sentindo vítima da vida. Sinto-me, sim, completamente feliz, ao ponto de sorrir enquanto me encontro em repouso, com as costas no chão e as pernas sobre a cama, sentindo dor. Pra falar a verdade, é como se a dor física não tivesse abalado o meu espírito. Jamais pensei que fosse dizer isso, mas meu espírito neste instante parece ser mais forte que o meu corpo. Sinto-me preenchido por uma felicidade ímpar que há tempos não experimentava. A proximidade de Deus parece ter voltado e eu O sinto aqui comigo o tempo todo. Sei que tem que ser assim. Sei que esta dor é para que eu me torne uma pessoa melhor, de alguma forma que eu não consigo enxergar agora. As palavras do Serjão, o "anjo gigante", nunca me pareceram tão frescas. "Tudo é justo do jeito que é, porque é assim que o Pai quer que seja. Ele sempre quer que a gente evolua. A gente sofre porque se recusa a aceitar a vontade dele." E em meio às minhas dores e aos meus sorrisos, tenho notícias ótimas no campo profissional - que, aliás, andava meio devagar: dois artigos e um capítulo de livro foram aceitos para publicação. Aquele ânimo, que vinha me faltando desde meados deste ano, parece ter voltado. Lanço um olhar de "Chuck Norris" para a tela deste computador, com os lábios desenhando um sorrio maldoso... "Estes próximos dois meses vão ser curtos demais para nós dois."
Em outras palavras: há tempos eu não me sentia tão perto do paraíso como me sinto agora... Obrigado, Senhor!

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Só de passagem...

São 4h da madrugada. Nem eu mesmo acredito que estou acordado até agora, principalmente sabendo que daqui a duas horas e meia eu terei que estar de pé novamente. A justificativa para esta loucura, e também pela ausência de novas histórias aqui neste espaço virtual reside em um fato simples: o fim do semestre letivo. Além disso, há vários trabalhos a fazerem (artigos, correções de dissertação, interpretação de espectros e coisas do gênero) que foram se acumulando nos últimos meses. Agora que se acumularam, escrevi todas em um papel, dobrei-o e o carrego comigo. Todos os dias tento cumprir algo que está escrito ali, e depois o risco. A estratégia tem funcionado, pois há muito tempo não me snetia tão motivoado ou mesmo rendido tanto. Certo, eu estou indo dormir tarde, mas amanhã acordarei com a consciência de que todas as provas aplicadas até agora estão corrigidas e que todas as cadernetas estão em ordem.
Há apenas um pequeno problema (aliás, um novo...): o nervo ciático, do lado direito, está inflamado. Tenho andado arrastando a perna, para evitar a dor. O médico receitou repouso absoluto. Tive que rir sozinho quando saí de lá. Coitado! Talvez ele possa saber algum dia qual é a rotina de um professor que se meteu a dar aulas no ensino médio, na graduação e na pós-graduação...
A propósito: Cristine, por favor, seja paciente comigo. Em breve terminarei a história da quarta-feira estressante, mas já lhe adianto que o final daquele dia foi inesperado...

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Quarta-feira estressante - parte 2: prática contraria a teoria

Minha mudança de planos acalmou-me momentaneamente. Com certa pressa, dirijo o mesmo Gol cor chumbo, ano 1989, que adquiri há 8 anos. Não quero atrasar-me para a natação, pois acho que minha coluna não sobreviverá caso não se exercite dentro da água ainda hoje.. Ao chegar em casa, estaciono o carro sob a sombra da árvore de folhas pequenas, sem me preocupar com a distância que o deixo em relação à sarjeta. Tenho pressa. No entanto, qualquer tentativa de colocar meu plano B em prática vai por água abaixo quando giro a maçaneta e vejo que o portão está trancado. “Certo, eu vou entrar pelo outro lado”, penso. Quando tento abrir, a decepção: o trinco está trancado pelo lado de dentro!!! Só então me vem à memória a lembrança de que a mamãe tinha pedido a chave do cadeado daquele portão para tirar cópia. Sem querer acreditar que a mamãe tenha tido a coragem de me deixar para fora, meus pés começam a chutar o portão, cuja folha de metal nunca pareceu tão espessa. Penso que se não a fosse, o desenho do bico de meus pés teria deixado as marcas da minha raiva naquele momento. Instintivamente minhas mãos começam a proferir murros no mesmo portão. Aqui, prostrado do lado de fora, fico minutos a esmurrar e a chutar o portão, na esperança de que minha raiva possa passar. E realmente passa. Certo, essa é uma das características (ou deveria chamar de “defeito”?) fortes em minha personalidade. Geralmente sou muito controlado e ponderado em tudo que faço ou falo, mas quando eu explodo.... Como diz a mamãe, sou como se fosse uma “brasa encoberta”, e neste momento ajo como se um vento tivesse acabado de reacender a chama que aparecia já ter sido apagada há tempos... Após alguns minutos, percebo que estou agindo como um louco e vejo que de nada vão adiantar aqueles chutes e socos. Recomponho-me e volto para o carro. “Nem tudo há de estar perdido. Vou cumprir as outras etapas do plano, depois volto para buscar a toalha e a sunga”. Sem titubear, pois o tempo me é escasso, entro no carro e volto para a relojoaria. Em poucos minutos encontro-me ao portão da casa da Débora, com os óculos em mão. “Ela vai gostar do resultado”, penso. No entanto, ao tocar a campainha... Adivinha?? Outro portão trancado. E não há ninguém em casa!!!! Olho para baixo. Respiro fundo. O coração está disparado. A raiva toma conta de mim novamente, mas desta vez tenho que controlá-la. Levanto os olhos, olho para o portão. Parece existir no mundo somente eu, ele e minha raiva. Puxo a perna para trás, tomo posição. A perna, no entanto, pára no meio do caminho. “É uma pena que eu não tenha o direito de chutar o que não é meu...”

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Quarta-feira estressante - parte 1: teoria

Quarta-feira, 8 de outubro. Estou trabalhando na universidade, cumprindo as horas de pesquisa. Na verdade acho que estou apenas tentando, pois as dores na coluna estão me incomodando muito e eu não consigo me concentrar. Já são 14h30min. Acho que vou embora, nadar e fazer hidroginástica. São os dois únicos remédios que realmente têm aliviado essas dores que tanto têm me incomodado nos últimos meses. Despeço-me então do pessoal e sigo em direção ao carro, que a esta altura poderia ser chamado de “porcomóvel” por causa do pouco tempo que tenho tido para cuidar de sua limpeza. Há papeis pelo chão e poeira sobre a lataria. Balanço a cabeça em sinal de reprovação. Às vezes sinto saudade da época em que tinha mais tempo para cuidar do meu “carango”... A viagem segue tranqüila. Há pouco trânsito nos dois sentidos da pista, o que facilita as ultrapassagens. Isso me deixa muito satisfeito, pois quanto mais rápido chegar em casa, mais tempo terei para nadar e para aliviar as dores na coluna. No meio do trajeto o telefone celular toca. É a mamãe, dizendo que o Nino quer saber onde quer que eu prefira que ele coloque um dos ralos lá na casa onde será meu futuro lar. “Tudo bem, um pequeno contratempo, mas isso não vai me impedir de nadar”. Neste momento, lembro-me de ter deixado os óculos da Débora na relojoaria, para soldar a haste. “Sem problemas. Deixei ontem, portanto já deve estar pronto. É só passar para pegar. Nada vai atrapalhar minha natação”.Enfim, estaciono na frente da relojoaria. “Boa tarde. Eu vim buscar os óculos que deixei aqui ontem para soldar a haste.” “Qual é o nome?”, pergunta o cara, sem responder ao meu “boa tarde”. Quando respondo, ele balança a cabeça em sinal de desaprovação. “Olha, ainda não está pronto, mas dentro de uns 10min vai estar”. Respiro fundo. “Não, isso não vai me irritar nem tampouco atrapalhar a natação!”, penso comigo mesmo, tentando convencer-me. “Então faz o seguinte: daqui a 10min eu volto aqui, combinado?” Neste momento, traço uma pequena mudança de planos. Preciso agir rápido, ganhar tempo. A coluna está doendo bastante e eu preciso nadar. “Passo em casa, pego a sunga e a câmera digital. Passo aqui na relojoaria, pego os óculos e os levo, junto com a câmera, e deixo com a dona Adelina (mãe da Débora). Depois passo na construção e esclareço a dúvida do Nino para, enfim, ir para a natação”. Eu tenho 30min pra fazer tudo isso... Será que vai dar tempo?

domingo, 12 de novembro de 2006

Vivendo entre espinhos e flores

Segunda-feira, 6 de novembro de 2006. Estou no colégio, seguindo para a última aula, na primeira série do ensino médio. Os alunos da sala vêm correndo pelo pátio em minha direção. “Fessor, fessor, a gente queria ver o fim do filme! A professora não deixou a gente assistir. “Calma, vamos para a sala de aula. Vou fazer chamada e lá a gente conversa.” E assim fazemos. Após fazer a chamada, levanto-me e sigo para a porta. De lá avisto o professor Fernando, de Artes, que está fechando a sala de vídeo. Sigo em direção a ele e peço para que não desinstale o DVD. Ele concorda e me passa as chaves. Sim, a televisão e a sala ficam protegidas por grades. Elas são necessárias, mas não foram suficientes para evitar o roubo de um outro aparelho de DVD da sala da Ivani, a nossa coordenadora pedagógica. Após levar um verdadeiro “banho” do DVD (eu nunca acerto a posição daqueles malditos fios coloridos na parte traseira da televisão!), conseguimos colocar o filme para assistirmos. Quando olho para a classe, noto que só há mulheres. Então não consigo resistir e pergunto: “Pessoal, cadê os rapazes da turma?” Elas se entreolham e uma delas, aparentemente assustada com o fato de não estar sabendo de nada, começa a contar. “Fessor, o pessoal foi pego tomando Gatorade com pinga dentro da sala na aula da professora de Inglês”. Meu queixo quase vai ao chão... Ela continua a narrativa, dizendo que a professora exagerou ao dizer que um dos alunos traz maconha pra vender na escola e que ela bem que podia ter deixado aquela passar. No final, diz: “Fessor, eu rezo pra que o carro dela saia inteiro do estacionamento, porque os meninos vão pegar ela! É a lei da favela, fessor.” Triste com aquela situação, e ao mesmo tempo inconformado com a atual crise no ensino em nosso país, eu limito-me a balançar a cabeça, em sinal de desaprovação. Embora não diga nada, as idéias vão se confrontando em minha mente. Neste momento, entretanto, é preciso guardar minhas memórias comigo... É tudo uma pena, não precisava ser desse jeito... Volto, enfim, os olhos para o filme. Chama-se “Jogos mortais 2”. Certo, o filme tem certas cenas fortes, mas não chega a tratar-se de um filme de terror. Faz mais o gênero policial. A história do filme conta que um psicopata reúne, em um mesmo lugar, pessoas que foram presas por um certo policial corrupto, que forjou provas contra todos eles. Junto com os “marginais” encontra-se o filho do policial. Eles têm 2h para encontrar a saída, caso contrário morrerão com um gás letal que estão respirando. O filme tem uma mensagem muito interessante: o cara que coloca todos os marginais em uma casa sofre de câncer terminou. Sua intenção é mostrar aos marginais que eles têm vida e saúde e não sabem fazer uso correto de suas vidas, enquanto ele, que quer tanto viver, não têm mais forças para lutar contra a doença. Realmente é uma pena que os rapazes desta sala, que a esta altura devem estar suspensos, não estejam assistindo a esse filme. Talvez conseguissem enxergar o tamanho do mal que estão fazendo a si mesmos agindo daquela forma...Enquanto assisto ao filme, abro a pequena garrafa de água mineral, abastecida com água filtrada, e dou alguns goles. Naquele mesmo instante, vejo na ela uma moça pegar uma seringa com o antídoto, porém a seringa está de cabeça para cima e o conteúdo se perde... Então em me empolgo, involuntariamente e, soltando um “putz”, bato a garrafa na carteira. Imediatamente a água fria espirra de dentro da garrafa e jorra sobre mim, desde a cabeça até a barriga. Nesta altura as alunas já estão tendo cólicas de risos. “Esse fessor é doido!”. Então eu não resisto e caio na risada. Se não podemos enxergar flores o tempo inteiro, pelo menos não precisamos conviver com os espinhos o tempo todo”... Tudo isso ainda vale muito a pena!

domingo, 5 de novembro de 2006

Matando a saudade com estilo!

Uma semana atípica

Queira ter tempo (ah, como queria!) para registrar aqui tudo o que aconteceu durante a semana que passou... Infelizmente terei que me contentar com um breve resumo. Breve, sim, exatamente como é o tempo que tenho para fazê-lo... Praticamente não nadei na semana que se passou. Com efeito, as dores na base da coluna voltaram a incomodar-me bastante, mostrando que eu não posso mais viver sem entrar na piscina, mesmo que seja por poucos minutos diários. Na escola, voltei a vivenciar momentos intensos. Na segunda-feira, os alunos estavam simplesmente impossíveis! Em uma das salas, que geralmente costuma ser a mais disciplinada, não consegui explicar os exercícios que deveriam ter sido feitos na semana anterior, mas que os alunos sequer tentaram fazer... Contei então a história dos 5%, segundo a qual um professor disse aos seus alunos que somente 5% dos alunos valiam a pena; os demais eram apenas resto. Disse que isso valia para tudo nesta vida: amigos, tempo e, inclusive, os professores. Tive também que enviar quatro alunos de uma outra sala para a diretoria. Dois deles estavam enchendo a boca de água e cuspindo-a um no outro. Outro rapaz estava “azucrinando” uma aluna que, sem titubear, encheu-lhe a cara com a mão. “Vem cá, os dois. Vem cá, vem cá!”, disse eu nos momentos em que os encaminhava para a diretoria. Acredito que deva ter feito isso de uma forma muito engraçada, pois um dos alunos, ao me ver na porta de outra sala, parou e, rindo, disse: “Vem cá, vem cá!”... Na terça-feira tive uma grata surpresa. Apenas 10 alunos da classe onde eu falei sobre a história dos 5% compareceram. Ao invés de sentar e bater papo, resolvi ir ao quadro explicar os exercícios com bastante cuidado. Para minha satisfação, os alunos participaram e conseguiram, enfim, entender o conteúdo. Agradeci a eles por terem vindo e por terem prestado atenção, ao que uma das alunas respondeu: “Professor, nós fazemos parte dos 5%. Não queremos ser ‘resto....” Eu abri um sorriso largo, muito orgulhoso e satisfeito por ter ouvido aquilo. Ainda na terça-feira, precisei ter muita paciência com o técnico de computação e com o bendito calheiro que está trabalhando lá na construção. O primeiro disse que eu poderia buscar o computador no sábado, mas em plena tarde de terça-feira ele ainda nem havia olhado o computador... Já o segundo não fez os acertos que precisavam ser feitos nas calhas que colocou. Além disso, fiquei extremamente desapontado com o desleixo daqueles que trabalham no ramo da construção civil... Na quarta-feira recebi a resposta de um artigo científico que enviamos para uma revista. Foi aceito (eeeeeeeeeeee), mas é preciso fazer algumas pequenas correções. E tome tempo!!! Recebi também o e-mail do amigo que havia me convidado para proferir a palestra que havia mencionado aqui. Ele disse que os alunos ficaram “maravilhados” com a palestra. Senti-me muito feliz, pois como disse no post anterior, o esforço realmente valeu a pena. Na quinta-feira pela manhã meu carro pifou em pleno estacionamento do supermercado. Convicto de que era o copo do distribuidor, decidi bancar o mecânico e tirei todos os cabos para poder limpar a tal peça. O problema é que há uma ordem correta dos cabos, e eu não tinha anotado nada! No final das contas, precisei pedir para o papai ir rebocar-me. Com isso, acabei não me encontrando com a Débora à tarde. Aproveitei para dormir a tarde toda. Mais um feriado frustrado! Na sexta-feira fui à escola à noite, mas havia poucos alunos. Assistimos a um DVD com algumas músicas pop que eu havia selecionado. Os que assistiram disseram que escolhi boas músicas.
No sábado acordei cedo para ir à nossa construção com o encanador. Pelo menos alguma coisa vamos ter que acelerar naquela casa... O preço da mão-de-obra, que de início parecia assustador, foi diminuindo após algumas “choradas”, até chegarmos em um preço justo. À tarde o amigo Crevelin passou aqui em casa para irmos jogar futebol. O campo estava molhado e os escorregões surgiram aos montes. Demos boas risadas!

domingo, 29 de outubro de 2006

O esforço valeu a pena

Domingo, 29 de outubro de 2006. São 8h36min. Estou sozinho aqui em casa, pensativo. Certo, tenho que admitir que não gosto das situações em que a mamãe e o papai não estão em casa. No entanto, ao contrário do que ocorreu no último feriado (dia 12/10), desta vez eu não me sinto verdadeiramente sozinho. Há um sentimento de preenchimento completo e de uma felicidade plena. Em outras épocas de minha vida, certamente eu não estaria me sentindo assim, pois o papai está lá no hospital, internado com cólicas ocasionadas por três pedras no rim esquerdo (graças a Deus não é o mesmo rim em que ele sofreu a cirurgia para a remoção do câncer...). Estou em paz, tranqüilo. Sei que ele está bem e que a volta dele para casa é só uma questão de tempo. Não, isso está longe de tirar minha felicidade... Em momentos raros como este, eu começo a olhar para a semana que passou. Foi uma semana muito atípica. Faltei às aulas do colégio na terça-feira de manhã e na quinta-feira à noite para poder terminar a palestra, que seria apresentada na sexta-feira. Não havia como ser de outro jeito, eu tinha que fazer o possível para me preparar para aquela palestra. Afinal, em situações como esta o nosso “nome” profissional fica em xeque. É preciso defender com unhas e dentes as oportunidades que nos são dadas e eu, obviamente, não queria fazer feio. No entanto, em plena sexta-feira, às 2h da matina, eu não só não me sentia preparado como também não havia deixado a apresentação do jeito que eu gostaria... Acordei, então, às 6h. Eu deveria me sentir um trapo mas, por incrível que pareça, eu não me sentia cansado. Sentia-me motivado, renovado!Talvez o meu estado de humor estivesse tão elevado que sequer tive tempo para pensar no cansaço. Segui então para Ribeirão Preto, ouvindo músicas no mp3 para espantar o sono que, pela primeira vez, sequer apareceu. Quando o professor foi apresentar-me para os alunos, percebi que ele sabia a minha carreira acadêmica completa. Achei engraçado, pois eu não havia fornecido nenhuma informação a ele. Percebi então que ele estava com uma versão impressa do meu Curriculum Lattes em mão. Tive que conter um tímido sorriso, pois notei naquele momento que tudo o que a gente coloca na internet é de acesso público, assim como é este blog... A platéia era pequena, aproximadamente umas 15 pessoas, todos pós-graduandos. A formação dos mesmos era bem heterogênea, abragendo desde biólogos a fisioterapeutas. Tentei ser o mais didático possível e, no final, parece que acabei “convencendo”. Afinal, mesmo em uma sala completamente escura, ninguém dormiu enquanto eu falava. Ou eu consegui realmente prestar a atenção ou aquele pessoal é muito educado... Terminada a palestra, segui para a USP. Reencontrei lá bons e velhos amigos da época de pós-graduação, tanto no laboratório como na moradia estudantil. O que me chamou a atenção foi a forma como eu os tratei. Eu literalmente via um irmão em cada um deles, como se eu fosse capaz de enxergar em cada um a “centelha divina” de que o meu amigo Serjão tanto fala. Neste momento eu só tenho a agradecer a Deus por tudo o que tenho vivido nos últimos dias. Parece que, após tanto tempo me sentindo sozinho e abatido, eu encontrei o caminho certo. Deus, que eu havia deixado de procurar, agora está em todas as coisas que olho. Isso, sim, é a felicidade verdadeira e plena!

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Lidando com dias ruins

É muito engraçado como a forma com que lidamos com as situações depende muito do nosso estado de espírito que estamos experimentando naquele momento. Hoje o dia não foi nada fácil. Acordei tarde, pois fiquei até tarde preparando o roteiro para a aula prática de hoje. Acordei cedo, mas adormeci de novo e acordei aos frangalhos. Acabei chegando tarde na faculdade e a todo instante era interrompido pelos alunos que oriento. Enfim, a palestra que tenho que apresentar na sexta-feira em uma universidade de Ribeirão Preto ainda está bem crua. No entanto, meu humor manteve-se o mesmo durante todo o dia. Embora eu jamais tenha me alterado com alguém, confesso que às vezes é uma luta interior muito grande conter-me para não demonstrar minha irritação e contrariedade interiores com relação a estas situações. Pois bem. Durante todos os dias experimentei uma alegria intensa que perdura até agora. Acho que os dias que passei de “ressaca” fizeram-me perceber o quanto eu sou feliz, e que todos estes obstáculos, compromissos ou desafios podem ser pequenos quando eu me disponho a enfrentá-los. O mais interessante: eu percebi que as pessoas gostam de me ver assim, alegre e feliz. A energia do ambiente parece mudar completamente. Que esta alegria, agora reencontrada dentro de mim, possa ser expelida pelos poros a cada dia que passa, para que eu possa fazer o que eu mais gostoo nesta vida: fazer as pessoas felizes.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Voltando à vida real

Aqueles que se aventuraram a escrever seus blogs vão entender o que quer dizer a frase: “O número e o tamanho de postagens em um blog é diretamente proporcional ao tempo daquele que o escreve”. Esta frase contém um bom argumento para justificar minha ausência durante a semana que se passou. Contudo, seria injusto atribuir à falta de tempo o abandono que este espaço experimentou durante a semana que se passou. Não, não foi só a falta de tempo. Na semana que se passou eu vivi dias difíceis, talvez por ter me acostumado ao período de recesso da “Semana do saco cheio”, que a antecedeu. Um turbilhão de idéias povoou minha cabeça e, como sabem, o tamanho do meu HD cerebral não é tão grande como alguns teimam em pensar. Houve então um conflito entre hardware e software, o que me forçou a reiniciar o computador. Agora, finalmente, as coisas parecem estar em seus devidos lugares e eu posso, enfim, voltar a postar. Além disso, eu achei que nos últimos posts eu estava muito “chorão” e “ranzinza”. De certa forma, eu senti numa certa tristeza ou energia negativa naquelas postagens quando as reli... Era realmente preciso dar um tempo e esperar a paz retornar. Hoje, em especial, estou muito alegre. Quando se está de bem com a vida, qualquer coisa traz sorriso e alegria... Tive um final de semana comum (ah, como eu estava com saudade disso!). Eu e a Débora assistimos a um DVD “92 flash backs” e nos divertimos bastante com as “velharias” que nos trazem lembranças de nossa adolescência. Uma das músicas, “We shall dance”, do Demis Roussos, lembrou-me as noites de sábado em que, aos 15 anos, eu me deitava no sofá da sala e chorava feito uma criança....E como chorava!!! Certo, muitos daquela época achavam que eu não era muito normal, mas quem é que pode saber o motivo do meu choro se nem eu mesmo consigo entender?? De manhã, fui à escola e levei para um aluno alguns gibis. Embora eu MORRA de ciúmes de minhas coisas, decidi que não posso apegar-me a elas, pois quanto mais eu fizer isso, mais facilmente vou perdê-las (são palavras do Serjão!!!). Ao entregar para ele, senti que ele estava muito feliz. Eu, de certa forma, me senti um pouco esvaziado, como se estivesse pronto para receber novas coisas boas. Hoje saí à tarde para pagar contas pela cidade. De bermuda, tênis, óculos escuros e mp3 (até parecia que eu era gente!!!), montei em minha bicicleta cumprir a minha “agenda.”No entanto, andei bem devagar, curtindo o vento que vinha de encontro ao meu rosto. Olhei para o céu e pude experimentar uma sensação divina, de quem realmente não está sozinho, nunca. Sorri e agradeci a Deus por aquele momento. Na volta, aproveitei para visitar minha avó, que há meses não me via em sua casa. Eu tinha preferido afastar-me de lá em função das brigas entre meu pai e os irmãos, mas percebi (ainda bem que não foi tarde demais...) que estava cometendo uma grande injustiça, aliás muito parecida com uma que meu pai cometeu com relação à minha bisavó.Amanhã, terça-feira, será um dia corrido. Tenho que preparar uma palestra para sexta-feira que está me tirando o sono... Que Deus me ajude!!! Vixi, e por falar em sono, preciso dormir!!!

domingo, 15 de outubro de 2006

Mais uma prova de desunião

Hoje fomos a um churrasco na casa de minha tia Nilce, em Cândia. O churrasco foi realizado em comemoração ao aniversário do Valter, esposo da tia Nilce. Chamou-me a atenção o fato de apenas o meu pai ter sido convidado para o churrasco. Mais uma vez presenciei a reunião de apenas dois membros de uma família despedaçada. É doloroso saber que alguns dos meus tios não conversam com o meu pai ou com a minha tia. Isso me faz lembrar de que as festas de fim de ano estão chegando... E em mais um ano, a família encontra-se desunida. Mas... atire a primeira pedra aquele em cuja família não tem nenhuma desavença. Algum dia vou entender por que existe tanta intolerância entre parentes próximos.

sábado, 14 de outubro de 2006

Meus desenhos - parte 2: Dia das crianças


Mais um desenho de 1988. Coincidentemente, este desenho foi feito em comemoração ao dia das crianças. Isso foi há 18 anos... Passado tanto tempo, eu percebo que o desenho era uma maneira de expressar o meu pequeno mundo e o que eu vivia naquela época. O menino jogando futebol tem o cabelo no estilo do Alambique, um personagem que saída em tirinhas do jornal "Notícias populares", que o papai trazia de Sorocaba, quando ele puxava argila de Uberaba. O detalhe da chuteira expressa o meu desejo de jogar em um campo gramado, o que viria a se realizar ainda naquele ano. O menino puxando o caminhãozinho era, na verdade, eu. Na época, o vovô Mila havia encontrado um caminhãozinho parecido com aquele, e eu brincava com meus carrinhos aqui no monte de areia atrás da casa. Notem que eu estou de calça, pois eu detestava usar bermuda! O estilo de roupa dos meninos correndo (naquela época, eu adorava correr!) era no do nosso uniforme de educação física. O bebezinho atravessando a rua expressa a inocência das crianças, a mesma inocência com que atravessei a rua pela primeira vez ao ir para a escola, aos 6 anos. Eu o desenhei inspirado em um pequeno bebê de plástico que era da minha irmãzinha, na época com 8 anos. O carro que está indo em direção à criança é, na verdade, um dos meus carrinhos mais antigos. Quanto ao menino brincando no canto superior esquerdo, trata-se do Alessandro, o único colega com quem eu dividia os meus carrinhos. Reparem que não há nenhuma menina no desenho. Eu procurava ao máximo evitar de desenhar as meninas... Além disso, naquela época eu sabia muito pouco sobre o universo feminino. Bom, neste ponto eu não evoluí muito, não...

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Meu maestro, o papai

13 de agosto de 2006. Hoje é dia dos pais. Por causa desta data, o comércio aqui da cidade experimentou um aumento significativo nas vendas durante esta semana que passou. Afinal, sempre houve uma grande preocupação dos filhos em presentear seus pais nesta data. Alguns filhos, menos providos financeiramente, limitam-se ao que chamam de “lembrança”, que nada mais é do que um presente de baixo valor, que se enquadra dentro das condições de quem está presenteando. Já os mais bem abençoados preferem dar presentes um pouco mais caros. Infelizmente existe a idéia errônea de que o valor do presente que cada filho dá ao seu pai é proporcional ao amor que sente por ele. É uma idéia completamente equivocada, pois não se pode quantificar um sentimento, principalmente por meio de coisas concretas. O amor que se sente por um pai deve, sim, ser demonstrado a cada dia. É muito mais válido abraçar um pai durante todos os dias do ano, mostrando o quanto ele é amado, do que lembrar-se de presenteá-lo em um único dia do ano... São 22h. Eu e a Débora estamos aqui na praça 7 de setembro, no centro da cidade, onde está sendo realizada a 2a. Feira do Livro. Lá no palco o repórter Caco Bacellos relata algumas de suas experiências vividas na pele de repórter. Coincidentemente, a que mais me chamou a atenção é a de um filho que foi criado pela mãe e que foi educado na ausência do pai. A história conta que o menino envolveu-se com o tráfico de drogas e acabou ameaçando seu padrasto, que batia em sua mãe. A história tem um triste desfecho: a morte do menino na disputa por uma boca de fumo. Começo então a pensar sobre a real importância de um pai na criação e na educação de seus filhos. Penso que tudo o que sou devo ao meu querido pai, que até hoje, aos 30 anos, chamo carinhosamente de “papai”. Eu e a “Fia”, a minha querida irmã, fomos educados para chamá-lo de “papai”, o que hoje em dia pode parecer muito estranho ou pouco comum, pois não me vem à memória quem ainda se refere ao pai desta maneira. Se eu sempre fui um menino estudioso, eu devo ao papai, que sempre exigiu que eu fosse o melhor. No primeiro ano do ensino fundamental, eu estudava em uma classe onde eu era o único aluno que não sabia ler nem escrever, pois era o único que não tinha estudado na pré-escola. Sem querer saber deste detalhe, o papai exigiu que eu fosse melhor que os outros alunos, o que acabou fazendo com que eu me acostumasse a correr atrás do prejuízo durante a vida inteira. Ele sempre quis que eu fosse o que ele não pôde ser, quis dar para mim a educação e o amor que ele não recebeu do pai dele. O papai sempre deu exemplos de força de vontade, pois sempre trabalhou doente para nos dar o que de melhor ele podia. O papai não fuma, não bebe, não desrepeita ninguém (embora muitos o chamem de “chato” e “sistemático”, por gostar das coisas certas). O papai é um homem que vive para a família e que, mesmo depois de crescidos, nos abraça e nos beija, coisa rara de se ver hoje em dia. Para ele, eu e a “Fia” nunca vamos envelhecer... Abraçado à Débora e mergulhado em minhas reflexões sobre a importância do papai em minha vida, tenho a minha atenção atraída por um som maravilhoso: o som da orquestra sinfônica de Ribeirão Preto. O espetáculo que se apresenta no palco à minha frente deixa-me emocionado. Homens e mulheres, devidamente vestidos, manipulam cada um seus próprios instrumentos musicais, todos regidos pelo maestro. O maestro... Eis uma figura que me chama a atenção. Com a intenção de obter o melhor de cada um dos músicos, ele parece empenhado e exigente. Obedientes, os músicos, por sua vez, atendem a cada movimento mínimo das mãos do maestro. O maestro se esforça tanto que o suor começa a brotar-lhe na testa e escorre-lhe pelo rosto. No final de cada música, o maestro se levanta e cumprimenta um dos músicos, solicitando aplausos da platéia para eles. Olho então para um canto da sarjeta e começo a me lembrar que o papai sempre tentou obter o melhor de mim, mesmo que para isso tenha que ter sido rude em algumas situações. Hoje o papai parece orgulhoso do filho que ciou, e esse orgulho é o maior presente que eu poderia dar a ele. Orgulhoso, o papai parece solicitar para mim, enfim, as palmas que eu sempre quis receber durante a adolescência. Sinto então um nó na garganta, pois percebo que o papai foi, é e sempre será o meu maestro. Para mim, o papai é o melhor maestro do mundo.

Troca de marchas

Em sua concepção física, a vida é como uma estrada. Mais cedo ou mais tarde essa estrada chega ao fim. O grande segredo é saber aproveitar a viagem. Há trechos do percurso que são mais íngremes e que exigem mais do nosso motor. Neste caso, precisamos reduzir a marcha para que consigamos superá-lo, mesmo que em uma velocidade menor. Há outros, no entanto, em que o motor é menos exigido e podemos trafegar por ele em quinta marcha, uma vez que o carro já está embalado. Desde que defendi o doutorado, em fevereiro de 2005, minha vida tem estado em quinta marcha. Era como se eu estivesse na “banguela”, embalado, em um ritmo alucinante. Assim eu trafegava até meados deste ano, quando minha coluna mostrou que era preciso reduzir a marcha, caso contrário eu não conseguiria vencer a subida íngreme que se apresentou diante de mim. Não bastasse as dificuldades intrínsecas desta parte da estrada, eu tive que lidar com alguns fatos, entender algumas situações e aceitar algumas verdades que nos são impostas pelo destino. Confesso que encontrei certa dificuldade neste percurso da estrada. Era como se eu tivesse parado para trocar um pneu...Pois bem. Após quase quatro meses atravessando esta longa subida em marcha reduzida, eu tenho a impressão que cheguei ao topo da subida e que estou, enfim, pronto para o embalo de mais uma descida. Agora com o pneu trocado, algo me diz que nos próximos meses eu atravessarei um dos períodos mais produtivos de toda a minha vida pessoal e profissional. Espero que esta seja a vontade de Deus. E que assim seja!!!

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Meus desenhos - parte 1

Fiz este desenho em 1988, quando tinha 12 anos e estava na 6a. série do ensino fundamental.

Fragmentos de minha infância - parte 12: A briga

1986. Tenho 10 anos. Sou um menino que não gosta de ver brigas nem tampouco participar delas. Até hoje eu nunca briguei com ninguém e, pra falar a verdade, eu não tenho a mínima vontade. Acho que é porque na maioria das vezes eu fico sempre sozinho e não tenho amizade com muitos colegas, por isso ninguém mexe comigo. Aqui na escola eu já vi muitas brigas (a gente percebe pelo tumulto que se forma...), mas graças a Deus eu nunca participei de nenhuma delas. Já vi trocas de chutes, de socos. São cenas tristes de se ver. Eu acho muito estranho o fato do pessoal da minha idade fazer uma classificação dos colegas de acordo com suas brigas. Por exemplo: “O “Panche” é mais forte que o “Piurna”, porque os dois já brigaram e o “Panche” bateu no “Piurna”. Já o “Piurna” é mais forte que o Betim, porque o Betim apanhou do Piurna. Esses nomes são os mais citados, pois são os apelidos dos caras mais brigões da escola. Estou sentado no alambrado onde se hasteia a bandeira. Daqui avisto, róximo ao portão de entrada, o Betim e o Panche. O Panche é um menino negro que anda quase sempre com um “kichute” preto, sem meias.. Ele gosta de andar com os braços à mostra, pra impor respeito. Eu não me lembro de tê-lo visto apanhar de ninguém aqui na escola. Já vi, sim, ele quebrar os dentes de vários colegas com quem ele brigou. Ele é muito bom com os socos e bate sem dó, até arrancar sangue... É talvez o mais respeitado aqui na escola. Já o Betim é um rapaz de estatura um pouco menor que a minha. Mesmo sendo pequeno, o Betim conquistou o respeito da turma dele por estar sempre brigando, às vezes apanhando, às vezes batendo. Percebo então que o Panche e o Betim bem próximos. O “Panche” olha para mim e, na tentativa de encontrar a sua briga do dia, começa a me insultar. E aí, “Tonhão”!!!!” Ele está dizendo em tom de provocação, pois sabe que eu não gosto que me chamem por este apelido. Certo, não é um apelido feio, mas o que me irrita é o tom com que os colegas o usam. Quando penso neste apelido, eu tenho vontade de dar umas porradas no Léo, que inventou este apelido... Sabendo da fama de brigão que o Panche tem aqui na escola, eu prefiro ouvir e ficar na minha. Quando o Betim vê que eu fico quieto, ele tenta me intimidar e também começa a me chamar pelo apelido. Como costumamos dizer, “ele quer fazer moral pra cima de mim”. Então eu falo para ele parar de me chamar pelo apelido. Ele levanta o queixo e me intimida, me chamando para a briga. Pego a minha mochila e saio, para não arranjar encrenca. Eis que o Betim covardemente me empurra pelas costas. Eu dou uns dois ou três passos à frente, desequilibrado e me viro. Mal tenho tempo de me virar e me deparo com o Betim de punhos cerrados. Sem ter tempo de reagir, sinto o seu punho vir de encontro ao meu queixo. Ele bate e se afasta. Eu fico um pouco tonto. Olho ao redor e a única coisa que consigo ver são os colegas, que a esta altura já fizeram uma roda e começaram a torcer. “Vai, Tonhão!” De ímpeto, o Betim se aproxima e desfere outro soco, desta vez acertando a minha testa esquerda. Novamente eu sinto tudo rodar, mas não caio. Por uns segundos eu vejo tudo parado ao meu redor. Quando volto a mim, percebo que eu estou envolvido em uma briga e que, pelos acontecimentos, eu estou apanhando. Então eu parto para cima do Betim e o puxo pelo pescoço. Agarro-o então pela ponta da mochila e pela calça e começo a rodá-lo. E rodo, rodo, rodo... “Me solta! Me solta!”, grita ele. “Se eu te soltar, você não vai gostar!”, respondo, já nervoso. Os colegas deliram. Eu acho que o Betim deve estar se sentindo humilhado sendo exposto àquela situação. Quando começo a ficar tonto de tanto rodar o Betim, eu solto minhas mãos e o projeto uns dois metros à frente. Ele sai catando cavaco e cai de peito no gramado. Viro-me, com a sensação de ter vencido aquela briga, mas... Já de pé, o Betim reaparece e, novamente de maneira covarde, me empurra novamente pelas costas. Desta vez, porém, antes de me virar, eu vejo a inspetora correndo em direção a nós dois. “Meu Deus, eu vou pra diretoria por estar brigando!”, penso. Sem pensar duas vezes, eu começo a chorar. “Dona Marta, o Betim está me batendo!”, digo, sob soluços cinematográficos. Ela então corre em direção ao Betim e o agarra pelo ombro, desferindo-lhe vários tapas. Seguimos então, a inspetora, o Betim e eu, para a diretoria e lá permanecemos sentados no banco, aguardando a chegada da professora, a dona Dalva. Quando eu a avisto, intensifico o choro. Um tanto que comovida, ela passa a mão em minha cabeça e, em contrapartida, dá um tapa (mais um...) no ombro do Betim. “Tinha que ser você, hein, Carlos Alberto? Manda chamar a mãe dele, por favor!”, diz ela, nervosa, para a inspetora.. “Filho, você machucou? Esse aqui é bonzinho, ele deve ser inocente”, diz ela. A professora me conduz à sala de aula, enquanto o Betim fica sentado no banco da diretoria, aguardando sua mãe chegar. Neste momento uma enorme vontade de rir toma conta de mim, mas tenho que contê-la. Certo, eu posso não ser bom de briga, mas não sou bobo. Hoje o Betim pôde aprender que nem sempre quem ganha a briga é aquele que bate mais, e que ser estudioso é muito mais interessante do que ser brigão...

domingo, 8 de outubro de 2006

Para ver algum dia...


Calma, não se assustem. Esse aí sou eu. Resolvi postar estas fotos aqui no blog para que os amigos que passarem por aqui possam materializar o cara que narra sua vida cotidiana neste espaço virtual.

Teorias da evolução

Mais uma vez deparo-me com o monitor à minha frente, à espera de palavras para preenchê-lo. Fico minutos olhando para a tela em branco, respiro, olho para o teclado. Está difícil organizar as idéias. Sinceramente, eu gostaria que houvesse uma forma mais simples de se fazer isso... Por que tanta dificuldade em expressar sentimentos através de palavras? Eu juro que gostaria de entender isso, mas há nesse momento coisas muito mais interessantes que eu gostaria de entender... Tenho andado muito inquieto nos últimos três dias. Não tenho conseguido me concentrar em assuntos acadêmicos ou de trabalho. Ao invés disso, tenho passado a maior parte do meu tempo refletindo sobre a vida, algo que há muito, mas muito tempo eu não vinha fazendo. Penso em tudo, ao som de “On my way home” da Enya, e sinto uma dor no coração. Não uma dor que premedita um infarto, mas uma dor gostosa. Uma dor divina, daquelas que vem do fundo da alma, como se houvesse tanto amor em mim que o coração não suportasse. As lágrimas, para variar, vão brotando e umedecendo meus olhos. É uma sensação divina... Toda esta situação teve início há cerca de dois ou três meses atrás, quando descobri via orkut dois primos distantes que eu nem sabia que existiam: o Dilermando e a Márcia. Coincidentemente, eles são irmãos. Nós sempre visitamos a casa dos pais deles, os adoráveis José Crotti e dona Cida, sempre que visitamos Cambira, mas eu nunca os havia visto lá. Sendo assim, o primeiro contato que tivemos foi na forma de recados deixados no orkut. Sempre bem humorado, porém sereno, o Dilermando foi inicialmente mais freqüente nos recados e nós acabamos nos encontrando quando fomos à Cambira. Tive a grata oportunidade de conhecê-lo e à sua família. Fui cordialmente recebido em sua casa e conversamos durante horas. Ao final da visita, eu estava certo de que um vínculo de amizade sincera e duradoura acabava de ser criado entre nós. O meu contato com a Márcia, sua irmão, limitou-se inicialmente a um “oi” ao telefone do Dilermando no dia em que o conheci. Infelizmente ela mora com a família em uma cidade distante de Cambira, chamada Inácio Martins. Contudo, pude sentir muita bondade em suas palavras e em sua voz. O mais interessante foi que sua voz pareceu-me familiar... De volta a São Joaquim, eu voltei a sentir as dores na coluna. Com o passar dos dias, minha guerra contra os bicos-de-papagaio foi se intensificando e minhas forças foram sendo minada rapidamente, conforme eu vinha deixando registrado aqui no blog. Para minha surpresa, a Márcia leu este blog e sensibilizou-se diante da minha situação. De uma forma que eu até então desconhecia, a Márcia e seu esposo Chamber começaram a cuidar de mim à distância, demonstrando um enorme carinho para comigo. A dedicação de ambos deixou-me tão surpreso, perplexo e grato que uma pergunta começou a ecoar aqui dentro de mim: como podem duas pessoas que eu jamais encontrei fisicamente se preocuparem tanto e terem tamanha consideração para comigo enquanto pessoas tão próximas não dão a mínima para as minhas dores? Aos olhos deles, o fato deles terem se identificado comigo se deve ao fato de termos sido muito próximos em vidas passadas. Sim, isso mesmo: em vidas passadas... Sem saber ao certo o que fazer e sem ter a Débora para desabafar (isso aconteceu durante esta semana...), eu procurei o meu amigo Serjão, o “anjo gigante” a que me referi no post “A máquina lá de cima”. O Serjão e eu passamos quase uma hora conversando. À medida que ele foi me expondo parte de seu conhecimento sobre o assunto, eu ia tentando “digerir” toda aquela informação e aplicá-la para aquele momento que eu estava vivendo. Ao final da conversa, eu e o Serjão estávamos com os olhos inundados em lágrimas. Abraçamo-nos e agradecemos um ao outro pela oportunidade. A semente em minha mente já estava germinando... Confesso que ainda estou muito confuso diante de tudo o que está acontecendo, e talvez eu nunca chegue a entender. No entanto, dois pontos estão muito claros para mim. O primeiro delas é que o período de escuridão pelo qual eu passei foi necessário para que eu enxergasse que eu preciso evoluir. Segundo o Serjão, há uma capacidade enorme adormecida em mim e que precisa ser desenvolvida. É minha obrigação desenvolvê-la! Eu associei o que ele disse à sensação que eu sempre tive de que eu tenho uma missão muito importante aqui na Terra. É uma sensação de responsabilidade, como se eu estivesse aqui para cumprir um papel que eu não estou conseguindo cumprir. Daí é que surgem as minhas dores... São dores necessárias para que eu evolua e, segundo o Serjão, elas só tentem a aumentar... Quanto maior a evolução, maior o conhecimento, maior a responsabilidade... e maior a dor. O segundo ponto, não menos importante, é que meu espírito estava doente. Segundo a Márcia, a doença começa no espírito e se reflete no físico. Suas palavras semearam dúvida em minha mente e, após um doloroso processo de aceitação, eu percebi que sou eu que estou causando o meu próprio sofrimento... O ponto mais positivo de tudo isso é saber que há pessoas verdadeiramente amigas com quem eu posso contar. Pessoas como o Serjão, que eu conheci na pós-graduação e que, como eu havia mencionado aqui, foram recolocado por Deus em meu caminho para auxiliar no meu processo de evolução, para que eu me torne uma pessoa melhor. Pessoas como a Márcia e o Chamber, que eu nunca encontrei pessoalmente, mas que têm demonstrado um cuidado, um respeito e um carinho enormes. Se para evoluir a gente precisa estar cercado de pessoas mais evoluídas do que a gente, então acho que finalmente encontrei o caminho. Começo então a analisar os fatos e me questionar: Será por acaso que Serjão e eu voltamos a conviver o mesmo ambiente após 6 anos? Por que somente agora eu fui saber da existência do Chamber e da Márcia? Por que justamente agora? Existe realmente um vínculo entre nós com relação a vidas passadas? Neste momento já são mais de 2h da madrugada. Não estou com sono, mas acho melhor eu ir deitar-me, caso contrário estas perguntas vão me enlouquecer...

sábado, 7 de outubro de 2006

Memórias de minha adolescência- 15 anos (parte 1)

1991. Tenho 15 anos. Sou um adolescente muito tímido. Uso óculos de grau por causa da miopia e não consigo encontrar um corte para o meu cabelo que me deixe satisfeito. Há mais cravos e espinhas em meu rosto do que a soma de todos os outros alunos da minha idade. Dizem que é por causa dos hormônios, os mesmos hormônios que fazem com que eu tenha uma das barbas mais espessas da escola, mesmo sendo um dos mais novos. Pelo corpo os pêlos não param de aparecer e de crescer. E eles crescem não apenas nas pernas, virilhas, axilas, peito e barriga, mas também em ombros e costas. Um dos colegas me apelidou de “Peposo”, em alusão a um ursinho de pelúcia cuja propaganda passa diariamente na televisão. Minha vida resume-se basicamente a estudar. Durante o período matutino eu curso o ensino médio regular na escola Pedro Badran. A escola fica muito longe de casa, por isso o papai comprou uma mobilete Zanella azul para eu chegar mais rápido até ela. À noite faço curso técnico em contabilidade na escola técnica São José, a que todos chamam de FEAM-COC. Lá a maioria dos alunos é mais velha do que eu. Sento-me no fundo da sala, na última carteira da fileira à esquerda do professor. Além de tímido, sou também discreto, mas sou bom aluno. Aqui nesta turma, a maioria dos alunos é mais velha do que eu. Não há, portanto, nenhuma jovem da minha idade com quem eu possa conversar de igual para igual, pois todos dizem que as mulheres amadurecem mais rapidamente que os homens. No entanto, há uma em especial que chama minha atenção. Seu nome é Lucimeire. Por ter uma estatura menor que as demais, ela me parece ter menos que os seus 18 anos. Ela não tem namorado, mas diz que tem um “paquera” que tem moto. Bem, eu não tenho namorada. Aliás, nunca tive... À medida que o tempo vai passando eu estou torno um bom amigo da Lucimeire. Ela ri das coisas que eu digo – bem, eu espero que seja do que eu falo e não de mim propriamente dito. Isso é algo novo para mim, pois ela é uma das primeiras jovens com quem eu converso de verdade. Aos poucos vou conseguindo vencer a insegurança e falar com ela sobre mim sem gaguejar ou atropelar as palavras. Nunca ninguém sorriu tanto para mim como a Lucimeire. Trata-se de uma pessoa simples, humilde e muito comportada, qualidades que, por si só., já me atraem a atenção. Todos os dias eu converso com ela para ver o seu sorriso. Minha vontade é vê-la sorrindo o tempo todo, pois ela tem dentes lindos. É bom ter a sensação de poder fazer alguém feliz. Mas a Lucimeire não tem namorado... Eu também não tenho namorada!!! Mas será que não estou confundido as coisas? Será que a atenção que a Lucimeire me dispensa é tem me machuca bastante... Certo dia eu cheguei na sala de aula e a vi conversando ao pé de ouvido com sua melhor amiga. Não gosto de ficar ouvindo conversas alheias, mas pude perceber que ela falava de do “cara” de moto. Disse que gostava dele.. Ouvir aquilo foi como cravar uma faca em meu coração... Agora somos dois disputando o coração de uma mesma jovem (embora ela não saiba que eu também estou no páreo). Para dar-lhe uma pista que eu estou “afim”, escrevi um poema e mostrei a ela. Ela se limitou a comentar que eu estava muito apaixonado Bem, eu acho que ela não leu as primeiras letras dos versos... Pelo menos agora eu sei que ela não entende nada de acrósticos...Acho que vou partir para outra.
Derrota
Luto com corpo e alma
um destino que é só meu.
Com unhas e dentes, com o coração
instante por instante, segundo por segundo.
Mas o corpo delira, a alma padece...
Eu luto por você, por seu amor.
Incessantes batalhas, seguidas derrotas,
rumo incerto, difícil vitória,
entrego-me aos poucos, derrotado...
Exército de um só homem
Um homem sem armas, indefeso.
Travo esta batalha - batalha de olhares
e tento, em vão, sair ileso.
Angustiado, perdi minha luta.
Morrendo, caído, chorando,
olhando-te em outros braços...

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Renascido

No mês passado este blog completou um ano de existência. Ainda não consigo definir a verdadeira razão dele ter nascido. A princípio, eu queria que fosse um espaço onde eu registrasse a minha maneira de pensar e a minha forma de analisar a vida. Eu queria transformá-lo em um espaço onde meus descendentes pudessem encontrar documentado o cotidiano do pai deles quando era jovem. Talvez esta minha iniciativa tenha se originado do meu grande interesse pela adolescência do papai. Eu sempre quis muito saber se ele era um adolescente tímido como eu fui e se tinha as mesmas inseguranças que eu. Hoje, no entanto, eu já não sei mais a verdadeira razão de escrever estas linhas, que geralmente me privam de um sono precioso... O fato é que escrever é algo que me dá um prazer enorme e que me faz muito bem. É como se eu tivesse a necessidade de me esvaziar ao final de cada dia, como se fosse um ritual de purificação. Ao contar pra todo mundo, ao expor a todos o que acontece comigo, eu me torno um livro aberto. É como se eu estivesse contando alguns milagres e confessando parte de meus pecados a todos aqueles que lerem estas linhas (certo, eu sei apenas os nomes de uma meia dúzia de pessoas que visitam este espaço...) As palavras têm sido uma ótima ferramenta para materializar alguns sentimentos meus, mas neste momento são simplesmente ineficazes na tarefa de exprimir o que sinto. Talvez as palavras que eu procuro não existam, ou talvez eu não seja, neste momento, capaz de encontrá-las ou mesmo usá-las adequadamente. O fato é que chorar sorrindo sempre me pareceu algo extremamente contraditório. Aos meus olhos, o júbilo de um sorriso sempre se opôs à tristeza derramada em uma lágrima. Pois bem. Ao som de “Íris”, a música que tem me perseguido há mais de um mês por algum motivo, eu digito estas palavras sorrindo, enquanto as lágrimas escorrem face abaixo e molham o teclado, tornando as teclas escorregadias. Sinto o peito doer, a garganta fechar, o fôlego falhar... até o pranto se desencadear. Aos soluços, sorrindo, eu sigo escrevendo estas linhas tentando entender as razões deste pranto, que certamente parece insano aos que tiveram paciência para correr os olhos até aqui. A coluna parece ter feito um pacto amigável com o resto do meu corpo e os bicos-de-papagaio têm dado uma trégua razoável. Há uma vontade enorme de fazer o bem, de ajudar as pessoas. O fôlego para o trabalho, aquele dos tempos áureos de pós-graduação, parece querer aflorar novamente. Penso no papai, na mamãe, no vovô, na vovó, na titia, na minha querida irmã, na divina Clarinha, na abençoada Bianca e todos os parentes e os vejo como se fossem anjos. Penso na minha querida e amada Débora e sinto vontade enorme de abraçá-la, como se fosse esgotar toda a saudade da semana em um único abraço. Em cada pessoa que eu penso eu só enxergo bondade. Há algo aqui comigo, uma vontade enorme de viver que me faz querer sair correndo pelas ruas, com os braços abertos, agradecendo a Deus por eu estar vivo. É como se eu tivesse adormecido e, após uma longa espera, acordasse para a vida. Embora esteja sozinho, sinto uma presença divina aqui neste quarto. Uma presença que eu posso apenas sentir, pois não me sinto suficientemente evoluído (ou esteja demasiadamente confuso) para visualizá-la. Talvez seja um anjo de Deus que esteja me observando enquanto eu digito estas palavras confusas. “And I don’t want the world see me cus I don’think they’d understand” (E eu não quero que o mundo me veja, pois eu sei que eles não entenderiam). Certo, eu concordo que tudo isso é insano, mas eu me sinto o homem mais feliz do mundo neste momento!!! Obrigado, meu Deus!!!

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Fragmentos de minha adolescência - parte 1

1986. Tenho 10 anos. Sou um menino muito tímido. Não consigo entender porque eu sou tão tímido assim. Na escola, eu tiro notas muito boas, mas eu percebo que as meninas da minha idade não conversam comigo. Elas preferem conversar com os meus colegas, que são muito mais falantes que eu mas que não tiram notas tão boas quanto as minhas. Na verdade, eu falo muito pouco. A mamãe e o papai disseram que na escola é lugar para estudar, então eu vou lá apenas para estudar. No final do bimestre, eu tenho que mostrar o meu boletim com as notas para o papai. Antes de mostrar para o papai, eu mostro pra mamãe. A mamãe é mais boazinha, o papai é mais bravo. Ele não quer que eu tire notas baixas na escola. Ele quer muito que eu seja alguém na vida. Quer que eu estude, que faça faculdade. Ele diz que quer que eu seja o que ele não foi, mas eu não consigo entender bem o que isso quer dizer com isso. Na turma em que estudo há uma menina muito bonita. Eu sento longe dela e nunca conversei com ela. Eu tenho vergonha... Quando chego perto dela, meu coração dispara. Por isso, eu fico só de longe, admirando como ela é bonita. O nome dela é Andréia. Todos os meus colegas acham que ela é muito bonita, mas eu não contei pra ninguém que eu gosto dela. Eu tenho medo que eles espalhem e toda a escola fique sabendo do que eu sinto por ela. Mas eu sei que a Andréia não gosta de mim. Ela gosta do Anderson, um colega loirinho que apelidamos de “Branco”. Quando fiquei sabendo que ela gostava dele, senti um aperto no coração. Naquele dia, quando cheguei em casa, passei chorando a tarde inteira. À noite, eu sonhei com ela. Ela parecia estar sem roupa. Achei muito estranho e fui perguntar pra mamãe se era pecado. Ela ficou com uma expressão de assustada e desconversou, dizendo que eu ainda estava na casca do ovo. No dia seguinte eu comecei a notar que havia outras meninas bonitas além da Andréia, mas que nenhuma delas dava bola para mim. Mas eu não conseguia entender por quê, já que a maioria dos meus colegas passava os recreios conversando com meninas de outras classes. E eu... Bem, eu passo a maior parte dos recreios sozinho, sem ter com quem conversar. É, ninguém quer conversar comigo. Às vezes eu me sinto muito sozinho... Será que meus colegas me acham esquisito? Hoje o papai está em casa. Ele é motorista de caminhão e passa a maior parte do tempo viajando. Como eu tenho vergonha de perguntar para os meus colegas por que as meninas não olham pra mim, eu decidi perguntar pra o papai. Pelo menos eu sei que ele não vai contar pra ninguém... Vou esperar ele sair do banho e perguntar. Quando eu ouço a porta se abrir, eu vejo o papai se enxugando como pode e chamando pela mamãe, para que ela enxugue suas costas. Enquanto ele a aguarda no corredor, eu pergunto: “Papai, lá na escola todos os meus colegas estão com namorada. Por que eu não consigo uma namorada bonita?”. Enquanto ele passa a toalha pelo rosto, ensaia um sorriso de canto de boca e diz: “Uai, meu filho, você não namora menina bonita porque você é feio...” Agora tudo faz sentido. Estou triste, porque agora vejo que realmente sou feio. Era o que eu pensava... É, não vai ser fácil encontrar uma menina que queira ser minha namorada... Será que algum vou ter coragem de conversar com alguma menina? E será que algum dia eu vou ter uma namorada, mesmo sendo feio?

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

É preciso olhar para trás

Faz quase dois anos que defendi o doutorado em Química. Após quase seis anos morando na casa de estudantes de pós-graduação, em Ribeirão Preto, voltei para a minha querida São Joaquim da Barra, cidade onde moro desde os 6 anos de idade. Naquela época eu levava uma vida um pouco difícil. Andava para cima e para baixo com uma mala enorme, repleta de roupas, comida e, às vezes, livros. Almoçava e jantava no refeitório estudantil, por nós apelidado de “bandejão”. A comida lá não era das melhores, mas com o orçamento apertado, eu não podia me dar ao luxo de comer em outros lugares do campus, onde se pagava por quilo. Quando a noite ia se caindo, eu sentia muito frio. Não raramente, minhas vias respiratórias ficavam congestionadas e eu começava a espirrar, como se estivesse resfriado. Eu ficava até tarde no laboratório, escrevendo e fazendo a parte experimental do projeto. Eu só voltava para casa de madrugada, geralmente depois da 1h. Vivia só para estudar. Mergulhado naquela vida repetitiva e convivendo em um ambiente altamente competitivo, onde os meus colegas me viam como um potencial concorrente às poucas vagas oferecidas nas universidades, eu não via a hora de defender e sair daquele meio de “cobras comendo cobras”. Eu gostava muito dali e sabia que ia sentir saudades, mas mesmo assim queria defender o mais rápido possível. O que eu mais queria naquela época era ser professor universitário e fazer pesquisa. Estas lembranças sempre estiveram aqui, guardadas comigo o tempo todo. Aliás, eu espero que elas jamais saiam daqui, pois são elas que me ajudam a valorizar minhas conquistas pessoais e profissionais. No entanto, eu sinto que elas às vezes permanecem adormecidas... Pois bem. Hoje, enquanto estava tentando preencher os diários da universidade, ouvi um barulho vindo aqui do computador. Era uma amiga de pós-graduação, que havia descoberto meu MSN por acaso. Aquela amiga vivenciou o primeiro semestre de mestrado e o primeiro semestre de doutorado e, portanto, sabe do quanto foi difícil para mim enfrentar disciplinas que exigiam uma carga teórica básica que eu não tinha. Afinal, ela presenciou a reação espantada dos professores diante de minhas perguntas “ridículas”, de quem não sabia nem o que estava perguntando... Após conversar alguns minutos com aquela colega e recordar tudo o que passei na pós-graduação, eu percebi que posso considerar-me um vencedor. Hoje sou o que eu queria ser desde aquela época, mas ao invés de agradecer a Deus por tudo, prefiro ficar lamentando que estou trabalhando muito, que estou cansado, que viajo muito etc. Parei um pouco e refleti sobre o assunto. Aproveitei e dormi tanto à tarde que acabei me esquecendo de ir à hidroginástica... O resultado... Bom, foi esplêndido!!! Para minha surpresa, minha coluna experimentou uma sensível melhora. Até as aulas da faculdade foram um pouco melhores. Estou começando a achar que meu problema é psicológico, e não físico...Quando o caminho à sua frente parece longo demais, pare e olhe o quanto você já caminhou. Talvez você não tenha forças para seguir adiante, mas pelo menos sentir-se-á feliz por ter conseguido caminhar até ali. A felicidade está no meio do caminho, e não no final dele.

domingo, 1 de outubro de 2006

Eleições - par ou ímpar?

Hoje a luz do sol não conseguiu vencer as nuvens escuras que cobriram o céu praticamente o dia todo. Foi um dia bom... para dormir. E dormi. Aliás, dormir foi praticamente a única coisa que fiz à tarde. Os meus cochilos se deveram basicamente a dois fatores. O primeiro deles foi o cansaço, que desabou sobre mim após uma semana marcada por várias viagens à Franca. Além de viajar de ônibus à noite, para dar aulas de segunda até quarta-feira, tive também que viajar na quarta, na quinta, na sexta-feira e no sábado... Na sexta-feira, fiquei incumbido de recepcionar um professor da Unesp que eu havia convidado para visitar a universidade, para dar uma palestra e conhecer o trabalho que estamos desenvolvendo. No sábado, tive que viajar para assisitir a uma outra palestra... O segundo fator foi o fato de ter passado praticamente a tarde inteira longe da Débora, que foi “escalada” para as eleições. Ah, as eleições... Eu quase estava me esquecendo... Hoje o país escolheu “os caras” que vão dirigir nosso país nos próximos quatro anos. A presidência está sendo disputada acirradamente por dois candidatos principais: Geraldo Alckmin e Lula, este último candidato à reeleição. Pois bem: não votei em nenhum dos dois. O primeiro praticamente destruiu a educação do Estado de São Paulo, onde ele foi governador. Instituiu a tal de “progressão continuada”, que basicamente se resume na “aprovação automática”. Em outras palavras: ninguém mais reprova... Como eu também leciono na universidade, eu sinto na pele os efeitos desastrosos desta medida. Um cara que toma uma atitude dessas não pode ser presidente. Da mesma forma, um cara como o Lula, que passa a maior parte do tempo viajando e deixando o país na mão dos corruptos – quem disse que ele também não é? – não merece ser reeleito. E pensar que eu praticamente pulei de alegria quando ele foi eleito em 2002... Certo, talvez eu tenha errado uma vez, mas não caio na mesma história de que “sou um homem que veio do povo e não tenho estudo, companheiro.” Um homem que diz que “livros são coisas chatas” também não merece ser presidente de um país tão grandioso como o nosso. O engraçado é que eu não tinha essa visão alguns anos atrás. Talvez eu esteja um pouco decepcionado com o que tem sido feito com a educação deste país em todos os níveis. Talvez o meu voto não faça a diferente, mas pelo menos eu tenho consciência de que tentei fazer a minha parte. Agora é só torcer para que outros 180 milhões de brasileiros também tenham pensado como eu – se bem que, a julgar pelos resultados parciais, algum brasileiro desinformado e ignorante, provavelmente fruto desta “progressão continuada” e que não vive em ambientes de salas de aula, irá dizer: “Você jogou seu voto fora porque seu candidato não ganhou”.... Até parece que eleições são jogos de "par-ou-ímpar. " Que Deus nos ajude...