terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Fragmentos de minha infância - parte 2


Brrrrrrrrmmmmmmmmm!!!! Este som é o meu despertador de todos os dias. Quando ouço a partida do trator, sei que o papai está se preparando para ir buscar o leite no sítio. Ele sabe que eu quero ir com ele, mas prefere não me acordar. Ele quer que eu acorde por vontade própria, para ter certeza que eu quero ir. Como sempre, jogo a chupeta para o lado e pulo da cama, gritando pela mamãe e pedindo-lhe a roupa e a mamadeira. “Mamãe, fala pro papai me esperar...”, digo, com voz de manhoso. Nem passa pela minha cabeça ficar para trás. Acho que posso dizer o mesmo do papai. Não levo nem cinco minutos para aprontar-me. O papai já está em cima do trator, me esperando. Lá está ele, com os botões da camisa desabotoados a maior parte do tempo, por causa do calor, deixando à mostra o peito forte e peludo. Ele diz que os pêlos são sinal de força. E o papai é mesmo muito forte! Pra dizer a verdade, é o homem mais forte que conheço. Quando crescer, espero tornar-me forte como ele. Embora eu admire muito o papai, eu não me visto como ele. Ele usa boné, eu uso chapéu. Acho que o chapéu dá um ar de responsabilidade, e eu já me considero bastante responsável para os meus quatro anos de idade. Ao contrário das camisas do papai, as minhas não tem botões. Talvez quando eu tiver o peito peludo eu tenha coragem de usá-las. Sim, o meu estilo e o do papai são bastante diferentes, mas ainda assim eu o vejo como meu herói e meu melhor amigo. Ao lado dele eu me sinto seguro até mesmo para andar de trator a uma altura de mais de um metro do chão. Estamos saindo de casa. À esquerda, a alguns metros da porteira, está um coqueiro enorme, cujos coquinhos amarelos a mamãe adora. Chegamos na porteira. Eu desço e a abro para o papai passar com o trator, fechando-a logo em seguida. O papai me pega pelas axilas e me coloca de novo sobre a sua perna. A viagem vai começar. Já estamos na estrada de terra batida, cheia de costelas de vaca, que fazem o trator trepidar. E como trepida! Espero que esta estrada possa ser asfaltada algum dia. À esquerda, avisto a casa do seu Januário e da dona Sebastiana. O seu Januário trabalha para o papai na roça de milho. O papai gosta muito dele; eu também. Quando estamos juntos na roça, ele passa a maior parte do tempo ao meu lado, a pedido do papai. Acho que o papai se preocupa à toa, pois eu já sei me virar bem sozinho. A dona Sebastiana, esposa do seu Januário, é benzedeira. Outro dia ela me benzeu de “espinhela caída”. Ao fundo, bem longe, vejo um pé de serra, “cachimbando”. O papai disse que aquela fumacinha em cima da serra é sinal de chuva. À direita, avisto a grande mangueira debaixo da qual o papai guarda a plantadeira, a grade e o arado. Mais à frente, entre coqueiros e enormes mangueiras, está a casa do seu Dudu e da dona Deolinda. O seu Dudu fuma muito e eu coleciono os maços de cigarros que ele me dá. A dona Deolinda me adora. Ela usa um óculos enorme! Sim, eu sou muito querido por todos. Afinal, acho que sou a única criança aqui do pedaço. Estamos nos aproximando da ponte. Quase ao lado dela, vejo a casa da Maria do Dito. A mamãe me disse que ela é muito "porca", que ela não toma banho nem dá banho nos seus filhos, e que a casa dela é uma bagunça. Após a ponte, à esquerda, está a casa da dona Nicolata. Mais à frente está a venda do seu João Grande, marido da dona Dora. Todo mundo fala que ela é uma fofoqueira de primeira! Praticamente ao lado da venda mora o seu Antônio Baiano e a dona Belinha. O seu Antônio tem um bigodinho fino e um sotaque nordestino que eu acho muito bonito. A dona Belinha, sua esposa, é crente. Ela e suas filhas vestem roupas longas e lenços na cabeça o tempo todo. A mamãe disse que uma delas, a mais nova, tem um cheiro de sovaco horrível porque tomou leite de cabra. Às vezes brinco com o Missim, seu irmão, mas a mamãe não gosta. Ela me disse que ele é muito bobagento, além de ser também muito mais velho que eu. Um pouco à frente, após um enorme pé de bambu, está uma escola. Eu acho aquela escola bonita, mas o papai e a mamãe dizem que eu não vou estudar aqui. Disseram que quando eu estiver na idade de ir para a escola, deixaremos Quirinópolis e nos mudaremos para São Joaquim da Barra, cidade onde moram os meus avós e meus tios. Será que eu vou ter mesmo que sair da roça algum dia? Gosto tanto daqui... À direita, logo depois da ponte, está a fazenda do tio Antônio Marcon. É a maior fazenda aqui por perto. O pasto está cheio de vacas. É dele também a casa onde nós moramos. Ele nos emprestou por alguns anos, já que é padrinho de batismo do papai. Mais ou menos uns quatrocentos metros à frente está outra ponte. Esta, porém, é bem maior, pois o rio Preto é bem largo. À esquerda, às margens do rio, mora o seu Zé Pequeno, a dona Segunda e seus 10 ou 12 filhos (é tanto filho que eu quase perco a conta...). Mais à frente, também à esquerda, vejo a venda do Tibúrcio. Por causa da sua altura, dizem que ele é parecido com um tal de Sérgio Reis, que é cantor de música sertaneja. Aos domingos, o Tibúrcio chama o time da cidade para amistosos contra o seu time de futebol. Acho que isso é para mais para aumentar as vendas de cerveja que pelo futebol propriamente dito... A Maria Do Carmo, esposa do tibúrcio, foi namorada do papai antes de conhecer a mamãe. Ela até que é bonitona... Andamos mais uns quatrocentos metros e, enfim, chegamos no sítio. Desço novamente para abrir a estronca. Eu prefiro as porteiras, pois as estroncas são feitas de arame farpado e, não raramente, acabo cortando a mão... Enfim chegamos ao curral! Adoro aquele cheiro de estrume de vaca! Sim, se comparado ao meu, o cocô de vaca é praticamente um perfume! Logo que entro no curral, procuro pelas minhas vacas. O papai disse que eu tenho várias vacas, mas a minha preferida é a Dadinha. O apelido dela foi inspirado no meu, pois todos me chamam de “Dadinho”. Peço para o papai colocar-me sobre o lombo da Dadinha enquanto o seu “Fi Vieira”, a dona Dica e o Adão, filho deles, enchem diretamente da “teta’ da vaca, uma caneca de leite para eu tomar. A mamãe mandou uma rosca de coco deliciosa pra eu comer. Acho que existem coisas na vida, como aquela combinação entre a espuma do leite no bigode e a rosca de coco, que realmente não tem preço... Ah, tudo bem. Se tivesse preço, eu não teria mesmo dinheiro para comprar...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

Fragmentos de minha infância - parte 1


Seis horas da tarde. O piso da casa, lavado há pouco, expele um cheiro agradável de limpeza. A mamãe ouve o jornal das 18h no rádio de pilha enquanto prepara o jantar para o papai. Aqui, o rádio é o único meio de sabermos o que acontece no Brasil e no mundo. Temos uma pequena televisão mas o papai e a mamãe não conseguem sintonizá-la em nenhuma estação, pois estamos muito longe da cidade. Ela funciona à bateria, já que não há energia elétrica aqui em casa. A mamãe já deu banho em mim, pois ainda não tenho idade para tomar banho sozinho. Mesmo que tivesse, ainda não saberia fazê-lo. Afinal, não conheço ninguém que tenha quatro anos e que saiba esquentar a água no fogão nem tampouco que tenha forças para despejar a água quente na bacia onde eu tomo banho. O papai gosta de encontrar-me limpo quando chega da roça. Ele é agricultor. As terras que ele planta não são nossas; são arrendadas e metade da renda vai para o dono das terras. Estou sentado no degrau da cozinha. A botina está preparada para ser vestida, basta apenas um sinal: o som do trator do papai. Espere! Estou ouvindo um barulho. É, é o papai! Ele está chegando! Mais que depressa, visto a botina e corro para abrir a porteira para o papai, como sempre faço. Abro a porteira e o papai passa, de trator, sorrindo. Ele está todo sujo, parecendo um tatu. Deve ter trabalhado duro o dia todo... Mas ele parece muito feliz por me ver ali, recebendo-o. Eu aceno, ele sorri e acena de volta. Meu herói chegou... Fecho a porteira e corro para dar-lhe um abraço. Ele me puxa para o seu colo e me dá um beijo estalado no rosto. “Vamos dar uma volta de trator?”, ele convida, já sabendo a resposta. Em frente de casa, a mamãe espera por nós dois, de avental. Somos uma família pequena, porém muito feliz. Pelo que ouvi a mamãe dizer ontem no jantar, acho que a família vai aumentar. Disse que em poucos meses eu vou ganhar uma irmãzinha, que vai sair da barriga dela. Espero que ela seja legal e que a mamãe a deixe brincar comigo. Às vezes, enquanto a mamãe lava roupas no tanque ou retira água pela cisterna, e não tenho a atenção dela, eu me sinto tão sozinho... Queria muito alguém para brincar...

O dia em que o Eudes visitou este blog

A viagem de volta de Cosmópolis foi cansativa. A mamãe ficou com minha irmã, para cuidar da Clara durante a atribuição de aulas. Agora aqui em casa estamos apenas eu e o papai. A casa parece vazia. Meu pai não parece o mesmo. Parece mais atencioso, preocupado comigo. Lembra-me muito aquele papai amigão dos meus primeiros anos de vida. Tenho a impressão de que esses próximos dias vão nos tornar mais próximos.
Já é 1h. Cansado, fecho a porta do quarto para dormir. A chuva continua. A escuridão do céu é quebrada apenas pelos eventuais relâmpagos. Mas os relâmpagos não me intimidam e eu decido ligar o computador e visitar este blog. "Alguém tem que visitar este blog", penso. Para minha surpresa, haviam dois comentários, postados na quinta-feira. Na ocasião, havia postado uma mensagem manifestando a "crise existencial" com relação aos blogs, inclusive este.
Uma das mensagens era do amigo Eduardo. Ao que parece, ele tem acessado esta página com freqüência e parece gostar das coisas que tenho escrito. Pelo que pude perceber em suas palavras, ele sempre aguarda pelas atualizações, ansioso para ver o que irei escrever. Deixou, também, uma mensagem de incentivo à iniciativa de escrever minhas narrativas. Eduardo, muito obrigado pelo seu apoio!
A segunda mensagem foi postada pelo Eudes, o autor do excelente "Rapadura Açucarada", que acredito ser um dos blogs mais visitados da internet. Na mensagem, ele dizia para não desanimar e para olhar no lado direito do seu blog. Quando li a mensagem, achei que fosse para olhar no canto esquerdo, onde há os dizeres "sites de mulé pelada". "Esse Eudes é mesmo um brincalhão", pensei, já em gargalhadas. No entanto, ao reler a mensagem, reparei que ele se referia ao canto DIREITO, onde estão inseridos os blogs que ele visita. Para minha surpresa, lá estava: "Narrativas do meu cotidiano". E eu que havia me perguntado dias atrás se ele realmente havia acessado este blog... Valeu, Eudes, muito obrigado pelo incentivo!
Com dois amigos gabaritados como esses dando apoio para eu continuar escrevendo as narrativas do meu cotidiano, como é que eu posso parar? Como diz o Capitão América aos Vingadores, "Avante!"
À noite tem mais narrativa...

domingo, 29 de janeiro de 2006

A primeira viagem à Cosmópolis

“Acorda, filho. Tá na hora de irmos”. A frase de minha mãe fez com que eu saísse procurando o celular para verificar a hora, inconformado. Meu Deus, são 3h30min da manhã! Meio embriagado de sono, impulsiono meu corpo e consigo ficar sentado na cama. Após alguns minutos, com as idéias no lugar, lembro-me porque estamos acordando tão cedo. Iremos, meus pais e meus avós, visitar minha irmã e minha afilhada em Cosmópolis. Dou, então, uma espreguiçada na cama. Ah, que sensação aconchegante! Cinco minutos depois, é meu pai quem bate na porta. “Acorda, moleque!”Acabei cochilando... Estamos em seis no carro. Na frente, o papai (o motorista) e o vovô Mila, que com dores no joelho, precisa ficar com as pernas esticadas. No banco de trás, da esquerda pra direita, a mamãe, eu, a titia Ângela e a vovó Maria. O desconforto é grande, a distância que temos que percorrer também. São 270 km entre São Joaquim e Cosmópolis. Chove. Vejo e ouço os pingos se chocarem com o vidro do carro. A pista está molhada e os pneus do carro já estão bem rodados. No bagageiro, garrafões d’água e comida que somam, mais ou menos, uns duzentos quilos. A parte traseira do carro está muito pesada, a dianteira está leve. Estamos nos aproximando de um posto da polícia rodoviária. Cones estão dispostos na pista de modo a torná-la mais estreita. Meu pai segue o trajeto normal da pista, parecendo ignorar a presença dos cones. O carro vai se aproximando dos cones. “Meu pai está brincando”, penso. Mas o carro segue em linha reta, em direção aos cones. “Papai, o senhor está vendo os cones?” Ele ri e desvia. “Ah, filho, eu queria atropelar só um...”, diz ele, brincando. Fico tenso. Não sei se ele está realmente brincando. Vou tentar esquecer e dormir um pouco. Posiciono o travesseiro sobre a tampa traseira e me estico, colocando uma bolsa para apoiar a coluna. É uma posição extremamente desconfortável, mas o sono ainda me incomoda mais do que a dor que esta posição deixa no pescoço. Enfim, sono! De repente, uma freada brusca. “Meu Deus!”, acordo gritando. Todos estão acordados, tensos. Foi apenas uma poça d’água na pista, daquelas que causam aquaplanagem. Uma das rodas perdeu o contato com o asfalto, mas meu pai conseguiu evitar que o carro rodasse e saísse da pista. Meu coração está acelerado. Mas a viagem prossegue, perigosa. E a chuva não pára... Após três horas e meia de viagem, chegamos ao nosso destino. Minha irmã vem abrir o portão. A Clarinha, minha afilhada, vem logo atrás dela, com seu guarda-chuva vermelho. Enfim, o abraço! Foram mais de três semanas sem vê-la. Que saudade... A aventura valeu a pena!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Fim das férias, começo das aulas

Após quase um mês distante, cá estou de volta à escola. As férias, enfim, terminaram. Estaria mentindo se dissesse que não senti saudades de todos. São como se fosse minha família. Findadas as poucas semanas de férias, as professoras aparecem, em sua maioria, bronzeadas e mostram, orgulhosas, o contraste entre a pele "tostada" e a parte que se salvou das queimaduras de terceiro grau. Os sorrisos em seus rostos dão indícios de que o stress e a depressão que tanto incomodavam no final do ano passado foram embora. Suas baterias, enfim, parecem ter sido recarregadas. É hora de trabalhar. Não, as aulas não começam hoje. Na verdade, fomos convocados apenas para a pré-atribuição de aulas. Em outras palavras, hoje é o dia em que cada professor efetivo (ou seja, que foi aprovado em concurso) escolhe as turmas para as quais darão aulas durante o ano letivo. A ordem de escolha obedece a uma classificação, baseada, principalmente, no tempo em que o professor é efetivo na escola. No meu caso, tudo é muito simples, pois sou o único professor efetivo de Química da escola: todas as aulas são minhas! No entanto, a situação é um pouco mais complicada para professores de História, Matemática e, principalmente, Português. Muitas vezes as aulas disponíveis na escola são insuficientes para que o professor complete sua jornada (inicial: 20 h; básica: 25 h), fazendo com que o mesmo seja obrigado a escolher também aulas em outra escola. Em dias de atribuição, uma das situações que mais gera tensão é o atrito com professores que pedem afastamento, seja por motivos de saúde, seja em função do acúmulo de cargos públicos. Não raramente, alguns destes professores são os primeiros a escolher. No ato da escolha das aulas, esses professores escolhem criteriosamente suas turmas, escolhendo inclusive as salas mais disciplinadas e manipulando o horário a seu favor. Além de utilizar boa parte da massa cinzenta dos diretores para a montagem do horário (ah, sim, muitos professores sempre ficam insatisfeitos com a distribuição do horário...), estes professores acabam pedindo afastamento por motivos diversos e deixam os demais professores, que ficaram com o "resto" das turmas, insatisfeitos durante todo o ano. Para mim, que dou aulas há apenas um ano, a situação causa-me surpresa. Afinal, sempre achei que um professor deve procurar não apenas o conteúdo da disciplina, mas também ética e respeito pelo semelhante. Neste ponto, tais professores deixam a desejar, mostrando um individualismo extremo e uma grande falta de respeito para com seu scolegas.
No ano passado, que foi o meu primeiro ano como professor da rede estadual, eu assumi apenas 20 aulas. Poderia ter assumido mais umas 13 aulas, já que eu era o primeiro na classificação, mas preferi não fazê-lo. Preferi dedicar a maior parte do tempo às atividades acadêmicas lá na faculdade. Além disso, existem professores que precisavam daquelas aulas que eu deixei de assumir para sobreviver. São professores não-efetivos, muitos dos quais sustentam a família com o dinheiro dessas aulas.
Eis que uma uma professora, que se encaixa no quadro daquelas que "ferram todo mundo pedem o afastamento", acabou assumindo as aulas e se afastando das aulas para assumir um cargo na diretoria de ensino, deixando colegas que não são efetivos sem aula e em dificuldades financeiras. Não consigo enxergar o que uma professora dessas pode ensinar a seus alunos além do conteúdo...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

As estrelas também envelhecem

Quero que você, que agora lê estas palavras, reflita sobre algo tão óbvio quanto importante: você está vivo! Mais que isso, você é uma pessoa privilegiada por poder enxergar estas letras e poder lê-las. Provavelmente é também privilegiado por ter boas mãos, que manipulam o mouse para ler as linhas que ainda irei escrever a seguir. Não importa se você está em uma lan house ou em sua própria casa, você é um privilegiado por ter acesso a computadores e à internet. Se estiver em uma lan house, parabéns! Considere-se abençoado por ter tido condições de caminhar até aí. Abra os olhos e analise o mundo ao seu redor. Esqueça o dinheiro, que é escasso para todos nós. Olhe-se no espelho.
Guarde esta imagem com muito carinho. Se possível, revele uma foto. Daqui há 20 ou 30 anos, olhe-a novamente. Talvez, então, poderá entender ao que estou me referindo neste momento.
Mas por que estou escrevendo isso? Será por falta de assunto? Explico.
Como sabem, desde que adquiri internet banda larga, tenho ocupado boa parte do tempo de computador baixando músicas, fotos, vídeos e episódios de séries de TV (isso, obviamente, não atrapalha os trabalhos que tenho que fazer). Tenho baixado, por exemplo, a discografia completa do ABBA, um conjunto que fez muito sucesso nos anos 70. Mais do que isso, baixei a maioria dos clips também. Não satisfeito, procurei saber um pouco da história do conjunto. Descobri, por exemplo, que as letras que constituem o nome do grupo são as iniciais dos nomes de seus integrantes: Anni-Frida, Benny, Byorn e Agnetha. Os dois primeiros e os dois últimos foram casados durante quase todo o período em que o conjunto fez sucesso. A minha integrante favorita é a Anni-Frida, a morena (a Agnetha é loira).
Nos vídeos, ela sempre se mostrava mais alegre e vibrante, cheia de vida. Por curiosidade, fui pesquisar algumas fotos dela e as postei para que vocês entendam o que eu quero dizer.
O tempo não pára. Muito pelo contrário! Os minutos, os dias, as horas, os anos vão minando nossa jovialidade, a força e a saúde de nossos corpos. Pode ser que daqui a alguns anos você não tenha tantos motivos para sorrir como tem agora ou, por outro lado, pode ter se esquecido daqueles que agora te fazem chorar. A única certeza é que, se vivos estivermos, estaremos mais velhos e com os corpos debilitados, cheios de dores, reumatismos e outros problemas desaúde. Aproveite a beleza de sua juventude! Não importa quantos anos você tem, você é agora mais jovem do que será daqui a um ou dois. Olhe-se no espelho e sorria! Não deixe a sua juventude escorrer entre os seus dedos. A vida não lhe dará outra oportunidade...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Aventuras no congresso Br-Mass - parte 3

Quando a porta se abriu, deparei-me com um quarto digno de um hotel cinco estrelas. Naquele momento pude entender porque a diária daquele hotel era tão cara.
A decoração parecia ter sido cautelosamente planejada, desde o carpete do chão até os quadros na parede.

O banheiro, então... Ah, o banheiro era um caso à parte. Havia até um secador, disposto cuidadosamente ao lado do espelho. Em um estojo, disposto sobre a pia, estava repleto de creme e xampus. Nestes, porém, eu nem coloquei as mãos. Afinal, todo o luxo tem um preço. No frigobar, por exemplo, havia água, refrigerante, sucos e tudo o que um ser humano possa querer beber em um quarto de hotel. O preço, no entanto, era pouco animador. Um refrigerante em lata, por exemplo, saía por nada mais nada menos que R$4,00...

O Gobbo e eu acomodamos nossas malas sobre as camas e, após espalhar pelo quarto as coisas mais necessárias, decidimos que era preciso conseguir comida e bebida fora do hotel, a um preço mais acessível. Afinal, nenhum de nós dispunha de dinheiro para esbanjar. Ligamos então para o quarto dos nossos dois outros amigos aventureiros, o Michel e o Neri, e combinamos de sair do hotel. No saguão, ainda impressionados, os dois nos aguardavam. Antes de sair, resolvemos retirar o material do congresso, que normalmente inclui uma bolsa onde poderíamos colocar o que fosse comprado. Retirado o material, dirigimo-nos à frente do hotel, onde o motorista parou minutos depois com o carro. Não foi preciso ir muito longe para encontrarmos uma loja de conveniência em um posto ali bem próximo ao hotel. Lá comprei duas garrafas de água, um pacote de salgadinho da Elma Chips, um amendoim e um pacote de bolachas, que foram acomodados na bolsa que havia sido fornecida pelo comitê organizador do congresso. Retornamos, então, ao hotel. O relógio já acusava 18h30min. A cerimônia de abertura estava marcada para as 19h. Retornamos ao hotel, para tomarmos banho e trocarmos de roupa. Combinei com o Gobbo de tomar banho primeiro. Embora ele tenha um cabelo enorme, o que certamente exigiria um certo tempo para ser lavado, pedi-lhe para que eu pudesse ir primeiro. A roupa já estava escolhida por antecedência pela minha consultora de moda, a Débora. Eu trajaria uma camisete (que merda de nome é esse?) e uma calça social esporte preta. Quando olhei no espelho, meu Deus! Eu estava parecendo um pagodeiro com aquela camisa! Assim que o Gobbo terminou seu banho e trocou-se, dirigimo-nos até o local onde as empresas haviam montado seus estandes. Lá encontramos o Betão e a Taís, sua namorada, e o “Betinho” (ele odeia que o chamem por este apelido...), um professor muito gente fina que foi membro da minha banca de defesa de doutorado. Após algumas risadas das abobrinhas de sempre, entramos no salão para assistir à cerimônia de abertura. O presidente do congresso anunciou o que ele chamou de “time” de palestrantes internacionais. Um deles, o professor John Fenn, era nada mais nada menos do que o ganhador do Prêmio Nobel Química de 2002. Todos eles foram agraciados com uma camisa da seleção brasileira. Um dos palestrantes, o Dr. Graham Cooks, um dos maiores ícones da espectrometria de massas da atualidade, levantou-se e colocou a camisa da seleção por cima do terno. Como era de se esperar, todos aplaudiram a simpática iniciativa daquele professor. Eis que o momento tão esperado havia chegado. Ali estava, finalmente, o que todos queriam ver: a palestra do Dr. John Fenn, o “homem do Nobel”. Já bem velhinho, o professor Fenn mostrou-se muito alegre e descontraído durante sua apresentação, a mesma que ele proferiu quando foi agraciado com o Prêmio Nobel. A sua grande contribuição foi o desenvolvimento da ionização por electrospray, que permite a análise de substâncias “pesadas”, ou seja, de alto peso molecular. Ao final da palestra, para ilustrar os desafios encontrados durante o seu trabalho, ele colocou um vídeo com o elefante Dumbo, personagem da Disney. Neste vídeo, nninguém acredita que Dumbo vai voar. E ele acaba voando... Foi um momento muito mágico e ímpar na minha vida profissional, registrado nas fotos deste post. Após a apresentação, houve um jantar de abertura. Esta foi uma ótima oportunidade para ter uma foto daquele professor bem de perto...

(to be continued...)

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Um novo recomeço para minha irmã

Agora não tem mais volta. O dia da mudança tão temida, enfim, chegou. Acordamos às 4h e partimos às 5h rumo a Cosmópolis, que fica a 256km aqui de São Joaquim. No caminhão foram o papai e a mamãe. No carro fomos eu, o Gustavo, a Fia, a Clara e a titia Ângela. Eu e a Fia nos revezamos ao volante. A Clara também revezou-se entre o caminhão e o carro durante toda a viagem. Chegando na cidade, fomos à imobiliária buscar a chave. Enquanto esperava a Fia, aproveitei para brincar com a Clara. Pude notar, enquanto brincava, que se trata de uma cidade muito pacata. Ao contrário do que estou acostumado aqui em São Joaquim, lá as casas têm muros baixos e frentes com portões abertos, de telas ou barras. A casa em que minha irmã vai morar encontra-se no fundo de um terreno onde estão duas outras casas, também alugadas. As informações que pude coletar durante o dia foram que em uma das casas mora uma mulher e suas duas filhas adolescentes, enquanto que na outra mora uma jovem de 18 anos com sua filhinha de 2 anos e o marido. Quem mais gostou foi a Clara, que já de início pôde contar com uma amiguinha para brincar. Saímos de lá às 20h40min e chegamos aqui em São Joaquim às 1h20min. O carro, obviamente, ficou por lá. Viemos de caminhão, sendo que eu e o Gustavo viemos dormindo no assoalho da carroceria. Quando entrei em casa, pude perceber que minha mãe estava chorando, e assim permaneceu até desmaiar devido ao cansaço. Fiquei muito feliz ao ver minha irmã montando sua própria casa. Sei que ela também está feliz por estar fazendo o que gosta, mas todos sabemos que a distância irá nos machucar bastante. Temo pela saúde do vovô Mila e da vovó Maria, avós maternos, que tanto se apegaram à Clara. O importante é que ela está bem. Vejam, na primeira foto, a Clarinha aqui em casa, instantes antes da viagem. Na segunda foto, ela já está na "tazinha nova" (como ela gosta de dizer...) Amanhã será um dia de difícil adaptação. Que Deus ajude a nós todos...

domingo, 1 de janeiro de 2006

O primeiro dia de um ano promissor

Começamos muito bem este ano. Reunimos as famílias do papai e da mamãe e fizemos um baita churrasco aqui em casa. Todo mundo comeu e bebeu até sair pelo ladrão... Meu Deus, como esse povo gosta de carne! A mamãe havia dito, logo que acordei, que não apreciava muito este tipo de programa, pois todo mundo vai embora e deixa a bagunça para ela limpar. Diante deste puxão de orelha, ajudei o papai a organizar as coisas. Ontem eu já havia feito uma faxina no quintal. No final, fui eu quem decidi limpar a sujeira que restou. Quando a mamãe apareceu, disposta a limpar tudo, já estava tudo limpo! Como dizem em inglês, "If you want, do it yourself". A seguir eu coloquei algumas fotos para registrar este momento tão feliz em minha vida. Iniciar mais um ano com a família reunida é, no mínimo, uma grande bênção. Foto 1: O dono da arte. Esse aí é o papai, em pleno campo de batalha. É o maior fã de churrasco que eu conheço. Não apenas aprecia como também sabe fazer. Aliás, desconheço alguém que faça um churrasco melhor que o dele. Quem discordar, é só chamar para comprovar que eu vou...

Foto 2: O pessoal "desossando". Neste momento, todo mundo estava de boca cheia. Mas não pensem que há silêncio enquanto a gente come. A gente conversa de boca cheia mesmo... Que chique, né?

Foto 3: Mamãe, titia Ângela, vovô Miller, vovó Maria e eu. Exceto eu, ninguém queria sair nesta foto, pois se consideram pouco fotogênicos. Como vêem, eles não têm nenhum motivo para isso.

Foto 4: A família Crotti: tio Agenor, Ângela, vovô Crotti, Mariana, Flávia, Cintia, vovó Lourdes, tio Valter (Tim), tio Wágner (Buchudo) e o papai (Taidão).

Feliz 2006!

Enfim 2005 acabou-se! De fato, foi um ano muito bom, mas tenho a impressão de que 2006 poderá ser um ano bem melhor, apesar dos grandes desafios. O início de um novo ano tem um efeito psicológico enorme. Parece-nos que a vida recomeça e sentimo-nos renovados para enfrentar mais 12 meses. Neste momento, parecemos estar novamente no início do caminho e o ano nos parece tão longo. Nem parece que os dias e meses passarão tão rápido...
Mais um ano eu passei o reveillon ao lado da Débora. Na verdade, foi a décima vez consecutiva que isso acontece. No churrasco deste ano estavam apenas o Luís (irmão dela), a Solange (esposa do Luís) e a Letícia (filha dele) e, obviamente, a Débora e seus pais. O pequeno número de pessoas favoreceu a informalidade. No final das contas, acredito que ela tenha se divertido muito enquanto dançava. Quando eu a vejo dançar, com tanto molejo e ginga, e lembro-me que eu sequer domino o "dois pra lá, dois pra cá", sinto um aperto enorme no coração dizendo que eu preciso aprender a dançar com urgência...
Quem sabe 2006 não este um bom ano para aprender?