domingo, 29 de janeiro de 2006

A primeira viagem à Cosmópolis

“Acorda, filho. Tá na hora de irmos”. A frase de minha mãe fez com que eu saísse procurando o celular para verificar a hora, inconformado. Meu Deus, são 3h30min da manhã! Meio embriagado de sono, impulsiono meu corpo e consigo ficar sentado na cama. Após alguns minutos, com as idéias no lugar, lembro-me porque estamos acordando tão cedo. Iremos, meus pais e meus avós, visitar minha irmã e minha afilhada em Cosmópolis. Dou, então, uma espreguiçada na cama. Ah, que sensação aconchegante! Cinco minutos depois, é meu pai quem bate na porta. “Acorda, moleque!”Acabei cochilando... Estamos em seis no carro. Na frente, o papai (o motorista) e o vovô Mila, que com dores no joelho, precisa ficar com as pernas esticadas. No banco de trás, da esquerda pra direita, a mamãe, eu, a titia Ângela e a vovó Maria. O desconforto é grande, a distância que temos que percorrer também. São 270 km entre São Joaquim e Cosmópolis. Chove. Vejo e ouço os pingos se chocarem com o vidro do carro. A pista está molhada e os pneus do carro já estão bem rodados. No bagageiro, garrafões d’água e comida que somam, mais ou menos, uns duzentos quilos. A parte traseira do carro está muito pesada, a dianteira está leve. Estamos nos aproximando de um posto da polícia rodoviária. Cones estão dispostos na pista de modo a torná-la mais estreita. Meu pai segue o trajeto normal da pista, parecendo ignorar a presença dos cones. O carro vai se aproximando dos cones. “Meu pai está brincando”, penso. Mas o carro segue em linha reta, em direção aos cones. “Papai, o senhor está vendo os cones?” Ele ri e desvia. “Ah, filho, eu queria atropelar só um...”, diz ele, brincando. Fico tenso. Não sei se ele está realmente brincando. Vou tentar esquecer e dormir um pouco. Posiciono o travesseiro sobre a tampa traseira e me estico, colocando uma bolsa para apoiar a coluna. É uma posição extremamente desconfortável, mas o sono ainda me incomoda mais do que a dor que esta posição deixa no pescoço. Enfim, sono! De repente, uma freada brusca. “Meu Deus!”, acordo gritando. Todos estão acordados, tensos. Foi apenas uma poça d’água na pista, daquelas que causam aquaplanagem. Uma das rodas perdeu o contato com o asfalto, mas meu pai conseguiu evitar que o carro rodasse e saísse da pista. Meu coração está acelerado. Mas a viagem prossegue, perigosa. E a chuva não pára... Após três horas e meia de viagem, chegamos ao nosso destino. Minha irmã vem abrir o portão. A Clarinha, minha afilhada, vem logo atrás dela, com seu guarda-chuva vermelho. Enfim, o abraço! Foram mais de três semanas sem vê-la. Que saudade... A aventura valeu a pena!

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