domingo, 30 de abril de 2006

Memórias de um almoxarife - parte 2

Já faz dezessete meses que estou trabalhando aqui no almoxarifado agrícola. No início, encontrei certa dificuldade para entender como o setor funciona e, por conseguinte, não sabia quais são conseqüências de um erro meu sobre o trabalho dos outros colegas aqui do setor. Basicamente, o almoxarifado é dividido em quatro partes: o setor de pedidos, o setor de recebimento, o balcão de atendimento e o armazém de adubos e insumos agrícolas. Caio, José Luís, Danilo e eu trabalhamos no balcão de atendimento. O Jaime e o André trabalham no recebimento de mercadorias, ao passo que o Edvaldo e o Miguel trabalham nos setores de pedidos e no barracão de insumos, respectivamente. As mercadorias que chegam ao almoxarifado ficam de “quarentena” no setor de recebimento e, após serem conferidas pelo Jaime e pelo André, seguem para as prateleiras do estoque. Cada uma das prateleiras recebe uma letra e cada um de seus “vãos” recebe um número, ao que chamamos de “locação”. As prateleiras são, em sua maioria, feitas de madeira, sendo geralmente pintadas com tinta verde escuro. Somente algumas delas são de metal. As mercadorias armazenadas nas prateleiras de metal geralmente são “miudezas”, ou seja, de tamanho reduzido. Para facilitar a vida dos que trabalham no balcão, cada uma das prateleiras armazena um tipo específico de mercadoria. Por exemplo: na prateleira A estão os retentores; e na C estão os rolamentos. Os balconistas (entre os quais eu me incluo) recebem a requisição de material e entregam o requisitado àqueles que a portam, desde que a mesma esteja devidamente assinada pelo responsável do setor. Quando a mercadoria requisitada não está disponível e há uma certa urgência, nós a assinalamos com um carimbo de “não atendido” passamos a requisição para o Edvaldo, que lhe dá preferência sobre os pedidos normais do estoque. Apesar de já estar bem familiarizado com o serviço e já conhecer boa parte das peças do estoque, às vezes acontecem algumas ocasiões engraçadas. Eis que o mecânico “Indinho” solicita em sua requisição uma peça chamada “quebra galho do afogador”. Desconhecendo esta peça e achando que estava sendo ironizado, procuro o cadastro desta peça no nosso cadastro. No entanto, não encontro nada parecido com este nome. Recorro, então, ao Caio. A experiência deste matuto tem me salvado muitas vezes de situações embaraçosas. Sim, ele é o mais velho do setor, tanto em idade como em tempo de almoxarifado. Mostro a requisição a ele, que rapidamente segue para prateleira M. Em poucos minutos ele retorna com a tal peça e a sua respectiva fichinha, para eu dar a baixa no estoque. Vejo o nome verdadeiro da peça e, inevitavelmente, começo a rir. Afinal, "limitador do afogador" não tem nada a ver com "quebra-galho do afogador". Complicado? Bem, nem tanto. Difícil mesmo é adivinhar que “junta da igrejinha” chama-se “junta da tampa do mancal traseiro do motor”...

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Morra de inveja, Bruna Surfistinha!

Comentário "de peso", feito com autoridade (leiam o texto e tentem discordar...) pelo meu amigo Márcio
Caro Antônio,
De início, vejo-me diante de um problema particular: como devo chamá-lo? Antônio ou Eduardo? Bem, Até que você me diga, continuarei com o Antônio, certo? Assim, passemos ao que importa: o motivo pelo qual prefiro blogs como o seu àqueles como o da Bruna Surfistinha, por exemplo. Oh, bem, creio que isso mereça um novo parágrafo. Ou dois.
Conforme você explicou diversas vezes, o "Narrativas" é um blog que atualiza nosso bom e velho diário pessoal, de modo a traduzir uma "vida real", uma vida "como ela é". Não, não sou uma daquelas pessoas que colocam aspas em (quase) tudo, mas, no caso presente, isso é necessário. Por quê? Porque uma vez traduzida em escritura, qualquer experiência tida como verdade, mesmo que nosso intuito seja o de mantê-la como verdade, passa a figurar no campo da experiência literária e, deste modo, toca também as raias da ficção. Nada de mau com isso, oras! Afinal, autobiografias como as Confissões de Santo Agostinho ou de Rousseau, apesar de (novamente as aspas!) "fracassarem" como experiência de reprodução da verdade, oferecem-nos muitos outros prazeres que compensam - com sobras - a falta da dita cuja. Não creio que o "Narrativas" tenha o intuito de fazer exatamente o mesmo que esses diários famosos, mas também não sei se o seu blog existe basicamente para que seus filhos (conforme você já afirmou em muitas outras oportunidades) saibam como o pai deles pensava. Afinal, você escreve para um público - inclusive pensando em parar com o blog em caso de ausência deste público. Ou seja, caro Antônio: você também não está tão longe de Santo Agostinho ou de Rousseau quanto ao projeto e ideal.
Maaaas, se for assim, por que eu teria louvado o caráter autêntico do "Narrativas"? Eu o fiz justamente porque você, ao levar a cabo seu projeto pessoal de autobiografia (ficcional em certo sentido; isso não importa e ainda bem!), e ao inseri-lo no universo na net, não cedeu à facilidade da apelação que certamente está ligada a um dos principais elementos de medida de sucesso (se não for o maior, se não for o único) de um blog ou site: o número de visitas e de comentários. Sem dúvida, as aventuras sexuais de alguém, hoje, dão muito mais ibope do que as sutis epifanias de uma pessoa "normal" (aspas, aspas!). E é justamente por isso que prefiro seu blog: ao pensar na questão do sucesso, muitos deixam que isso interfira em seu processo e em seu projeto de escritura. Não perdem em sinceridade (poque nenhuma escritura é sincera), mas perdem - e muito - em autenticidade. E, ao fazê-lo, perdem a única verdade possível e importante para o escritor: a verdade do milagre estético que termina no pacto do leitor com o texto com o qual dialoga, mas que começa com o pacto do autor e sua escritura, que lança a pedra angular deste milagre. Não estou julgando blogs como o da Bruna ou fazendo juízos de valor, nem seria este o momento ou o lugar para tanto. Eu apenas queria dizer o porquê de eu gostar daquilo que você escreve e o porquê de você dever sempre, sempre continuar escrevendo. Independentemente do número de visitas, tenha ou não comentários expressos, sua escritura exprime a "autencidade", a "sinceridade" e a "verdade" possíveis em matéria de literatura. Isso, definitivamente, é uma "vitória. Com ou sem aspas.
Um fraterno abraço deste seu admirador,
Márcio Roberto do Prado
P.S.: Sinta-se à vontade para citar meu nome ou reproduzir parte ou a íntegra deste comentário. Em casos como este, vale a pena engajar o nome e a palavra.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Memórias de um almoxarife - parte 1

26 de novembro de 1996. Hoje faz um mês que fui contratado para trabalhar aqui no Almoxarifado Agrícola da Usina Alta Mogiana. Como almoxarife, minha função é servir os mecânicos da oficina e todos aqueles que apareçam no balcão com uma requisição de material. Aqui neste setor ficam armazenadas peças para caminhões, carros, tratores, reboques canavieiros, tratores, colhedeiras de cana, máquinas de esteira, bombas de veneno, grades niveladoras. Também armazenamos material de limpeza, tintas, mangueiras e uma grande variedade de materiais. É tanta mercadoria que o espaço acaba sendo pequeno demais... O ambiente físico aqui não é dos mais aconchegantes. O telhado é constituído de folhas do tipo Eternit, o que torna o ambiente aqui dentro um verdadeiro forno. As paredes são feitas de placa de madeira prensada, a que eles chamam de “folhas de madeirite”. O chão, por sua vez, é feito de concreto bruto, mas a quantidade de poeira depositada sobre ele é tão grande que nem mesmo o “seu Boné”, nosso faxineiro, consegue eliminá-la com a água que sai de seu regador verde. A poeira que se levanta do chão quando passamos acaba se depositando sobre as peças que se encontram sobre as prateleiras, tornando o ambiente nada propício para quem sofre de rinite alérgica, como eu. Aliás, tive que esconder este meu pequeno problema de saúde do médico que me examinou para que eu fosse admitido; caso contrário não seria contratado. Sim, eu preciso muito deste emprego para pagar o curso de graduação em Química. Desde que assumi a função aqui no almoxarifado agrícola, minha rotina tem sido bastante cansativa. Acordo às 6h, entro no ônibus às 6h30min e só desço do mesmo ônibus às 17h30min. Desde o momento em que desço do ônibus da empresa até o momento em que entro no ônibus da universidade, são decorridos aproximadamente 30min. Este é o tempo que tenho para tomar banho e alimentar-me. Sim, é um tempo curto demais para que eu consiga esvaziar um prato de comida. Ao invés de tentar e fracassar, e ainda correr o risco de ter uma congestão, prefiro comer uma torrada com “catchup” ou um pão com presunto e queijo. Quando chego em casa de volta da universidade, o relógio de pêndulo na parede da sala, herança de meus bisavós, bate 23h40min. Já é tarde. Estou muito cansado. Mas não posso dormir. Tenho que estudar. Enquanto tomo um copo de leite com café e açúcar, escovo os dentes e visto o pijama, passam-se 20 min. Assim que abro o caderno, o relógio dá doze badaladas da meia noite. “Agora eu vou trabalhar para mim”, penso. Mas cadê o ânimo? Tento ler o texto mas está difícil. Os olhos acabam se fechando antes do final de cada frase. Procuro, então, reescrever o que estou lendo. Eis que me flagro escrevendo há quase 3 min no mesmo lugar... A ponta da caneta já está quase rabiscando a mesa, do outro lado da folha de papel. Levanto-me. Dirijo-me ao banheiro; molho as mãos com a água gelada da torneira e fricciono as mãos contra o rosto, na tentativa de espantar o sono. Já se passaram quase 30min e eu não consegui sequer começar a estudar. Quando retorno à mesa, o sono se vai. O relógio da cozinha são 0h30min. Agora sim! Lembro-me, então, de cada palavra que meu pai me disse há um mês atrás, quando consegui este emprego. “Filho, até hoje você só estudou. Sempre viveu para estudar e sempre teve boas notas. Mas agora é diferente. Agora você vai trabalhar e estudar”. E colocando as mãos sobre meus ombros, ele pronunciou o estímulo que eu precisava para passar as madrugadas estudando: “Agora sim eu quero ver se você é mesmo “macho” pra manter essas notas!” Respiro fundo. Esboço um sorriso de canto de boca. “Pode deixar, papai”, penso. Sim, esta madrugada vai ser curta demais para mim...

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Carrasco?

Dezenove horas e trinta minutos. Finalmente chegou o momento que tanto esperei. Entro na sala de aula com um sonoro "Boa noite", mas paro já nos primeiros passos quando vejo que o outro professor ainda está lá. Recuo, pedindo deculpas. Ele, cordial, fecha sua caderneta, levanta-se e diz que já terminou de mostrar as provas para os alunos. É um momento que me traz uma satisfação pessoal enorme. Afinal, fui aluno deste professor e não era um de seus maiores fãs. Não me esqueço do dia em que ele rasgou uma prova diante da classe, dizendo que se tratava de uma prova muito difícil e que nós não tínhamos condições de resolvê-la, sem sequer nos dar a chance de tentar... Mas agora, passados 11 anos, somos colegas de profissão e, como tal, ele age com profissionalismo e com uma cordialidade que não via nos tempos em que eu era seu aluno. Ele então se despede da classe e me dá um tapa nos ombros. "Até mais, Miller", diz. Agora somos apenas eu e os 47 alunos.
Desde que comecei a "brincar" de ser professor (sim, esta profissão é para mim uma grande diversão!), uma pergunta não para de ecoar em minha mente: ser professor ou ser amigo? O ideal seria ser ambos, mas hoje em especial eu tenho que ser professor para que os alunos desta sala percebam mais tarde o quanto sou amigo deles.
Durante todo este bimestre tive excelentes momentos em sala de aula com esta turma, mas apenas como amigo. Sim, estes alunos, que agora estão me olhando, ansiosos e apreensivos pela prova que lhes será aplicada, viram-me como amigo durante todo o bimestre e me trataram apenas como tal, a despeito de minha condição de professor. Em outras palavras, não tiveram o respeito para com a figura do professor (no caso, eu) e não dedicaram à disciplina a devida atenção que ela merece. Trata-se de uma classe com alunos muito falantes e incrivelmente desinteressados pelo conteúdo. Muitos tiveram o descaso de xerocar a apostila de mais de 30 páginas apenas na semana que antecedia a prova. Tenho a impressão que alguns achavam que "o amigo Miller é de boa e não vai ferrar na prova". Diante destes e de muitos detalhes desagradáveis, que não aparecem em nenhuma das outras classes, resolvi ser duro com eles, ou melhor, ser simplesmente professor. Eu já havia lhes alertado sobre o grau de dificuldade do conteúdo, mas poucos pareciam dispostos a dar-me ouvidos.
Abro o pacote de provas e deixo-as cairem sobre a mesa. Dirijo-me ao centro da sala e peço para alguns alunos trocarem de lugar. Após alguns minutos de poluição sonora devido ao barulho das carteiras sendo arrastadas, a classe está em ordem. Distribuo, então, as folhas de prova e leio as questões com eles. Ao pé da prova, uma frase de Isaac Newton que traduz perfeitamente a situação desta classe: "Podemos escolher o que plantamos, mas somos obrigados a colher semeamos". "Vixi! Bem que você falou que ia ferrar a gente, hein Miller?", ouço vários alunos comentando. Sim, é chegada a hora da primeira colheita. Espero que aprendam a importância daquilo que forem semear daqui em diante.

domingo, 23 de abril de 2006

Trapalhadas de um professor - parte 1

Terça-feira, 18 de abril de 2006. O relógio do celular acusa exatamente 10h20min. Estou em uma sala de aula de uma escola da rede pública, a minha querida "Edda Cardoso de Souza Marcussi". Acabo de "dar o visto" nos cadernos dos alunos da 2a série do ensino médio. Estou sentado à mesa do centro. Sim, sou o professor. À minha frente estão quase 30 alunos que, diante do horário, expressam facialmente e verbalmente um "por hoje é só, né professor?". De fato, é preciso reconhecer que é tarde demais para iniciar um novo conteúdo. "Certo, moçada. Por hoje é só." Aqueles alunos, que até então se mostravam cansados, levantam-se de suas carteiras e começam a conversar, não apenas entre si, mas comigo também. Em poucos minutos, vejo-me cercado de cadeiras de alunos, que querem minha atenção. Agora não mais como professor, mas como amigo. Uma das alunas me mostra uma relação dos "carinhas" com quem ficou até hoje. Somam quase 50... Aparentemente orgulhosa, ela me mostra e ri; os outros também. Uma outra aluna aparece com uma revistinha de amostragem da Avon. Ela aponta para uma meia-calça transparente e diz, entre risos, que vai vir à escola com uma daquelas. Todos sorriem. Eu, com a revistinha na mão, também estou sorrindo.
Eis que, de repente, vejo a porta da sala de abrir. "Com licença, professor?". É a diretora... Como que num instinto de sobrevivência, os alunos que estavam ao redor de mim retornam a suas carteiras, deixando-me ali, sozinho... Eu, com aquela revistinha nas mãos, diante da diretora, olhando para mim... Diante de situação tão constrangedora, tento agir naturalmente e, enquanto me levanto, escondo a revistinha debaixo do diário de classe.
Dirijo-me então para a porta e permaneço de pé, ao lado dela, observando a diretora falar. Ela fala sobre filosofia e sobre as idéias de Aristóteles e Platão. Eu observo atentamente, mas noto que alguns alunos riem. Só então me dou conta que eles estão rindo da minha reação. Eles olham para mim e tentam conter o riso. Enquanto fala, a diretora tem o costume de ir mexendo nas coisas que estão sobre a mesa. Atônito, vejo ela colocar a mão no diário de classe. Ela o levanta. Meus olhos o acompanham, o dos alunos também. Eis que a revistinha do Avon aparece. Ela fica sem reação. Parece não acreditar no que vê, mas polidamente não diz nada. Um frio percorre minha coluna e me deixa paralisado. Consigo apenas mexer os olhos e ver que alguns alunos já não conseguem mais conter o riso.
Ela termina seu discurso e segue em direção à saída. Digo-lhe que seria bom que os alunos lessem "O mundo de Sofia". Ela concorda e retoma o discurso por mais alguns instantes. Ao sair, educadamente me agradece. Somente então toca o sinal e a outra professora entra na sala. Para não complicar ainda mais a situação, introduzo novamente a tal revistinha no meio dos diários e sigo em direção à saída. "Professor, o senhor não está se esquecendo de nada?", ouço, entre risos. Paro, então, na porta e, de costas para a sala, removo a tal revistinha de dentro dos diários, deixando-a sobre uma das carteiras próximas à porta. Meu ar de "não é possível que denunciava que minha vontade era de rasgar a maldita revistinha, tamanho foi o embaraço que me causou. Deixo, então, a sala de aula, ouvindo as gargalhadas dos alunos. Sim, agora podem rir. "O que está acontecendo?", pergunta a outra professora, sem entender nada. Imagino que eles vão narrar a história em detalhes. Uma nova sessão de gargalhadas vai começar.

Eu versus Bruna Surfistinha

Como já mencionei em posts anteriores, criei este espaço "inspirado" no blog da Bruna Surfistinha. Assim como ela, sempre procurei fazer com que fosse meu "diário virtual". No entanto, meus objetivos são diametralmente opostos aos dela. Enquanto ela encontrou em seu blog uma forma de se promover, eu via neste espaço uma simples forma de deixar registrado aos meus filhos quem e o que foi o pai deles.
Muitos dos meus amigos criaram seus blogs e fotologs, mas a maioria deles desistiram. Passei também por momentos críticos, onde pensei em abandonar este blog. Sentia-me só, como se estivesse escrevendo para mim mesmo. Afinal, eu visitava outros blogs e via dezenas de comentários. Já neste aqui...
Uma das coisas que mais me deixava desmotivado, perplexo e, de certa forma, inconformado era o fato que aventuras sexuais fossem mais interessantes que uma vida cotidiana. Não, isso não se trata de despeito nem tampouco de uma crítica pessoal à Rachel (o verdadeiro nome da Bruna Surfistinha). Penso que a própria "Bruna" sente hoje na pele o que estou querendo dizer, já que atualmente o seu blog, ao receber somente posts sobre sua rotina de "estrela em ascensão", não recebe mais o mesmo número de visitas de outros tempos.
Em momentos em que deixei-me abater por esta triste realidade, estive prestes a jogar a toalha e chutar este blog para o espaço. Entretanto, surgiram alguns "anjos" que não me deixaram desanimar. Entre estas pessoas estão a Ivani (coordenadora do colégio onde leciono), o meu amigo Eduardo Ambrozeto, minha irmã e o colega Eudes, do "Rapadura Açucarada" (pra evitar que eu desistisse, ele até incluiu este blog na lista de seu site, um dos mais visitados da intenet). Hoje considero que estas pessoas fazem parte deste blog, pois sei que pelo menos elas irão ler o que eu escrevo aqui...
Poucas horas atrás tive o imenso prazer de "descobrir" que este blog é visitado por um amigo altamente gabaritado, um doutorando em Estudos Literários. Este amigo (preservarei o nome dele, em respeito, caso ele não goste de se expor) classificou este blog como "uma das coisas mais autênticas da net". Tamanha foi minha satisfação ao ler seu comentário e saber que ele leu todas as postagens do blog que o meu sono (cadê ele???) foi-se embora. Já são 2h30min e eu não consigo dormir...
Meu amigo, muito obrigado pelos seus comentários e pelo seu enorme incentivo. Espero que possa continuar visitando o nosso "Narrativas", pois a partir de agora você faz parte dele também! Valeu!

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Uma semana "fora do ar"

Uma semana sem atualizar o blogger... Certamente devo desculpas àqueles que, por curiosidade ou por consideração, acessam este espaço. Imagino o desapontamento que lhes abatem quando acessam este endereço e encontram sempre a mesma postagem. Entretanto, preciso esclarecer que uma série de fatores contribuíram para este infortúnio. O primeiro deles foi a falta de tempo. Encontramo-nos em final de bimestre escolar, período em que ocorrem as provas. Os pacotes vão se acumulando e corrigi-los nem sempre é uma batalha que consigo vencer. O segundo é que, em virtude dos pequenos problemas de saúde que vêm me abatendo ultimamente (dores no estômago, na coluna, na cabeça, diarréias e resfriados), tenho procurado dormir pelo menos seis horas por noite. Sendo assim, aquela "horinha" de sono perdida que eu dedicava à atualização dos blogs está precisando ser aproveitada sob as cobertas...
Esta foi uma semana muito atípica. Minha irmã retornou a Cosmópolis mas levou consigo a mamãe. Com isso, eu e o papai ficamos novamente em condição de "big brother". Ao contrário do que muitos pensam, a casa permaneceu em ordem praticamente o tempo todo e, graças aos dotes culinários do papai, não passamos fome. Eis que já na segunda-feira, ao retornar do colégio, ele veio dizer-me que comprou umas "coisinhas" pra gente comer. "Ele deve ter comprado frutas, legumes e variedades", pensei. Tamanha foi minha surpresa ao ler a lista de coisas que ele comprou que, incontidamente, caí em risos. As "coisinhas" a que ele se referiu eram bisteca suína, tulipa, cupim, contra-filé, mortadela e presunto. Eis aqui um típico espécime de Homo sapiens carnívoro!!!
Com a ausência da mamãe, tive que "andar na linha". Normalmente tomo banho e me apronto para as aulas da universidade meio que em cima do horário. Não raramente tenho que vencer as duas esquinas que separam minha casa do ponto de ônibus correndo. Mesmo assim, tenho perdido o ônibus algumas vezes e, nestes casos, ligo para a mamãe e ela vai levar-me ao ponto de ônibus. Durante toda esta semana, fui forçado a deixar esta vida de "filho mimado" de lado e comportar-me como homem de verdade.
De todos estes dias, o mais complicado foi a segunda-feira. Fui abatido por uma diarréia (entenda-se: caganeira...) sem precedentes. Era como se um "gatinho" estivesse miando dentro do meu estômago... Ao total, foram umas oito visitas ao banheiro durante todo o dia. Ao final do dia, enxerguei uma certa analogia entre a forma como eu estava usando o papel higiênico e a maneira como as "madames" usam os guardanapos para limpar os lábios...
Na terça-feira paguei um verdadeiro "mico" no colégio. Tive também a grata surpresa de receber uma mensagem no orkut de uma aluna com quem havia conversado na universidade. Em seu recado, ela disse que eu era um exemplo de que um professor universitário não precisa ser arrogante; basta ser simples e sábio, como eu...
Na quarta-feira, tive que deslocar-me até a universidade duas vezes. A primeira delas foi de carro, a segunda "by bus". Ao final do dia, estive tão cansado que acordei na quinta-feira às 9h... Aproveitei a quinta-feira para resolver meu dilema com os bancos. Para evitar a irritação que o tráfego desta minúscula cidade de 50 mil habitantes tem me causado, preferi ressuscitar minha bicicleta e pedalar. Esta iniciativa representou também uma saída para movimentar-me um pouco e, ao mesmo tempo, economizar o combustível. Perdi, no sentido próprio da palavra, todo o meu tempo e acabei não resolvendo praticamente nada... Pelo menos concluí que não tenho problemas cardíacos, pois suportar as filas e o péssimo atendimento da Caixa Econômica Federal não é pra qualquer um, não.
Sexta-feira, 21 de abril, nem pareceu feriado para mim. Passei o dia todo corrigindo provas. Na quinta-feira à noite, havia dito a uma aluna da universidade que sua nota era 2,5. Minha intenção era "prepará-la" para uma notícia ruim, já que ela já havia me comunicado que fica muito nervosa em dias de prova. A reação dela, no entanto, não foi a que eu esperava. Ela mal dormira aquela noite e quase caiu em depressão. Quando passei-lhe a nota via MSN, ela ficou desapontada comigo... Fazer o quê, né? Não se pode ganhar todas...
Acordei neste sábado às 9h, com o papai dando porradas na porta do quarto. Disse que era pra levantar e varrer a casa, pois a mamãe retornaria à noite e ele queria mostrar a ela que nós somos dois "bichinhos" bem comportados. Após terminar minha tarefa como "diarista", segui à casa da Débora. Em nossas "andanças" pelo centro da cidade, entramos em uma perfumaria, onde eu comprei um líquido para limpeza de pele. Ela disse, orgulhosa, que estou me tornando um homem vaidoso. Eu, claro, entrei em casa e escondi o tal líquido do papai. Se o vir, vai achar que estou virando viado...

terça-feira, 18 de abril de 2006

Sinal amarelo...

Não, não pode ser verdade. Há duas semanas atrás tive problemas com meu estômago. Na semana passada foi a coluna cervial quem me incomodou a maior parte do tempo. Eis que agora o problema é com meu intestino. Sinto como se tivesse um gatinho "miando" em minha barriga. Gases ou não, o fato é que a necessidade de ir ao banheiro segue aumentando. Putz, vai ter que ser agora!
No meio do caminho, fico imaginando que os sinais amarelos estão sendo dados e eu não consigo parar. Será que o que estou passando é uma demonstração da necessidade de viver de uma forma diferente? Bem, isso ainda não sei dizer. Espero apenas que eu não pague um preço muito alto para conseguir realizar meus sonhos profissionais.

Fazendo "badunça"

Neste último final de semana, recebemos aqui em casa a visita de minha irmã e de minha afilhada, a Clarinha, que atualmente estão morendo em Cosmópolis. Esta foi a primeira vez em que ela veio nos visitar desde que se mudou.
Todos aqui em casa estão encantados com a educação e a esperteza da Clarinha. Brinquei com ela de "peda-peda" e de "bola doida", suas brincadeiras prediletas (pelo menos quando estou por perto). Até mesmo a Débora, a quem ela chama de Dinha, escapou da bagunça.
Guardarei esta foto com carinho, pois não sei quando as verei novamente.

domingo, 16 de abril de 2006

Enquanto isso, no orkut...

Demorei muito para cadastrar-me no orkut. Minha resistência deveu-se à empolgação de minha irmã. Na época, lembro-me que ela fazia "marcação cerrada". Mal me levantava da cadeira para ir beber água ou ir ao banheiro e lá estava ela, acessando o orkut. Isso me deixava irritado, já que não enxergava muito sentido naquela empolgação. Na verdade, quanto mais ela insistia para eu me cadastrar, mais eu resistia. ´ Decorridos mais de seis meses desde que me cadastrei, já foram mais de 600 recados recebidos. Existem, obviamente, aquelas "correntes", aqueles recados contendo "bichinhos" e que contém dizeres do tipo "clique aqui". Estes eu sempre deleto. Tomo o cuidado de deixar apenas aqueles que são dirigidos a mim. Neste domingo de Páscoa, a primeira coisa que fiz foi analisar as pessoas que têm me deixado recado no orkut. Lá encontro, por exemplo, pessoas que há muito tempo não via, como por exemplo, a Jaqueline e a Selma, com quem morei na casa de pós-graduação em um período muito iluminado de minha vida. Há também as amigas com quem mantenho um contato mais constante, como a Lisiane, Val, Ana e Luciane, sem contar o Pancinha e o Ricardão e a Fabiana. Há também ex-colegas de laboratório, como a Adriana, a Janaína, o Michel, Gobbo. Há também velhos amigos da adolescência, como o Sandrinho e o Chesca. Estes foram os que mais deixaram recados para mim no orkut.
No entanto, notei que o número de mensagens tem aumentado bastante nos últimos tempos. Isso se deve ao crescente número de alunos. Muitos deles deixam recados tirando o sarro, outros deixaram recados desejando "Boa Páscoa". Outros ainda deixam mensagems pedindo para que eu "alivie na prova" ou coisas do tipo. Notei, contudo, que boa parte dos alunos do ano passado e que não são mais alunos este ano, não deixam mais recados. Isto é compreesível e óbvio. Há pessoas que passam pelas nossas vidas e que têm importância apenas em um determinado período de nossa existência. Depois caem no esquecimento, principalmente devido à falta de convivência e/ou à vida corrida.
Para todos estes que me deixaram (e ainda deixam) recados no orkut e, principalmente, para os que acessam este blog, deixo meus sinceros agradecimentos.

sábado, 15 de abril de 2006

Sábado - aleluia!

A Páscoa se aproxima. Nos supermercados, as pessoas se enfileiram, cada uma com seus ovos de chocolate nas mãos. Nas escolas, as professoras ensinam seus alunos a desenharem coelhinhos, a fazerem enfeites e coreografias para canções simples porém inocentemente lindas. Como todo ano, um clima festivo se instala nesta época do ano. Mas o que é mesmo que devemos comemorar na Páscoa? Quando criança, eu sabia que a Páscoa se aproximava não pelos chocolates que eu estava prestes a receber, mas pelo jejum que a mamãe e a vovó faziam e a que éramos obrigados a cumprir também. Era uma penitência. De sexta-feira até o domingo, na hora do almoço, não se comia carne em nossa família. Todos permaneciam em suas casas, como se estivessem em retiro espiritual. Era uma oportunidade para refletir sobre a real importância da ressurreição. Passados 20 anos, os costumes são outros. As ruas das cidades estiveram repletas de carros o dia todo. As lojas, como sempre, permaneceram lotadas de pessoas, gastando, consumindo ou mesmo cobiçando o que não podem comprar. Desde cedo, os bares estão repletos de homens sem família, abraçados a uma garrafa de cerveja ou debruçado sobre um balcão ao lado de uma bebida alcoólica mais forte qualquer. Aqui mesmo, dentro de minha própria casa, os parentes (cerca de 20, entre tios, tias e primos) fazem, neste exato momento, um churrasco que há muito tempo não presenciava. Se de um lado o fanatismo de outrora era uma manifestação exagerada da cega fé católica, por outro existe atualmente um relapso lamentável por parte de todos, entre os quais me incluo. Basta apenas responder, cada um em seu próprio íntimo: quem pensou na real importância desta data? Nesta data, deveríamos comemorar a ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus, nosso irmão. Através deste milagre, o Pai celeste deu-nos a manifestação plena de Sua glória e grandeza, dando a prova de que todos aqueles que nEle crêem alcançarão, de fato, a vida eterna. Neste dia, é chegada a hora de abrir nossos corações e nossa mente para recebermos o Cristo Ressuscitado. Que Ele possa realmente ressuscitar em nossas vidas e que todos nós possamos ser os maiores milagres de Deus. Feliz Páscoa a todos!!!

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Aventuras no congresso Br Mass - parte 3

Segunda-feira, 28 de novembro de 2005. Este será o grande dia. O dia em que irei, pela primeira vez, falar para um grande público. Estou um pouco ansioso, já que toda "primeira vez" traz consigo aquele friozinho na barriga. Mas esta apresentação terá um sentido especial. Pode ser o início de uma longa e brilhante carreira acadêmica, mas pode representar o final dela. Tudo depende do resultado, da forma como irei falar. Portanto, existe um peso enorme sobre meus ombros. Há muitos esperando muito de mim. Não posso decepcioná-los. Não posso decepcionar-me...
Levanto-me e agradeço muito a Deus por esta oportunidade ímpar. Sigo junto com o Gobbo para tomar o café da manhã. Lá encontramos os demais: Beto, Michel, Taís e Neri. Mal temos tempo para conversar. Sigo, então, para o Help Desk. Preciso gravar minha apresentação, para assegurar que não terei nenhum problema de última hora. Lá encontro um professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Embora educado, não demonstrou muito interesse pelo meu trabalho. Parece-me que nesta área em que estou trabalhando existem muitas estrelas para pouco céu... Bom, mas isso não é hora pra pensar nisso. A palestra do professor Cooks vai começar. Preciso correr.
Além de ser um dos ícones mundiais na área da espectrometria de massas, o professor Cooks demonstra também ser dotado de um bom humor ímpar. Procuro entender o inglês, já que todos ali parecem estar entendendo o que ele está falando, mas não consigo. Isso é muito desmotivante. Neste momento, a última coisa que eu preciso é sentir-me inferior que alguém.
Terminada a palestra, procuro o Betão. Ele segue comigo ao apartamento onde estou hospedado. Lá fazemos algumas projeções de trabalhos a serem escritos no ano de 2006. Aproveito para mostrar-lhe minha apresentação. Ele diz que está muito boa. Ele, então, volta ao seu apartamento. Fico, então, diante da tela do computador. Estou estático. Não consigo falar. Pior: descobri que preciso falar em 20 min... Esta situação começa a deixar-me estressado, nervoso, ansioso... Olho no relógio: 10h30min. A apresentação começa às 14h30min. Falta pouco tempo e eu não consegui completar nenhuma prévia até o momento. Então decido que o melhor a fazer é dormir. Depois do almoço eu decido o que fazer.

Todo poderoso

Desde o início do ano letivo, há pouco mais de um mês, minha visão do mundo alterou-se bruscamente. No início do ano, eu me encontrava isolado do ambiente de pós-graduação lá de Ribeirão Preto. Mergulhado em aulas, eu me imaginava longe de artigos e projetos. Mais que isso, eu abominava a idéia de ter que voltar a escrevê-los. Afinal, minha vida estava tão tranqüila...
Hoje eu analiso a situação de uma forma completamente diferente. Tais artigos voltaram a ser um desafio para mim. Sinto-me estimulado a escrevê-los e a publicá-los novamente. Eles representam uma possibilidade para um futuro profissionalmente mais tranqüilo. Uso todo o tempo que tenho disponível para dedicar-me à sua redação, mas mesmo assim não é o suficiente... Esta sensação gera um sentimento de descontentamento com a falta de tempo. Não há tempo pra fazer quase nada, nem mesmo para visitar as pessoas de quem gosto.
Eis que hoje, no ônibus, assistimos ao filme "Todo poderoso". É um filme relativamente novo, mas não é lançamento. A mensagem mais linda do filme é "quem disse que sabemos o que queremos?". Isso fez refletir-me sobre o futuro que planejo para mim. Talvez não seja o melhor.
Bom, mas quem sou eu pra tentar adivinhar, né? Somente Deus é quem sabe mesmo...

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Pit stop forçado

Hoje não fui à escola. Embora tenha dormido no chão, com os pés sobre a cama, a dor nas costas não me abandonou. Ao invés de ir à escola e não conseguir dar aulas como gosto, preferi ficar em casa e... Sim, tive que fazer um "pit stop" forçado... No entanto, não descansei. Acabei preparando provas para a próxima semana. Assim passei toda a manhã.
Como eu havia acordado um pouco cedo, a fome começou a incomodar-me lá pelas 10h30min. Então eu enchi um prato (já me disseram que como o suficiente para ser "servente de pedreiro"...) e fui para a sala, assistir ao Batman e, depois, ao Superman.
Na parte da tarde, tive que sair para pagar algumas contas. Bom, pelo menos eu tentei, já que houveram alguns imprevistos: (a) Não consegui sacar todo o dinheiro que precisava; (b) a fila na loteria, onde iria pagar algumas contas, estava dobrando a esquina; (c) todos os caixas eletrônicos na Caixa Econômica Federal estavam fora do ar...
Só para dar um toque de refino neste quadro caótico e finalizar com chave de ouro, perdi a duplicata para pagar uma conta que a Débora pediu... Ah, tem ainda o fato de que minha casa continua às moscas, sem nenhum pedreiro trabalhando por lá...
Bom, pelo menos eu consegui digitar este post antes que algum pico de energia apagasse tudo o que eu escrevi...

domingo, 9 de abril de 2006

Fragmentos de minha infância - parte 10

Mais uma vez estou brincando sozinho. Como sempre, a mamãe está ocupada. Desta vez, está lavando roupas. Aqui em casa não temos tanque. A água é retirada da cisterna. Eu evito chegar próximo à cisterna; ela é muito funda e eu morro de medo de cair lá dentro. Acho que o papai e a mamãe não sabem que tenho medo da cisterna, pois nunca contei a eles. Prefiro que não saibam. Não quero que se preocupem comigo. Afinal, eles já têm tanta coisa para se preocuparem... Estou sob a sombra da enorme árvore em frente de casa. Ali, próximo à cerca, pastando, está o cavalo do seu Dudu. É um cavalo cor de mel. O seu Dudu o usa muito para puxar a sua charrete. Eu fico com pena do cavalo, pois a charrete deve ser muito pesada. Será que as rédeas não machucam o couro do cavalo? Curioso, eu me aproximo da cerca de arame farpado. Para minha surpresa, ao sentir que sigo em sua direção, o cavalo se aproxima de mim. Então penso em me apoiar no moerão e passar a mão na crina dele. O problema é o meu tamanho! Apesar de ser grande para os meus quatro anos, ainda sou bem menor que o cavalo... Olho para o canto da cerca, onde está um aro de roda de caminhão, que o papai deixou há muito tempo atrás. Penso então em usar este aro pra poder subir e me debruçar sobre o moerão e acariciar o rosto do cavalo. Ponho o pé direito, o pé esquerdo... pronto: estou “grande”! Como se quisesse ser visto bem de perto, o cavalo se aproxima da cerca. Com uma das mãos no moerão, eu me estico e consigo tocar o cavalo com a outra mão. Ele abaixa sua cabeça, parecendo querer ser “coçado”. Após deslizar a mão por seu rosto umas duas ou três vezes, o cavalo recua. Parece assustado. Percebo, então, que ele está olhando para o aro em que estou apoiado. Olho também para baixo, tentando ver o que lhe assustou. Lá embaixo, próximo aos meus pés, está uma cobra verdade, toda enrolada, pronta para dar o bote. Meu Deus! Dou um impulso e salto bem longe. Saio correndo em disparada, gritando o mais alto que posso. “Mamãe, mamãe! Socorro!” Acho que a mamãe deve ter se assustado mais que eu, pois mal eu dobro o canto da casa e trombo nas pernas dela. “Mamãe, mamãe! Tem uma cobra ali querendo me pegar”, contou, assustado, apontando em direção ao aro. A mamãe, então, se dirige ao quarto do papai e, mal pisco os olhos, lá está ela com a espingarda de chumbinho, indo em direção à cobra. Ao se aproximar do aro, a mamãe avista a cobra, repousando tranqüila na parte interior do aro. A mamãe se aproxima bem lentamente, tentando não fazer barulho. Eu fico de longe, olhando, morrendo de medo. Ouço, então, um tiro, depois outro. Pronto. Acabou. Mais uma vez, fui salvo pela minha heroína. Corro em direção a ela e a abraço! Ah, meu Deus... O que seria de mim nesta vida se não fosse a mamãe e o papai???

Tartarugas ninjas

Domingo. Cá estou em meu pequeno quarto, diante deste computador, a teclar no MSN com minha irmã. O sol reina soberano no céu. O dia está propício para ir à piscina, mas não posso. Uma forte dor na base das costas me incomoda e me impede de fazer movimentos bruscos. É o preço que pago por passar tantas horas sentado, diante de uma tela de computador, com o corpo praticamente parado.
Curiosamente, o som das teclas é às vezes interrompido por um barulho curioso. Parecem pedras batendo em um vidro. Não sei exatamente o que é e, pra ser sincero, nunca tive tempo para esta curiosidade. Eis, então, que ouço a mamãe dando gargalhadas na varanda. Levanto-me e vou ver o que está acontecendo. Ela, então, com o rosto escondido entre as mãos, praticamente chorando de rir, aponta para o aquário das tartarugas... Deparo-me, então, com uma cena de desenhos animados: as tartarugas, trabalhando em equipe, maquinam uma fuga.
Bom, eu pelo menos acho que é uma fuga, já que ambas são machos. Se bem que, a julgar pelo que tenho visto ultimamente, não duvido de mais nada...
Por um instante, eu me esqueço das dores nas costas. Agora somos dois a dar risadas na varanda...

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Cada dia tem uma história diferente

Há exatamente uma semana atrás, recordo-me de ter voltado mais cedo para casa em virtude do cheiro enorme em sala de aula, que me embrulhou o estômago. Naquela ocasião, eu havia chegado na escola arrastando os pés, mal conseguindo levantá-los para andar. Estava um caco e a todo momento minha boca se abria para um bocejo discreto e contido.
A situação em que cheguo na escola neste momento não é muito diferente. Ao virar a esquina da avenida e avistar o portão, respiro fundo. "Ao fechar a porta da sala de aula, meus problemas deverão ficar do lado de fora da sala", penso. Com este pensamento fixo, adentro a primeira sala. Respiro fundo. Ensaio levantar, mas as pernas desobedecem. Putz, que cansaço! No entanto, os olhos dos alunos daquela sala, diferentemente do de outros, pareciam estar sedentos de conhecimento. Afinal, eles haviam deixado suas famílias em casa e perdido mais um episódio de "Belíssima" para poderem estar ali. Não posso decepcioná-los.
Ao final de mais uma noite, começo a refletir sobre mais um dia interessante do magistério. Não raramente, o professor chega na escola cheio de vontade e disposto a dar uma boa aula, mas acaba se decepcionando com a falta de vontade e apatia dos alunos. Em outros casos, bem menos comuns, a vontade de se explicar o conteúdo vai surgindo durante as aulas. E por esta última eu fui privilegiado de experimentar tamanha bondade de Deus. Valeu, "Papai do céu"

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Nó na garganta

Mais que cansativo, o dia foi estressante. Não consegui dar aulas nem no colégio nem na universidade. Não, o motivo não foi o cansaço, e sim o desinteresse e/ou descaso por parte dos alunos.
No colégio, demonstrei estar tão cansado que, em determinado momento, abri demais a boca (eita!) que cheguei a senti meus maxilares travando, principalmente na região próxima ao ouvido. É como se minha garganta estivesse com um nó... Nossa, que dor! Depois que me recuperei, acabei dando boas risadas.

Um minuto de diversão... apenas!

Acordei cedo (novamente...) neste domingo para ministrar as aulas do curso pré-vestibular. Como "amigo da escola", caí da cama às 8h15min, muito cansado. Somente três alunos compareceram. Mas tudo bem. Conforme disse um professor: "Melhor a qualidade do que a quantidade", diz sempre meu amigo Hercílio.
À tarde, fomos (Débora, eu, Gustavo e Letícia asistir ao filme "Era do Gelo 2". O filme é maravilhoso! També, não era pra menos: o brasileiro Carlos Salganha é o diretor...
Como faz parte da nossa tradição, comemos também uma batata recheada. Aí estão algumas fotos.
Quando voltei, a mamãe disse que o Vanderlei tinha ligado. O Vandeco (assim eu o chamo) é uma pessoa por quem tenho uma grande admiração e respeito. Eu bem que pensei em ir visitá-lo em seu apartamento, lá em Ribeirão, mas com os sobrinhos de "brinde", abandonei esta brilhante idéia.
Calma, Vandeco: você não se livrou de mim, não. No dia em que eu reencontrá-lo, você está perdido.

Aulas aos sábados...

Mais um sábado na pós-graduação. Sinto o cansaço abater-me, mas a sensação de poder, enfim, ensinar um pouco do que aprendi durante os seis anos que estive em Ribeirão representa mais do que uma motivação para mim. O conteúdo não é nada fácil: biossíntese de metabólitos especiais. De uma forma simplificada, estuda-se nesta disciplina a forma como as plantas produzem substâncias que permitem a sua adaptação ao meio em que vivem, embora estas substâncias não sejam necessariamente essenciais à manutenção da vida. São justamente estas substâncias que constituem os princípios ativos de vários remédios (fármacos, fitoterápicos etc.) que atualmente conhecemos.
Procuro ser o mais claro e simples possível na explicação, mas o conteúdo não ajuda muito. No entanto, sei quais alunos realmente estão se empenhando, e isso já representa uma recompensa. Pra ser sincero, é a turma de mestrandos mais alegre e festeira para quem já ministrei aulas. Vai aqui uma foto, pra deixar registrado na lembrança quão especial é esse "povinho". Valeu, moçada!

Glenda, Vanessa, Gorete, Ana Carolina, Marcele, Sandra e Eduardo