sexta-feira, 28 de abril de 2006

Morra de inveja, Bruna Surfistinha!

Comentário "de peso", feito com autoridade (leiam o texto e tentem discordar...) pelo meu amigo Márcio
Caro Antônio,
De início, vejo-me diante de um problema particular: como devo chamá-lo? Antônio ou Eduardo? Bem, Até que você me diga, continuarei com o Antônio, certo? Assim, passemos ao que importa: o motivo pelo qual prefiro blogs como o seu àqueles como o da Bruna Surfistinha, por exemplo. Oh, bem, creio que isso mereça um novo parágrafo. Ou dois.
Conforme você explicou diversas vezes, o "Narrativas" é um blog que atualiza nosso bom e velho diário pessoal, de modo a traduzir uma "vida real", uma vida "como ela é". Não, não sou uma daquelas pessoas que colocam aspas em (quase) tudo, mas, no caso presente, isso é necessário. Por quê? Porque uma vez traduzida em escritura, qualquer experiência tida como verdade, mesmo que nosso intuito seja o de mantê-la como verdade, passa a figurar no campo da experiência literária e, deste modo, toca também as raias da ficção. Nada de mau com isso, oras! Afinal, autobiografias como as Confissões de Santo Agostinho ou de Rousseau, apesar de (novamente as aspas!) "fracassarem" como experiência de reprodução da verdade, oferecem-nos muitos outros prazeres que compensam - com sobras - a falta da dita cuja. Não creio que o "Narrativas" tenha o intuito de fazer exatamente o mesmo que esses diários famosos, mas também não sei se o seu blog existe basicamente para que seus filhos (conforme você já afirmou em muitas outras oportunidades) saibam como o pai deles pensava. Afinal, você escreve para um público - inclusive pensando em parar com o blog em caso de ausência deste público. Ou seja, caro Antônio: você também não está tão longe de Santo Agostinho ou de Rousseau quanto ao projeto e ideal.
Maaaas, se for assim, por que eu teria louvado o caráter autêntico do "Narrativas"? Eu o fiz justamente porque você, ao levar a cabo seu projeto pessoal de autobiografia (ficcional em certo sentido; isso não importa e ainda bem!), e ao inseri-lo no universo na net, não cedeu à facilidade da apelação que certamente está ligada a um dos principais elementos de medida de sucesso (se não for o maior, se não for o único) de um blog ou site: o número de visitas e de comentários. Sem dúvida, as aventuras sexuais de alguém, hoje, dão muito mais ibope do que as sutis epifanias de uma pessoa "normal" (aspas, aspas!). E é justamente por isso que prefiro seu blog: ao pensar na questão do sucesso, muitos deixam que isso interfira em seu processo e em seu projeto de escritura. Não perdem em sinceridade (poque nenhuma escritura é sincera), mas perdem - e muito - em autenticidade. E, ao fazê-lo, perdem a única verdade possível e importante para o escritor: a verdade do milagre estético que termina no pacto do leitor com o texto com o qual dialoga, mas que começa com o pacto do autor e sua escritura, que lança a pedra angular deste milagre. Não estou julgando blogs como o da Bruna ou fazendo juízos de valor, nem seria este o momento ou o lugar para tanto. Eu apenas queria dizer o porquê de eu gostar daquilo que você escreve e o porquê de você dever sempre, sempre continuar escrevendo. Independentemente do número de visitas, tenha ou não comentários expressos, sua escritura exprime a "autencidade", a "sinceridade" e a "verdade" possíveis em matéria de literatura. Isso, definitivamente, é uma "vitória. Com ou sem aspas.
Um fraterno abraço deste seu admirador,
Márcio Roberto do Prado
P.S.: Sinta-se à vontade para citar meu nome ou reproduzir parte ou a íntegra deste comentário. Em casos como este, vale a pena engajar o nome e a palavra.

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