segunda-feira, 15 de maio de 2006

PCC (Preciso Continuar Caminhando)

10h46min. Estou trancado em meu quarto. Está frio lá fora. Como estou com minhas vias nasais estão congestionadas e não posso deparar-me com qualquer sopro de vento, mantenho-me abrigado, de pijama, com as portas e janelas fechadas. Não fosse o relógio do monitor do computador e eu não saberia que horas são. Estou tentando organizar uns arquivos em formato pdf para escrever um livro sobre espectrometria de massas. Lá dentro de casa (meu quarto é, na verdade, um pedaço da varanda...) estão o papai e a mamãe, assistindo ao noticiário. Pouco discretos, ouço os seus comentários nada animadores. “Noooooooooooossa Senhora! Meu Deus do céu!”, diz a mamãe. Um pouco mais alterado, o papai complementa: “Isso é culpa do Lula, aquele desgraçado!Na época do Maluf, não tinha nada disso. Cadê a ROTA?”. Sem conseguir me concentrar com tanto escândalo, levanto-me, abro a porta e vou verificar qual o motivo de tanto espanto. “O PCC (Primeiro Comando da Capital) está coordenando rebeliões por todo o país. Mais de 80 pessoas já foram mortas”. Sem ter palavras que eles já não tenham dito para manifestar minha indignação, limito-me a dar meia-volta e retornar ao meu quarto. Sento-me diante do computador, mas acabo lançando um olhar perdido para um canto da cama. Uma confusão de pensamentos povoa minha mente. Que mundo é este em que vivemos? Por que os homens não conseguem viver em paz? Por que a maldição do dinheiro está acima do respeito pela vida? Como um homem consegue matar seu semelhante a sangue frio e não sentir culpa? Onde está Deus em tudo isso? Lembro-me, então, da situação do Oriente Médio, onde os homens-bomba se suicidam em nome do Deus deles. Recordo, então, de um dos trechos que li no livro “Operação Cavalo de Tróia”, em que Jesus dizia mais ou menos assim: “Os homens estão embriagados. Quando se derem conta, terão se afogado no próprio vômito”. Fico imaginando que a vida é uma caixa de surpresas, e não sei quantos anos viverei, muito menos se irei casar, se conseguir constituir uma família e educar meus filhos. Temo muito que, vivendo neste mundo cada vez mais violento, eu não tenha vida nem saúde suficientes para cumprir minha tarefa aqui nesta vida.
Diante de tantas perguntas e nenhuma resposta, de tantas dúvidas e nenhuma certeza, balanço a cabeça, ainda com o olhar perdido, e em seguida retorno minha atenção para o computador. O que é mesmo que eu estava fazendo?

Um comentário:

Anônimo disse...

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