quinta-feira, 11 de maio de 2006

Reatando laços

Sexta-feira, 5 de maio. São 7h da manhã. A temperatura deve ter caído um bocado, pois estou com duas blusas e ainda assim sinto frio. Mas não posso pensar nisso agora. Tenho que correr! Hoje é dia de ir a Ribeirão Preto. Não posso perder tempo. Olho para o carro. Está coberto de poeira... Balanço a cabeça, em sinal de quem não acredita no que vai fazer... Eis então que visto um "short", um chinelo e uma camiseta, como se fosse a uma praia. Todo encolhido por causa do frio, abro a torneira, estico a mangueira e pego um pano ensaboado. Sim, eu vou lavar o carro!!! Putz, como esta água está fria! Os dedos estão duros, com as pontas vermelhas. Ainda bem que esta tortura dura apenas 20 min e, após esta eternidade, dirijo-me ao banheiro para tomar uma ducha quente.
9h. Avisto a entrada da USP, onde permaneci no período de 1999 a 2004. Quantas histórias tenho pra contar! E quantas pessoas boas conheci ali! Penso que me tornei uma pessoa melhor após freqüentar aquele ambiente. Isso não quer dizer que ali não existam pessoas mal intencionadas. O grande é problema é que às vezes não se consegue sequer identificar tais pessoas... Entretanto, acredito que eu tenha conseguido me afastar da maioria dessas pessoas.
Vejo então que muitas coisas não mudaram. O porteiro, o meu amigo Paulo, ainda está lá no prédio do laboratório, firme e forte, com o mesmo uniforme azul. Ele está com frio, mas continua sorridente como sempre. No laboratório, sou recepcionado pela Adeguimar, a faxineira. Está de cabelo "novo", liso. Penso na importância de uma "chapinha" na vida de uma mulher. Começo a rir sozinho...
A Carla continua lá, agora mais escondida atrás dos papéis do que nunca. Imagino que ser secretária do laboratório deve ser estressante. Contudo, sempre simpática, ela também me recepciona com um enorme sorriso.
Eis que aparece o meu amigo Tomaz. Este sim é uma figura! Nós nos abraçamos. Sim, tenho grande consideração por ele e sinto que este sentimento é recíproco. Afinal, foram incontáveis diálogos sobre o passado e sobre a vida que levávamos naquela época. Ele era funcionário, eu era pós-graduando. Acabamos nos tornando bons amigos. Digo, com muito orgulho e satisfação, que a participação dele foi fundamental durante os 6 anos que freqüentei o laboratório.
Desço para o laboratório do segundo andar. Lá encontro a Andréia, uma doutoranda que veio para o laboratório já no final do meu doutorado. Também encontro o Diógenes (o "Barba"), o Léo e o Giba, ainda como técnicos do laboratório. Lá na sala, escondido, está o Betão. Ele me recepciona calorosamente e me dá alguns minutos de sua preciosa atenção. Sobre a sua mesa estão papéis e mais papéis. Não sei como ele não se perde... Aos poucos vão aparecendo os velhos colegas. Michel, Carlos, Dayana. Há também alguns novatos, a quem desconheço.
Após o almoço, encontro a professora Dionéia. Esta, sim, é a "mãe" do laboratório! Muito atenciosa, dispensou quase 20 min de "prosa" e, de quebra, ainda ofereceu seu computador para fazer um levantamento bibliográfico. Eu não tinha nem palavras para agradecer por tanta atenção... No meio da "prosa", aparece a professora Hosana. Eu conheci esta jovem professora também no final do doutorado, mas apesar do pouco tempo que convivemos no laboratório, acabamos nos tornando bons amigos, pois consegui ver muita bondade nela em um período curto de tempo.
Mas faltava um. Sim, o professor João! Ele aparece enquanto estou conversando com o Michel e a Andréia na biblioteca. Pára na porta. Olha para mim. Levanta os braços. "Pô, você vem aqui e nem passa na minha sala?" Então eu aperto sua mão e nos abraçamos. Sigo para sua sala, puxo uma cadeira e me sento diante dele para contar, em detalhes, o que tem ocorrido comigo desde dezembro, quando conversamos pela última vez. Tornamo-nos tão amigos que nem acredito que ele foi meu orientador...
Já no final da tarde, como não poderia deixar de ser, sigo para a moradia estudantil. Lá encontro a Ana (gaúcha), o Ricardão (Jaw Jaw) e o Gláucio. Há outras pessoas na casa que não estavam na época em que lá morei. O clima, entretanto, continua o mesmo. Logo noto que são boas pessoas e não é preciso muito tempo de conversa para nos enturmarmos. Em poucos minutos percebo que estão todos rindo das "besteiras" que eu falo.
22h. Entro no carro. Dou partida. Piso na embragem. Engato a marcha. Um dos novos moradores, um baiano chamado Ricardo, acena. "Volte quando puder, Antônio. Você tem uma energia muito positiva." A viagem de volta recomeça. E eu, pra variar, sigo sorrindo sozinho...

4 comentários:

Márcio Roberto do Prado disse...

Grande Antônio, salve!

Desculpe-me por minha ausência aqui nos comentários mas, aqui em Paris, tenho uma rotina muito imprevisível: às vezes, são semanas sem fazer nada; outras vezes, um mundo a ser feito no mesmo período. Mas, embora não tenha escrito antes, isso não quer dizer que tenha faltado em minha visita diária ao "Narrativas", meu caro! Com relação e este último post, não pude deixar de notar o papel importante desempenhado pelo Tempo. Não apenas o tempo das horas do relógio, o vulgar, mas o Tempo que nos coloca a cada instante diante de nossa própria mortalidade, que nos lembra de nossa finitude. Um Tempo que surge quando afloram suas memórias da época de estudante e que, justamente por essas memórias, é suspendido por preciosos instantes. Quando você deu ao seu blog o nome de "Narrativas do meu cotidiano", você, querendo ou não, colocou a esfera do Tempo na pauta de cada passagem escrita, através dessa idéia de "cotidiano". Sou um pouco mais jovem que você, mas somos da mesma geração, o que quer dizer que quando você, nessa relação com o Tempo, traz de volta o que se passou, ainda que mascarado pelo que acontece agora (como neste post), não posso deixar de me sentir transportado para minhas próprias lembranças, de meu próprio cotidiano, também ele cortando e cortado pelo Tempo. Acho que esse também é um dos motivos pelo qual gosto tanto do seu blog: ele me lembra como a saudade é parecida com a pizza; mesmo quando é ruim, é bom...

Márcio Roberto do Prado

Anônimo disse...

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