quarta-feira, 17 de maio de 2006

Tem coisas que o dinheiro não pode comprar

19h15min. Estou na universidade, caminhando pelo corredor em direção à sala de aula. Ao meu lado, conversando comigo, está nada mais, nada menos que o meu amigo Toni. O Toni era o professor que eu mais idolatrava no primeiro ano de graduação e, certamente, foi um dos que mais guardo lembranças positivas. Afinal, ele era o professor mais humano que nós tínhamos, aquele que parecia realmente preocupar-se conosco. Fico observando enquanto ele caminha. A cada cinco passos ele é interrompido por um aperto de mão ou um abraço. Quando isso acontece, eu me afasto um pouco e fico observando, rindo. Meu sorriso tem um ar de admiração por aquele ser humano ímpar. Afinal, enche os olhos ver como ele é adorado e, mais do que isso, como ele não mudou sua personalidade desde que o conheci. Parece até uma ironia do destino que agora, passados 11 anos, ele e eu sejamos colegas de profissão...
Quando nos vemos a sós, conversando enquanto caminhamos, ouço seus conselhos: "Miller, não tem como você separar o aluno da pessoa. Da mesma forma, o aluno não separa o professor da pessoa. Por isso, não se deve nunca ser arrogante". Eu ouço com atenção. Na verdade, sempre segui os conselhos que ele me dispensou. Finalmente, achegamos ao terceiro andar do bloco azul, despedimo-nos e fomos cada um pra a sua sala de aula.
Na porta da sala, uma aluna me aborda. "Você é o professor Miller? Eu gostaria de fazer iniciação científica com você". Lisonjeado, marco um horário para amanhã de manhã. Ao adentrar a sala, uma aluna pergunta: "Professor, o que aconteceu? O senhor sumiu do MSN!" Dou um sorriso, um tanto que amarelado de vergonha, e começo a aula. O assunto da aula? Ressonância. É um tópico um pouco complexo, mas eu me esforço ao máximo para simplificar. Durante a explicação, faço uma pergunta básica sobre o assunto do bimestre anterior. A maioria responde de maneira errada. Ensaio, então, uma risada, e comento que alguns professores me disseram, no intervalo, que aquela turma ali era "boa" de cola. Ao ouvir isso, muitos ficam ofendidos. Um das respostas, no entanto, chamou-me a atenção ao dizer: "Sabe por que todos os outros professores dizem isso? Porque é só você quem dá aulas de verdade nesta turma. Os outros professores só dão aulas nas outras duas turmas; na nossa, eles não conseguem manter a classe quieta. " Vermelho de timidez, porém muito orgulhoso, sem muito saber o que dizer, eu me viro para a lousa novameante e recomeço a explicação. Ao invés de desenhar uma forma contribuinte de ressonância, minha vontade era de desenhar um enorme sorriso no rosto, pra manifestar o meu estado de espírito naquele momento.
Como diz a propaganda do Mastercard, "Existem coisas que o dinheiro não pode comprar." E nenhum dinheiro do mundo pode comprar minha realização neste momento. Obrigado, meu Deus!

2 comentários:

Márcio Roberto do Prado disse...

Ahá! Salve, Antônio!

Acho que eu acabei sendo o visitante de número dois mil aqui do "Narrativas". Para um blog "que ninguém visita", como você diz às vezes, até que a cifra está aumentando, né? Parabéns, e continue com suas narrativas que, com o passar do tempo, começaram a fazer parte do MEU cotidiano.

Abraço

Márcio Roberto do Prado

eliane disse...

Fico muito feliz de saber que o sr. considera tanto a nossa sala. Saiba que o sr. tbm mora no nosso coração !