quarta-feira, 14 de junho de 2006

Meus últimos dias...

Esta é a minha última semana com 29 anos, já que na próxima sexta-feira (16 de junho) completarei 3o anos de vida. Eu nunca pensei que chegaria a esta idade. Quando era mais jovem, eu pensava que uma pessoa com esta idade era muito velha. É engraçado como a minha visão do mundo mudou com o passar dos anos. Na adolescência, quando tinha uns 15 ou 16 anos, eu me achava muito responsável para a minha idade. Eu era muito sério e tímido. Vivia sempre sisudo. Alguns chegavam a falar que tinham errado na data do meu registro! Hoje, por incrível que pareça, eu me considero "moleque" demais para algumas coisas. Por exemplo, às vezes eu não me dou conta de que sou professor e, conseqüentemente, não ajo como tal. Quando estou na minha sala lá no laboratório da universidade, eu abro a porta e começo a tirar um sarro com os alunos. As vítimas variam desde alunos até outros professores. É como se eu fosse um aluno também. É como se todos fôssemos colegas de turma de graduação.
Durante os intervalos, os alunos me param pelos corredores para tirar um sarro. A maioria deles me cumprimenta, sorrindo. Quando eu não os vejo, na maioria das vezes por distração, alguns fazem questão de chamar-me pelo nome ou gritarem, para terem minha atenção. A satisfação que isto me traz é indescritível, principalmente porque a disciplina que eu ministro (Química Orgânica) é uma das mais temidas de todo o curso de Química lá da universidade. Quem é aluno sabe o quanto é difícil olhar para o professor e não maldizê-lo quando não se está indo bem na disciplina que ele ministra.
Como professor de ensino médio, posso dizer que não sou o professor que eu gostaria de ser. Eu encontro, sim, uma enorme realização pessoal, mas profissionalmente eu acho que deixo muito a desejar. Há muitas coisas do cotidiano que eu deveria ensinar-lhes, mas eu percebo que estou pecando muito neste sentido. É complicado, pois o pouco tempo que me sobra é preenchido com atividades da pós-graduação ou com horas de sono, já que eu durmo de 5h30min a 6h por noite. Mas eu não posso nem começar a pensar nisso, pois ter a sensação de estar fazendo algo malfeito é algo que me causa profunda depressão e tristeza.
Como pesquisador, eu sinto uma frustração enorme. Embora eu tenha conseguido publicar mais de uma dezena de artigos, a sensação de estar "desaprendendo" a cada dia me incomoda muito. Mais do que isso, eu percebo que a contribuição direta que estes artigos trazem para a sociedade é praticamente nula. O que realmente me motiva são as aulas de pós-graduação. São uma oportunidade de transmitir o pouco que aprendi para os alunos de mestrado. Após as aulas, eu me sinto esvaziado e com a consciência tranqüila. Vale a pena!
Como esportista, eu aprendi que não sou um perdedor tão ruim quanto eu pensava. No futebol, eu estou me tornando um jogador menos habilidoso a cada dia que passa. Muita raça, pouca técnica. Apesar disso, aprendi a me controlar e ser um jogador que joga para o time. Embora jogue na posição de zagueiro, eu tenho o orgulho de dizer que nunca fui desleal, já que jamais ninguém se machucou por minha causa. Tenho me dividido entre o futebol e a natação. Claro que eu odeio nadar, mas a minha coluna cervical implora (às vezes ordena!) que eu nade.
Como amigo, eu não posso afirmar nada. Afinal, eu aprendi com o papai que ele e a mamãe são os meus únicos e verdadeiros amigos (claro que aí devo incluir a vovó Maria, o vovô Mila e a titia Ângela, né?). Entretanto, eu conheço uma meia dúzia (talvez menos...) de pessoas que, pelo menos aparentemente, tem consideração por mim e com quem vale a pena manter contato. A eles eu procuro dedicar uma parte de meu tempo (embora nem sempre isso seja possível).
Como filho, percebi que meus pais e minha família têm orgulho de mim. Agora há pouco, o papai me abraçou e disse que eu sou "o filho do jeito que ele pediu a Deus". Quem lê este blog com certa freqüência faz mais ou menos idéia da minha felicidade e realização que esta frase me trouxe. Eu só lamento estar levando uma vida corrida como esta, que me impede, muitas vezes, de dar a atenção merecida àqueles que mais amo nesta vida.
Como namorado, eu posso apenas dizer que estar ao lado de uma pessoa como a Débora é algo divino e extremamente motivante, em todos os sentidos. Nós somos pessoas extremamente diferentes, com personalidades muitíssimo diferentes. Logo, conviver (e aceitar) as diferenças - e, mais do que isso, aprender a amá-las - é uma verdadeira lição de vida. É também uma excelente oportunidade para aprender a compartilhar minha vida e, principalmente, o meu tempo ao lado dela.
Como homem, eu também me sinto realizado. Fisicamente, descobri que não sou tão feio quanto eu pensava na adolescência, mas acabei descobrindo que há algo em mim que é muito mais importante e atraente do que a beleza física. Mês que vem eu completarei 11 maravilhosos anos ao lado da Débora, que eu acredito ser a mulher que Deus enviou a este plano para ser minha companheira. Continuamos a construção da casa (embora a passos lentos) e estamos otimistas quanto ao nosso futuro. Um futuro onde eu possa escrever o meu livro, plantar uma árvore e ser pai. Acima de tudo, um futuro onde eu possa retribuir aos meus semelhantes todas as bênçãos que Deus-Pai me concedeu.

Nenhum comentário: