terça-feira, 13 de junho de 2006

Vitorioso?

Eu estava prestes a pegar no sono. Já havia vestido meu pijama e o cobertor já estava sobre a cama. Aquele friozinho de inverno parecia fazer dela a cama mais desejada do mundo. Foi quando eu olhei para este monitor e lembrei-me de que não havia atualizado este blog.
"Caramba, mas eu não tenho nada de especial para contar...", pensei. "Mas o que é especial?" Neste ponto da reflexão, uma enorme tensão tomou conta de mim, pois o termo "especial" é, em essência, muito relativo. Afinal, um relato pode ser muito importante para uma pessoa e totalmente insignificante para outras. De qualquer forma, o que acontece na vida de cada um de nós tem sempre um significado especial para nós mesmos, pois é no cotidiano que adquirimos experiência de vida e nos tornamos pessoas melhores (bom, pelo menos eu penso assim...).
Pois bem. Semana passada eu relatei aqui o meu desapontamento com alguns fatos ocorridos na universidade. Como o mundo dá muitas voltas, hoje foi um dia diferente. Havia poucos alunos e as aulas foram bem mais descontraídas e leves. Confesso que fiquei feliz e muito surpreso, pois eu esperava uma aula de revisão pré-prova muito tensa e com um clima pesado. Diante do que vivi hoje, eu me convenço cada vez mais que o problema está, muitas vezes, no próprio professor. E olha que não estou me referindo às tecnologias e inovações, mas sim ao estado de espírito com que um professor entra em sala de aula. Hoje vou dormir com a consciência tranqüila. Estou cansado, porém feliz. Preciso descansar da batalha de hoje, pois amanhã tem mais outra...

Um comentário:

Márcio Roberto do Prado disse...

Salve, salve, Antônio!

Cá estou, dando um sinalzinho de vida! Meu caro, acompanhando as últimas narrativas (cuja diversidade é extremamente agradável, indo da confissão pessoal comovente à anedota divertida do cotidiano), confesso que fiquei um tanto quanto apreensivo diante de sua posição frente ao magistério, especificamente no nível superior. Digo isso porque o Antônio que eu conheci aqui no “Narrativas” sempre teve uma posição admirável como elemento atuante do processo de ensino e aprendizagem. Seja no Ensino Médio, seja no Superior, o que sempre transpareceu foi a figura de um homem que soube enfrentar o desafio ético de ser professor nos tempos atuais, nos quais essa empreitada parece cada vez mais difícil diante do sucateamento, do utilitarismo, da desenfreada corrida por recursos financeiros, de egos enormes e despropositados, e tantas outras coisas que conhecemos tão bem. Em meio a isso, vi que você sempre aspirou (e ainda aspira, felizmente!) a um novo passo em sua carreira, que certamente passa pela cátedra de uma universidade pública. E, considerando os motivos mesquinhos que levam as pessoas a desejarem isso hoje em dia, sua intenção de ampliar ainda mais as perspectivas de seu papel de agente motivador de conhecimento pareceu-me realmente digna dos maiores elogios! O interessante é que você não precisa da universidade pública. O cara que eu li já realiza nas entrelinhas do seu dia-a-dia essa tarefa, e muito bem. Mas, mesmo assim, o desejo de fazer mais, e melhor, não apenas para você, mas para os alunos, consegue impulsioná-lo apesar das dificuldades e dessa coluna rebelde! Por isso fiquei muito feliz com esse post, por reencontrar no meu amigo o ânimo para enfrentar essas batalhas das quais não podemos escapar mas que, sem dúvida, valem a pena simplesmente por terem sido enfrentadas. Vitorioso? Bien sûr, como diriam meus chapas aqui de Paris. É claro que você é. E faça-me o favor de continuar assim, ok?

Abração, velho, do seu camarada meio francês que em julho desembarca no Brasil,

Márcio Roberto do Prado