sábado, 22 de julho de 2006

Inimigo imortal

Tempo. Ah, o tempo... Ele de novo! Ainda não aprendi a lidar com ele. Parece-me um inimigo imbatível, para o qual sempre perco a guerra. Sempre. No final, ele sempre vence. Sua estratégia é simples: vai minando nossas forças, pouco a pouco. Algumas vezes é certeiro: abate-nos em cheio, levando-nos a saúde e a alegria. Em outras tantas, o tempo é desleal: não nos atinge diretamente, mas sim aos nossos entes queridos e amigos. Leva a saúde deles e, não raramente, os tira do campo de batalha. Quando não temos pessoas próximas, a quem amamos, ele as coloca em nossa vida, para, obviamente, tirá-las mais tarde e fazer-nos sofrer. É um plano inteligente, porém muito cruel. Ficaria satisfeito se conseguisse vencer algumas batalhas, mas minhas armas não têm funcionado muito bem... É o caso da minha irmã, por exemplo. Até os quatro anos de idade, eu era um menino muito solitário. Então Deus trouxe minha irmã e o tempo colocou-a em minha vida. Eu não estava mais sozinho. Desde então inúmeras foram as brigas e discussões. Embora sejamos irmãos, nunca soubemos compreender-nos um ao outro. Ainda assim, nos divertimos muitas vezes. Bichinhos de pelúcia, vôlei, xadrez, banco imobiliário... Quando veio a maturidade, quando nós finalmente estávamos começando a querer entender as razões um do outro, o tempo desferiu um golpe duro: minha irmã se casou e se foi para Ribeirão. Quando estava conseguindo recuperar-me, o tempo resolveu apelar e colocou a Clara em minha vida. Não apenas minha sobrinha, mas também minha afilhada. As duas, minha irmã e ela, voltaram para casa. Era só uma preparação para um golpe mais duro, que viria pouco mais de um ano depois: o tempo agora levou embora as duas para Cosmópolis, a 300 km daqui...

Quando começo a me acostumar com a dor, o tempo traz as duas de volta, para relembrar quão importante é a presença das duas em minha vida. Mas em pouco mais de uma semana percebo que tudo não passou de mais uma estratégia do tempo, e as duas se vão novamente... Ontem o tempo fez uso de um dos golpes mais duros e desleais: deixou nossa casa cheia, para hoje esvaziá-la. Trouxe-me de volta, de longe, minha querida afilhada Bianca. Encheu a casa de doçura, proporcionou-me uma tarde inesquecível.

Hoje estamos apenas eu e o papai. Ele, deitado no sofá, eu aqui no meu pequeno quarto, ouvindo Enya. Estou sozinho novamente, com dores nas costas (maldito tempo, está levando minha saúde também!), aguardando o próximo golpe...

Um comentário:

Olga disse...

Voltei a visitá-lo, através do link de Débora da "A Mente da Mulher" . E, dessa vez , como estou sem vontade de escrever nada no meu blog, e , com vontade de ler tudo, curto período de "alimentação" , li quase todas as suas crônicas. Ufa !

A-do-rei ! Você escreve super bem. A leitura é leve e nos transporta através do seu mundo e seus contos.

Obrigada por esses momentos de leitura tão gostosos !

Aparece de vez em quando no meu blog: "Notas Cotidianas" para me visitar.

Abraços,
Olga.