terça-feira, 29 de agosto de 2006

Balde de água fria

Segunda-feira, 28 de agosto de 2006. Estou em uma das salas de primeiro ano do ensino médio. Trata-se de uma sala muito peculiar. Ao contrário do resto da escola, as carteiras desta sala são de braço. Os alunos, em torno de dezesseis, estão dispostos pelo fundo e pelas paredes laterais, deixando um enorme espaço vazio no meio da sala. Lá fora, do outro lado da janela, uma árvore teima em bloquear a passagem da luz do sol, fazendo com que esta sala tenha um ambiente “carregado”. O tema da aula de hoje é, ainda, a tabela periódica. Não consigo entender o porquê, mas a matéria nesta turma não progride bem. Talvez seja porque as aulas são sempre nos últimos horários, a terceira (antes do recreio, na segunda-feira) e a última (na terça-feira). Há alguns alunos na sala que demonstram ser muito astutos, que facilmente entendem o que eu quero dizer. No entanto, sinto um grande desinteresse por parte deles. Sei também (e isso tenho por experiência em outras salas) que muitos prestam atenção mais por consideração e respeito à minha pessoa do que por estarem interessados em Química. Sinceramente, não sei se isso é bom ou se é ruim. Estou no centro da sala, com a classificação periódica dos elementos em mãos. Ao contrário das outras salas, não há nesta um prego sequer na parede, de maneira que não há como pendurar a classificação periódica na parede em frente ao quadro negro. Sendo assim, tenho que ficar fazendo malabarismo, com a tabela periódica em frente ao meu corpo. Alguns alunos parecem divertir-se com as frases que bolei para memorizarem as famílias. Surpreendo-me quando vejo que todos estão me olhando, como se estivessem prestando atenção. Estou empolgado. Sinto que estou dando uma aula “legal”, que está atraindo a atenção dos alunos. Um dos alunos, que parecia estar prestando atenção, levanta o dedo, pedindo a palavra. “Fessor...”, diz ele. “Pode falar”, digo, tentando fazer com que se sinta à vontade. Afinal, as dúvidas sobre o conteúdo são muito raras, dando a impressão de que o desinteresse é geral. “... que horas são?”. Não, eu não acredito no que acabei de ouvir! Como se tivesse sido banhado com água fria, deixo a tabela encostar o chão. Respiro fundo e, sem forças, deixo-me abater. “Que horas são? Agora é hora de eu sentar-me e ficar olhando pro rosto de vocês...”, digo, extremamente desanimado. Desde que comecei a dar aulas no ensino médio, poucas vezes senti tristeza e desânimos tão grandes. Pela forma como o aluno perguntou, sinto que ele não perguntou com maldade, mas não pude resisti e tombei. E o tombo foi tão doído ao ponto de ir embora sem dar as três últimas aulas que faltavam. “Onde você vai?”, pergunta a vice-diretora. “Vou embora. Não tenho mais condições psicológicas para dar aulas hoje”. Talvez eu esteja realmente estressado ou, como diz a mãe, “prestes a cair em depressão”. Ela continua insistindo para que eu tome um anti-depressivo, mas prefiro resolver meus problemas sem precisar de medicamentos. A coluna continua doendo. Os dias vão se passando e minha saúde vai indo embora. Preciso reencontrar-me com Deus antes que seja tarde demais.

3 comentários:

Sandra White disse...

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Marcelo disse...

Indiquei seu blog, como leitura, para o dia do Blog! =D Otima semana! Ou final dela!

cristine disse...

Oie!

Nossa, se vc desse aula na minha classe então.. acho que tinha um piripaque [palavra mais antiga..] no meio da explicação.
A escola em que estudo tem um convênio com um centro de treinamento de beisebol que há na cidade. Então grande parte dos alunos do ensino médio são meninos. Meninos que na maioria das vezes não estão interessados em aprender, pq querem uma carreira beisebolística [como eles mesmos dizem.. rs], e não se preocupam com vestibular e coisas do gênero.
Mas fora a "má-influência" desse pessoal, ainda tem outro pessoal que faz parte da turma que não quer nada com nada. Os pais pagam um colégio particular para que os filhos tenham uma oportunidade de ter uma boa vida, e eles acham que só pq pagam o colégio merecem passar de ano..

Acho que em todo lugar há as pessoas boas e aquelas que escolheram seguir por outro caminho.. que pode ser bom para elas mas que prejudicam os outros.. essas são as pessoas egoístas. Assim como aquele cara que vc citou no outro post..

Fazer o que, né?
O jeito é ir levando.. e tentar não se abater com essas coisas que nos incomodam.

Bom fds!
Cris