domingo, 20 de agosto de 2006

De volta a Ribeirão Preto

Acordei na quinta-feira disposto a mudar o rumo que meu humor estava tomando. Ao contrário do que havia ocorrido na quarta-feira, voltei da universidade com a sensação de dever cumprido. Ao invés da irritação, fui acometido por um cansaço arrasador, ao ponto de precisar tirar um cochilo antes de ir para a natação. Acabei chegando atrasado (novamente...) às aulas noturnas no colégio, o que me rendeu uma advertência ‘sutil’ e educada por parte da diretora. É vergonhoso dizer isso, mas o atraso está se tornando algo cada vez mais comum em minha vida, de modo que a lista de pessoas insatisfeitas com minha dificuldade de lidar com o horário está aumentando a cada dia. Por causa do cansaço, as aulas no colégio não foram boas (pelo menos não na minha opinião), mas ainda assim tive força para manter-me de pé e “lutar” até o último minuto contra o cansaço. Na sexta-feira fui para Ribeirão Preto. Precisava tratar de alguns assuntos pendentes relacionados ao trabalho da Marcele, uma aluna de mestrado que está sob minha DESorientação... Aproveitei e revi colegas dos tempos áureos de pós-graduação. O Tomaz recepcionou-me como a um irmão. Carla (secretária), Adeguimar (auxiliar de laboratório), Giba (técnico em destilação de solventes), Diógenes (o “cara” que prepara as amostras para RMN), Sílvia Taleb (agora uma pós-doutoranda) e, claro, o professor João, que foi meu orientador durante os seis anos de pós-graduação. Fui almoçar com a Viviane, uma amiga argentina com quem convivi durante 4 anos na moradia estudantil. Estava tão abatida com os problemas de relacionamento com seu orientador que sequer reconheceu minha voz ao telefone (!!!). Ouvi-la foi uma verdadeira lição sobre como um orientador NÃO deve ser e como as decisões do mesmo podem afetar e desestruturar completamente a vida de um aluno. Pelo que entendi, o tal professor “desforra” todos os seus problemas pessoais em cima do trabalho dela, beirando à falta de educação. Lamentável. Após o almoço, fui à biblioteca xerocar um artigo científico. Fazia dois anos que eu não ia àquele lugar em que tanto estudei durante a pós-graduação. As recordações que guardo de lá são muito boas. Quando parei diante do seu Luís, com sua barba e cabelo branquíssimos, recebi um sorriso. “Oi Antônio, tudo bem?”. Nem acreditei que ele se lembrou do meu nome!!! “Oi, Eduardo. Está sumido... Tudo bem?”, diz a Cássia, com um sorriso estampado no rosto. Meu Deus, eles ainda se lembram do meu nome! A Nice, esposa do Tomaz, também me cumprimentou, embora estivesse ocupada como sempre. No primeiro andar, a dona Miriam, sempre sorridente, perguntou se eu ainda não havia me casado. Ela quase teve um “troço” de tanto rir quando eu disse que “minha namorada está me enrolando há 11 anos”. Antes de vir embora, não resisti e fui à moradia. Lá encontrei o Ricardão, um antigo amigo de graduação e de pós-graduação. É ele um dos poucos elos que ainda me ligam fisicamente àquela casa. Creio que quando ele for embora, dificilmente voltarei a pôr os pés ali novamente. As árvores do campus estavam todas secas, por causa do longo período de estiagem. A biblioteca está sendo ampliada. Foi aberta uma rua que passa próximo à moradia de pós-graduação onde me alojei. Tudo está muito diferente. Havia um ar de saudosismo no ar. Andava com o carro bem devagar, olhando cada detalhe. Respirava fundo, tentando controlar os efeitos daquele maldito nó na garganta. Ao pegar a estrada, não contive o pranto. Chorei, inconformado e incapaz de controlar o maldito tempo, que parece voar mais rápido do que nunca...

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