segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Velho filho de uma jovem mãe

23h26min. Acabo de descer do ônibus 1380 da PW Tur, no qual viajo às segundas, terças e quartas-feiras. Volto para casa caminhando ao lado do Sanclei, um colega de ônibus. Cada um desce ouvindo o seu mp3 player. As palavras entre nós são escassas. Cada um parece mergulhado nos seus próprios problemas e pensando no dia de amanhã. Caminho arrastando os pés. Preciso revezar o braço que carrega a maleta, pois ela parece estar pesando mais que nos outros dias, embora esteja praticamente vazia. De fato, estou muito cansado. Na natação, não concluí mais que 500 m e, ainda assim, senti-me exausto, a ponto de sentir uma maldita fisgada nas costas... Na hidroginástica, também não demonstrei o fôlego de sempre. Parecia estar rezando para acabar logo com aquilo. As aulas na universidade foram tranqüilas, porém cansativas. Às vezes sinto que estou um pouco cansado de tantas aulas, mas sei que o problema talvez esteja comigo. Cada vez mais eu quero estar em uma universidade pública e, ironicamente, as chances disso se concretizar me parecem cada vez mais remotas. Hoje em especial eu me esforcei para dar boas aulas na universidade, mas a postura e o desinteresse de alguns alunos é desmotivante. Em um determinado momento, na última aula, eu me equivoquei em uma ordem de bascidade, mas logo corrigi. Foi o suficiente para um dos alunos do “fundão” gritar um “ô burro!”. Ironicamente, é um aluno que está de dependência, que já foi reprovado uma vez e caminha para a segunda reprovação... Com os ombros caídos e a coluna recurvada, tento seguir o ritmo do Sanclei. “É, Sanclei, não sei se hoje eu conseguiria levar a vida que eu levava nos tempos de universidade.” “É foda”, responde ele, demonstrando também estar cansado e pouco disposto a um diálogo. Aos poucos vamos vencendo a esquina e nossas casas vão se tornando cada vez mais próximas. Enfim, chegamos ao quarteirão de minha casa. Aperto-lhe a mão. “Até amanhã, Sanclei. Abraço!” Ele retribui o cumprimento e desce em direção à sua casa. Da esquina, olho para o portão de cada, onde minha querida mamãezinha me aguarda, agachada. Olho então para o céu estrelado e agradeço a Deus por tê-la colocado em minha vida. Sem ela jamais teria vencido os obstáculos que surgiram em minha vida. Uma brisa suave massageia meu rosto. Já no portão, dou um abraço apertado na mamãe. Caminhando abraçado com a minha mamãe “baixinha”, de 1,50m, eu começo a esboçar um sorriso tímido, sem deixar os dentes à mostra. “Há muitos motivos pra não desistir. A senhora é um deles”, penso comigo. Ela se encolhe, tímida, como quem não é acostumada a receber um abraço. A porta da sala se abre. Atravesso a sala, a cozinha e chego, enfim, ao meu quarto. Lá da cozinha, a mamãe grita: “Filho, o seu leite está pronto. Vem beber ele logo, senão ele vai esfriar. Tchau, dorme com Deus. Vou dormir. Amanhã tenho que levantar às 4h...”, diz ela. Ah, mamãe, se a senhora soubesse como eu gosto da senhora e a admiro...

2 comentários:

Sanclei disse...

E ai Tonhão eu li o seu conto como vc tinha me falado, cara eu fiquei emoçionado em ver o meu nome no seu diario e de todos o ss detalhes da nossa caminhada rua pra casa depois da facu. E meus parabêns porque vc escreve muito bem e que vc continue sempre assim a pessoa que vc é. E com esse seu grande esforço, logo logo vc irá conseguir dar aula em uma faculdade pública. Eu e seus amigos estaremos torcendo pra isso aconteçer.
Te desejo muita paz e sucesso na vida.
Abraço

Ramiro disse...

Olá Antônio,

Parabêns pelo blog, realmente é algo muito bom estarmos expressando em palavras o que ocorre no nosso dia-a-dia. Muitas vezes não temos como conversar com outras pessoas durante o nosso tão corrido dia, mas é bom saber que podemos chegar em casa e escrever tudo aquilo que realmente estivemos pensando e vivendo durante o nosso dia. Mais uma vez parabêns que desejo à você toda a sorte de felicidade. Abraços.