domingo, 3 de setembro de 2006

Botando a casa em ordem

Nesta semana, senti-me como se estivesse em um túnel estreito e longo. Eu não via a hora de chegar sexta-feira, para que eu pudesse respirar um pouco. Na verdade, eu não me recordo (e olha que tenho uma memória relativamente boa) de ter vivido uma semana tão estranha como esta. Em alguns momentos estive prestes a entrar em pânico. Aos meus olhos, tudo parecia dar errado. Hoje, em pleno domingo, sinto um certo alívio por ter conseguido sobreviver e ter conseguido virar mais esta página de minha vida. Espero não escrever um outro rascunho como este. Rascunho, sim, pois não tive autocontrole para escrever uma boa história... Não bastassem os compromissos lá na universidade (aulas, atividades de pesquisa, orientações, projetos, artigos...), que estão me tomando boa parte do tempo útil e da massa encefálica (certo, eu estudei pra chegar até aqui, né?) e a correria, que tanto me irrita, precisei dividir meu tempo com um dilema pessoal enorme: a realização ou não de uma viagem para o norte do Paraná, mais precisamente Maringá e Londrina, onde mora parte de nossa família. A proposta de realizar a tal viagem partiu do vovô “Milla”, que é praticamente um pai para mim. Por causa da idade, ele e a vovó não têm mais condições de viajar para Maringá de ônibus. Lá mora a tia Alice, a irmã de quem a vovó Maria mais gosta. O vovô, por sua vez, adora viajar e conversar com o tio Luís, de quem ele é amigo desde a adolescência. Em viagens anteriores, o vovô convidou o papai para ser o motorista. Para aproveitar a viagem, o papai costuma deixar o vovô Milla e a vovó Maria em Maringá e segue com a mamãe até Cambira, onde mora a família do nosso saudoso tio “Chiquinho” Crotti, irmão do vovô Crotti (pai do papai). Pois bem. Desta vez o papai bateu o pé e disse que não ia se eu não fosse. Confesso que, no início, não entendi o porquê de sua atitude, já que ele foi visitar nossos parentes paranaenses sem mim. Surgiu daí um problema enorme: eu não gosto de viajar sem a Débora. Quando ela fica para trás, sinto como se estivesse “ao meio”, e eu bem sabia que ela não poderia ir conosco, pois tem que ministrar aulas na quinta e na sexta-feira. Ocorreu-me então que o vovô Milla já está velhinho e que talvez ele não tenha outra oportunidade para fazer uma viagem dessas. Lembrei também que o papai está receoso de ter que fazer uma nova cirurgia por causa da érnia que se formou no corte da cirurgia anterior, e que nesta cirurgia algo pode dar errado. Por fim, ficamos sabendo que a tia Augusta não anda bem de saúde e que, assim como aconteceu com o tio Chiquinho 5 anos atrás, esta pode ser a última oportunidade de vê-la nesta vida. Após muita reflexão e um diálogo aberto com a minha sempre compreensiva e amada Débora, decidi que viajarei com eles. Sei que para mim será um grande sacrifício físico, pois minha coluna não suportará ficar aproximadamente 8 h prensada em um carro apertado, mas sem dúvida esta dor será menos intensa que a de uma futura dor na consciência. Além disso, terei a oportunidade de passar um tempo com meus pais e com os meus avós, coisa que eu não faço há algum tempo. Acho mais do que justo passarmos esse tempo juntos. Somente hoje, no início da tarde, fui perceber porque o papai não queria ir sem mim. Quando recebemos a visita de parte da família Crotti paranaense, em novembro do ano passado, ele percebeu que todos gostaram muito de mim. Deitado na rede, o papai disse-me, pegando em minha mão, as palavras que o tio Eduardo pronunciou quando soube que eu levaria o seu nome: "Sempre fui um homem honesto e nunca fiz mal a ninguém. Deus há de abençoá-lo e ele se tornará um homem inteligente e uma pessoa de bom coração". Hoje ele disse que se o tio Eduardo ainda estivesse vivo, teria muito orgulho de mim, pois segundo ele, eu me tornei exatamente como o tio Eduardo queria. No final desta semana conturbada, consigo perceber o quanto meu pai e a minha família me amam e se preocupam comigo, e quão importante é ter uma companheira ao meu lado que sabe reconhecer a importância da família em minha vida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Estava fazendo uma pesquisa e achei este blog e comecei a ler pelo desanimo de continuar pesquisando e gostei do que li.

Geise disse...

e achei totalmente interessante na realidade não tenho cora gem de expor minha vida assim. Parabéns pela coragem