quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Medo de dormir

O monitor está aqui à minha frente, olhando para mim. Nele vejo o reflexo de minha imagem, 8 kg mais leve do que há dois meses atrás. Perder peso foi uma das recomendações médicas para solucionar os problemas na coluna. A aparência física melhorou bastante e a sensação de poder novamente caber nas calças é confortante, mas as dores propriamente ditas perduram até hoje e, pior, tornaram-se cada vez mais constantes. Temo a hora de dormir. O temor vai se transformando em desespero à medida que o sono vem chegando. Eu já devia estar na cama agora, mas tenho medo de dormir, pois sei que amanhã acordarei com dores nas costas. E não é problema do colchão, nem tampouco de postura. Como disse minha prima Márcia, eu preciso parar para descansar. A verdade é que eu não tenho me dado o privilégio de fazer isso há um bom tempo. As coisas vêm acontecendo muito rápido na minha vida e a maioria delas não pode esperar. O peso sobre meus ombros é cada vez maior, e certamente aumentará quando eu sair de casa, casar-me e constituir uma família onde eu serei o pai. Não, eu não vejo solução para o meu problema, pois eu não enxergo qual é o meu problema... Não se pode enfrentar um inimigo que não se vê. Desde os 12 anos eu tenho desvio na coluna e sei que não cuidei deste problema como deveria. No entanto, as dores que sinto hoje são relativamente recentes. Se não me falha a memória, comecei a senti-las de uns dois ou três anos pra cá. Coincidentemente, faz três anos que comecei a lecionar na universidade. Naquela época eu era bolsista e tinha que fazer tudo escondido, pois todo bolsista é obrigado a assinar um papel dizendo que a bolsa de estudos é a sua única fonte de renda. Se descobrissem, eu não apenas perderia o direito à bolsa como também seria obrigado a devolver toda a quantia recebida até então... Também tinha que viver me escondendo dos colegas da moradia de pós-graduação, que embora desconfiassem que eu estava dando aulas, nunca souberam a verdade. Hoje levo uma vida de louco, cheia de viagens e horários (quem diria que há alguns anos atrás eu desejava tê-los...). Nunca pensei que fosse ganhar o que ganho hoje, mas também nunca pensei que fosse passar pelo que estou passando. Lá na universidade, quando fico sentado por um tempo prolongado, eu me levanto e começo a andar com o corpo torto para um dos lados. Até a coluna se acomodar, eu caminho praticamente como um velho de 80 anos... Pois bem. Tenho apenas 30 kg e estou praticamente no auge do meu vigor físico. O que será de mim daqui há alguns anos? Será esta mais uma preocupação a ser colocada sobre meus ombros? Sem ter respostas e sem ter tempo suficiente para escrever as inúmeras histórias que eu tenho pra contar, não vejo outra opção que não seja enfrentar chão da sala novamente (eu já desisti de dormir na cama...), pois minha coluna está começando a doer nesta posição em que estou escrevendo. Que Deus me ajude!

Um comentário:

Rangel Duque disse...

caro colega, gostaria de uma ajuda sua para colocar a minha foto no meu blog,eu não consigo, se puder me ajudar eu agradeço.um abraço!