domingo, 3 de setembro de 2006

No limite

Já é madrugada. Lá fora reina o silêncio. O único som que ouço é o da música que vem das pequenas caixas de som deste computador, tocando“Complicated”, de Avril Lavigne. Enquanto digito, consigo esquecer momentaneamente que já deveria estar dormindo. Esqueço também, por alguns instantes, que minha coluna dói e que, pra piorar, certamente estarei “travado” quando deixar esta cadeira. Diante desta situação cada vez mais complicada (certo, o título da música que estou ouvindo é bem sugestivo...), encontrei uma certa dificuldade para descrever aqui o que se passou comigo desde segunda-feira. Pois bem. Vamos aos fatos que ainda consigo lembrar. Ainda na segunda-feira, participei da reunião de pais. Conversei, inclusive, com a mãe do aluno que me perguntou as horas na segunda-feira. “Professor, eu queria saber o que o senhor me diz do meu filho”, perguntou ela. Naquele momento, eu senti que estava com a faca e o queijo em mãos. Eu poderia ter reclamado daquele aluno para sua mãe e relatado que ele está muito longe de ser um “anjinho inocente”, e que adora "brincar de mãos" (entenda-se: socos e tapas) com seus colegas, além de conversar muito durante as aulas. No entanto, ocorreu-me que tal atitude seria uma espécie de vingança. Preferi, então, reforçar para aquela mãe, que me pareceu tão sofrida, os pontos positivos de seu filho. “Seu filho conversa bastante, mas nunca me faltou com o respeito. Às vezes conversa durante a aula e se levanta para ir à carteira dos colegas para provocá-los, mas sempre me respeitou quando chamei sua atenção. Nunca tive problemas com ele. A senhora está de parabéns”, disse a ela, que ao ouvir-me, foi desenhando um sorriso tímido no rosto. O fato de ter conversado com a mãe do tal aluno trouxe-me um pouco de paz. Era como se, no fundo, eu tivesse a oportunidade de mostrar, por meio de um ato concreto, que eu o havia perdoado e que aquele problema estava superado. À noite, quando notei o desânimo de alguns alunos da faculdade, resolvi contar a história do “que horas são?”. Entretanto, não sei se foi uma boa idéia, já que a maioria dos alunos ficaram perguntando as horas, em tom de brincadeira. Na terça-feira, tive uma conversa muito franca com os alunos da 3ª. Série do ensino médio. Desculpei-me por ter ido embora e expliquei-lhes minhas razões. Disse que não ando muito bem de saúde (não sei se física ou mental...), mas que vou tentar agüentar até o final do ano por causa deles, que vão se formar. Fiquei surpreso com a reação deles. Além dos aplausos, uma das alunas mais falantes e pouco estudiosas da sala parou-me no corredor após a aula e abraçou-me, agradecendo-me pela decisão que eu havia tomado. À noite, na faculdade, encontrei-me com um professor, grande amigo, que me cumprimentou e perguntou se eu havia gravado o CD que ele havia pedido. O mais preocupante (e vergonhoso também!) é que eu sequer me lembrava do que tinha prometido gravar para ele... Senti então uma vergonha tão horrível que, juro, quis esconder-me debaixo de uma das mesas da sala dos professores... Para fechar o dia com chave de ouro, fui notar, antes de dormir, que havia perdido a tampa do mp3 player. Fui dormir à 1h30min, com os nervos à flor da pele. Afinal, o mp3 player foi um presente dado pela Débora. Para completar (ou seria extinguir?) a pouca paciência que me restava, ouvi o motorista dizer no dia seguinte (quarta-feira) que tinha achado a tampa que estava me tirando o sono, mas que por não saber do que se tratava, havia jogado no lixo. Que maré de azar é essa, meu Deus do céu??? Em conversa com o “primo” Crevelin (é assim que nos chamamos, embora não tenhamos nenhum grau direto de parentesco), encontrei, finalmente, a razão de tanto estresse: a minha casa. Tenho trabalhado muito e vivido uma rotina maluca para conseguir construir o que será o meu futuro lar. No entanto, a maioria das pessoas que trabalham com construção civil (pedreiros, carpinteiros, pintores...) são todas “enroladas”. Além de demorarem para irem fazer o serviço, parece haver uma nuvem negra sobre as pessoas com quem tenho lidado. Por exemplo: o rapaz responsável por colocar as calhas e os rufos contraiu uma pneumonia na semana em que ia fazer o serviço. O carpinteiro, por sua vez, caiu de um andaime dois dias antes de recomeçar o serviço que está faltando e, com a queda, acabou precisando ficar de repouso por quase uma semana. Às vezes eu começo a pensar que é muita coincidência negativa, mas prefiro tentar não acreditar nessas coisas, caso contrário acho que vou enlouquecer...
Amanhã eu termino. Este post está enorme e eu já estou morrendo de sono...

Um comentário:

rose disse...

Oi colega, acho que posso falar assim pq também sou professora, e de historia, sei como são as frustacões do cotidiano. Veja bem, hoje domingo, estou no notbook do meu marido com um teclado que não tem acentos pesquisando para feira das nacões,e meus alunos pq não o faz? sei la. São coisas da vida docente. Tudo meio sem nexo, eu sei, professor depois de um tempo enlouquece.