domingo, 17 de setembro de 2006

Revoltado, estressado e travado

Já é madrugada. Eu deveria estar dormindo, pois tenho que acordar amanhã cedo para as aulas no colégio. No entanto, cá me encontro diante deste monitor, um tanto que bêbado de sono, na vã tentativa de relatar neste espaço as minhas experiências cotidianas. Meu astral neste momento não é dos melhores. Uma gama de sentimentos negativos me abala neste momento, a ponto de quase fazerem com que eu desista de escrever. Mas vamos por partes. Tudo começou ontem de madrugada, mais precisamente às 3h30min da madrugada. Precisei acordar cedo, pois a Débora e eu havíamos confirmado participação em uma excursão para as Termas dos Laranjais, na cidade de Olímpia. Nós já havíamos visitado aquele lugar duas vezes, ambas em situações muito prazerosas, mas em nenhuma delas nós precisamos acordar tão cedo. Confesso que ter que acordar tão cedo em pleno domingo gerou, desde o início, a sensação de que aquela aventura não seria exatamente como nós esperávamos. Entretanto, eu fiquei na torcida para que eu estivesse enganado. Quando entramos no ônibus, reconheci o motorista. Era o amigo Gilmar, a quem apelidamos de “Gilmarzinho” por causa do tamanho (1,60, mais ou menos). Nos tempos de faculdade, era ele o motorista do nosso ônibus. Na cabine do motorista havia uma senhora de cabelos brancos que aparentava entre 60 e 75 anos. Após alguns minutos dentro do ônibus, descobri que ela era a coordenadora da excursão. Após coletar-nos no lugar combinado, o Gilmarzinho atravessou a cidade praticamente inteira, para que o restante do pessoal pudesse embarcar. Quando finalmente chegamos no outro ponto, do outro lado da cidade, adentrarse cerca de 30 pessoas, incluindo crianças, adolescentes e adultos. A maioria deles falava muito alto, como se houvesse necessidade de mostrar a todos que estavam ali. Limitei-me a ligar o tocador de mp3 e a ouvir as músicas que eu havia gravado. Graças a este “artifício”, desmaiei na poltrona do ônibus e sequer vi a viagem passar. Mas o pior estava por vir... Na entrada do parque aquático, os guias (ou melhor, os responsáveis pelas excursões) precisam adquirir os convites e passá-los para os membros da excursão. Pois bem. Aquela senhora de cabelos brancos comprou os ingressos e ingenuamente começou a distribuí-los para as pessoas que estavam na fila (e nós estávamos no final dela!) Havia apenas um pequeno problema: a fila era enorme e nem todos os que ali estavam eram da excursão. Sem notar, aquela senhora acabou “presenteando” pessoas que ela nunca havia visto, deixando inúmeras pessoas que haviam pago sem o ingresso (pra variar, eu e a Débora ficamos sem...) A minha irritação começou quando eu percebi que aquelas pessoas estavam agindo de má fé, pois estavam aceitando bilhetes que não eram delas e, não bastasse, não quiseram devolvê-los quando a senhora idosa pediu-lhes de volta. “Não, a senhora me deu, agora quer tomar? Eu não vou devolver, não!”, era o discurso daquelas pessoas, que me enojavam por causa de seu egoísmo egoístas e individualistas, que nem sequer se comoveram quando viram a pobre senhora retirar do bolso praticamente R$200,00 para comprar novos bilhetes de entrada... No trajeto de volta, fiquei indignado como há pessoas que só enxergam seu próprio umbigo. Quando colocaram os DVD’s do ABBA e dos Bee Gees, que eu e a Débora tanto gostamos, outros não gostaram e começaram a zombar daqueles conjuntos. Caramba, eu não me recordo de ter zombado em nenhum instante dos tais “Édson e Hudson”! Mas mesmo não gostando, eu preferi dormir a ficar reclamando o tempo inteiro. Mas e a nossa opinião, foi respeitada nesta viagem? Ora, por que é que eles não podiam ter respeitado o gosto de uma minoria (que somavam também outras pessoas, além de mim e a Débora). À noite, já cansado de pessoas que gostam de tirar vantagem em tudo o que fazem, eu me deparo com alunos da universidade querendo colar na prova. Putz, que raiva!!! Não preciso nem dizer que eu estressei e, adivinhem o que aconteceu? Isso mesmo: minha coluna travou novamente... Mas deixe estar. Amanhã eu mesmo terei um longo diálogo com meus alunos do colégio sobre a maneira como eles agiriam nesta situação. Como diria o Homem Aranha, “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. E neste momento, na condição de professor, eu tenho o poder (e a oportunidade de contribuir para que isso mude algum dia).

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