sábado, 16 de setembro de 2006

Viagem ao PR - Dois filhos de José Crotti

Sexta-feira, 8 de setembro de 2006. Desperto com o barulho estridente e irritante do celular. De olhos fechados, saio à sua procura, para fazer cessar o barulho que interrompeu meu sono. Esta cena se repete há mais ou menos dois anos. Mas há algo diferente desta vez. Olho para cima e não vejo o teto do quarto, e sim o engradado sobre o qual está outro colchão. Na verdade, estou dormindo em um beliche. Só então dou-me conta que não estou em minha casa. Estamos em Cambira, mais precisamente na casa de nossa prima Edna. Estamos dormindo no quarto que a prima Priscila gentilmente nos cedeu. A mamãe e o papai está ocupando a cama de casal onde ela tanto gosta de dormir. Ouço alguns movimentos. É a mamãe e o papai preparando as coisas para sairmos. “Coitada! Ela tá dormindo lá no chão da sala...”, diz a mamãe, agora com a certeza que estamos incomodando. Tentando fazer o mínimo de ruído possível, trocamos de roupa, escovamos os dentes e saímos rumo à casa da tia Augusta, onde combinamos de tomar o café da manhã. São apenas três quadras que nos separam da casa da tia Augusta, mas mesmo assim vamos de carro. O trajeto é rápido e não leva sequer dois minutos. Embora seja bem cedo – umas 8h, pra ser mais exato – a casa da tia Augusta já está cheia de gente. Na varanda, a prima Ilda está de avental preparando uma massa de talharim para o almoço. Na cozinha, a Vanda e a Sônia estão preparando a mesa. Após trocar algumas palavras com elas, sinto que estou atrapalhando-as. Sigo então para o quarto, onde está a querida tia Augusta, enquanto o papai e a mamãe ficam sentados à mesa da cozinha. Sentada à beira da cama, a tia me recepciona com o abraço carinhoso de sempre. Olho para ela com olhos ternos. Há bondade em seus olhos, simplicidade e experiência (são 90 anos!!!) em suas palavras. Suas palavras são ditas lentamente, mas são interrompidas pela tosse que, segundo disseram, a incomoda há duas semanas. Ouço então uma voz masculina que vem da cozinha, que não é a do papai. Quem poderá ser? Passados alguns minutos, adentra o quarto um homem forte, aparentando uns 40 anos. Está vestindo uma jaqueta marrom e uma camisa laranja. Embora eu nunca o tenha visto pessoalmente, consigo reconhecê-lo. É o primo Dilermando, filho do José Crotti (o filho mais velho da tia Augusta). Há algum tempo nos conhecemos pela internet e trocamos alguns recados pelo Orkut. Não é preciso muito papo para perceber que se trata de uma ótima pessoa, que traz em seu semblante a mesma alegria de viver de seu pai. Estou muito feliz por conhecê-lo pessoalmente. Sentamos ao pé da cama e iniciamos uma conversa de amigos que parecem se conhecer há anos. Eu me espanto com a forma com que nos identificamos um com o outro. Após alguns minutos de conversa, ele se levanta, retira o celular da cintura e, seguindo em direção á porta do quarto, faz uma ligação. “Oi Márcia! Adivinha quem está aqui na minha frente? O Miller!” A Márcia, com quem ele está falando, é sua irmã. Eu também a conheço apenas pelo Orkut. Pelo que posso entender da conversa, ele parece estar convidando-a para vir conhecer-nos pessoalmente. Percebo, no entanto, que a distância que nos separa fisicamente é grande: 300 km. “Fale aqui com ele”, ouço-o dizendo, estendendo em seguida o braço e oferecendo-me o celular. Inexplicavelmente, sinto um frio no abdômen. Tomo o celular em mão. “Oi”. A voz que vem do outro lado me parece muito familiar. É como se já a tivesse ouvido antes... Uma voz que transmite bondade e paz. Uma voz de quem está visivelmente feliz por ouvir a minha. Ela me explica que gostaria muito de nos ver, mas que por causa do trabalho, só conseguiria chegar a Cambira amanhã à noite (quando estaremos em Maringá...). Eu entendo e lamento, mas não me entristeço. Pelo contrário. A alegria de poder conhecer o Dilermando e de ouvir a voz da Márcia já fez esta viagem valer a pena...

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