segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Viagem ao PR - O reencontro

Quinta-feira, 7 de setembro. São 14h30min. O papai dá o sinal de seta e entra à esquerda. Estamos em Cambira. A cidade parece ter crescido bastante desde que estive aqui, há cinco anos. Assim que os pneus cruzam os trilhos do trem (e eu que achava que isso era coisa de desenho animado...), sinto um nó na garganta. Pressiono os olhos para conter as lágrimas. As lembranças do tio Chiquinho estão em toda parte, mas ele não está mais entre nós. Após alguns quarteirões, o papai vira à esquerda. Eu me lembro desta rua e me recordo da última vez que passamos por ela. Eu estava com um lenço em mãos, que a tia Augusta havia me dado para enxugar as lágrimas que eu derramei por ter que me despedir do tio Chiquinho pela última vez. E eu sabia que era a última vez que eu o veria... À esquerda avisto a pastelaria do primo José Crotti (o “Zezinho”), o filho mais velho do tio Chiquinho. Um pouco mais à frente, também à esquerda, há uma praça. Embora sejam poucos os detalhes que me chamam a atenção, sinto-me como se estivesse mergulhando em um mar de lembranças. Quieto, eu limito a observar e a tentar controlar a emoção. Mas apenas tento...Eis que avistamos um portão de metal, cuja altura não deve ultrapassar 1,20m. Enfim chegamos à casa do tio Chiquinho... O papai manobra o carro sobre as pedras do quintal e ali estaciona o carro. Olho para o fundo do quintal e avisto, no alto, a casa de madeira onde o tio Chiquinho criou sua família. Descemos então do carro e iniciamos nossa subida até a casa. Na varanda, desmaiado na rede, o camarada Fontana, esposo da prima Sônia, mal percebe que chegamos. Os primos mais jovens, ainda crianças, brincam pela varanda. Não os reconheço. Afinal, quando vim aqui pela última vez, eles eram apenas bebês... Na porta da varanda, a prima Vanda vem receber-nos. Olho para ela e enxergo a querida tia Alice... A prima Sônia, sempre batalhadora, interrompe a feitura dos pães e vem receber-nos. A prima Ilda, de São Paulo, e a Val, fazem o mesmo. Ali estão as filhas do tio Chiquinho. Todas permaneceram firmes ao seu lado, até os últimos instantes de sua vida. Algumas, como a Sônia, por exemplo, abdicaram de suas próprias vidas para dedicarem atenção e cuidado a ele. Uma dedicação no mínimo merecida para um homem que sempre foi admirado por todos por sua bondade e paciência. Paro à porta da cozinha. Olho para a cabeceira da mesa. Por um instante, relembro do tio Chiquinho sentado, com sua blusa de lã de mangas longas, de chapéu, com os braços apoiados sobre os joelhos, fumando o seu cigarro. Levanto os olhos, na tentativa de conter as lágrimas. É, está faltando alguma coisa...
Da cozinha avisto a tia Augusta em seu quarto. Ela está sentada na cama onde o tio Chiquinho estava quando me despedi dele há 5 anos atrás. Hoje é ela que ocupa o lugar deixado por ele na casa, embora ele ainda tenha o seu lugar assegurado no coração de todos nós. Toda a atenção é dispensada àquela bondosa senhora de 90 anos recém-completos, cujos cabelos brancos desconhecem jamais conheceram qualquer espécie de tinta ao longo da vida. Ao me ver, ela sorri e, em seguida, começa a tossir. Peço-lhe a bênção e deixo-me cair cansado, sentado ao lado dela. Ela me parece fraca. A história parece repetir-se. Meu Deus, eu espero não ter que conviver com a dor de uma nova perda...

2 comentários:

cristine disse...

Olá Antonio!

Ando meio sumida, não é?
Essa vida de estudante e atleta de final de semana é corrida! xD
São tantas as novidades por aqui que até me sinto meio perdida.. rs

Espero que esta semana esteja sendo melhor para vc.
Aqui está um calor de matar que está me deixando um pouco irritada.. mas é o menor dos problemas.

Ainda bem que fez uma boa viagem e pôde ver sua tia ao menos mais uma vez [e espero sinceramente que não seja nem a penúltima nem a última.]

Pelo visto vc gosta de Avril Lavigne, né?
Já escutou Wake Up da Hillary Duff? É mais ou menos no mesmo estilo e sempre me anima bastante!
Já Iris, sem comentário.. o dueto com o Goo Goo Dolls é demais! [embora eu prefira a versão original, essa tbm ficou muito boa]

Curti mto tbm o post do dia 03, sobre a indicação do "Ora Bolas". Parabéns! =)

Quanto aos pepinos na obra da casa, boa sorte. É tudo o que posso desejar. Aqui em casa estamos em reforma e tbm é uma enrolaçããão!
Até minha mãe botou a mão na massa [literalmente].

Beijos e tudo de bom!

Antonio E. M. Crotti disse...

Oi Cristine!
Embora a viagem tenha sido cansativa e me rendido um começo de travamento na coluna, posso dizer-lhe que foi uma verdadeira "faxina mental". Estou vacinado contra o stress!
Prezo muito pela família, embora as brigas e os problemas sejam sempre uma constante em todas elas.
A Avril Lavigne tem algumas músicas muito legais. Eu costumo dizer que gosto das músicas, não dos cantores. Nem sempre eles acertam na música... Vou ouvir a que você me indicou. Valeu!
As obras estão paradas (ainda!!!!), mas logo dou um jeito. Vou "meter o pé no balde" e aí a moçada vai conhecer meu lado nervoso. Em um mês eles acabam tudo!!! rs rs rs
Obrigado pelo comentário!
Tenha uma ótima semana!
Antônio