sábado, 7 de outubro de 2006

Memórias de minha adolescência- 15 anos (parte 1)

1991. Tenho 15 anos. Sou um adolescente muito tímido. Uso óculos de grau por causa da miopia e não consigo encontrar um corte para o meu cabelo que me deixe satisfeito. Há mais cravos e espinhas em meu rosto do que a soma de todos os outros alunos da minha idade. Dizem que é por causa dos hormônios, os mesmos hormônios que fazem com que eu tenha uma das barbas mais espessas da escola, mesmo sendo um dos mais novos. Pelo corpo os pêlos não param de aparecer e de crescer. E eles crescem não apenas nas pernas, virilhas, axilas, peito e barriga, mas também em ombros e costas. Um dos colegas me apelidou de “Peposo”, em alusão a um ursinho de pelúcia cuja propaganda passa diariamente na televisão. Minha vida resume-se basicamente a estudar. Durante o período matutino eu curso o ensino médio regular na escola Pedro Badran. A escola fica muito longe de casa, por isso o papai comprou uma mobilete Zanella azul para eu chegar mais rápido até ela. À noite faço curso técnico em contabilidade na escola técnica São José, a que todos chamam de FEAM-COC. Lá a maioria dos alunos é mais velha do que eu. Sento-me no fundo da sala, na última carteira da fileira à esquerda do professor. Além de tímido, sou também discreto, mas sou bom aluno. Aqui nesta turma, a maioria dos alunos é mais velha do que eu. Não há, portanto, nenhuma jovem da minha idade com quem eu possa conversar de igual para igual, pois todos dizem que as mulheres amadurecem mais rapidamente que os homens. No entanto, há uma em especial que chama minha atenção. Seu nome é Lucimeire. Por ter uma estatura menor que as demais, ela me parece ter menos que os seus 18 anos. Ela não tem namorado, mas diz que tem um “paquera” que tem moto. Bem, eu não tenho namorada. Aliás, nunca tive... À medida que o tempo vai passando eu estou torno um bom amigo da Lucimeire. Ela ri das coisas que eu digo – bem, eu espero que seja do que eu falo e não de mim propriamente dito. Isso é algo novo para mim, pois ela é uma das primeiras jovens com quem eu converso de verdade. Aos poucos vou conseguindo vencer a insegurança e falar com ela sobre mim sem gaguejar ou atropelar as palavras. Nunca ninguém sorriu tanto para mim como a Lucimeire. Trata-se de uma pessoa simples, humilde e muito comportada, qualidades que, por si só., já me atraem a atenção. Todos os dias eu converso com ela para ver o seu sorriso. Minha vontade é vê-la sorrindo o tempo todo, pois ela tem dentes lindos. É bom ter a sensação de poder fazer alguém feliz. Mas a Lucimeire não tem namorado... Eu também não tenho namorada!!! Mas será que não estou confundido as coisas? Será que a atenção que a Lucimeire me dispensa é tem me machuca bastante... Certo dia eu cheguei na sala de aula e a vi conversando ao pé de ouvido com sua melhor amiga. Não gosto de ficar ouvindo conversas alheias, mas pude perceber que ela falava de do “cara” de moto. Disse que gostava dele.. Ouvir aquilo foi como cravar uma faca em meu coração... Agora somos dois disputando o coração de uma mesma jovem (embora ela não saiba que eu também estou no páreo). Para dar-lhe uma pista que eu estou “afim”, escrevi um poema e mostrei a ela. Ela se limitou a comentar que eu estava muito apaixonado Bem, eu acho que ela não leu as primeiras letras dos versos... Pelo menos agora eu sei que ela não entende nada de acrósticos...Acho que vou partir para outra.
Derrota
Luto com corpo e alma
um destino que é só meu.
Com unhas e dentes, com o coração
instante por instante, segundo por segundo.
Mas o corpo delira, a alma padece...
Eu luto por você, por seu amor.
Incessantes batalhas, seguidas derrotas,
rumo incerto, difícil vitória,
entrego-me aos poucos, derrotado...
Exército de um só homem
Um homem sem armas, indefeso.
Travo esta batalha - batalha de olhares
e tento, em vão, sair ileso.
Angustiado, perdi minha luta.
Morrendo, caído, chorando,
olhando-te em outros braços...

Um comentário:

Marcelo disse...

Que fase ruim hein?? Eu ainda sou um bocado timido! Imagine so antes de começar meu namoro Ela: "Vc me deu um presente de natal e eu nem te dei nada ne?" Eu: "Obg mas nao precisa!" Ela: "Eu insisto!" Eu: "Nao, serio" (Na maior inocencia sem saber o q ela queria dar, juro por Deus!) Ela: Mas vou dar mesmo assim! E me deu um beijo e estamos namorando a 2 anos! Pra vc ver como sou mole! huahuahuahuauha! =D Otima semana, Professor! =D