segunda-feira, 2 de outubro de 2006

É preciso olhar para trás

Faz quase dois anos que defendi o doutorado em Química. Após quase seis anos morando na casa de estudantes de pós-graduação, em Ribeirão Preto, voltei para a minha querida São Joaquim da Barra, cidade onde moro desde os 6 anos de idade. Naquela época eu levava uma vida um pouco difícil. Andava para cima e para baixo com uma mala enorme, repleta de roupas, comida e, às vezes, livros. Almoçava e jantava no refeitório estudantil, por nós apelidado de “bandejão”. A comida lá não era das melhores, mas com o orçamento apertado, eu não podia me dar ao luxo de comer em outros lugares do campus, onde se pagava por quilo. Quando a noite ia se caindo, eu sentia muito frio. Não raramente, minhas vias respiratórias ficavam congestionadas e eu começava a espirrar, como se estivesse resfriado. Eu ficava até tarde no laboratório, escrevendo e fazendo a parte experimental do projeto. Eu só voltava para casa de madrugada, geralmente depois da 1h. Vivia só para estudar. Mergulhado naquela vida repetitiva e convivendo em um ambiente altamente competitivo, onde os meus colegas me viam como um potencial concorrente às poucas vagas oferecidas nas universidades, eu não via a hora de defender e sair daquele meio de “cobras comendo cobras”. Eu gostava muito dali e sabia que ia sentir saudades, mas mesmo assim queria defender o mais rápido possível. O que eu mais queria naquela época era ser professor universitário e fazer pesquisa. Estas lembranças sempre estiveram aqui, guardadas comigo o tempo todo. Aliás, eu espero que elas jamais saiam daqui, pois são elas que me ajudam a valorizar minhas conquistas pessoais e profissionais. No entanto, eu sinto que elas às vezes permanecem adormecidas... Pois bem. Hoje, enquanto estava tentando preencher os diários da universidade, ouvi um barulho vindo aqui do computador. Era uma amiga de pós-graduação, que havia descoberto meu MSN por acaso. Aquela amiga vivenciou o primeiro semestre de mestrado e o primeiro semestre de doutorado e, portanto, sabe do quanto foi difícil para mim enfrentar disciplinas que exigiam uma carga teórica básica que eu não tinha. Afinal, ela presenciou a reação espantada dos professores diante de minhas perguntas “ridículas”, de quem não sabia nem o que estava perguntando... Após conversar alguns minutos com aquela colega e recordar tudo o que passei na pós-graduação, eu percebi que posso considerar-me um vencedor. Hoje sou o que eu queria ser desde aquela época, mas ao invés de agradecer a Deus por tudo, prefiro ficar lamentando que estou trabalhando muito, que estou cansado, que viajo muito etc. Parei um pouco e refleti sobre o assunto. Aproveitei e dormi tanto à tarde que acabei me esquecendo de ir à hidroginástica... O resultado... Bom, foi esplêndido!!! Para minha surpresa, minha coluna experimentou uma sensível melhora. Até as aulas da faculdade foram um pouco melhores. Estou começando a achar que meu problema é psicológico, e não físico...Quando o caminho à sua frente parece longo demais, pare e olhe o quanto você já caminhou. Talvez você não tenha forças para seguir adiante, mas pelo menos sentir-se-á feliz por ter conseguido caminhar até ali. A felicidade está no meio do caminho, e não no final dele.

Um comentário:

Ma Anand Saroj disse...

Obrigada Miller, isso é tudo...
Sinto-me feliz e com ânimo sempre que falamos( escrevemos) sinto-me aconchegada, e grata, imensamente grata e sempre, tds os momentos em que vc me vem a mente eu sou grata... Deus realmente é muito bom pra mim e sei que por isso fará com que nós nos conheçamos breve. Espero por isso com muita gratidão.Lembro-me tds os dias do nosso telefonema e de quanto sua voz me foi familiar e da tranquilidade que senti em saber que vc estava vivo...Imenso amor e respeito ,meu carinho , querido primo ... com muita saudade de outras tantas vidas com certeza!
Marcia