quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Renascido

No mês passado este blog completou um ano de existência. Ainda não consigo definir a verdadeira razão dele ter nascido. A princípio, eu queria que fosse um espaço onde eu registrasse a minha maneira de pensar e a minha forma de analisar a vida. Eu queria transformá-lo em um espaço onde meus descendentes pudessem encontrar documentado o cotidiano do pai deles quando era jovem. Talvez esta minha iniciativa tenha se originado do meu grande interesse pela adolescência do papai. Eu sempre quis muito saber se ele era um adolescente tímido como eu fui e se tinha as mesmas inseguranças que eu. Hoje, no entanto, eu já não sei mais a verdadeira razão de escrever estas linhas, que geralmente me privam de um sono precioso... O fato é que escrever é algo que me dá um prazer enorme e que me faz muito bem. É como se eu tivesse a necessidade de me esvaziar ao final de cada dia, como se fosse um ritual de purificação. Ao contar pra todo mundo, ao expor a todos o que acontece comigo, eu me torno um livro aberto. É como se eu estivesse contando alguns milagres e confessando parte de meus pecados a todos aqueles que lerem estas linhas (certo, eu sei apenas os nomes de uma meia dúzia de pessoas que visitam este espaço...) As palavras têm sido uma ótima ferramenta para materializar alguns sentimentos meus, mas neste momento são simplesmente ineficazes na tarefa de exprimir o que sinto. Talvez as palavras que eu procuro não existam, ou talvez eu não seja, neste momento, capaz de encontrá-las ou mesmo usá-las adequadamente. O fato é que chorar sorrindo sempre me pareceu algo extremamente contraditório. Aos meus olhos, o júbilo de um sorriso sempre se opôs à tristeza derramada em uma lágrima. Pois bem. Ao som de “Íris”, a música que tem me perseguido há mais de um mês por algum motivo, eu digito estas palavras sorrindo, enquanto as lágrimas escorrem face abaixo e molham o teclado, tornando as teclas escorregadias. Sinto o peito doer, a garganta fechar, o fôlego falhar... até o pranto se desencadear. Aos soluços, sorrindo, eu sigo escrevendo estas linhas tentando entender as razões deste pranto, que certamente parece insano aos que tiveram paciência para correr os olhos até aqui. A coluna parece ter feito um pacto amigável com o resto do meu corpo e os bicos-de-papagaio têm dado uma trégua razoável. Há uma vontade enorme de fazer o bem, de ajudar as pessoas. O fôlego para o trabalho, aquele dos tempos áureos de pós-graduação, parece querer aflorar novamente. Penso no papai, na mamãe, no vovô, na vovó, na titia, na minha querida irmã, na divina Clarinha, na abençoada Bianca e todos os parentes e os vejo como se fossem anjos. Penso na minha querida e amada Débora e sinto vontade enorme de abraçá-la, como se fosse esgotar toda a saudade da semana em um único abraço. Em cada pessoa que eu penso eu só enxergo bondade. Há algo aqui comigo, uma vontade enorme de viver que me faz querer sair correndo pelas ruas, com os braços abertos, agradecendo a Deus por eu estar vivo. É como se eu tivesse adormecido e, após uma longa espera, acordasse para a vida. Embora esteja sozinho, sinto uma presença divina aqui neste quarto. Uma presença que eu posso apenas sentir, pois não me sinto suficientemente evoluído (ou esteja demasiadamente confuso) para visualizá-la. Talvez seja um anjo de Deus que esteja me observando enquanto eu digito estas palavras confusas. “And I don’t want the world see me cus I don’think they’d understand” (E eu não quero que o mundo me veja, pois eu sei que eles não entenderiam). Certo, eu concordo que tudo isso é insano, mas eu me sinto o homem mais feliz do mundo neste momento!!! Obrigado, meu Deus!!!

Um comentário:

Ma Anand Saroj disse...

Gostaria de ter perguntado antes de ler a resposta... Pensei por que uma pessoa escreve um blog se pensa que as pessoas não vão ler... Pra quem escrevem?? Pensei na surpresa que vc teve quando te disse que eu o havia lido... E claro a resposta veio antes da pergunta tornar-se real (nesse plano). Fico imensamente feliz por estar podendo acompanhá-lo, vendo-o emergir.Busque tornar-se uma Lótus.
luz e amor
Marcia.