domingo, 8 de outubro de 2006

Teorias da evolução

Mais uma vez deparo-me com o monitor à minha frente, à espera de palavras para preenchê-lo. Fico minutos olhando para a tela em branco, respiro, olho para o teclado. Está difícil organizar as idéias. Sinceramente, eu gostaria que houvesse uma forma mais simples de se fazer isso... Por que tanta dificuldade em expressar sentimentos através de palavras? Eu juro que gostaria de entender isso, mas há nesse momento coisas muito mais interessantes que eu gostaria de entender... Tenho andado muito inquieto nos últimos três dias. Não tenho conseguido me concentrar em assuntos acadêmicos ou de trabalho. Ao invés disso, tenho passado a maior parte do meu tempo refletindo sobre a vida, algo que há muito, mas muito tempo eu não vinha fazendo. Penso em tudo, ao som de “On my way home” da Enya, e sinto uma dor no coração. Não uma dor que premedita um infarto, mas uma dor gostosa. Uma dor divina, daquelas que vem do fundo da alma, como se houvesse tanto amor em mim que o coração não suportasse. As lágrimas, para variar, vão brotando e umedecendo meus olhos. É uma sensação divina... Toda esta situação teve início há cerca de dois ou três meses atrás, quando descobri via orkut dois primos distantes que eu nem sabia que existiam: o Dilermando e a Márcia. Coincidentemente, eles são irmãos. Nós sempre visitamos a casa dos pais deles, os adoráveis José Crotti e dona Cida, sempre que visitamos Cambira, mas eu nunca os havia visto lá. Sendo assim, o primeiro contato que tivemos foi na forma de recados deixados no orkut. Sempre bem humorado, porém sereno, o Dilermando foi inicialmente mais freqüente nos recados e nós acabamos nos encontrando quando fomos à Cambira. Tive a grata oportunidade de conhecê-lo e à sua família. Fui cordialmente recebido em sua casa e conversamos durante horas. Ao final da visita, eu estava certo de que um vínculo de amizade sincera e duradoura acabava de ser criado entre nós. O meu contato com a Márcia, sua irmão, limitou-se inicialmente a um “oi” ao telefone do Dilermando no dia em que o conheci. Infelizmente ela mora com a família em uma cidade distante de Cambira, chamada Inácio Martins. Contudo, pude sentir muita bondade em suas palavras e em sua voz. O mais interessante foi que sua voz pareceu-me familiar... De volta a São Joaquim, eu voltei a sentir as dores na coluna. Com o passar dos dias, minha guerra contra os bicos-de-papagaio foi se intensificando e minhas forças foram sendo minada rapidamente, conforme eu vinha deixando registrado aqui no blog. Para minha surpresa, a Márcia leu este blog e sensibilizou-se diante da minha situação. De uma forma que eu até então desconhecia, a Márcia e seu esposo Chamber começaram a cuidar de mim à distância, demonstrando um enorme carinho para comigo. A dedicação de ambos deixou-me tão surpreso, perplexo e grato que uma pergunta começou a ecoar aqui dentro de mim: como podem duas pessoas que eu jamais encontrei fisicamente se preocuparem tanto e terem tamanha consideração para comigo enquanto pessoas tão próximas não dão a mínima para as minhas dores? Aos olhos deles, o fato deles terem se identificado comigo se deve ao fato de termos sido muito próximos em vidas passadas. Sim, isso mesmo: em vidas passadas... Sem saber ao certo o que fazer e sem ter a Débora para desabafar (isso aconteceu durante esta semana...), eu procurei o meu amigo Serjão, o “anjo gigante” a que me referi no post “A máquina lá de cima”. O Serjão e eu passamos quase uma hora conversando. À medida que ele foi me expondo parte de seu conhecimento sobre o assunto, eu ia tentando “digerir” toda aquela informação e aplicá-la para aquele momento que eu estava vivendo. Ao final da conversa, eu e o Serjão estávamos com os olhos inundados em lágrimas. Abraçamo-nos e agradecemos um ao outro pela oportunidade. A semente em minha mente já estava germinando... Confesso que ainda estou muito confuso diante de tudo o que está acontecendo, e talvez eu nunca chegue a entender. No entanto, dois pontos estão muito claros para mim. O primeiro delas é que o período de escuridão pelo qual eu passei foi necessário para que eu enxergasse que eu preciso evoluir. Segundo o Serjão, há uma capacidade enorme adormecida em mim e que precisa ser desenvolvida. É minha obrigação desenvolvê-la! Eu associei o que ele disse à sensação que eu sempre tive de que eu tenho uma missão muito importante aqui na Terra. É uma sensação de responsabilidade, como se eu estivesse aqui para cumprir um papel que eu não estou conseguindo cumprir. Daí é que surgem as minhas dores... São dores necessárias para que eu evolua e, segundo o Serjão, elas só tentem a aumentar... Quanto maior a evolução, maior o conhecimento, maior a responsabilidade... e maior a dor. O segundo ponto, não menos importante, é que meu espírito estava doente. Segundo a Márcia, a doença começa no espírito e se reflete no físico. Suas palavras semearam dúvida em minha mente e, após um doloroso processo de aceitação, eu percebi que sou eu que estou causando o meu próprio sofrimento... O ponto mais positivo de tudo isso é saber que há pessoas verdadeiramente amigas com quem eu posso contar. Pessoas como o Serjão, que eu conheci na pós-graduação e que, como eu havia mencionado aqui, foram recolocado por Deus em meu caminho para auxiliar no meu processo de evolução, para que eu me torne uma pessoa melhor. Pessoas como a Márcia e o Chamber, que eu nunca encontrei pessoalmente, mas que têm demonstrado um cuidado, um respeito e um carinho enormes. Se para evoluir a gente precisa estar cercado de pessoas mais evoluídas do que a gente, então acho que finalmente encontrei o caminho. Começo então a analisar os fatos e me questionar: Será por acaso que Serjão e eu voltamos a conviver o mesmo ambiente após 6 anos? Por que somente agora eu fui saber da existência do Chamber e da Márcia? Por que justamente agora? Existe realmente um vínculo entre nós com relação a vidas passadas? Neste momento já são mais de 2h da madrugada. Não estou com sono, mas acho melhor eu ir deitar-me, caso contrário estas perguntas vão me enlouquecer...

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