quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Quarta-feira estressante - parte 2: prática contraria a teoria

Minha mudança de planos acalmou-me momentaneamente. Com certa pressa, dirijo o mesmo Gol cor chumbo, ano 1989, que adquiri há 8 anos. Não quero atrasar-me para a natação, pois acho que minha coluna não sobreviverá caso não se exercite dentro da água ainda hoje.. Ao chegar em casa, estaciono o carro sob a sombra da árvore de folhas pequenas, sem me preocupar com a distância que o deixo em relação à sarjeta. Tenho pressa. No entanto, qualquer tentativa de colocar meu plano B em prática vai por água abaixo quando giro a maçaneta e vejo que o portão está trancado. “Certo, eu vou entrar pelo outro lado”, penso. Quando tento abrir, a decepção: o trinco está trancado pelo lado de dentro!!! Só então me vem à memória a lembrança de que a mamãe tinha pedido a chave do cadeado daquele portão para tirar cópia. Sem querer acreditar que a mamãe tenha tido a coragem de me deixar para fora, meus pés começam a chutar o portão, cuja folha de metal nunca pareceu tão espessa. Penso que se não a fosse, o desenho do bico de meus pés teria deixado as marcas da minha raiva naquele momento. Instintivamente minhas mãos começam a proferir murros no mesmo portão. Aqui, prostrado do lado de fora, fico minutos a esmurrar e a chutar o portão, na esperança de que minha raiva possa passar. E realmente passa. Certo, essa é uma das características (ou deveria chamar de “defeito”?) fortes em minha personalidade. Geralmente sou muito controlado e ponderado em tudo que faço ou falo, mas quando eu explodo.... Como diz a mamãe, sou como se fosse uma “brasa encoberta”, e neste momento ajo como se um vento tivesse acabado de reacender a chama que aparecia já ter sido apagada há tempos... Após alguns minutos, percebo que estou agindo como um louco e vejo que de nada vão adiantar aqueles chutes e socos. Recomponho-me e volto para o carro. “Nem tudo há de estar perdido. Vou cumprir as outras etapas do plano, depois volto para buscar a toalha e a sunga”. Sem titubear, pois o tempo me é escasso, entro no carro e volto para a relojoaria. Em poucos minutos encontro-me ao portão da casa da Débora, com os óculos em mão. “Ela vai gostar do resultado”, penso. No entanto, ao tocar a campainha... Adivinha?? Outro portão trancado. E não há ninguém em casa!!!! Olho para baixo. Respiro fundo. O coração está disparado. A raiva toma conta de mim novamente, mas desta vez tenho que controlá-la. Levanto os olhos, olho para o portão. Parece existir no mundo somente eu, ele e minha raiva. Puxo a perna para trás, tomo posição. A perna, no entanto, pára no meio do caminho. “É uma pena que eu não tenha o direito de chutar o que não é meu...”

Um comentário:

crisitne disse...

Nossa Antônio, seu feriado foi assim conturbado?

Da próxima vez vem aqui em Ibiúna assistir um filminho... hehehe
[foi o que eu fiz ontem... não era Jogos Mortais II mas deu pra quebrar o galho]

Mas no final vc acabou indo à natação ou não deu tempo?
Fiquei curiosa pra saber o final desse dia tão complicado...

Beijos e votos de um findi melhor pra vc =)
Cris.