segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

A cada Natal que passa...

25 de dezembro. É novamente Natal. Esta seria uma data para se celebrar a união e a saúde, permitindo que Jesus renasça no coração de cada um de nós. Deveria haver troca de presentes, amigo secreto, ceia. Deveria ser uma data marcada pela união e pelo amor nos corações. No entanto, a cada ano que passa, vejo que esta realidade vai se tornando cada vez mais um sonho... Não é à toa que em plena noite de Natal os bares estão cada vez mais cheios. Muitos preferem passar a noite longe da família, talvez decepcionados com as brigas que existem dentro de suas próprias famílias. À medida que os anos foram passando, percebi que dois irmãos podem ter (e geralmente têm!) formas completamente diferentes de pensar. As diferenças também se estendem aos pais, que por serem mais velhos, consideram-se portadores da verdade absoluta. Com o tempo essas diferenças vão se aguçando, ao passo que a tolerância vai se tornando cada vez menor. O desfecho desta situação é a dificuldade de convivência entre irmãos e entre pais e filhos. Aqui em nossa família não é diferente. Aos 30 anos de idade, relato aqui com muita dor que jamais vi os cinco filhos de meu avô Crotti reunidos. Quando se reúnem, sempre falta um. Pelo que tenho ouvido de cada um de meus tios, percebo que eles não vêem em meu avô um exemplo de bom pai e de homem dedicado à família. Meu avô, um senhor de 81 anos, é hoje um homem muito doente. Embora tenha sido um homem orgulhoso e autoritário, hoje precisa que seus filhos, em quem disseram que ele jamais deu um abraço sequer, contribuam para o pagamento de seu plano de saúde. Alguns de seus filhos, por causa de mágoas anteriores, recusam-se a pagar o plano. Ao agirem assim dão mostras de que querem se vingar de alguém que não tem mais forças para lutar... Não bastassem os problemas de relacionamento, existem também os problemas de saúde. Minha avó Maria, mãe da mamãe, teve paralisia facial. Minha avó Lourdes, mãe do papai, mal consegue andar. De vez em quando perde a lucidez e começa a ver coisas que existem em um mundo que somente é dela.Em meio a tanta desunião, desamor e intolerância, encontro-me mergulhado em mim mesmo. Cada vez mais estas linhas são a única maneira de exteriorizar a angústia que tenho vivido durante esses dias. O engraçado é ouvir que por agir assim, por preferir ouvir e respeitar opiniões diferentes das minhas e calar-me, sou taxado como ausente e pouco dedicado à família...

Um comentário:

jessica disse...

Oi querido e maravilhoso professor...estava lendo seus textos, chegaram a me arrepiar, os textos da formatura me fizeram chorar, vou sentir saudades, mais o importante é que jamais esqueceremos tal experiencia juntos, obrigada por tudo, pelos ensinos e pelos concelhos que eu jamais esquecerei...um abraço grande pequeno homem..saudades