quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Despedida...

As férias escolares estão chegando. O ano letivo praticamente terminou, mas como o governo exige que sejam trabalhados 200 dias por ano, os professores da rede pública são obrigados a permanecer na escola no horário em que tinham suas aulas. Nesta época os professores tornam-se mais próximos uns dos outros, pois permanecem em contato durante um período maior que o de costume. Mas como aconteceu nos dois últimos anos, existe nesta época um clima diferente na escola. Não há alunos, e todos sabem que a escola não é nada sem os alunos. Às vezes, quando paro na porta da sala que separa a sala dos professores do pátio, fico olhando o chão de cimento, pintado com gravite preto, e fico imaginando os meninos correndo, se empurrando. Sei que todos estão de férias, e sei que a maioria deles estarão de volta em fevereiro. A maioria, mas não os alunos do terceiro colegial... Na última sexta-feira (8 de dezembro) vivi momentos inesquecíveis ao lado da turma de formandos do período diurno. Mais do que um vínculo aluno-professor, criou-se entre nós uma amizade e um respeito muito belos. Afinal, os alunos daquela turma estavam presentes nas minhas primeiras aulas no ensino médio, no final de 2004. Embora eu não tivesse aulas na sexta-feira e tivesse um churrasco marcado para a parte da tarde, fiz questão de participar do amigo secreto que promoveram, e de ir à festinha de “despedida” que estavam promovendo. Queria aproveitar meus últimos momentos com eles em sala de aula... Um dos alunos, o Michel, inventou uma espécie de caça ao tesouro, de forma que a aluna que foi presenteada por ele teria que procurar pela sala, de acordo com as instruções de um código. Já a Naira levou um pacotão enorme, que ao ser avistado por mim, fez-me suspeitar que se tratava de uma sacanagem, daquelas em que o sortudo tem que desembrulhar várias caixas, de tamanhos decrescentes, até chegar no pequeno presente desejado. Enquanto o amigo secreto corria normalmente, eu saía abachado da cadeira até a mesa onde estavam os salgadinhos e “filava” alguns quibes, para aliviar a fome... No final do amigo secreto, três alunos, Adriano, André e Alex quiseram prestar uma homenagem a mim. Ao parabenizar-me, notei que me entregaram pacotes cor-de-rosa contendo algo cilíndrico e comprido. “Isso está me cheirando à sacanagem”, pensei. Meus instintos novamente não falharam. Tratava-se, nada mais nada menos, do que uma banana, um pepino e uma berinjela... Agradeci aos rapazes pela homenagem e senti-me muito feliz, não pelos presentes, obviamente, mas por terem se disposto a fazer esta brincadeira. Recordei-me então que o André e o Adriano pareciam ser muito receosos com relação a mim. Às vezes lamentamos a rápida passagem do tempo. Neste momento,eu lamento tanto que esses alunos precisem ir embora que eu ousaria pedir que o tempo parasse... Mas é o caminho natural das coisas. Eles vão, os professores ficam. Não pode haver egoísmo em um professor, apenas doação. Então eu me vejo forçado a render-me à situação e contentar-me em ficar vendo e revendo essas fotos... Obrigado, meus amigos!

Um comentário:

Michel Luis da Cruz Ramos Leandro disse...

Obrigado por tudo.

Leve um pouco de mim porque de TI tenho bastante.
Deus nos ilumine sempre!