quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

O preço de se fazer bem feito

15 de dezembro de 2006. Acordo às 6h30min. Sinto-me como se meu corpo tivesse sido surrado na noite anterior. Na verdade, a dor generalizada que sinto agora, em especial na base da coluna, é fruto do stress a que tenho sido submetido, face ao grande número de coisas que tenho para fazer e à forma incompetente com que tenho lidado com o pouco tempo disponível. O fato é que tive que dormir por volta das 2h30min. Até este horário eu permaneci digitando as perguntas que formulei para o exame de qualificação de uma aluna de mestrado. Diante da dor que me incomoda, decido ficar deitado mais alguns minutos. Quando o despertador do celular toca, eu imediatamente toco o dedo no botão que adia em 6 min o tempo que ele levará para tocar novamente. Eu imagino que devo ter feito isso consecutivas vezes, pois quando dou-me conta do horário, já são 7h30min. O exame de qualificação estava marcado para as 9h. Considerando que o período de viagem é de mais ou menos 40min, e que eu levarei uns 20min para sair de casa, chegou rapidamente à conclusão que estou atrasado. Até parece que isso é novidade em minha rotina... Após uma viagem tensa, trafegando em velocidade levemente acima da permitida (110km/h), estaciono em frente ao laboratório às 9h05min. Enquanto imagino uma desculpa (mais outra...) para justificar meu atraso, fecho a porta e sigo caminhando em direção ao anfiteatro onde o exame de qualificação será realizado. Percebo então que a porta está fechada... Sigo então para o laboratório, onde encontro o orientador da aluna navegando tranquilamente pela internet, respondendo e-mails. “Ah, eu esqueci de te falar... A hora da qualificação foi mudada para as 9h30min”, diz ele com naturalidade. “Não se preocupe. Achei que tivesse atrasado.”, respondo, totalmente confuso, sem saber se devo rir ou irritar-me.” Após 40min de espera, a qualificação tem seu início. A aluna está ligeiramente nervosa. Para que ela se sinta mais à vontade, desvio os olhos da apresentação, como se não tivesse prestando atenção. Decido fazer isso porque sei que ela está preocupada com o nível de argüição que farei. Na verdade, as quase duas folhas que preparei de perguntas são todas perguntas conceituais, relacionadas a tópicos que ela mencionou no texto de sua qualificação. Eis que eu levanto os olhos por um momento e avisto ela explicando um mecanismo de forma completamente equivocada... Mais alguns minutos e vejo a aluna cometendo erros conceituais também na área de cromatografia... Terminada a apresentação oral, segue-se a argüição. Já no início da apresentação o presidente da banca estabelece o horário para o término do exame. No final das contas, eu terei apenas 35min para argüir a aluna, tempo menos que suficiente para esgotar a primeira folha de perguntas... Tudo isso por causa da mudança no horário do exame... Ao final desta experiência posso concluir que parte do meu desgaste vem do fato de tentar fazer as coisas sempre bem feitas e de me empenhar sempre ao máximo. Certamente este esforço não é reconhecido ou medido por ninguém, mas a sensação de deitar a cabeça no travesseiro e ter a consciência tranqüila por ter feito o melhor realmente não tem preço. E eu sinto, sim, algo de muito divino quando isso acontece...

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