domingo, 7 de janeiro de 2007

Noite de formatura - parte 1

15 de dezembro de 2006. São 20h15min. Eu e a Débora estamos nos aproximando do recinto de exposição “Tancredo Neves”, onde é realizada anualmente a “Festa da Soja”. Olho para ela, sorrindo. Ela retribui com um sorriso largo e incrivelmente branco, destacado ainda mais pelo vermelho de seu batom. Seus cabelos cuidadosamente escovados e seu vestido azul escuro dão indícios de que a noite de hoje será muito mais marcante do que qualquer show da Festa da Soja que possa vir a se realizar neste recinto. É noite de formatura do pessoal do ensino médio do colégio Edda Cardoso de Souza Marcussi, onde ministro aulas de Química. Por causa do horário de verão, começou a escurecer agora há pouco. No entanto, ainda se pode ver o céu cinzento, repleto de nuvens pesadas que avisam que está prestes a chover. Lembro-me então de minha formatura de 8a série, em 1990, quando fui orador da turma. Recordo-me que iniciei meu discurso com “essa noite estrelada seria apenas mais uma...” Depois me disseram sob risos, que não havia sequer uma estrela no céu naquela noite... Ao pensar nisso, tranqüilizo-me, pois sei que as nuvens não são capazes de ofuscar o brilho de uma noite especial. Na entrada, seguranças trajando os usuais ternos pretos solicitam o ingresso. Retiro então a carteira e começo a procurá-los, sob os olhar de censura da Débora. “Eduardo, você já devia estar com esses ingressos na mão...” Após colocar quase meio conteúdo da carteira para fora, encontro os tais bilhetes. Recoloco tudo em seu devido lugar e de braços dados, Débora e eu entramos no recinto. Paramos à porta. Com um simples e rápido movimento de olhos, vasculho o ambiente, que se encontra devidamente decorado para a ocasião. Mesas cobertas por panos brancos e cor-de-carne. Lá na frente, aviso o palco iluminado, com um microfone ao centro. Do lado esquerdo o DJ confere as instalações do som. Dou uma rápida vasculhada pelas mesas. Avisto professores, cujas mesas foram dispostas do lado esquerdo do corredor pelo qual os alunos irão entrar. Alunos que durante todo o ano se vestiram de maneira simples agora parecem “celebridades”. Certo, essa é a noite deles. Para muitos será a noite mais importante de suas vidas. Sempre discreta, Débora escolhe uma mesa à esquerda, daquelas que foram reservadas para os professores, porém a mais afastada do palco. Ali sentamo-nos e ficamos a observar o ambiente. Após olhar em minha volta, percebo que a Débora está me olhando. “Você está ansioso, né?” Ela me conhece, não há como esconder: estou realmente ansioso. O motivoé bem simples. Como no dia da colação de grau eu não poderei estar presente, por causa da formatura lá da faculdade (em que serei homenageado como “nome da turma”), ouvi dizer que eles farão uma homenagem para mim... Mergulhado em minhas reflexões, assisto ao Hercílio, professor de História, esticando a mão para cumprimentar-me e perguntar se ele e sua família podem dividir a mesa conosco. “Boa noite!”, ouço a Rose, professora de Português e mestre de cerimônia, dizer ao microfone. A formatura vai começar.

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