sábado, 28 de abril de 2007

Envelhecer

Uma das poucas verdades absolutas, aquelas que a ciência não tem argumentos para contestar, é a de que o tempo não pára, nem tampouco volta atrás. Pisque os olhos, e ao abri-los o mundo que você verá já não será mais o mesmo. Aliás, nós mesmos não somos mais o mesmo após um piscar de olhos. Novas células estão em constante multiplicação. Milhões delas nascem enquanto outros milhões morrem. À medida que o tempo passa – e isso não há como evitar – o balanço entre células vivas e mortas vai se tornando desigual, o que causa em nossos corpos o que chamaos de “envelhecimento”. Todos envelhecem, esta é a verdade. Alguns, bem-aventurados, conseguem manter-se com espíritos jovens, a despeito do passar dos anos. Mas o corpo... Por mais que se use filtro solar, a pele, que era branca como a neve quando criança, passa a ficar manchada e enrugada (digo isso das peles brancas porque não consigo visualizar muito bem naqueles que têm pele negra...). A visão vai, aos poucos, tornando-se turva, e aquilo que podia ser visto com perfeição à longa ou à curta distância passa a exigir o auxílio de óculos. O raciocínio, que de tão rápido, não conseguia ser acompanhado pelos lábios, agora se perde durante um diálogo. As lembranças vão se perdendo, assim como nós vamos, com o tempo, deixando de existir. Meu amado papai, um dos homens mais sábios que já conheci, diz que somos como um milho de lavoura de plantio direto: à medida que o milho seco vai morrendo, o milho da nova safra vai crescendo. Este é o caminho natural que todos, sem exceção, seguiremos. Hoje, enquanto retornava do jogo de futebol, olhei para o céu claro e notei que desde o primeiro ano de faculdade eu percorro à pé o mesmo trecho. Naquela época, há 12 anos, eu era um jovem de 19 anos cheio de energia. Prestava o serviço militar, e mesmo chegando tarde da noite em casa, estava em forma no tiro-de-guerra às 6h do outro dia. Corríamos pelas ruas da cidade gritando, cheios de energia, e ainda éramos capazes de jogar futebol durante toda a manhã, sem sentir os efeitos do cansaço. Hoje eu me vejo em uma situação um pouco diferente. Sou professor de ensino médio, de universidade e de pós-graduação e tenho, hoje, dinheiro para abastecer o carro e dar voltas pelas ruas da cidade com minha amada Débora, como eu tanto desejava naquele tempo. Ao invés de não ter dinheiro para pagar a conta, hoje nossa única preocupação ao sentarmos em uma mesa de restaurante é não comermos muito para não engordamos. Entretanto, para jogar futebol, preciso usar uma faixa abdominal, que pressiona minha coluna e evita que ela se desloque durante o choque de meus joelhos enquanto corro. Em outras palavras, meu corpo já começou a sentir os efeitos dos duros últimos 16 anos... Mesmo sendo inevitável o envelhecimento de nossos corpos, devemos cuidar deles o máximo que pudermos. Não nos esqueçamos que ele nos foi cedido por aluguel, e ao final do contrato, vamos ter que prestar contas daquilo que fizemos enquanto nele habitamos. Mais do que manter a calçada limpa, cuidemos para que o interior de nossa “casa” fique sempre arrumado e limpo, para que todas as pessoas possam visitá-lo sem que você tenha algo a esconder. Torne o interior de sua casa atrativo. Em outras palavras, seja uma boa pessoa. No final, tudo o que restará de você serão as lembranças das alegrias que a sua casa trouxe à vizinhança...

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