quinta-feira, 19 de abril de 2007

O problema da "Escola para Todos"

Desde que ingressei no ensino médio da rede pública, como professor de ensino médio, tenho aprendido lidar bem com os alunos. Neste período, já presenciei alunos fazendo muitas coisas, desde troca de socos a alunos cheirando cocaína em plena sala de aula. No entanto, hoje está sendo um dia diferente. A turma de 1o ano de supletivo, onde estou, encontra-se dividida. Do lado direito, senhores e senhoras que têm a idade média do meu pai, que ouvem atentamente o que eu falo e fazem perguntas quase o tempo inteiro. Do outro lado estão os alunos mais jovens, repetentes, que conversam o tempo inteiro. Mas há um em particular, de pele morena escura, que me desperta a atenção. Ele é de baixa estatura. Tem os cabelos arrepiados, veste camisa de gola pólo e bermuda. Está com os olhos vermelhos, como se estivesse bêbado ou sob o efeito de drogas. Seu olhar não consegue se fixar em um único lugar. Parece literalmente fora de si. Este rapaz se levanta e segue em direção à porta. Sem pedir licença ou mesmo comunicar que ia sair, ele deixa a sala e sai andando pelo pátio com um imenso cigarro entre os dedos. “Aonde você vai ?”, pergunto, tentando iniciar um diálogo e convencê-lo de que ele precisa pelo menos comunicar que vai sair. “Eu vou onde você não pode ir”, responde, com uma voz arrogante e enrolada. Era a prova de que eu precisava de que ele está realmente fora de si. Sem pensar duas vezes, sigo até a diretoria e comunico ao Vanderley, que está provisoriamente desempenhando as funções de vice-diretor. “Ontem nós tivemos que chamar a polícia. Ele ameaçou bater em uma professora...” E complementa: “Vamos abrir uma ocorrência.” Sem entender qual é a razão daquele indivíduo estar freqüentando a escola, deixo a sala do Vanderlei com uma certeza: a escola é para barros que podem ser modelados em bons jarros, e não para jarros ruins que não podem ser quebrados. Para estes últimos existem as casas de recuperação e de detenção..

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