segunda-feira, 14 de maio de 2007

De volta a Cosmópolis

8h48min. Estou morrendo de sono. Mesmo assim preciso tentar manter os olhos abertos e a atenção fixa, pois estou ao volante. O carro não é meu; é do vovô “Mila”. Como passageiros estão eu, ele, a vovó Maria e a minha Débora. Estamos indo em direção à casa de minha irmã, em Cosmópolis. Hoje à tarde será o aniversário da Clarinha. Sinto que o vovô está com pressa de chegar. Mas eu estou com sono e preciso dormir. “Vovô, vou parar pra dar um cochilo”. “Se você parar pra cochilar, eu desço do carro e vou a pé”, responde ele, prontamente. Mas eu nunca sei quando ele está falando sério ou não... 11h. Estamos perdidos pela cidade de Cosmópolis. É uma cidade ridiculamente pequena, mas eu não tenho a mínima noção pra que direção fica a casa para onde minha irmão se mudou. “Precisa achar a caixa d’água”, diz a vovó. Decido ligar para o papai para ele nos dar informações. “Pega a venida, depois vira à direita, tem uma rua que morre, vira à esquerda....” Definitivamente estamos perdidos. 11h15min. Finalmente encontramos a casa de minha irmã. A Clarinha vem receber-nos ao portão, toda dengosa. “Dinho bunitinho!”, diz ela, correndo ao meu encontro. Recebo um abraço gostoso e um beijinho molhado. Ah, que saudade...
11h26min. A Clara já se sente à vontade conosco. Ela acabou de pregar adesivo na testa de todos nós. Ela está muito feliz. Nós também. Enquanto isso, o papai assiste a missa do papa Bento XVI em Aparecida-SP. “Esse padre é nazista”, não cansa de dizer ele. 12h20min. Finalmente encontro minha irmã. Está mais magra que da última vez. Está elétrica. A festa da Clara está marcada para as 15h. Na cozinha, a mamãe e a tia Ângela preparam o almoço e terminam de preparar os últimos salgadinhos. 14h28min. Estou cansado. A gripe começa a tomar conta de mim. Estou deitado na cama da Clara, a Débora está ao lado, tirando um cochilo. Ouço do lado de fora um chorinho. “Vovóinha, eu quero o Dinho!”. De repente, uma pequena criança entra pelo quarto e deita entre mim e a Débora, que imediatamente acorda. É a Clarinha. Ela envolve meu pescoço com os braços e joga os dois pés sobre o meu peito. Débora diz: “Deixa um pouquinho do Dinho pra mim...”, ao que a Clarinha responde: “Dinha, num sobro nada du Dinho pra sinhóla.” Dito isso, me abraça mais forte e me dá um beijo gostoso no rosto. Que fofura!
15h45min. A festa está rolando. A Clarinha está muito contente, brincando na cama elástica e na piscina com bolinhas. Quando se cansa, ela vem até a nossa mesa e toma um copinho de água. Essa é também a mesa dela.
16h55min. Chamo minha irmã para conversar em um reservado. Quero saber como ela está. Parece magra e cansada. Estou preocupado com ela. Está longe de São Joaquim desde a Páscoa e sei que a saudade é grande. Apesar do gênio forte e explosivo, minha irmã é uma boa mãe. Tem também o mérito de ter saído de casa e se mudado para uma cidade completamente estranha. É uma batalhadora. Pena que cometeu alguns erros em função da imaturidade de anos atrás. Apesar disso, conserva boa a sua essência, e forte o seu temperamento. Mas é minha irmã. Minha única irmã. E eu a amo.
19h. Estamos no carro, voltando para casa. Débora ensaia um cochilo no banco da frente, ao meu lado. No banco de trás, com os olhos semi-abertos, a tia Ângela fala ininterruptamente, com medo de que eu durma no volante. Mais um dia que se foi, mais lembranças para guardar. E mais saudade pra sentir.

Um comentário:

marcia disse...

saroj.
Que dia gostoso!!
Parabens para Clarinha !!
As fotos estão lindas...