quarta-feira, 23 de maio de 2007

Derrapagem

Terça-feira, 15h48min. Estou trafegando pela rodovia que liga Franca a Barretos. Entrarei à direita no próximo trevo, que cruza a via Anhanguera. Esta rodovia em que me encontro tem estado muito movimentada desde que começou a safra da cana-de-açúcar. “Rodotrens”, como assim são chamados, podem ser encontrados a cada quilômetro, o que tem aumentado sobremaneira o tempo de percurso entre minha casa e a faculdade. Para agravar a situação, chove. Eu até que preferia uma chuva forte, pois pelo menos a água lavaria a pista. Mas a chuva que cai é fina e, ao misturar-se com o barro que os caminhões canavieiros trazem eu seus pneus, forma uma camada de barro fino e escorregadio. É preciso ter muita atenção ao dirigir nesta estrada, o que aumenta ainda mais o meu desgaste físico a cada viagem. Estou um bagaço!
Estou a poucos quilômetros da Anhangüera. Trafego a 90 km/h, ouvindo músicas no mp3 para tentar espantar o sono. À minha frente, a aproximadamente uns 50m, segue um caminhão “três quartos”, carregado de barris de óleo em sua carroceria. Mantenho minha velocidade constante e, aos poucos, vou me aproximando do caminhão, para em seguida ensaiar uma ultrapassagem. Eis que, de repente, como se o motorista tivesse descoberto que deveria ter entrado quilômetros atrás, o caminhão reduz bruscamente sua velocidade. De ímpeto, eu piso firme no freio do automóvel. Porém, a piada está repleta de barro... e o carro, com as rodas travadas pelo freio, desliza pela pista, seguindo em direção ao outro lado da pista. Tudo acontece muito rapidamente, não consigo pensar. Do outro lado da pista vejo um carro branco, trafegando em alta velocidade. Ele vem em minha direção. Não consigo tirar os pés do freio, pois sei que se eu o fizer, meu carro irá colidir na traseira do caminhão, que a esta altura parece ter decidido ir para o acostamento. E o carro segue deslizando, fora de controle... Ouço o barulho dos pneus, derrapando no barro. O volante virou para o outro lado da pista, e é para lá que o carro continua indo. Lembro-me então do papai ter dito que quando os freios não funcionam, a melhor alternativa é utilizar as marchas. E é isso que faço. Pressiono o pedal do freio com a embreagem e puxo a alavanca do câmbio em direção à quarta marcha. O carro diminui a velocidade, mas não o suficiente. Engato então a terceira marcha... Somente então o carro retoma seu caminho correto. Assustado, começo a fazer o sinal da cruz várias vezes. Estou sem fôlego, com o coração disparado. Mais uma vez meu pai e meu Pai salvaram-me. Essa foi por pouco.
Ouça o que seus pais lhe disserem. Algum dia, quando você menos esperar, você verá que eles sempre tiveram razão.

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