domingo, 6 de maio de 2007

Escolhas

Ontem assistimos ao tão esperado filme “Homem Aranha 3”. Os dois primeiros filmes da trilogia do “amigão da vizinhança” foram sucesso de bilheteria e constam entre as melhores adaptações de histórias em quadrinhos para os cinemas que já se viu. Ao analisar os três filmes, entende-se porque o Homem Aranha é um dos super-heróis mais queridos. Peter Parker, seu alter ego, é um jovem inteligente, porém precisa trabalhar como fotógrafo free lance para o jornal Clarim Diário para sobreviver. As fotos, a maioria delas contendo fotos do Homem Aranha (ou seja, de si mesmo...) são vendidas por ele ao desalmado J. J. Jameson, que sempre paga o que quer por elas. Sua família se resume à sua tia May e sua grande paixão, Mary Jane Watson, tem uma queda pelo melhor amigo de Peter, o milionário Harry Osborn (coincidentemente, filho do Duende Verde, seu arquiinimigo). Em outras palavras, é um herói “real”, com o qual todos se identificam. Neste último filme da trilogia (ou melhor, desta “primeira” trilogia, pois boatos dizem que uma segunda está sendo negociada!), Peter Parker deixa corromper-se pelo ego. Ao perceber que é querido por todos, que o chamam de “amigão da vizinhança” e até lhe oferecem a chave da cidade, ele se torna arrogante e presunçoso. Enquanto isso, a carreira artística de sua namorada, M. J. Watson, vai por água abaixo. Mas Peter só sabe falar de si mesmo. Neste mesmo instante, ele descobre que o verdadeiro assassino de seu tio Ben é Flint Marko, que acabara de fugir da prisão da ilha Ryker. O que ele não sabe é que Marko sofreu acidentamente alterações em sua estrutura molecular. Sedento por vingança, Parker encontra-se exalando adrenalina pelos poros, tornando-se uma presa interessante para Venom, o simbionte alienígena. A despeito das cenas de ação do filme, que deixam o espectador boquiaberto e fazem valer cada centavo pago pela entrada, a cena que mais comove é uma das últimas, na qual o Homem Areia pede a compreensão do Homem Aranha por ter matado o tio dele. Ele lhe explica que não queria matar o tio Ben, mas estava assustado e que precisava do carro dele para efetuar a fuga. O dinheiro que havia roubado seria utilizado na cirurgia da filha de Flanko, que tinha sérios problemas de saúde. No final de seu discurso, Flanko desabafa: “Eu não escolhi ser assim. ”Eu não tive outra opção”. Parker, então, diz que todos nós temos mais de uma opção quando vamos fazer nossas escolhas, e que sempre uma delas leva ao bom caminho. Percebi então que uma escolha pode alterar completamente o rumo de nossas vidas. Por exemplo: na época em que estava sendo feita a seleção do grupo de jovens que serviriam o tiro-de-guerra, eu tinha conseguido radiografias da coluna para mostrar ao médico que eu não podia levantar peso de qualquer natureza e, portanto, deveria ser dispensado. Contudo, ao ver aqueles jovens de minha idade sorrindo e se divertindo, mudei de opinião e sequer mostrei as radiografias para o médico. Caso eu as tivesse mostrado, talvez tivesse sido dispensado e jamais conheceria o Agnaldo, meu cunhado. Em outras palavras, eu jamais teria conhecido a “minha” Débora. Quando soube que tinha sido aprovado no exame de seleção para o mestrado, eu tive que escolher entre permanecer na usina ou pedir as contas e ir para a USP sem perspectiva de bolsa de estudos. Se não tivesse escolhido a segunda opção, talvez não estivesse aqui escrevendo essas linhas hoje, pois minha vida teria sido completamente diferente e eu, obviamente, seria uma pessoa diferente dessa que hoje escreve essas linhas. Fazer escolhas nem sempre é uma tarefa fácil, principalmente quando outras pessoas serão diretamente afetadas pela escolha que for feita. No caso do filme, a escolha feita pelo Homem Areia acabou afastando-o de sua mulher, que passou a sentir vergonha por ter se casado com um “bandido”. Da mesma forma, escolher significa excluir definitivamente uma das opções: a escolha feita pelo Homem Areia excluiu de vez a possibilidade de passar a vida ao lado de sua família. Por fim, ao escolher, é preciso estar consciente de que algumas das opções aparecem uma única vez na vida. Se não forem escolhidas no momento certo, certamente teremos abdicado àquelas opções pelo resto da existência. Isso fica evidente durante todo o filme, todas as vezes que o Homem Areia abre o retrato na jóia que seu filho lhe presenteou. “Eu desejei inúmeras vezes voltar atrás, mas não tem jeito”, diz ele. Por fim, nem sempre a escolha mais fácil é a que leva ao melhor caminho. Ao invés de trabalhar, Flank escolheu roubar, que lhe pareceu mais conveniente. Somos hoje fruto das escolhas que fizemos ontem. Portanto, faça suas escolhas com muita ponderação, pois elas o tornarão a pessoa que você será daqui a alguns anos.

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